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domingo, 23 de agosto de 2009

O SANTO GRAAL XIX - CALDEIRÃO


Acabamos de tomar conhecimento do “Santo Graal” sob a forma de uma Taça ou Cálice.
No entanto, das informações colhidas, verificamos que a representação do Graal na forma de um “Caldeirão” é muito anterior à representação sob a forma de uma Taça ou cálice.
O caldeirão vem desde os tempos dos Celtas, com uma representação de cunho feminino.
Porque não trazermos algo sobre o assunto?



Os Caldeirões

Muitos escritores notáveis mostraram a semelhança entre os Contos de folclores Célticos e as histórias do rei Arthur.

Havia muitos caldeirões nos contos Célticos e alguns tiveram propriedades bem parecidas com as atribuídas aos do Graal como descrito nos contos arturianos.

Um poema famoso, “O Preiddeu Annwn”, descreve o rei Arthur e seus homens arriscando-se no mundo dos criminosos Célticos para roubar o Caldeirão de Annwn mantido pelo chefe do Hades. O Caldeirão tem a habilidade para restabelecer a vida para os guerreiros mortos. Note isso na tradição Cristã; o Cálice sempre é levado ou é guardado por mulheres e tem a capacidade de restabelecer vidas.


O caldeirão e os seus magos


Outro caldeirão, o Caldeirão de Awen tinha a capacidade de dar a todos o poder do conhecimento, se uma porção fosse preparada nele.

Uma moça chamada Gwion foi escolhida pela deusa Ceridwen para mexer a poção. Ela derramou três gotas sobre os dedos dela e os pôs na boca. Ela ganhou todo o conhecimento.

Também note que na lenda do rei Arthur, o Graal pode dar conhecimento.

Muitos autores tentaram mostrar assim que os caldeirões célticos foram de alguma forma os percussores da imagem atual do Graal.

O caldeirão do mito clássico alimentou, também como o “Graal” celta, todos que a ele recorreram para o seu sustento.
Isso, junto, com a derivação de alguns heróis arturianos, como Kay e Bedivere, uns dos celtas, foi explorado em muitos textos.

O autor deseja mostrar que embora as derivações das lendas célticas sejam boas e populares em teoria, elas por nenhum meio explicam completamente os eventos e descrições dentro dos ciclos do Graal, nem explicam o interesse súbito da crença nele.




A guardiã do Graal


No livro de Charles Squire intitulado “Mitos e Lendas Celtas” ele faz referência a uma possibilidade do Graal estar relacionado com os Caldeirões, quando nos informa:
Na província de Demetia, chamada de Dyfed pelos galeuses que corresponde ao atual condado de Pembroheshire, era o último baluarte do submundo mítico. Conta que Dyfed era governada por uma tribo de deuses locais, cujas maiores figuras foram Pwyll, “Chefe de Annwn”, com a esposa Rhiannon e o filho Pryderi. Esses seres são descritos como hostis aos filhos de Don, mas amistosos com a raça de Llyr. Após a morte ou desaparecimento de Pwyll, sua viúva torna-se mulher de Manawyddan”.

“Num poema de Taliesin, encontramos Manawyddan e Pryderi co-governantes de Hades, e co-guardiães daquele caldeirão mágico de inspiração (livro de Taliesin, poema XIV, vol. I, pg 276, de Skene) que os deuses da luz tentavam roubar ou capturar, e que ficou famoso depois como o “Santo Graal”. Entre seus tesouros, estavam os “Três Pássaros de Rhiannon”, que sabiam com o seu canto, narra-nos um livro antigo, despertar os mortos para a vida e adormecer os vivos no sono da morte. Felizmente, raras vezes cantavam. “Há três coisas”, diz uma tríade galesa, “que não são ouvidas com muita freqüência: o canto dos pássaros de Rhiannon, um canto de sabedoria da boca de um saxão e um convite a banquete de um avarento”.



O Caldeirão Dagda



Nos romances posteriores, o Santo Graal é uma relíquia cristã de poder maravilhoso.

