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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O SANTO GRAAL I


Após termos dissertado tanto sobre o Rei Arthur, impossível se torna deixarmos de falar sobre o Santo Graal, quando este está intimamente ligado a Athur, pois ele está presente nas Lendas Arthurianas, como sendo o objetivo primordial da busca dos Cavaleiros da Távola Redonda, tido como único objeto com capacidade para devolver a paz ao seu reino.

Com o lançamento de um dos livros mais polêmicos do momento, “O Código Da Vinci”, que é um livro de ficção escrito por Dan Browne que tornou-se um verdadeiro “best-seller”, na sua esteira, apareceram uma diversidade de livros contestando ou apoiando o que nele está escrito, bem como outros sobre temas correlatos.
O assunto encontra-se tão debatido que deverá sair dentre em breve um filme com base no que nele está escrito.
Sua leitura é apaixonante nos levando a meditar sobre acontecimentos envolvendo a história do Cristianismo.
Dentre os assuntos tratados no mesmo, não podemos deixar de mencionar a história do “Santo Graal”, milhares de livro foram e serão escritos sobre o tema, pois o assunto além de exercer a séculos um enorme fascínio, deixa a antever os meandros de uma procura por algo que não só a mitologia e o ocultismo não sabem dizer do que se trata, como também onde procurar.
No cinema encontramos transformando em sucesso de bilheteria uma série de filmes sobre o mesmo, como: “Indiana Jones III e a Ultima Cruzada”, um outro com o humor irreverente de “Monty Python e o Cálice Sagrado”, temos ainda “O Pescador de Ilusões”, a “Arca Sagrada da Aliança” e muitos outros, inclusive o de Dan Brown que cedeu seus direitos para a execução de um filme baseado no seu romance sob a direção de Ron Howard, tendo como ator principal Tom Hanks.
Perguntamos: o que será “O Santo Graal”, um mito, uma lenda ou uma realidade? Sabemos que o nome Graal encontra-se intimamente ligado à história do Rei Arthur e de seus cavaleiros da Távola Redonda, bem como a história da Igreja Católica, pois, segundo consta, o Graal seria o Cálice Sagrado em que Jesus teria bebido o vinho em sua última ceia com os seus Apóstolos antes da crucificação, outros informam que o mesmo seria o prato utilizado para cortar o pão nesse mesmo evento. Ele teria realmente existido? Resistiu ao tempo? Quem eram seus guardiões?
A palavra Graal significa vaso, cálice ou taça grande. Na sua origem, porém, Graal é uma palavra derivada do francês antigo que significa prato ou bandeja de grandes dimensões. A etimologia da palavra Graal é uma tanto duvidosa, mas costuma-se considerá-la como oriunda do latim gradalis em francês arcaico que vem a significar – cálice, bandeja funda ou alguidar, recipiente, pote de barro, ou metal na Catalunha, definições outras também encontramos, como sendo uma travessa, cornucópia, chifre da abundância, caldeirão e também como uma pedra ou um livro.
Na maioria dos países católicos, a figura do Graal é tida comumente como a da taça que serviu para Jesus distribuir o vinho entre os seus Apóstolos durante a última ceia, e na qual José de Arimatéia teria recolhido o sangue de Jesus crucificado proveniente da ferida no flanco provocada pela lança do centurião romano Longino. (“Chegando, porém a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados traspassou-lhe o lado com uma lança e logo saiu sangue e água”. – João 19:33-34).
A lenda do Santo Graal encontra-se praticamente ligada a todas as literaturas da Europa Ocidental, sobretudo da Inglaterra, França e Alemanha. A Igreja Católica não dá ao cálice mais do que um valor simbólico e acredita que o Graal não passa de uma literatura medieval, apesar de reconhecer que algumas personagens possam realmente ter existido.
É provável que as origens pagãs do cálice tenham causado descontentamento à Igreja. Em os “Mistérios do Rei Arthur”, a escritora Elizabeth Jenkins, ressalta que “no mundo do romance, a história era acrescida de vida e de significado emocional, mas a Igreja, apesar do encorajamento que dava às outras histórias de milagres, a esta não deu nenhum apoio, embora esta lenda seja a mais surpreendente do ponto de vista pictórico. Nas representações de José de Arimatéia em vitrais de Igrejas, ele aparece segurando não um cálice, mas dois frascos galheteiros”.
A primeira referência literária sobre o Graal, está revelada no “O Conto do Graal”, (Le Del de Conte Graal) do francês Chrétien de Troyes, escrito em 1128, onde aparece a história de Persifal e que gerou uma série interminável de canções, livros e filmes sobre o Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Tratava-se de um poema inacabado de nove mil versos que relata a busca do Graal da qual Arthur nunca participou diretamente, e que acaba suspensa. Chrétien nunca terminou sua história, aconteceram muitas continuações da mesma, na qual observamos uma variação muito grande, não só embelezando-a como acrescentando invenções a critério dos seus autores.
Sabe-se que Arthur e os seus cavaleiros eram personagens populares na época e as histórias a partir da Bretanha de língua céltica e de Gales, tinham-se espalhado por outros países. Acredita-se que Chrétien apossando-se das lendas conhecidas, deu-lhe um cunho pessoal, tendo por mérito, conseguir guardar e transmitir para a posterioridade a referida lenda.
Voltando um pouco no tempo, vamos encontrar referências à Lenda do Graal quando se refere a um tradicional Caldeirão Celta, no qual os Druidas misturavam suas poções e ervas misteriosas que curavam e restabeleciam as forças e que talvez, seja o ancestral da nossa medicina naturalista. Esta lenda teria sido absorvida pelos Cristãos, com a conversão dos Celtas à Igreja Romana. Temos também noticias de que o Graal servia como codinome a antiga Ordem do Sangréal ou Seita Secreta descendente dos ensinamentos secretos de Cristo, não divulgados nas Escrituras e da qual, José de Arimatéia fazia parte ou era seu dirigente. Essa Ordem era aliada a Ordem Européia do Reino do Sion, também conhecida como Priorado do Sion e os cavaleiros de ambas eram adeptos do Sangréal, que define o verdadeiro Sangue Real de Judá, ou seja, a linhagem do Santo Graal.
Se formos mais a fundo podemos também dizer que o Graal não é um objeto físico de qualquer tipo, mas é uma linha de sangue ou até mesmo um ideal espiritual apresentado em metáfora.
Como dissemos inicialmente, o assunto é fascinante, despertando a nossa imaginação e criação, pois promete mistério, segredo, aventura e um prêmio ou conhecimento disponível para todos mesmo que só algum o ache.
Tentaremos para conhecimento dos nossos leitores, trazer em uma série de capítulos, a história dessa fascinante lenda: “O Santo Graal”.
Não é nosso pensamento aqui, através desses capítulos, esgotarmos o assunto sobre o mito ou a lenda do O Santo Graal, pois o mesmo é por si só inesgotável, haja vista que já se passam mais de 800 anos da primeira referência literária sobre o assunto e ele se mantém com a sua chama acessa, causando polêmicas, controvérsias e muitas vezes incompreensões entre os diversos lados debatedores.
Não podemos e não devemos de uma maneira precipitada, darmos início aos nossos trabalhos sem que colocássemos os nossos leitores a par de certos conceitos que julgamos importante para a boa compreensão de tão polemico e controvertido assunto, O Santo Graal.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

