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sábado, 6 de junho de 2009

A SOCIEDADE CELTA

Organização:
A sociedade celta era centrada na unidade familiar (ou clann / fine) e tribal (tuath).
Sendo que, o tuath era o agrupamento de diversas famílias, que habitavam o mesmo espaço e viviam sob a orientação de um príncipe local, ou chefe.

A organização céltica assemelhava-se em muitos pontos a organização feudal, pois possuía estratos sociais bem definidos e as tribos (ou, na Idade Média, feudos) não estavam subordinados diretamente a um governo central e forte.

As tribos celtas eram autocéfalas, sendo unidas somente pelo idioma, religião e costumes.

De organização tipicamente aristocrática, distinguiam-se quatro classe: Druidas, Guerreiros e Nobres, Cidadãos livres e Escravos.

Os Druidas constituíam uma privilegiada e influente classe que transcendia as divisões tribais, por esse motivo, as explanações sobre eles estarão em um texto à parte.

Os Guerreiros eram outra classe de grande importância para os celtas, o próprio chefe do clã era, essencialmente, um guerreiro.

A Aristocracia celta era sustentada por clientelas, onde o status de um nobre era definido pelo número de clientes.

Nesta relação, clientes abriam mão de qualquer status dentro do clã e passavam a ter encargos exclusivamente com o nobre, em compensação, o patrono lhes garantia proteção legal, e fazia-lhes diversos donativos.

Uma relação assemelhada à vassalagem e suserania feudal.

No exercício da política, possuíam grande senso democrático.
Reis ou chefes poderiam ser impedidos de exercer suas funções se fossem julgados incapazes ou desonestos, e a sucessão não obedecia necessariamente à hereditariedade.

Homens e mulheres eram tratados de forma igualitária.
Em assuntos de interesse de toda tribo, as mulheres tinham o mesmo poder opinativo que os homens.
Muitos estudiosos sugerem que este comportamento provenha de uma cultura com forte reverência a mulher, na figura da Deusa-Mãe.
O povo celta era extremamente ligado a religião, sendo que esta jamais foi separada da política, da arte ou de qualquer outro campo da vida céltica, e foi exatamente a religião que fez dos celtas um povo consciente da importância feminina na sociedade.

Hábitos e Características :
A vida celta era centrada em um ambiente rural, sem grandes centros urbanos como Roma.

A própria economia baseava-se na agricultura e no pastoreio, sendo que o comércio também tinha grande importância.

A vida cotidiana, atualmente, tem sido objeto de vários estudos.

Escavações arqueológicas acabaram revelando aldeias com grande grau de conservação, possibilitando uma reprodução mais fidedigna do dia-a-dia celta.

É sabido que viviam em aldeias de orientação campestre, e descobertas arqueológicas revelam que viviam de maneira simplória em casas de madeira, argila e até pedra.

Mas com grande preocupação no que se refere à decoração e ornamentação.


Eram exímios no trabalho com metais, tanto que as peças e utensílios confeccionados pelos celtas circulavam em todo a Europa Ocidental.
A caldeiraria é um notável exemplo da eminência céltica na metalurgia.
Mesmo cidadãos comuns mantinham em suas casas um número razoável de utensílios, como armas, foices, facões, enxadas e até peças ornamentais.
Sobre os hábitos alimentares, os cereais e as frutas eram comuns no cardápio celta, além da carne, fruto da caça. Sabe-se que eles consumiam o Hidromel, uma bebida alcoólica bastante antiga da espécie do vinho e, como o próprio nome sugere, era obtida através da mistura do mel e da água.