Conteve o cordeiro pascal comido na Ultima Ceia, e, após a morte de Cristo, José de Arimatéia com o mesmo havia colhido o sangue do Salvador quando preparava o seu corpo para o enterro. Mas antes de receber tal formação, ou seja, a de uma taça ou cálice, tinha sido o caldeirão mágico de todas as mitologias celtas.
Nas lendas Celtas encontramos, por exemplo, o Caldeirão Dagda (pai de todos os deuses irlandeses), no qual podia-se cozinhar a alimentação necessária para todo um regimento de guerreiros, foi chamado de “insecável”, pois todos que vinham a ele eram alimentados e ninguém saia insatisfeito.

No mito gaulês dos Mabinogion, o mesmo aparece como o Caldeirão da Regeneração capaz de ressuscitar os guerreiros mortos. O Caldeirão Dagda tinha uma clava com o mesmo poder, com uma exterminava os vivos e com o outro ressuscitava os mortos.
Boann era a esposa do Dagda, dentre os seus filhos os mais importantes eram Brigit, Angus, Mider, Ogma e Bodd (o vermelho).

Brigit foi uma deusa do fogo, da terra e da poesia. Brigit também era conhecida como a Minerva gaélica, também encontrada na Britânia como Brigantia, deusa tutelar dos Brigantes, uma tribo do norte, e no leste da França como Brigindo, a quem Iccavos, filho de Oppiano, fez uma oferenda dedicatória da qual ainda há registros (ver Rhys – Hibbert Lectures, I e II – “O panteão gaulês”). Os primeiros cristianizadores da Irlanda adotaram a deusa pagã no seu registro de santidade, canonizada obteve imensa popularidade como Santa Brígida ou Bride.




O Caldeirão de Gundestrop

Temos um outro caldeirão encontrado na Dinamarca que se chamava de Gundestrop, o mesmo foi confeccionado em prata dourada e era utilizado em cerimoniais, é proveniente do século I a.C.



O Caldeirão de Gundestrop




Encontramos na mitologia Celta uma série de outros caldeirões, como o de Brân, da Renovação, que foi dado pelo mesmo a Matholwch, detinha a capacidade de trazer o morto de volta à vida; o Caldeirão de Ogtyrvran (o gigante), do qual as Musas ascenderam; o caldeirão capturado por Cuchulainn de Mider, o rei da Cidade Sombria.
Posteriormente uma tragédia veio a abater-se sobre Cuchulainn, quando em um duelo, matou seu único filho, sem saber quem era; bem como vários outros caldeirões míticos de menor importância.

No próximo artigo, em continuação sobre as diversas representações do que seja o Graal, vamos trazê-lo na forma de uma pedra.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O SANTO GRAAL XVIII - TAÇA (3)

Anteriormente estávamos abordando o “Graal”, representado por uma Taça ou um Cálice. Falamos de como se iniciou a sua história, seu mito ou lenda, falamos do papel do rei Arthur da Tavola Redonda e de seus cavaleiros.
Nesta postagem, traremos para os nossos amigos, a finalização do assunto com referencia ao Graal representando uma Taça ou Cálice.


Taça ou Cálice – (terceira parte – final)


Uma história foi escrita há mais de 800 anos. Ela faz parte do livro “Le Conte du Graal” (O Conto do Graal), de Chrétien de Troyes (1135-1183), um dos maiores escritores franceses da Idade média.
Deixando de lado a antiguidade clássica e aproveitando-se das lendas célticas e das ricas fontes folclóricas européias, ele passou a se dedicar ao ciclo arturiano e ao tema do amor cortês, duas fontes inesgotáveis da literatura ocidental, (posteriormente no capítulo intitulado de Troyes, falaremos a respeito do mesmo). No seu livro ele dizia:





A representação do Santo Graal

“O jovem Sir. Percival estava exausto depois de cavalgar o dia inteiro. Meses antes ele tinha partido da corte do rei Arthur em busca de fama e aventuras, mas naquela noite tudo que ele queria era dormir. Foi quando avistou um castelo. Os portões estavam abertos e Percival entrou. Lá no seu interior foi recebido por um certo “Rei Pescador”, um velho nobre que o convidou para a ceia. Antes de o banquete começar, duas crianças atravessaram a sala. Primeiro um menino passou trazendo nas mãos uma longa lança de uma brancura deslumbrante, cuja ponta sangrava como se estivesse viva. Em seguida apareceram dois homens muito belos carregando cada um em sua mão um lustro de ouro niquelado, em cada lustro brilhavam ao menos dez círios. Logo depois surgiu uma menina em roupas majestosas, carregando um recipiente de ouro puro, incrustado pelas jóias mais preciosas da Terra ou do Mar, nenhuma gema podia comparar-se com o Graal. Quando a mesma entrou com o Graal, se expandiu pela sala um clarão tão grande e intenso, que os círios do castelo perderam o brilho como as estrelas ou a lua quando sai o sol. Atrás dessa donzela vinham outras levando um ábaco de prata”.
Conta-se nas lendas arturianas que todo aquele que saia a procura do Santo Graal, após ter encontrado o castelo do Graal, tinha de passar por uma certa prova, se conseguisse realiza-la com êxito, o Rei Pescador seria curado e as terras desoladas tornar-se-iam férteis.
A referida prova nada mais era do que perguntar o significado do que se via, quando os objetos sagrados eram expostos, e a quem o cálice do Graal servia.
No caso de não efetuar o seu questionamento, o castelo, o rei, o Graal, tudo mais se dissolveria como em um sonho e as terras permaneceriam estéreis, até que ele ou uma outra pessoa pudesse alcançar o castelo novamente, quando teria uma segunda chance de efetuar as perguntas.


Representação do Santo Graal em um vitrail


Sir. Percival ficou deslumbrado e dominado de admiração causada pela misteriosa procissão do Graal, mas, por timidez, não perguntou o significado daquilo. No dia seguinte, o cavaleiro seguiu viagem. Aquela cena nunca mais sairia de sua cabeça.
Um dia decidiu reencontrar os tesouros e desvendar seus segredos, ainda que a aventura lhe custasse à vida. Naquela oportunidade a busca pelo Graal acabava de começar.
Sir. Gawain, da mesma forma, foi dominado pelo sono no momento crítico, de maneira que também não perguntou sobre o seu significado.
Chrétien faleceu antes de concluir o seu livro, no entanto nele, nenhuma explicação deixou. O que seria aquele recipiente portador daquele brilho, e o que ele continha? Quem era o rei Pescador? Qual o significado daquela lança que sangrava?
Essa série de perguntas deixou de serem respondidas pelo escritor.
O cálice segundo as lendas, tem certos poderes associados tais como:
- Habilidades de cura e restauração física do corpo humano;
- Comunicação com Deus ou conhecimento de Deus;
- Invisibilidade para o mal ou olhos desmerecedores;
- Habilidade para “alimentar” os presentes;
- Imortalidade. “Habilidade para chamar aqueles que eram merecedores”.
O simbolismo sexual do Graal é indiscutível: é uma taça e, como tal, é a imagem do seio da mulher que dispensa alimento.
Por analogia, é um continente, e seu conteúdo, na versão cristianizada, poderíamos dizer é o sangue de Jesus. Por isso é fácil deduzirmos que o Graal, mais do que a imagem do seio representa o útero da Deusa Mãe, que dá vida a todas as criaturas do mundo, a condição de ser fecundada.
Sabemos que o país do Graal é estéril, está devastado e que esperam o cavaleiro eleito que deve devolver a fertilidade perdida.
Como o Rei Pescador tem um ferimento que afetou suas partes viris, portanto, a taça do Graal como útero materno, só poderá ser fecundado por um homem eleito (futuramente iremos abordar a figura do Graal como sendo – o sangue).
Por analogia, Jesus seria esse eleito, mas qual foi o útero que Ele fecundou?
A procura do Graal em forma de um cálice despertou inclusive a curiosidade dos nazistas. A idéia central do filme “Indiana Jones e a Última cruzada”, de Steven Spielberg – que mostra nazistas à procura do Santo Graal – não é tão absurda quanto parece.
Segundo os autores Stephen O´Shea e M. Sabbehedin, o Terceiro Reich teria de fato patrocinado uma busca pelo Cálice antes da Segunda Guerra.
Tudo teria começado com as pesquisas do místico nazista Otto Rahn. Para ele, o Graal era uma relíquia do paganismo, símbolo da resistência germânica contra o cristianismo. Para Rahn, os guardiões do Graal teriam sido os hereges cátaros, perseguidos e exterminados pela Igreja nos séculos XI e XII, e o Cálice estaria escondido nas ruínas de Montségur, antiga fortaleza dos hereges cátaros, no sul da França.
As teorias de Rahn chegaram aos ouvidos de Heinrich Himmler, comandante da SS e entusiasta das ciências ocultas.
Himmler convidou Rahn a unir-se à divisão de pesquisas arqueológicas da SS e ordenou que fossem efetuadas escavações em Montségur.
Alguns afirmam que posteriormente Rahn enviou a Himmler um grande cristal de quartzo, que se assemelhava à descrição do Graal efetuada por Wolfram Von Eschenbach.
O mais provável, no entanto, é que isso também não passe de lenda (Em um capítulo à parte falaremos sobre as teorias do místico Otto Rahn).
No próximo artigo daremos continuidade sobre as diversas representações do que seja o Graal, traremos para conhecimento o Graal na forma de um Caldeirão.