REI ARHUR, O PRINCIPAL MITO DO OCIDENTE




O pensar ocidental está permeado pelas lendas arthurianas: mesmo que indiretamente, as figuras do Rei Arthur, de Merlin, o Mago, de Morgana e de Guinevere manifestam-se com inegável freqüência – e por vezes imensa profundidade – nos arquétipos, figuras históricas, lendas e mitos das terras outrora ocupadas pelos celtas e também nas que viriam a sofrer a influência européia após as navegações. E poucas pessoas percebem o quanto há de celta nessas figuras supostamente medievais.
A literatura arthuriana se desenvolve na Idade Média, entre os séculos IX e XI, num eixo fixo entre Grã-Bretanha, França e Inglaterra. Dessas terras nos chegam os relatos dos feitos de um rei sagrado e seu valoroso grupo de nobres guerreiros, donzelas puras e poderosos senhores e senhoras da magia. Relegados em nossos tempos à condição de mitos juvenis, as sagas do Rei Arthur (chamadas em seu coletivo de "Arthuriana") são, na verdade, sobrevivências de antigas lendas celtas muito anteriores – fortes demais para desaparecerem mesmo depois do declínio da cultura celta.
A começar pelo próprio Arthur. Como costuma acontecer com personagens mitológicos, ele tem uma parcela de historicidade que, com o constante recontar de seus feitos, é revestido na magia e grandiosidade simbólica dos mitos. O Arthur histórico nunca foi rei: descrito como um "Dux Bellorum" – um líder de guerra, ou seja, um comandante, um general – Arthur defendeu a Grã-Bretanha dos invasores anglo-saxões. Podemos especular que se tratava de uma liderança carismática, que fez brotar nos seus comandados a esperança de um futuro melhor, longe da dominação romana e livre dos invasores germânicos.
Como costuma ocorrer com os mortais, porém, o Arthur histórico um dia morreu. Mas os mitos jamais morrem – surgem então as lendas que dão conta que Arthur – agora elevado à condição de Rei – na verdade não morreu, mas jaz adormecido numa caverna (ou em Avalon, o que em termos celtas é praticamente a mesma coisa) apenas aguardando o momento em que as terras da Grã-Bretanha sejam ameaçadas por invasores – ocasião em que o Rei Arthur se erguerá novamente e, acompanhado por seus nobres guerreiros, defenderá como sempre a ilha sagrada da Grã-Bretanha.

Essa lenda medieval ecoa diretamente uma lenda celta anterior, preservada na literatura do País de Gales, que narra como um herói chamado Bendigeidvran – Bran, o Abençoado – liderava um grupo de nobres guerreiros que defendiam a Grã-Bretanha de invasores. Certa feita, Bran é mortalmente ferido num combate, e para prolongar um pouco mais sua estada entre seus companheiros, passa instruções para que sua cabeça fosse cortada, mantendo-o vivo por algum tempo mais (os celtas acreditavam que a cabeça é a morada da alma). Assim é feito, e durante o período que se segue Bran conduz seus companheiros por jornadas maravilhosas ao Outro Mundo, até que é chegado o momento de ele (ou sua cabeça) ser sepultado. Mais uma vez ele passa as instruções: sua cabeça deve ser sepultada sob a Colina Branca, às margens de um determinado rio no Sudeste da Grã-Bretanha, com o rosto voltado para o leste. Dessa forma, o espírito de Bran estaria sempre ali, garantindo proteção sempre que a Ilha fosse ameaçada por invasores.
A Colina Branca é justamente o local onde séculos mais tarde foi erguida a Torre de Londres.
Um visitante moderno àquele edifício histórico provavelmente escutará de um guia ou dos simpáticos Beefeaters que há uma lenda que afirma que, enquanto houverem corvos no alto da Torre de Londres, as terras da Grã-Bretanha estarão à salvo de invasores. A semelhança com o mito de Arthur é gritante. Um detalhe, porém, atesta a capacidade de sobrevivência das lendas celtas: Bran - o nome do herói mítico cuja cabeça teria sido sepultada sob a Colina Branca, onde hoje grasnam os corvos no alto da Torre de Londres, significa, literalmente, "corvo"...
A mitologia celta da Irlanda também contribuiu com diversos elementos que enriquecem as lendas de Arthur. A Irlanda também tem seu líder divino que conduz um grupo de guerreiros nobres e poderosos: Fionn MacCumhaill é o líder dos intrépidos Fianna, cuja destreza, honra e sabedoria faz dese grupo de guerreiros os precursores dos Cavaleiros da Távola Redonda arthurianos. Em algumas versões, Fionn também 'morre' - mas na verdade aguarda o momento certo de retornar para salvar a Irlanda.
Como na Irlanda mito e história são uma só coisa, o próprio nome de Arthur parece devirar de um rei histórico chamado Art mac Cuinn, filho do grande Rei Conn "das Cem Batalhas" - primeiro Rei de Tara, a Colina Sagrada e centro espiritual da Irlanda. Os temas se mesclam deliciosamente, pois numa bela lenda chamada Báile in Scáil" o Rei Conn tem uma visão - uma verdadeira jornada mística ao Outro Mundo - na qual recebe do poderoso Lugh um Cálice que lhe conferia a Soberania sobre as terras irlandesas.
É evidente que esse cálice inspirou o graal das lendas medievais arthurianas.
A existência de mitos celtas que afirma que um rei divino sempre estaria pronto para retornar e proteger seu povo certamente facilitou a disseminação do cristianismo por aquelas terras, e reflexos dessa mitologia foram acoplados também a outros personagens históricos bem mais recentes – como o do Rei português Dom Sebastião, desaparecido na histórica batalha de Alcáçer Quibir. Como o corpo do rei jamais foi encontrado, restou entre suas tropas a esperança de que Dom Sebastião poderia retornar a qualquer momento. Os meses se tornaram anos, que por sua vez se tornaram décadas e séculos, e Dom Sebastião ainda está por retornar. Por mais que alguns possam julgar irracional crer que um rei morto há mais de cinco séculos possa ainda estar vivo, o mito do Sebastianismo é uma realidade ainda hoje manifesta na cultura tanto de Portugal como em algumas tradições do Brasil colonial. E em pleno século XIX, quando uma incomum neblina desceu sobre Lisboa, houve grande movimentação da população que acorreu à praia, na esperança de ver a nau de Dom Sebastião retornando do outro mundo.
O Retorno do Rei Mítico também permeia a vida e as lendas do rei germânico Frederico Barbarossa e de outras personagens que, por seus feitos grandiosos, despertam no inconsciente coletivo a memória ancestral de poderosos temas presentes nas lendas celtas. Podemos dizer que Dom Sebastião, Barbarossa, Rei Arthur, Lugh, Fionn MacCumhaill e Bran, o Abençoado são todos e cada um deles manifestações desses arquétipos profundos do pensamento ocidental que os celtas tão bem retratavam e preservavam em suas lendas, transmitidas oralmente nas cortes dos reis celtas pelos bardos, e posteriormente reinventadas e adaptadas pelos menestréis e trovadores medievais, para serem novamente resgatadas pelos druidas modernos em sua busca pela compreensão da Alma Humana.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

SÍMBOLOS ASSOCIADOS À LENDA DE ARTHUR

A história do Rei Arthur e da Távola Redonda é uma das mais fascinantes e misteriosas de todas as grandes histórias da humanidade.
Fruto de quase mil anos de alegorias, fatos históricos, fatos ocultistas, lendas e curiosidades amalgamadas em um conto fantástico que até os dias de hoje gera curiosidade e respeito.
A versão mais conhecida da história do Rei Arthur é uma mistura de diversas outras alegorias e está muito embasada na alquimia medieval e no simbolismo templário.