Os hábitos funerários, pelas evidências arqueológicas, indicam uma forte influência dos povos circunvizinhos.
Aristocratas eram enterrados com diversos pertences cuidadosamente trabalhados, entre eles vasos, armas e outros.
Era comum o morto ornar uma espécie de gargantilha de valor bastante significativo, chamada torqui.
Esse tipo de colar era bastante peculiar da cultura celta, possuía forma tubular com desenhos de espirais concêntricos.
Assim como em outras culturas, os ornamentos diziam muito sobre o morto.
Os torquis de ouro, por exemplo, indicavam que o corpo sepultado era certamente um aristocrata.
A bravura dos guerreiros celtas sempre é citada em qualquer livro sobre esta civilização.
Os celtas foram objeto de observações de vários autores romanos, que os descreviam como um povo bárbaro, inclusive Júlio César narrou sua conquista sobre a Gália nos famosos sete volumes do “De bello gallico” (ou “Sobre a guerra gálica”).
Outros aspectos das características celtas são sempre destacados por esses autores de Roma. Um dos mais célebres relatos é do historiador romano Deodoro: “... O aspecto é aterrorizante... São altos de estatura, com fortes músculos sob uma clara pele branca.
Têm cabelos loiros, no entanto, não é um loiro natural: eles os descolorem... e os penteiam para trás.
Parecem demônios de madeira, com seus cabelos grossos e despenteados como crina de cavalo. Alguns têm a face barbeada, mas outros – em especial altos dignitários - barbeiam as bochechas mas mantêm um bigode que cobre toda a boca...
Eles vestem camisas bordadas e coloridas, com calças chamadas bracae e um manto preso aos ombros por um broche, escuro no inverno e claro no verão.
Esses mantos são listrados ou quadriculados e possuem diversas cores...”
O espanto de Deodoro é bastante evidente.
Neste pequeno trecho ele cita o aspecto “aterrorizante” dos celtas e, de certa forma, ele não estava errado.
Em batalhas, os guerreiros celtas usavam os conhecidos capacetes com chifres, pintavam o corpo com tinta azul, era comum irem descalços e os guerreiros se organizavam de forma caótica em comparação as legiões romanas.
Mas o fator que mais chamava a atenção destes autores era o hábito dos celtas conservarem as cabeças dos oponentes de grande importância, quase como um troféu.
A cabeça após ser decapitada era mantida em caixas de madeira.
O estudo sobre o dia-a-dia deste povo é um grande desafio que aos poucos está sendo superado.
A falta de registros escritos sobre o seu cotidiano é o grande obstáculo, pois os celtas não o fizeram de nenhuma forma.
Crê-se que foram os Druidas que proibiram o registro escrito, mas esse fato também não se confirma.
Os únicos relatos que se dispõe são de autoria greco-romana e, em diversos aspectos, as informações podem não ser integralmente verdadeiras.

MÚSICA

O significado:

Os celtas sempre estiveram muito ligados à religião, e assim como quase toda as expressões de sua cultura, a música também estava intimamente relacionada a temas de cunho religioso.
Tanto que os músicos eram – em sua maioria – ligados a classe sacerdotal dos Druidas.
A música ou, mais precisamente, o tocar dos instrumentos era considerado uma manifestação do mundo dos espíritos.
Sendo assim, o músico era um ser privilegiado, pois suas faculdades lhe permitiam captar pequenas manifestações do Outro Mundo, e desta forma, ele traduzia aquilo que absorveu para a música.
Exatamente por este motivo, é comum a temática musical celta estar ligada aquilo que eles mais respeitavam: a Natureza.
Um bosque, a brisa, a alvorada, o outono – ou qualquer outra estação – enfim, cada pequeno movimento da Natureza carrega um som, e era função do músico senti-lo e traduzi-lo em música. Com o advento da cristandade no mundo céltico, toda esta conotação entre religião e música, de certa forma, se perdeu.
No entanto, os “motivos ligados a Natureza” mantiveram-se vivos, e até hoje estão presentes no trabalho de cantores e instrumentistas contemporâneos.