O SANTO GRAAL XVII - TAÇA (2)

No artigo anterior abordamos o tema do “Graal” sendo uma Taça ou um Cálice

Escrevemos sobre as possibilidades do referido cálice ser, ou servir como uma referência ao utilizado na última ceia. Neste, daremos continuação ao assunto.




Taça ou Cálice (segunda parte)



Segundo a tradição do cristianismo, o Graal teria sido o cálice que Jesus Cristo utilizou na última ceia, instituindo a eucaristia, no qual o vinho era bebido como símbolo do sangue de Jesus.

José de Arimatéia teria pego o cálice e nele depositado o sangue que corria das feridas de Cristo crucificado quando estavam preparando o corpo dele para o enterro, enquanto os seus seguidores eram perseguidos em Jerusalém (42 d.C.), levando em seguida o Graal para as ilhas britânicas.

Um dos relatos afirma que ele transportou duas galhetas contendo o sangue e o suor de Jesus para Glastonbury, no sudeste da Inglaterra, com um bordão de pilriteiro que brotou e se desenvolveu quando foi plantado em solo britânico.

Daí a sua representação em vitrais portando duas galhetas.




José de Arimatéia colhe o sangue de Jesus no cálice


Por que teria José de Arimatéia levado o cálice para uma terra tão distante, numa época em que a navegação não era bem desenvolvida?
Uma hipótese é que ele era um mercador da Judéia, muito rico, que conheceu Jesus e dele ficou amigo. Após sua morte foi para a Britânia, onde provavelmente mantinha relações comerciais, e por lá ficou para pregar a fé cristã. Em Glastonbury, fundou a primeira igreja da Inglaterra cujas ruínas ainda existem.
Na Grã-Bretanha as atividades de José de Arimatéia eram mantidas por um circulo fechado de doze anacoretas celibatários. Quando um deles morria, era substituído por outro. Nas histórias do Graal, esses anacoretas eram chamados de “os irmãos de Alain” que era um dos membros. Nessa condição, eles eram filhos simbólicos de Brân, o patriarca (o pai na antiga ordem, ao contrario da nova intitulação de bispo de Roma). Por isso, em uma parte da literatura, Alain é definido como filho de Brân (Bron). Entretanto, após a morte de José de Arimatéia em 82 d.C., o grupo se desintegrou – principalmente porque o controle romano tinha mudado para sempre o caráter da Inglaterra.