Falar ou escrever com propriedade e fidedignidade sobre o Rei Arthur é uma tarefa muito difícil, porque simplesmente não existe nada historicamente confiável.
Aliás, Arthur é um herói que nem consta das linhas do tempo nos sites de história. Para suprir esse vazio, abundam as tradições dos antigos trovadores e novelistas que iam de burgo em burgo cantando as proezas heróicas de um grande guerreiro que unificou as tribos bretãs e expulsou os invasores normandos e saxões provenientes do continente europeu no século V de nossa era cristã.
Também se pode dizer que as lendas arthurianas serviram de inspiração para outras versões heróicas posteriores, como a de Carlos Magno e seus cavaleiros (século IX).
E, da mescla de tudo que se cantou (e os heróis realizaram) nos primeiros dez séculos depois de Cristo, surgiram as versões que hoje são conhecidas (portanto, bem distantes dos acontecimentos reais).
Quem quiser saber do verdadeiro Arthur terá que desenvolver excepcionais capacidades de clarividência para poder "ler" ou "ver" diretamente nos registros da natureza.



Seja como for, para os britânicos, Arthur é venerado como o pai de sua pátria, a qual espera seu retorno nos tempos finais para, mais uma vez, salvar a nação dos inimigos.
Efetivamente, a missão cósmica de Arthur e seus cavaleiros foi a de gerar o embrião da Quinta Subraça Ariana.



Quando se trata de heróis e heroínas, elevados à categoria de mitos, nada se pode tomar ao pé da letra.
É preciso ser um iniciado-clarividente para entrar e sair desse labirinto de histórias e lendas que surgem e são gravadas na imaginação popular.
Bem, tudo isso são histórias e lendas. Disso tudo, o importante mesmo é que Arthur fora preparado para cumprir uma missão cósmica, na qual foi bem sucedido, apesar de haver cometido alguns erros, como o adultério com Morkause do qual nasceu Mordred, cuja educação, a cargo de Morkause, voltou-se unicamente para derrubar Arthur do Trono Bretão.

OS SÍMBOLOS
Associados ao personagem Arthur existem uma série de símbolos.


A espada mágica é o primeiro desses símbolos.
Dizem que uma das espadas de Arthur está exposta na igreja mais imponente de Londres, num lugar bem próximo do Altar Maior, num grande bloco de mármore, e, de fato, hoje ali se encontra uma espada; sobre o mármore, uma bigorna de aço, com uma inscrição em letras de ouro que diz:
"Qualquer um que extrair esta espada desta pedra será o rei da Inglaterra por direito de nascimento".

Bem, se isso é verdade mesmo não sabemos, mas nesse lugar existe uma espada forjada por mãos humanas.
Existe ainda uma segunda espada: Excálibor, célebre a partir de Mallory e mencionada por Geoffrey de Monmouth.
É uma espada forjada na Ilha de Avalon, mencionada por Chrétien de Troyes como: " ... a melhor espada que existiu, que corta o ferro como madeira ... "; para alguns é a espada arrancada da bigorna.
No entanto, a espada da bigorna se rompe em um combate contra Pelinor de Listenois. Excálibor aparece tomada por uma mão surgida num lago, por meio de Merlin, que lhe impõe uma única condição: devolvê-la ao lago no último momento - o que de fato ocorreu.
O nome da espada também pode ser uma deformação de Caledfoulch ou Kaledfoulc´h .
Uma das interpretações a identifica como a “dura cortadura”.
Porém, o segundo termo da palavra, bulg ou fulg ou o “duro raio” é que a identificaria com uma espada mágica.



A verdade de Excalibur: "Esta é a espada dos Deuses do Raio da Força".
Ela existe, mas não neste nosso mundo. Sempre que é necessário "limpar o mundo da maldade humana" um dos Deuses do Raio da Força encarna e a Ele é entregue Excalibur.
Esta espada foi forjada pelo próprio Hefestos, no começo do nosso mundo. Terminada a missão, Excalibur sempre retorna ao seu lugar, no Templo dos Deuses do Raio da Força.



Com a espada aparece um tahali mágico, a bainha que preserva quem a carrega de sofrer qualquer ferimento [de fato, a bainha mágica protegeu Arthur durante toda sua vida, exceto na última batalha porque a essas alturas Arthur já havia perdido suas virtudes originais que alimentavam a bainha mágica].




O cão de Arthur chama-se Cabal, já citado por Nennius na Caçada do Javali Twrch Trwyth, um javali devastador e infernal da tradição galesa; acossado por Arthur e seus cavaleiros no decurso de uma caçada, o cão deixa suas pegadas em algumas pedras em Caern Cabal. (Interessante notar o paralelo entre o cão arthuriano e Cérbero, dos 12 Trabalhos de Hércules, que também teve que lutar contra um javali - o javali de Erimantho).

Arthur teve dois cavalos de batalha.
O primeiro era branco e o segundo foi negro, um legítimo cavalo bretão.
Seu escudo se chama Piytwen, que segundo a tradição galesa, podia servir de navio mágico (como o escudo mágico de Perseu).
Sua lança era chamada de Roit.
Outro elemento associado a Arthur é o caldeirão, um recipiente caseiro largo e semicircular que, nos povos celtas, tinha valores mágicos e ritualísticos; os poderes do caldeirão estão intimamente ligados com o Graal.
As tradições celtas atribuem ao caldeirão poderes de transformação e de geração; é o caldeirão da abundância inesgotável.
A qualidade está em função da forma do objeto: a metade inferior de uma esfera.
Tal qual a espada, está vinculado ao Outro Mundo; alude às forças matrizes e primárias da natureza porque seu meio original é o fundo dos mares e dos lagos e porque a água gera e transmite a vida.
Conseguir o caldeirão implica em uma viagem para sua obtenção. No poema galês O Botim de Annwfn’ , Arthur tem que ir buscá-lo no Outro Mundo. Nos mabinogi galeses aparecem caldeirões que devolvem à vida os guerreiros irlandeses mortos [claro que isso tudo é altamente simbólico e iniciático].





Outro mito-chave relacionado a Arthur é a referência à Ilha de Avalon, ilha paradisíaca, na qual os campos dão grãos e árvores sem necessidade de cuidados [isso é verdade, mas esta ilha não está em nosso mundo].
Na época arthuriana, Merlin era o Rei de Avalon e Vivian-A sua esposa e rainha.
Os celtistas aqui se equivocam radicalmente porque não conseguem assimilar a realidade de certos fenômenos presentes em nosso mundo até a época arthuriana.
É para a Avalon [o correto é Av'Lon] que Arthur é levado após a última batalha, e vem a morrer precisamente nos Portões de Avalon nos braços da Dama do Lago, filha de Merlin e de Vivian-A.
Por motivos políticos, os monges da Abadia de Avalon [que nada tem a ver com a misteriosa ilha], incentivados por Henrique II Plantagenet e Ricardo I Coração de Leão, inventaram falsas cartas e “descobriram” em 1119 a tumba de Guinevere e Arthur, para, desse modo, acabar com a esperança do regresso do rei bretão para expulsar qualquer tipo de invasor.

domingo, 2 de agosto de 2009

O FIM OU COMEÇO?