Instrumentos:

Os instrumentos celtas são todos bem característicos, isso porque a música folclórica irlandesa conservou fortes traços da música celta.
E através desta herança rica e ímpar, a Irlanda lega ao mundo esplendorosas sonoridades, todas com um estilo único e incomparável.
A vasilha de prata conhecida como o caldeirão Gundestrup constitui um dos mais enigmáticos vestígios do mundo celta.
Decorado em alto-relevo, apresenta cenas que oferecem uma visão dos mitos e da religião celta, embora seu significado preciso permaneça oculto.
As figuras representadas eram originariamente revestidas com folhas de ouro e tinham olhos de cristal azul e vermelho.
Pois bem, mais um exercício mental. Pense na Irlanda, pense na música irlandesa.
Que instrumentos lhe vêm a mente?
Acho que muitos responderão a harpa ou a flauta.
Agora, pense na música escocesa.
Qual o primeiro instrumento que você imagina um escocês tocando?
A maioria, certamente, dirá a Gaita de Foles.
As características da musicalidade celta foram absorvidas pela cultura mundial, portanto, a grande maioria das pessoas tem, ainda que vaga, uma idéia sobre o que foi – ou melhor – o que é a música e os instrumentos que estavam presentes no folclore ancestral.
Além da flauta, harpa e gaita de foles, que já foram citados, ainda resta um importante instrumento – de percussão – chamado Bodhran.
Feita as devidas apresentações, vamos conhecer um pouco mais sobre estes instrumentos.
Flauta – A flauta é um instrumento que ao longo da história conheceu inúmeras variações, inclusive uma das variações é conhecida como flauta celta ou Feadan.




Este tipo de flauta, pertence à classe das flautas de bico (em oposição às flautas transversais). Em composições musicais provenientes ou inspiradas no folclore celta é fácil perceber a importância da flauta, sendo um instrumento que proporciona identidade à música por meio de um ritmo encontrado somente neste estilo de composição musical.




Harpa – A presença da harpa na cultura celta é inegável, tanto que a Irlanda fez deste instrumento um de seus símbolos nacionais.




Este instrumento de cordas é bastante antigo, surgiu na África por volta do ano 2000 a.C., no entanto, o modelo mais conhecido – chamado modelo triangular – surgiu no século IX na Europa. Com o passar dos anos surgiram duas variações deste mesmo modelo, e uma delas ficou conhecida como harpa irlandesa ou celta.

Este tipo particular de harpa, cujo nome em gaélico é Clasrsach, difere-se pela sua coluna curva e seus sete ditals ou alavancas que são pressionadas com os dedos para mudar a afinação das cordas.
Na sociedade celta, os harpistas eram considerados pessoas privilegiadas por ter o dom de tocar este instrumento.


Gaita de Foles – A origem deste instrumento é discutível. Crê-se que se surgiu na Ásia e os romanos a levaram para a Escócia, onde criou raízes e tornou-se um símbolo nacional.




Neste instrumento de sopro, o ar é retido em uma bolsa – chamada odre – e, posteriormente, ele é dirigido aos tubos de saída providos de palhetas.



Bodhran – O bodhran é um instrumento bastante peculiar na música celta.



É uma espécie de tambor, onde o couro de algum animal é esticado sobre um arco de madeira. Tradicionalmente, a matéria-prima do arco é o tronco de freixo (árvore de madeira amarelada e dura, comum na Europa) e o revestimento é feito com pele curtida de cabra, cervo ou bezerro.
Este instrumento, conhecido também como tambor irlandês, pode ser tocado com as mãos ou baquetas.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