Representação do Santo Graal como Taça
Essa versão é uma das mais conhecidas, porém não é muito divulgada pela Igreja Católica. Por que?
Porque, antes mesmo do surgimento do cristianismo, já existia nas lendas dos povos celtas, referências a cálices sagrados. Ou seja, contestaria toda a história da Igreja Cristã, além de que nas lendas celtas, o cálice era intimamente ligado à imagem feminina, contrariamente a doutrina cristã que inferioriza as mulheres.
Na mitologia céltica, o “caldeirão”, era um símbolo sagrado, representava a fertilidade feminina, o grande útero, de onde todas as coisas vinham e para onde retornariam. Talvez daí nascesse à crença em cálices sagrados, dotados de capacidade mágica, dando a imortalidade a quem deles bebesse.
Alguns tomam o cálice de ágata que está na Igreja de Valência, na Espanha, como aquele que teria servido Cristo, mas, aparentemente, a peça é datada do século XIV.
Independente da veneração popular, esta referência é fundamental para o entendimento do simbolismo do Santo Graal já que, como explica a própria Igreja em relação à ferida causada por Longino, “do peito de Cristo adormecido na cruz, sai à água viva do batismo e o sangue vivo da Eucaristia; deste modo, Ele é o cordeiro Pascal imolado”.
Depois da primeira Inquisição Católica realizada pelo papa Gregório IX, em 1231, as histórias do Graal foram condenadas pela Igreja. Não chegaram a ser denunciada como heresia, mas todo o material relacionado ao Graal foi suprimido.
Posteriormente a Igreja na verdade declarou, no Concílio de Trenton (norte da Itália), em 1547, que a sabedoria do Graal era heresia não-oficial. Nesse mesmo Concílio, a escolha dos livros para o Novo Testamento aprovado foi finalmente confirmada a partir de uma seleção original feita antes, no Concílio de Cartago, no ano de 397.
Sobre o referido assunto, veja o que nos diz o escritor e historiador Laurence Gardner em seu livro intitulado “Os Segredos Perdidos da Arca Sagrada”:
“Quando olhamos o legado do Graal da antiga Mesopotâmia, fica óbvia que o simbolismo do Cálice e do Pão era parte da cultura semítica dos dias de Abraão e Melquizedeque (como mostrado em Gênesis 14:18), por volta de 1960 a.C. A maior anomalia é que a igreja se volte oficialmente contra o Graal, usurpando ao mesmo tempo, como seu, o mais pertinente símbolo do legado. O Sacramento da Eucaristia (ou Sagrada Comunhão) é ostensivo o uso do cálice de vinho, representando o sangue messiânico, junto com obréias de pai que representam o corpo. Apologistas desse costume se agarram à idéia de que a cerimônia deriva do ocorrido na Última Ceia, quando Jesus ofereceu vinho e pão a seus apóstolos, sem considerar que ele próprio realizava um ritual antiqüíssimo”.
Porém há outras histórias muito mais interessantes – e ousadas – para explicar isto.
Diz-se que durante sua permanência na Cornualha, Jesus havia recebido em dádiva um cálice de um druida convertido ao cristianismo (isto entendido como “o que era pregado por Cristo”), e por aquele objeto Jesus tinha um carinho especial.
Após a crucificação, José de Arimatéia quis levá-lo, santificado pelo sangue de Jesus, ao seu antigo dono, o druida, que nada era do que o Mago Merlim, traço de união entre a religião Celta e a Cristã.
Como não podia de ser, a história do ”Santo Graal” também se encontra ligada com os povos muçulmanos.
Conta-se da existência de um rei chamado de Evelake que era um governador sarraceno convertido por José de Arimatéia e trazido por ele para a Britãnia. Em seu entusiasmo de convertido, ele tentou a busca do cálice sagrado, mas não lhe permitiram ter êxito. Como consolo, porém, foi divinamente prometido que não morreria até que visse um cavaleiro do seu próprio sangue no novo grau que deveria conquistar. Isto foi realizado por Sir. Percival.
O rei Evelake contava na oportunidade então trezentos anos de idade.
José de Arimatéia foi, portanto segundo se depreende da história, o primeiro a custodiar o Graal. O segundo teria sido seu genro, Bron. Algumas seitas sustentam que o ciclo do Graal não estará fechado enquanto não aparecer o terceiro custódio.
Esta resposta parece vir com a Demanda do Graal, de autor desconhecido, que coloca Sir. Galahad como único entre os cavaleiros merecedores de se tornar guardião do Graal.
No próximo artigo daremos continuação do que seja o Graal em forma de uma Taça ou Cálice.
Segue...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O SANTO GRAAL XVI - TAÇA (1)


Vamos agora entrar no reino das Lendas, dos Mitos e das Histórias, pois nos é bastante difícil e de sobremaneira impossível, informar para os nossos leitores o que é realmente o Santo Graal, ou como universalmente é chamado de “Graal”.
Centenas de livros foram escritos no mundo inteiro, bem como milhares de artigos foram publicados nos meios de comunicações. Vamos aqui apenas tentar sintetizar ao máximo as informações colhidas sòmente sobre uma determinada interpretação do que seja o Graal. Escolhemos no momento o símbolo da “TAÇA OU CÁLICE”.