Se consultarmos um dicionário de Mitologia pode-se ler: “Arthur, rei da Bretanha, filho de Uther Pendragon e de Ygrein, criado por Antor e casado com Guinevere – a loira”.
Porém, na realidade, Guinevere não era loira, nem ruiva. Tinha cabelos castanhos, olhos escuros e pele branca.
O próprio Arthur (pronunciava-se Árthur - como até hoje) também não era ruivo, mas cabelos num castanho claro, quase beirando o loiro e de olhos azuis.
Media quase 2 metros de altura e, como quase todos os cavaleiros da Távola Redonda, era dotado de força física incomum.
Os historiadores apresentam datas totalmente equivocadas para o nascimento e morte de Arthur. Por isso, suas conclusões e análises são igualmente improcedentes.
A memória da natureza mostra claramente que Arthur nasceu em 454 e morreu em 508, com 54 anos, ferido à traição em combate contra Mordred em sua décima terceira batalha. E quando se fala que Arthur lutou em 13 batalhas, isso se refere somente as "grandes batalhas", onde o rei e seus melhores cavaleiros matavam, cada um, sozinhos, entre 250 e 300 inimigos.
Na última batalha, Arthur foi ferido mortal e traiçoeiramente no rim direito por seu filho bastardo, Mordred.
Após haver pedido a Perceval que devolvesse Excalibur à Dama do Lago, Arthur foi levado à Avalon, acompanhado de várias mulheres da ilha jinas de Avalon e seu inseparável amigo e mentor Merlin. A morte de Arthur foi um acontecimento chocante na época.
Dessa última batalha apenas sobreviveu Perceval, e Arthur viu nessa batalha seus irmãos de armas tombarem, um a um, até ele mesmo ser atingido.
Perceval sobreviveu, mesmo muito ferido, porque tinha a missão de realizar as cerimônias fúnebres dos companheiros mortos. Arthur foi cremado na misteriosa Avalon.

Seja como for, numa época em que magia e mistério se mesclavam com o mundo comum e corrente, Arthur é o personagem central do ciclo que leva seu nome.
Segundo as suposições de vários historiadores, sua genealogia é bem pródiga e difícil de narrar. Dizem que teve pelo menos duas irmãs: Enna (ou Morcades, casada com o rei Loth, mãe de Gwain, Agawain e Gaheris) e Morgana.
De seu casamento com Guinevere não teve filhos [isso é verdade]. Mas, dizem, foram filhos ilegítimos de Arthur: Anir, Loholz e Mordred [apenas Mordred]. Mordred é fruto de um incesto com Morcades [não é verdade; foi adultério e Morcades ou Morkause não era irmã de Arthur], quem seduziu o irmão (Arthur), usando filtros, encantamentos e feitiços [sim, isso é verdade] - prática muito comum na época entre os celtas - com um propósito bem definido: conceber um filho de Arthur para sucedê-lo no trono, já que Guinevere não era fértil (ou sua fertilidade fora abortada por sortilégios mágicos da própria Morcades)[isso foi verdade].
Bem, tudo isso são histórias e lendas. Disso tudo, o importante mesmo é que Arthur fora preparado para cumprir uma missão cósmica, na qual foi bem sucedido, apesar de haver cometido alguns erros, como o adultério com Morkause do qual nasceu Mordred, cuja educação, a cargo de Morkause, voltou-se unicamente para derrubar Arthur do Trono Bretão.



“Voltarei quando a Bretanha precisar de mim".


Com essa frase histórica, segundo as lendas inglesas, Arthur, o maior de todos os reis de sua história abandonou este mundo, depois de transformar a vida dos habitantes por completo, com a unificação das ilhas, e expulsão dos invasores, trazendo à glória.
E por que não dizer, também os conduzindo à queda.

Teriam, esses fatos, realmente acontecido?

Não importa. Uma lenda fora forjada atravessando sua época e trazendo a mística, os ideais de cavalaria e a busca incessante por um mundo melhor, próspero e justo.
Os efeitos de Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda ecoam até hoje como simpáticos,
não importa quanto tempo passe, ou quantas vezes os escutemos.
Decerto, quem os escuta, nunca os esquece.

"Este é o segredo de todo o sucesso. Aí reside a magia."

Os trovadores – figuras folclóricas, que sempre foram retratados em livros como condutores de entretenimento para as cortes de todo o mundo – na verdade fazem muito mais, sendo para o povo o que Merlin foi para Arthur: conselheiros.
Havia alguma coisa errada na vida de um camponês?
Bastava ouvir uma canção a respeito das virtudes de Arthur,
e o simples homem do campo ganhava força para continuar.
Orgulhoso pela forma que a vida mostrava-se próspera?
Bastava um simples exemplo de falha por parte de um cavaleiro da Távola
e o orgulho era trocado pela cautela e prudência.
Em um tempo em que não haviam escolas, e que apenas os mais ricos podiam aprender,
os trovadores levaram o ensino às ruas, constituindo não somente a fama de uma lenda,
mas toda uma revolução no comportamento do povo bretão.

Arthur voltará? Com certeza, pois ele nunca foi embora.
Habita os corações e mentes da humanidade, um a um. Dormindo.
Aguardando, esperando que seja necessário, trazer seus ideais mais uma vez à tona,
e conduzir cada um novamente a glória.

Só depende de cada um de nós fazê-lo.
E não existiu ou existirá hora melhor que agora.