LITERATURA

A literatura celta, conhecida pelos textos irlandeses (que influenciaram os da Escócia e da ilha de Man) e pelos galeses (modelo dos da Cornualha e da Bretanha francesa), constituiu-se da expressão escrita das arraigadas tradições orais, e foi obra de profissionais, com vistas a objetivos nacionais, locais e religiosos.
Com a chegada do cristianismo, desapareceram os druidas, dada sua condição de sacerdotes pagãos, mas a tradição foi herdada, preservada e ampliada pelos filidh irlandeses e pelos bardos galeses.
A esse fundo de folclore e de sabedoria ancestral se somariam elementos das culturas clássica (diretamente na Grã-Bretanha e na Bretanha francesa, mediante a conquista romana, e indiretamente na Irlanda, por meio do cristianismo), cristã e saxônica.
Na Irlanda, a cultura céltica teve muito menos dificuldades para sobreviver do que na Grã-Bretanha.
Em primeiro lugar, porque ali não chegaram nem a conquista romana nem a invasão saxônica e, em segundo, porque a evangelização, embora profunda, foi muito mais tolerante com a tradição vernácula do que em qualquer outra região da Europa.
O cristianismo introduziu a escrita na Irlanda; e graças à igreja se conservou grande parte da literatura oral primitiva, recolhida em coletâneas manuscritas em língua gaélica, nas quais figuram textos muito díspares.
As mais antigas dessas coleções são o Leabhar na h-Uidhe (c. 1100; Livro da vaca castanha), também chamado Livro de Ulster, e o Leabhar Laighneach (c. 1150; Livro de Leinster).
Depois, no século XVI, vieram juntar-se a esse acervo importantes coletâneas, como o Livro do deão de Lismore, que mostra a conexão cultural entre os celtas irlandeses e galeses.
As obras incluídas nesses manuscritos estão agrupadas em ciclos: o de Ulster, mitológico e histórico, e o de Leinster.
O primeiro desses ciclos é o mais importante, pois nele se acha contida a grande epopéia irlandesa, a Táin.
Essa literatura se caracterizava por fundir história, magia e lenda, em narrações de grande plasticidade e força descritiva.
Onze contos galeses que formam o chamado Mabinogion (Disciplina) foram preservados, sobretudo em dois manuscritos: o Livro branco de Rhydderch e o Livro vermelho de Hergest, ambos do século XIV, embora incluam textos mais antigos.
O nome Mabinogion só se aplica propriamente aos quatro ramos ou histórias de Pwyll, Braswen, Manawyddan e Math, narrativas cuja forma e temática derivam da tradição oral dos bardos. Acrescentam-se a elas um relato que parece provir de fontes muito antigas, Cuhlwch e Olwen, e outros três posteriores marcados pelas lendas do rei Artur - na versão do francês Chrétien de Troyes no século XII - por sua vez oriundas do folclore galês.
Na poesia, os filidh irlandeses e os bardos escoceses e galeses mantiveram a tradição de poemas panegíricos em metros muito rigorosos e complicados (o irlandês dan direach e o galês canu caeth).
Essa tradição, à qual se somaram poemas descritivos e alegorias cristãs, se manteve na Irlanda até o século XVII, resistindo à dura hegemonia inglesa.
Todavia, em conseqüência das perseguições e do exílio da nobreza, os filidh perderam seu prestígio e com eles se extinguiram o gênero e sua métrica.
Em Gales - onde surgiu a figura mítica do bardo Taliesin - o desaparecimento das cortes principescas, em fins do século XIII, marcou o ocaso da profissão bárdica, e os cantos de louvor foram aos poucos sendo substituídos por poemas de amor e bucólicos, cuja linguagem aboliu os arcaísmos e a métrica dos anteriores.
Da primitiva literatura celta da Bretanha francesa e da região de Cornualha conservaram-se apenas pequenos trechos.
Os escassos exemplos medievais e modernos indicam que, nessas regiões, os bardos sucumbiram muito mais rapidamente à pressão das culturas dominantes.
Mais tarde, os autores do País de Gales, da Escócia e da Irlanda começaram a escrever em inglês e os da Bretanha, em francês.
Apesar disso, surgiram já em fins do século XIX importantes movimentos que pretendiam recuperar as línguas autóctones e promover seu emprego como idiomas literários.
No âmbito temático, a magia e os devaneios da literatura céltica se estenderam pela Europa por meio das lendas arturianas, e em suas fontes se abeberaram muitos autores modernos.

ARTE

CARACTERÍSTICAS:


A arte celta inovou as artes.
Isso se deve a um estilo extremamente peculiar.
Tinha-se grande preferência por temas ligados a natureza: árvores, flores, animais e seres sobrenaturais zoómorfos.

Tais temas eram mais comuns que figuras humanas, no entanto, estas também existiam.
O “estilo celta” preferia os compassos, que destorciam e compunham figuras recheadas de espirais, elipses e outras formas curvilíneas entrelaçadas e, por vezes, organizadas de modo concêntrico, a formar representações quase abstratas.

Por não estabelecerem uma clara distinção entre o real e o mágico os celtas destinaram sua arte mais aos homens do que aos deuses, pois a própria criação artística era tida como visionária. Além dos adornos pessoais também recebiam tratamento artístico os objetos domésticos e os próprios dos guerreiros, como carros, espadas, escudos ou capacetes.
A arte céltica trabalhou sobretudo o metal - em especial o bronze e o ouro - enriquecido com outros materiais nobres, como o marfim, as pedras preciosas, o âmbar e o coral.

A pintura incidiu principalmente nas peças de cerâmica, enquanto a escultura só se desenvolveu a partir do século III a.C. e apresentou notáveis influências mediterrâneas.

Nem por isso a arte celta deixou de ter um espaço especial na história da arte, já que é considerada, atualmente, a primeira contribuição não-mediterrânea à arte Européia.

Até mesmo os temas emprestados da arte Greco-Romana sofriam “releituras”.

Arte céltica foi importante na medida em que desenvolveu um estilo todo próprio, que muitas vezes opunha-se ao classicismo de Roma e da Grécia.

Em outras palavras os celtas anteciparam em vários séculos as correntes artísticas que propunham inovar a arte tida como oficial.

A arte celta é dividida em dois períodos (assim como a história da própria civilização): Hallstat e La Tène.

O desabrocho artístico ocorreu no período lateniano, onde o estilo celta se espalhou e se integrou com as expressões artísticas da época.
As manifestações artísticas do período de Hallstatt - séculos VII e VI a.C. - se caracterizaram por uma decoração geométrica disposta em faixas e motivos simétricos.

Os temas prediletos foram as barcas solares, as rodas e algumas figuras de pássaros. Predominou o gosto pela ornamentação, às vezes excessiva, e já se conheciam certas técnicas que floresceram depois, como a articulação de peças metálicas e a incrustação em coral.

Desenvolvida entre os séculos V e I a.C., a cultura de La Tène irradiou-se dos vales do Reno e do Marne para grande parte da Europa.

No início, manteve-se o predomínio da simetria e introduziram-se motivos mediterrâneos, mas logo sobreveio uma nítida preferência pelos motivos curvilíneos e entrelaçados.

Um dos sítios arqueológicos mais importantes é o de Klein Aspergle, na região alemã de Württemberg, onde também foram descobertos restos etruscos que permitiram datar os objetos celtas encontrados.
A partir de meados do século IV a.C., desenvolveu-se o chamado estilo livre ou de Waldalgesheim, que se prolongou por mais de cem anos.

Desapareceu a simetria, pelo menos no detalhe, e predominou a linha curva, que deformava a realidade e promovia uma fusão dos diversos motivos.

As linhas se imbricavam para formar figuras zoomórficas e rostos humanos.

Nesse estilo da maturidade, do qual constituem magníficos exemplos as moedas gaulesas, que reinterpretavam modelos gregos, a visão céltica do mundo encontrou sua plena expressão.
Acossados pelos germânicos a partir do século III a.C., os celtas tiveram de fortificar suas aldeias.

A exaltação guerreira transparece da adoção de novos motivos.

Os braceletes tornaram-se nodosos; e conservaram-se abundantes utensílios bélicos, como espadas, pontas-de-lança e escudos retangulares.