O COMEÇO DA LENDA


O Rei Arthur e Merlin

Há muitos anos, quando Uther Pendragon era rei de toda a Inglaterra, o país ainda estava dividido em muitos feudos e outras terras fortificadas, cujos senhores muitas vezes travavam guerras entre si. Dentre os que não acatavam a autoridade real estava o Duque de Tinagil, da Cornualha.
Uther Pendragon fez-lhe uma proposta de paz, e o duque veio até seu castelo para acertar os detalhes desse acordo. Levou consigo sua mulher, Igraine, que era muito bonita. Tão bonita que o rei se apaixonou por ela.
Antes que as negociações chegassem a um bom termo, o Duque de Tintagil notou a paixão de Uther por Igraine e , temendo enfrentar os cavaleiros do rei pela honra de sua mulher, resolveu partir com seus homens e Igraine. Quando o rei Uther soube da partida repentina do duque e da esposa, enfureceu-se e enviou mensageiros chamando-o de volta, dessa vez, sob grande ameaça: a negativa do duque deflagraria a guerra.
Ao receber a resposta de que o duque estava se preparando para resistir, o rei ficou completamente irado. Com seu grande exército sitiou o castelo de Tintagil.
Travou-se assim um batalha feroz em que muitos morreram de ambos os lados.
A resistência do duque e a impossibilidade de possuir Igraine aumentaram a ira de Uther Pendragon, que acabou adoecendo de raiva e de paixão.
Então, um de seus soldados partiu em busca de Merlin, o único homem que poderia acabar com a dor que afligia o coração do rei.
O Mago Merlin conhecia os mistérios do céu e da terra, da vida e da morte, dos homens e dos deuses.
Alguns o chamavam de feiticeiro; outros achavam que ele era um santo. Todos, porém o reconheciam como um dos homens mais sábios dos tempos imemoriais. Por isso o soberano mandou procurá-lo.
Merlin não tinha endereço certo. Dizia-se que vivia em no meio das neblinas de Avalon, uma ilha no meio de um lago, que abrigava um reino misterioso.
Era o antigo País das Fadas, uma região tão indefinida que suas fronteiras apareciam e desapareciam, recuando para mais longe à medida que a Inglaterra ia consolidando seu reino. Mas não era preciso ir até Avalon para achar Merlin: ele costumava aparecer nos lugares mais inesperados e, muitas vezes disfarçado.
Dessa vez o cavaleiro encarregado de encontrá-lo deparou com um velho mendigo, que lhe perguntou:
- Que procurais?
- Não é da tua conta – respondeu o cavaleiro.
- É, sim – disse o velho.
– Vós procurais Merlin, que sou eu. E se o rei jurar que me dará a recompensa que eu pedir, vou fazer o que a Vossa Majestade deseja. Volta para dizer isso a ele e avisa que não demoro.
Assim foi feito. O cavaleiro levou a mensagem a Uther Pendragon e , pouco depois, Merlin chegou ao palácio.
- Meu senhor, sei o que se passa em vosso coração e posso prever o que pode acontecer. Ajudarei Vossa Majestade a Ter Igraine, se prometerdes cumprir meu desejo: na noite em que deitardes com a duquesa, ela conceberá um filho que deverá ser-me entregue assim que nascer para que eu o crie e eduque.
Não foi difícil ao rei jurar a Merlin que assim seria feito, pois seu amor por Igraine era imenso.
- Pois então preparai-vos – prosseguiu Merlin.
– Porque esta noite o Duque de Cornualha tombará numa batalha e, antes que a notícia se espalhe, iremos ao castelo onde está a duquesa ; por artes do encantamento terás o aspecto e as feições de seu mais fiel cavaleiro. Ninguém nos reconhecerá, nem mesmo Igraine, que se deitará com Vossa Majestade sem resistir.
Tudo aconteceu exatamente como ele dissera. E assim que Pendragon e Merlin, disfarçados e irreconhecíveis, saíram do castelo de Tintagil em plena madrugada, chegaram os mensageiros com a informação de que o duque havia falecido muitas horas antes.
Naturalmente, a duquesa ficou espantadíssima por ter passado a noite com seu marido quando ele já estava morto. Mas não disse nada a ninguém e cobriu-se de luto como convinha a uma viúva.
Após algumas semanas, Igraine descobriu que estava grávida. Por isso, logo em seguida, quando recebeu uma proposta de casamento do rei da Inglaterra, concordou muito satisfeita: seria rainha e teria um pai para seu filho.
Como não queria esconder nada de Uther, a rainha sentiu-se obrigada a contar-lhe sobre o cavaleiro misterioso que a visitara na noite em que o duque morrera.
Satisfeito com a sinceridade dela, o rei confessou que fora ele o estranho visitante.
Igraine ficou aliviada e feliz ao saber que o pai do filho que esperava era o próprio rei.
Ele então mencionou a promessa feita Merlin, mas ela não deu a maior importância a isso. Porém, pouco depois, o velho mago veio ao castelo de Pendragon explicar seus planos.
- Senhor – disse ele - , a criança que a rainha espera será um menino e um grande rei. Será necessário educá-lo para ser o maio soberano de nossa história.
Uther Pendragon também se preocupava com isso e temia pelo destino da criança. Sabia que, se ele morresse, o filho correria um grande perigo, pois todos os seus inimigos tentariam eliminar o herdeiro do trono.
- Merlin, faze como achares melhor. Seguirei todos os teus conselhos. Quero que meu filho seja bem educado para suas funções, mas antes de tudo quero que sua vida seja protegida- respondeu o rei.
O sábio já tinha planejado tudo:
- Quando a criança nascer, virei buscá-la. Ninguém saberá onde o menino está, para a própria segurança dele. Apenas vós e eu. Um dos nobres desta terra, Sir Ector, é um homem bondoso, valente e justo, merecedor de toda a confiança. A mulher dele vai Ter um bebê na mesma época que a rainha e poderá amamentar o herdeiro do trono. Eu o levarei para Sir. Ector, que tem propriedades na Inglaterra e em Gales. Nós o batizaremos com o nome de Artur. Eo criaremos com carinho, em segurança, para que ele possa ser, um dia, um grande rei, digno de continuar vosso reinado.
Assim o pequenino Artur foi levado do castelo, enrolado num pano tecido com fios de ouro e entregue a um mendigo que esperava junto a porta dos fundos – o próprio Merlin.
E nas terras de Sir Ector ele cresceu, desconhecendo sua origem e o destino que estava a sua espera.

Retirado de:O rei Arthur e os Cavaleiros da Távola RedondaThomas Malory

A LENDA DO REI ARTHUR E DOS CAVALEIROS DA TÁVOLA REDONDA - cap. 5

Cap. 5

Fatos e Mitos


Os Anais da Páscoa
A história do Rei Arthur e seus cavaleiros é realmente apaixonante, tanto que no século XII ainda havia derramamento de sangue de bretões e ingleses, sendo que os primeiros lutavam em nome de Arthur. Mas quem foi Arthur? Ele realmente existiu? Se existiu, por que toda sua história está envolta em lendas e sem conteúdo histórico? O mais empolgante é descobrir que Arthur realmente existiu.
Como a Páscoa é uma festa móvel, era necessário fazer cálculos para saber quando cairiam as próximas festas, nos anos seguintes. Essas tabelas de cálculos, existentes em várias abadias, eram chamadas de Tabelas da Páscoa.
Eram organizadas em colunas, sendo que a coluna da mão direita era deixada em branco. Nela eram anotados os eventos de importância relevante. Os itens desta coluna eram chamados de Anais de Páscoa. É comumente aceito que a data do manuscrito que continha os anais é consideravelmente mais velha que os eventos anotados nela; mas os especialistas concordam que, quando novas tabelas de cálculo eram feitas, os principais eventos das tabelas anteriores eram transcritos para as mais novas.


No Museu Britânico há um maço de documentos conhecidos como Historical Miscellany (Coletânea histórica) que contém um conjunto de tabelas de Páscoa.
Em suas colunas de anais ocorrem dois registros: O primeiro tem sua data discutida, já que o copista teria datado os registros a partir do ano em que se iniciaram os anais, que pode ser 499 ou 518 d.C. Está escrito: "Batalha de Badon, na qual Arthur carregou nos ombros a cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por três dias e três noites, e os bretões foram vitoriosos".
No segundo registro de 539, lê-se: "Batalha de Camlann, na qual Arthur e Modred morreram. E houve pragas na Bretanha e Irlanda".
O argumento que mais demonstra se tratar de uma evidência histórica é que também Gildas mencionou a Batalha do Monte Badon, cuja ocorrência registrou a mesma data do seu nascimento, descrevendo-a como "a última matança do inimigo, depois do que, durante toda a sua vida, teria sido refreado o avanço saxônico no sudeste e no sudoeste".
Além disso, em uma conhecida história marcada por ausência de nomes próprios, Gildas, apesar de não falar no nome de Arthur, cita o nome da batalha, atribuindo-lhe importância singular.
Os anais dizem que Arthur lutou por três dias e três noites, o que é verossímil, pois Gildas chamou essa batalha de cerco obsessio Badonici.
O fato de Arthur ter carregado a cruz nos ombros explica-se pela possível troca de palavras shield (escudo) por shoulder (ombros).
A localização da colina chamada Badon é controvertida, mas supõe-se que deva estar localizada além de Kent e Essex, na rota do avanço saxônico.
É a partir desta batalha que a penetração anglo-saxônica proveniente do sudeste se interrompe, quando já tinha atingido as fronteiras da planície de Salisbury, em Berkshire e Hampshire, reiniciando somente meio século mais tarde.
Não é sabido se Arthur e seus guerreiros atingiram o topo ou se foram os sitiantes; de qualquer modo o resultado foi o massacre dos saxões.
Essa referência e aquela em que tanto Arthur como Modred morrem na Batalha de Camlann foram os profundos alicerces com os quais se ergueu a elevada e bem estruturada fama de Arthur.