A conquista romana da maior parte dos territórios celtas, no século I a.C., deu origem ao último estilo céltico, que às vezes é chamado de "barroco".



Exemplo máximo de virtuosismo foi o caldeirão de Gundestrup, encontrado na Dinamarca, lavrado em prata com cenas mitológicas.

Esse estilo durou pouco na Gália, onde não tardou a ser substituído pela arte galo-romana, mas se manteve nas ilhas britânicas, nas quais se conservam peças como o escudo de Wandsworth e o espelho de Desborough.

A arte céltica sobreviveu nessas ilhas e marcou a arte medieval irlandesa - e, em menor escala, a britânica - tanto nos códices com iluminuras e decorados com linhas entrelaçadas como nas cruzes de pedra lavrada.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

CULTURA

Embora os povos celtas tenham chegado a ocupar, entre os séculos V e III a.C., a maior parte do continente europeu, sua fragmentação política e sua posterior derrota frente aos latinos - o que para eles significou desaparecimento ou assimilação - fizeram com que, durante muito tempo, sua cultura constituísse um enigma, duvidando-se até mesmo da existência de um nexo comum entre as chamadas tribos célticas.
Ao longo de muitos séculos, praticamente as únicas fontes de informação sobre a cultura celta foram os autores gregos e sobre tudo os latinos.
Em grande parte, isso ocorreu porque os antigos celtas não conheciam a escrita.
Todavia, com a cristianização da Irlanda, última região dominada pelos povos célticos, os monges introduziram o alfabeto latino.
Dessa forma surgiu a primeira língua céltica com expressão escrita, o gaélico (uma outra variedade se desenvolveu em Gales e na Bretanha francesa).
Assim, por volta do século XII, os mosteiros irlandeses reuniram em manuscritos as tradições orais - épicas e mitológicas - da Irlanda celta.
Mais tarde, sobre tudo a partir de meados do século XIX, as escavações arqueológicas trouxeram à luz um grande número de túmulos e objetos de arte.
O estudo conjunto da arte e da literatura - que, por sua vez, contribuiu para o conhecimento de suas concepções sociais e religiosas - levou à conclusão de que realmente existiu um substrato espiritual comum aos diversos povos célticos, caracterizado por um sentimento mágico da natureza e pela rejeição do realismo, que divergia radicalmente do racionalismo mediterrâneo.
Fator importante nessa unidade cultural (e não política) das tribos celtas foi sem dúvida seu sistema de crenças religiosas, transmitidas por uma casta sacerdotal, os druidas, cujos ensinamentos seriam legados aos bardos e vates da Grã-Bretanha


As manifestações artísticas celtas possuem marcante originalidade, embora denotem influências asiáticas e das civilizações do Mediterrâneo (grega, etrusca e romana).
Há uma nítida tendência abstrata na decoração de peças, com figuras em espiral, volutas e desenhos geométricos.
Entre os objetos inumados, destacam-se peças ricamente adornadas em bronze, prata e ouro, com incisões, relevos e motivos entalhados.
A influência da arte celta está ainda presente nas iluminuras medievais irlandesas e em muitas manifestações do folclore do noroeste europeu, na música e arquitetura de boa parte da Europa ocidental.

Também muitos dos contos e mitos populares do ocidente europeu têm origem na cultura dos celtas.
Alguns estereótipos modernos e contemporâneos foram associados à cultura dos celtas, como imagens de guerreiros portando capacetes com chifres e ou asas laterais, comemorações de festas com taças feitas de crânios dos inimigos, entre outros.
Essas imagens se devem em parte ao conhecimento divulgado sobre os celtas durante o século XIX.
Diógenes Laércio, na sua obra Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres, comenta que a origem do estudo da filosofia era atribuída aos celtas, (entre outros povos considerados bárbaros).
O conhecimento da filosofia era atribuído aos druidas e aos semnothei.
Massalia era um conhecido centro de aprendizagem onde os celtas iam aprender a cultura grega, a ler e a escrever.
Entre os eruditos da antiguidade de origem celta ou oriundos das regiões celtas são conhecidos Gneu Pompeu Trogo, Marcelo Empírico, Públio Valério Catão, Marco Antônio Gnífon, Cornélio Galo, Rutílio Cláudio Namaciano, Virgílio, Vibius Gallus, Tito Lívio Cornélio Nepos e Sidônio Apolinário.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