A Historia Brittonum
Em segundo lugar, em importância como documento histórico, é a coleção do monge galês Nênio, da metade do século VIII, onde, segundo ele, agrupou tudo aquilo que havia encontrado nos anais romanos, os escritos dos santos padres e a tradição dos sábios.
Esta coleção faz parte da Historical Miscellanny e é conhecida como Historia Brittonum (História dos Bretões).
Começa com a recapitulação de outros trabalhos, inclusive o cálculo das seis era do mundo, iniciando com o Dilúvio; a seguir vem o que é chamado de seção independente, informações das quais Nênio foi a única fonte. Relata a carreira de Vortigern e o estímulo dado aos saxões.
Nênio conta a história da descoberta, feita por Vortigern, de um menino clarividente, chamado Ambrosius, cuja mãe confessa ter sido ele gerado por um íncubo.
Esse menino diz que o castelo que Vortigern se esforça tanto para construir não ficará em pé e avisa-lhe para drenar o poço que ele encontrará debaixo de suas fundações. Assim que for esvaziado, nele se descobrirão dois dragões: um vermelho e outro branco, que lutarão entre si.
O branco vence o vermelho e o menino diz que a luta prediz a vitória saxônica sobre os bretões. Depois dessa fábula vem uma passagem que, apesar de ter sido escrito muito tempo depois, será tão preciosa quanto os registros dos Anais da Páscoa.
Inicia indicando uma data: "Depois da morte de Hengist, seu filho Octha, proveniente do norte da Bretanha, fixa-se em Kent, de onde inicia a dinastia dos reis de Kent".
A ascensão de Octha, sob o nome de Aesc, ocorreu em 488, de acordo com a Crônica Anglo-Saxônica.
Nênio continua: "Então, naqueles dias, Arthur lutou contra eles junto com os reis bretões, tendo sido o líder das batalhas".
Isto mostra que, após a retirada dos romanos, muitos reis, soberanos de pequenos reinos britânicos, uniram-se contra os saxões, sendo Arthur comandante geral das tropas combinadas. Não foi somente Nênio que afirmou que Arthur não foi um rei propriamente dito; em outro capítulo do livro The Marvels of Britain (As maravilhas da Bretanha), ele o chama de um simples soldado, ou miles; Nênio fala ainda de Cabal, o cachorro, e do túmulo de Anwr, filho de Arthur, o soldado.
A próxima passagem é rápida e misteriosa; é uma lista das doze batalhas onde Arthur lutou, das quais apenas duas são passíveis de identificação.
Nênio diz que a primeira batalha ocorreu no rio Glen, que pode ser tanto em Northumberland como em Lincolnshire.
A segunda, a terceira, a quarta e a quinta batalhas aconteceram no rio Dubglas, in regio Linnus, o que pode significar Lindsey, em Lincolnshire.
A sexta foi em Bassas, nome que não foi traduzido.
A sétima foi a Batalha de Caledonian Wood, que se acredita ser uma floresta em Strathclyde.
A oitava foi na Tor Guinnion, lugar que não foi identificado geograficamente, mas é assinalado pela narração de que ali Arthur teria carregado nos ombros a imagem da Virgem Maria, por cuja virtude e pela de Jesus Cristo, os pagãos teriam sidos expulsos.
A nona ocorreu na cidade de Legion, nome romano de Chester.
A décima foi na praia de Tribuit; a décima primeira, na montanha de Agned; e a décima segunda no monte Badon, e foi aí que Nênio disse que tinham caído novecentos e sessenta em um violento ataque desfechado por Arthur.
Apesar de não ser possível delinear com exatidão onde ocorreram, parece que as batalhas ocorreram em uma área ampla, que ia de Strathclyde, no noroeste oriental, talvez até Northumberland ou, mais para o sul, até Lincolnshire; de Chester no oeste até algum lugar no sudoeste, onde o combate do monte Badon culminaria com uma vitória definitiva, estabelecendo, por fim, cinqüenta anos de paz.

O Reino de Camelot
Lenda e Arqueologia
Camelot seria o reino onde Arthur estabelecera sua corte, mas onde ficava Camelot e de onde teria surgido este nome?
Supõe-se que o nome Camelot, referindo-se à suposta capital de Arthur, tenha sido dado pela primeira vez, no século XII, pelo romancista francês Chrétien de Troyes.
Não há nenhuma garantia histórica sobre a existência de tal capital e essa idéia só entra na história depois que o general Arthur se transformou mitologicamente na figura do rei. Acredita-se que Camelot seja uma corruptela francesa para camalodunum, nome romano de Colchester.
Em 1542, um antiquario chamdo John Leland visitou a colina de Cadbury, em Somerset, que os habitantes chamavam de Palácio de Arthur, e ficou realmente convencido de que lá ficava a Camelot de Arthur, o que levou a chamá-la de Camelot e interpretar erroneamente o nome da vila vizinha de Queen's Camel, dizendo que originalmente poderia ter-se chamado Queen's Camellat.
Essa associação infeliz ocultou as prentenções de cadbury ser a verdadeira fortaleza de Arthur. Cadbury, próxima a Glastonbury, é um monte de 75 metros de altura cujo topo se estende por 8 hectares.
O monte é cercado por quatro elevações, uma acima da outra, remanescentes de antigas obras de defesa.
Em 1960, provou-se que o local foi habitado entre 500 e 400 a.C.; que os romanos a encontraram ocupada, massacraram alguns de seus habitantes e removeram o restante para o nível do solo; e que mais tarde desmantelaram o forte e aplainaram o topo da colina.
Outro estágio das escavações arqueológicas revelou que a colina havia sido refortificada em 470 d.C., fato provado pela presença, nos muros e pilares, de fragmentos de cerâmica do estilo Tintagel do século V.
Os locais foram sugeridos para a capital de Arthur, como Caerlon-on-Usk, no País de Gales, mostrado nos textos de Godofredo de Monmouth.
O patrono de Willian Caxton, que editou a versào de Malory da lenda de Arthur, afirmava que existia uma cidade de Camelot, no País de Gales, que parecem ser os remanescentes romanos de Caerleon.
Já Malory identificava Camelot como sendo a atual Winchester.
No entanto, parece que as maiores evidências são para a Colina de Cadbury como a fortaleza de Arthur, já que esta servia perfeitamente como quartel-general para alguém que estivesse lutando no sudoeste da Inglaterra, em uma batalha travada no perímetro da planície de Salisbury.

Arthur, por Malory

A Lenda Imortalizada
Foi através do romance de Sir Thomas Malory que a lenda do rei Arthur se cristalizou e tomou a forma que conhecemos hoje.
Malory, segundo pesquisas recentes, fora acusado de uma série de crimes: emboscada, roubo, estupro, roubo de gado e chantagem para extorsão de dinheiro.
Às vezes estes crimes foram atenuados, outras tantas vezes negados, mas, se tudo tivesse sido provado, Malory não seria nem o primeiro nem o único escritor cuja conduta teria sido altamente anti-social.
Diz-se que Malory foi um cavaleiro de York que serviu, quando jovem, a Richard Beauchamp, conde de Warwick, e que por algum delito, real ou suposto, foi preso pouco antes de 1462.
Acredita-se ainda que, naquele ano, acompanhou Warwick em uma expedição contra o exército que Margarida de Anjou recrutara na Escócia e trouxera à Inglaterra, fazendo pilhagens pelo caminho.
Quando Warwick virou a casaca e se aliou a Lancaster, lutando contra o exército de Eduardo IV em Barnet, acredita-se que Malory mudou de lado também.
Isto, se verdadeiro, explicaria porque, quando Eduardo IV, em 1468, expediu dois indultos a cavaleiros que lutaram com Lancaster, Malory não foi incluído.
Malory esteve na prisão provavelmente em 1468 e acredita-se que tenha morrido neste local, pois foi enterrado na Igreja dos Franciscanos, ao lado da prisão de Newgate.
Também é provável que tenha terminado o livro na prisão, pois no final da sua última obra escreve: "Rogo a todos vocês, damas e cavalheiros, que leiam este livro sobre Arthur e seus cavaleiros, do começo ao fim, e que rezem por mim enquanto estiver vivo. Que Deus me dê redenção e, rogo-lhes, rezem por minha alma quando eu já estiver morrido".
Apesar de aborrecida, a prisão de Malory permitiu-lhe escrever um dos maiores trabalhos sobre Arthur na língua inglesa.
Uma ampla coletânea de diversas fontes - parte tradução, parte adaptação -, que incluem versões metrificadas da história arthuriana: Morte Arthur (Morte de Arthur), de Thornton, Arthour and Merlin (Arthur e Merlin) e a versão em estrofes de Le Morte Artu (A Morte de Arthur); mas a principal fonte foram as cinco histórias, imensamente longas, do Ciclo Popular Francês (ou Ciclo Bretão).
Outras partes do trabalho do qual nenhum original foi encontrado são consideradas de sua autoria. Como conseguiu acesso a uma biblioteca para fazer suas pesquisas é um mistério. Confrontando-se o original de Malory com a forma conhecida, pode-se notar uma grande diferença estrutural. Isto revela o quanto o impressor mexeu na obra.
William Caxton, que começou a vida como vendedor de tecidos, fundou, em 1474, a primeira editora inglesa. Foi ele quem editou a obra de Malory, Morte d'Arthur, por causa da persuasão de vários nobres e cavalheiros que, segundo ele, perguntavam porque ele não imprimia a história do famoso rei Arthur.
Após Caxton fazer a sua versão, cujo manuscrito desapareceu, nenhum exemplar do texto de Malory foi encontrado, apesar de parecer que tinham sido feitos vários exemplares deste trabalho. Somente após a descoberta de um exemplar do texto de Malory na Fellows' Libary, no Winchester College, em 1934, pôde-se demonstrar o quanto Caxton mexeu na obra original de Malory.
Caxton disse que havia dividido o seu trabalho em vinte e um livros, cada qual divididos em capítulos. E fez mais: disfarçou o fato de que Malory havia escrito oito contos separados e independentes; alterou a ordem na qual Malory os tinha articulado e omitiu todos os finais escritos por Malory, exceto o últimos, com finalidade de fazer com que o livro parecesse não uma coleção de histórias, mas um todo homogêneo.

A LENDA DO REI ARTHUR E DOS CAVALEIROS DA TÁVOLA REDONDA - cap. 4

Cap.4


Sir Gawain ( O Cavaleiro Vingativo )
Sir Gawain é muitas vezes descrito como sendo sobrinho de Arthur, filho de Morgause e irmão de Sir Gaheris e Sir Gareth. Possuia um comportamento muito irritadiço, como pode-se constatar em Layamon, que, quando Arthur descobre a traição de Modred e Guinevere, Gawain declara que vai enforcar Modred com suas próprias mãos e que Guinevere deve ser despedaçada por cavalos selvagens. Outra passagem, descrita por Malory, onde se pode visualizar o caráter vingativo de Gawain, é mostrada quando do cerco ao castelo de Lancelot. Lancelot, que durante a fuga com a rainha mata Gaheris e Gareth, afirma que a acusação de traição contra ele é falsa e que o julgamento por combate havia mostrado que ele estava certo. Arthur poderia até perdoá-lo, mas Gawain não deixa que isso ocorra. O clímax da história é a luta entre Gawain e Lancelot. A luta é interessante, pois mostra vestígios de uma história muito antiga. Gawain tem uma peculiaridade que lhe permite ganhar força física no período que vai das nove da manhã até ao meio-dia. Malory diz que isso era um presente de um homem santo, mas é claro que, originalmente, Gawain era um adorador do deus-sol. A despeito desta vantagem, Lancelot simplesmente resiste nas horas de força de Gawain e, quando elas declinam, lança-o à terra. Por duas vezes essa luta sobrenatural acontece e a cada vez que Gawain é jogado no chão, chama Lancelot para continuar a luta. Lancelot responde que quer lutar com ele de novo, mas só quando estiver de pé. O conto mais famoso de Sir Gawain, no entanto, é intitulado Sir Gawain and the Green Knight, escrito por volta do ano 1400. No dia do Ano-Novo, quando o rei, a rainha e a corte estão reunidos para um jantar, um cavaleiro de tamanho incomum entra no casarão com seu cavalo. Pede que algum cavaleiro ali presente lhe dê um golpe no pescoço com o machado que ele carrega e que, no próximo Ano-Novo, o oponente esteja na Capela Verde para receber, por sua vez, o seu golpe. O cavaleiro e suas roupas, assim como seu cavalo, os trajes e os arreios, tudo era verde. O ouro e o aço estavam manchados de verde, os arreios reluziam e cintilavam com pedras verdes e filetes de ouro estavam entrelaçados na crina verde do cavalo. Arthur imediatamente se oferece para o desafio do cavaleiro, mas Gawain se interpõe e o toma para si. Com um golpe de machado, decepa a cabeça do cavaleiro que rola pelo chão, espalhando sangue na carne verde. O cavaleiro verde recolhe a cabeça. Levanta as pálpebras, olha vivamente e então encarrega Sir Gawain de encontrá-lo naquele dia, após um ano, na Capela Verde. Segurando a cabeça pelos cabelos verdes, monta em seu cavalo e deixa o casarão. Um ano depois, para manter a palavra, Gawain chega ao castelo de Sir Bertilak, anfitrião cordial e generoso que, por ter cor normal, não é reconhecido como sendo o cavaleiro verde. Gawain chega ao castelo em completo estado de exaustão. Recebido com hospitalidade, envolvido em um manto de arminhos enfileirados, é convidado a sentar ao lado de uma lareira com brasas de carvão. Quando Sir Bertilak retorna ao seu castelo, depois da caça, recebe o hóspede com muita cortesia e combina com ele que daria o produto de sua caça a Gawain todo dia e, em troca, Gawain lhe daria algo que tivesse recebido no castelo. Durante a sua estada no castelo, Gawain recebe de manhã, antes de sair da cama, a visita da bela mulher de Bertilak, se vendo obrigado a resistir às suas investidas. Por dois dias assim o faz, aceitando somente beijos que, à noite, transmite a Sir Bertilak em troca da caça. Na terceira manhã, porém, a senhora o oferece um cordão verde que o protegerá de qualquer ferimento, o medo de sua provação faz com que o aceite, mas esconde o fato de seu anfitrião. Quando chega o dia do Ano Novo, para honrar seu compromisso, ele sai em busca da Capela Verde. Achando o local, o Cavaleiro Verde aparece para devolver o golpe de Gawain. Se ele não tivesse aceitado o cordão verde, o machado teria caído sobre ele inofensivamente, mas, como isso não aconteceu, o machado esfola sua pele e seu sangue jorra. Agora revela-se que o Cavaleiro Verde é o próprio Sir Bertilak, que havia sido enfeitiçado pela irmã de Arthur, a fada Morgana. Depois de trocarem muitas cortesias, Gawain parte e retorna à corte de Arthur, a quem confessa sua pequenez por ter aceitado o cordão.