ALFABETO OGHAN

(Alfabeto Ogham)


O Alfabeto Ogham (pronunciado ouam), também chamado de alfabeto duídico sagrado, era o alfabeto utilizado pelos Celtas foi criado pelos líderes espirituais Célticos que mantiveram os segredos usados para divinação e magia que só podiam ser entendidos pelos iniciados.
Este Alfabeto Sagrado esta profundamente conectado com as Árvores, com as quais os Celtas tinham uma forte afinidade e grande reverência.
Eles acreditavam que muitas árvores eram habitadas por espíritos, ou os possuíam. Por isso nomearam o nome de cada letra de seu alfabeto com um nome de uma árvore em específico.
Os antigos Celtas usavam o alfabeto Ogham na realização da magia.



Atiravam também paus divinatórios gravados com os símbolos do alfabeto Ogham.

O Ogham era escrito da esquerda para a direita em manuscritos, e de baixo para cima em pedras.



A linha central representa um tronco de árvore, e os traços representam os ramos





Ogham (pronuncia-se ow-am) é a forma mais antiga de escrita dos irlandeses e escoceses, podendo ser encontrado ainda hoje em inscrições em centenas de pedras altas e estreitas, nas paredes de cavernas e objetos de ossos, marfim, prata e bronze.


O objetivo desse alfabeto era permitir que determinados conhecimentos fossem registrados de forma cifrada, para que não caísse em domínio público.


Tal como as runas para os nórdicos, Ogham era utilizado principalmente por bardos e druidas.


(Esquema)

(GOODESS em ogham)

A ESCRITA CELTA


Os celtas chegaram a desenvolver uma escrita que era considerada sagrada e apenas os sacerdotes a aprendiam, além do que é muito complexa e ninguém conseguiu traduzi-la completamente ainda.
Inventaram lendas belíssimas, que estão entre as mais famosas dos dias de hoje, como por exemplo as história do rei Arthur e os cavaleiros da távola redonda, Tristão e Isolda, além de terem inventado quase todos os contos de fada ( que foram se modificando com o tempo ).
Muitas das lendas que conhecemos vieram da cultura celta antiga, como o conto da Árvore Dourada e da Árvore Prateada, que se parece muito com o da Branca de Neve e ainda é muito provável que tenha sido inspiração a J.R.R. Tolkien para a criação do Silmarillion (história que antecede o Senhor dos Anéis). Dentre outras lendas que deles descendem podemos citar a história do Rei Arthur e outros diversos contos que deram origem a fantasia moderna, o que posteriormente deu origem à Fantasia do RPG.
Eles perseguiam uma ilha considerada sagrada, por tal motivo migraram para a Inglaterra acreditando que ela era a Terra Sagrada, que eles nomeavam como Sid.
Relatos dizem que quando chegaram nestas terras, encontraram outros homens, mas com aparência grotesca, tinham o corpo coberto de pelos e estes falavam uma linguagem gritada e impossível de ser entendida, estes homens eram chamados de demônios.
Depois de chegarem nesta ilha, um povo civilizado também veio das terras exteriores e foi esta raça evoluída que ensinou aos celtas a escrita e diversas outras artes e técnicas.
Quando essa raça deixou as terras Celtas, ela foi tratada como uma raça de Deuses chamada de Tuatha Dé Danann. Os poucos que ficaram com os Celtas ficaram conhecidos como Druidas.