Persival e Galahad
( A Demanda pelo Santo Graal )
As histórias de Galahad e de Persival estão intimamente ligadas ao Santo Graal. Galahad era filho de Lancelot com Elaine e, por sua pureza, era o único cavaleiro que poderia se sentar na "cadeira perigosa", um assento que sempre ficava vazio na Távola Redonda e que se dizia que apenas um escolhido poderia se sentar nela. Galahad chega então despido de qualquer arma ou brasão, apenas com uma túnica branca, e, durante a história, ele vai se armando com armas mágicas como uma espada que se encontrava encravada em uma pedra que flutuava no meio do lago. Durante a busca pelo Santo Graal, Lancelot apenas poderia vislumbrar o brilho do Graal, por ser o melhor cavaleiro do mundo, mas manchado pelo adultério, já Galahad, por ser puro de coração é permitido que ele não só veja o Graal como também o pegue, mas isso causa a sua morte e ele é levado aos céus pelos anjos. Percival também foi um cavaleiro altamente envolvido com a busca pelo Graal. Na obra inacaba Perceval ou Le conte del Graal de Chrétien de Troyes tem-se a primeira aparição de Persival. A mãe de Percival, que tinha perdido os irmãos e o marido em torneios de cavalaria, tinha jurado levar seu filho, ainda criança, para um refúgio em uma floresta nos contrafortes de Snowdon, onde ele nunca ouviria a palavra "cavaleiro". Em uma manhã de maio, o menino está no meio da floresta e, embora não possa ver nada por causa das folhas, ouve o ruído da aproximação de cinco cavaleiros, quando ele viu suas cotas brilhantes, seus capacetes, escudos e lanças reluzentes - coisas que nunca tinha visto antes - , e a luminosidade verde e rubro-escarlate brilhando ao sol, e ouro, azul-celeste e prata, gritou maravilhado: "São anjos!" Todas as preocupações de sua mãe se frustam em um único momento. Quando ele ouve que tais pessoas eram cavaleiros e que estavam ligados à corte de Arthur, declara que irá com eles ao rei que faz cavaleiros. Quando jovem cavaleiro, Percival é guiado a um rio onde vê um homem pescando. Este é o Rei Pescador. E então convidou-o para entrar em seu castelo, localizado acima da margem do rio. Quando chega, seu anfitrião está deitado, defronte a ele, em um leito do qual não pode mover-se sem ajuda. O rei fora ferido entre as pernas e, enquanto as feridas não sarassem, suas terras permaneceriam áridas e estéreis. O rei Pescador é um anfitrião cortês e generoso. Enquanto ele e seu hóspede estão jantando, um desfile ritual abre caminho pelo salão: uma donzela leva um prato, em seguida outra donzela carrega um prato entalhado acompanhada por um escudeiro que segura uma lança sangrando, e atrás deste passam criados carregando candelabros. Eles estão indo alimentar o pai do rei Pescador, que é invisível e mantido vivo com uma hóstia consagrada, levada pela donzela em um dos pratos. O Graal ficava no castelo e era carregado por uma donzela e espalhava tamanha luminosidade pelo salão que ofuscava todas as luzes da sala. Durante o desfile, Percival deveria ter perguntado: "Quem é servido com este Graal?". O erro de Percival resultou não só na continuidade da doença do rei Pescador, mas também na deterioração geral da sociedade. Depois da batalha de Camlann, Percival torna-se um monge juntamente com Lancelot.

Sir Tristão de Lionesse
( O Cavaleiro Poeta )
Rica é a bibliografia de Tristão e Isolda. Além de figurarem em escritos celtas antigos, os chamados mabinogions (porque eram destinados à educação do mabinog, ou discípulo do bardo) e em narrativas populares anônimas, como Folie Tristan, Luite Tristan e Tristan Moine, inspiraram uma vasta literatura em francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e português. O nome do pai de Isolda, Gormond, é escandinavo, e ela mesma aparece às vezes como "Isolt". Acrescente ao fato dela ser loura (la Blonde). Donde a idéia de que a história remonte ao tempo dos vikings na Irlanda. No entanto, segundo a maioria dos autores, a lenda é celta e tem por base a vida de um rei picto que viveu na Escócia, onde reinou de 780 a 785. Chamava-se Drest filius Talorgen. O Livro Vermelho de Oxford alude a um certo Drystan ab Tallwch, amante de "Essylt", mulher de "Marc". "Tristan" proviria então de "Drest", "Drystan", "Drust", "Drustan". Em português, impunha-se Iseu ao invés de Isolda, forma alemã popularizada por Wagner, como pode-se ver pelo Cancioneiro da Vaticana, de D. Dinis: o mui namorado Tristan sey ben que non amou Iseu quant'eu vos amo.... Já Jorge Ferreira de Vasconcelos usa "Iseo", com "o", em Memórias das proezas da segunda Távola Redonda, Lisboa, 1567, capítulo XLII: "... de dom Tristam de Leonis e da sua amada Iseo..." A popularidade da história de Tristão e Isolda foi conseguida graças a Maria da França, uma mulher de quem pouco se sabe, que escrevia lais, versos sobre histórias de cavalaria já conhecidas ou que ainda corriam entre os contadores de história. Seus versos intitulam-se Chèvre Feuille (A Madressilva). Esse conto, conhecido desde o ano 1000, é de origem puramente celta, sem conexão com Arthur. A história passa-se na Cornualha, onde Marco é rei, mas o magnetismo causado pelo nome de Arthur fez com que essa história se prendesse também ao corpo da lenda. Tristão não era famoso por sua habilidade como lutador, mas tinha grande agilidade física. Era também um harpista. A história de Tristão é marcada por tragédias, dizia-se que ele nunca foi visto sorrindo, a começar por seu nascimento, onde seu pai é morto em batalha, perdendo o reino de Lionesse, e sua mãe morre no parto. Graças a estas tragédias, ele recebe o nome de Tristão. Criado por um cavaleiro como se fosse seu filho, Tristão desconhece sua origem e de seu parentesco com Marco, seu tio. Ainda criança, Tristão mata por acidente um outro menino durante uma rixa. Levado para Bretanha a fim de ter uma educação de cavaleiro e um dia recuperar seu trono, tristão acaba preso em um navio muçulmano, onde seria vendido por escravos, se não tivesse conseguido fugir, indo parar nas costas da Cornualha. Durante muito tempo permanece na corte do rei Marco, sem revelar a este que era seu sobrinho, o que ocorre quando a Irlanda cobra um antigo tributo da Cornualha que, se não fosse pago, só poderia ser substituído pela luta entre dois campeões da família real da Irlanda e Cornualha. Tristão se oferece e parte para lutar contra Morolt, matando-o quando este prende a espada no casco do barco. Ferido pela espada envenenada de Morolt, Tristão é colocado em um barco sem remos com sua harpa para ser curado pela rainha da Irlanda. Durante sua permanência disfarçado, com o nome de Tãotris, acaba se apaixonando pela princesa Isolda, que cuidava dele. Mas Isolda acaba prometida a Marco e Tristão retorna à Irlanda para buscá-la. Na viagem de volta, no entanto, eles bebem um filtro de amor que a criada de Isolda, Brangwen, havia preparado para a noite de núpcias da princesa, com isso uma paixão cega toma conta deles, de tal forma que, quando chegam à Cornualha, já são amantes. Começa então o mórbido mas interessante relato do casamento de Isolda com o já desconfiado Marco e a continuação de sua aventura com Tristão. Segue-se então a descoberta e a fuga de Tristão para a Britânia, onde se casa com uma princesa só porque seu nome também era Isolda (ISolda das Mãos Brancas), não podendo consumar o casamento. Quando está prestes a morrer de uma infecção causada por uma seta envenenada, Tristão manda uma mensagem, implorando que Isolda da Irlanda viesse até ele, e ordena que, no retorno do barco, deveriam estender velas brancas se a trouxessem e negras se ela não viesse. Quando as velas brancas são vistas se aproximando, sua esposa Isolda diz que elas são negras. Angustiado, Tristão morre, e Isolda chega, para morrer ao lado dele.