Taça ou Cálice (primeira parte)
Não podemos falar sobre o Graal sendo “Taça” ou “Cálice”, sem antes voltarmos um pouco para a história do rei Arthur, pois foi onde nasceu o mito da taça sagrada, lembramo-nos de Cavaleiros em suas reluzentes armaduras como Sir Lancelot ou Sir Galahad.
As atuais histórias do rei Arthur incluem a lenda do Cálice de Cristo, porém não foi sempre assim.
O Graal já seria bastante conhecido nas Histórias Arturianas, porém depois que estas histórias foram cristianizadas é que o Graal foi associado ao Cálice de Cristo.


Rei Arthur da Távola Redonda
Arthur era o rei da Britânia, que se reunia com seus cavaleiros ao redor de uma mesa denominada de “Távola Redonda” devido ao seu formato.
Havia sempre, porém, um lugar vazio na mesa. Este era reservado ao cavaleiro de grandes virtudes, que seria aquele que encontraria o cálice sagrado.
O cavaleiro era Sir Lancelot que, segundo consta, chegou a encontrar o Graal, mas pôde apenas contemplá-lo com os olhos, não podendo tocá-lo, pois sua pureza fora manchada pelo adultério que cometera com a rainha Guinevere.
A história nos informa que estando o Rei Arthur agonizante e vendo o declínio do seu reino tem uma visão, Arthur acredita que só o Graal poderia curá-lo e tirar a Bretanha das trevas.
Manda então seus cavaleiros em busca do cálice por toda a Europa. Fato esse que geraria todas as histórias em torno da Busca do Graal.



O Castelo do rei Arthur
Nessa incessante busca, muitos morreram e segundo a história, quem encontrou finalmente o cálice foi Sir. Galahad, filho de Sir. Lancelot, um cavaleiro de grandes virtudes e pureza. Porém, tocar no cálice foi mortal, e Sir. Galahad foi levado aos céus pelos anjos.
Outros dizem que foi Sir. Guglielmo um Cruzado de Gênova que em 1099 d.C., afirmou ter descoberto o Cálice (de Jade) em Cesaréia.
A história é bastante controversa, envolve muitos nomes, entre eles Sir. Percival, Sir. Tristão, Sir. Lancelot do Lago, o mago Merlim...
Mas, com certeza é uma história fascinante! Ainda, relacionando às lendas Arthurianas, segundo os livros de Marion Zimmer Bradley – As Brumas de Avalon, o cálice teria sido levado por José de Arimatéia para a ilha de Avalon (que muitos julgam como sendo a atual Glastonbury), e escondido no poço sagrado, pois deveria ser guardado por uma mulher.
O Graal era um dos tesouros de Avalon, e tinha como guardiã uma das sacerdotisas da ilha.
Aqui, nota-se o cruzamento de tradições cristãs e pagãs, ligadas à lenda do cálice sagrado.
É interessante notar que a água é uma constante na história do rei Arthur. É na água que a vida começa, tanto a física como a espiritual. Arthur teria sido concebido ao som das marés, em Tintagel, que fica sob o castelo do Duque da Cornualha; tirou a Bretanha das mãos dos bárbaros em doze batalhas, cinco das quais às margens de um rio; entregou sua espada, Excalibur, ao espírito das águas e, ao final de sua saga, foi carregado pelas águas para nunca mais morrer.
Certo de que sua hora havia chegado, o rei Arthur pede a Bedivere que o leve à praia, onde três fadas o aguardam em uma barca.
“Consola-te e faz quanto possas porque em mim já não existe confiança para confiar. Devo ir ao vale de Avalon para curar a minha grave ferida”, diz o rei.
Avalon é a mística ilha das macieiras onde vivem os heróis e deuses celtas e onde teria sido forjada a primeira espada de Arthur – Caliburnius.
Na Cornualha, o nome Avalon – que em Galês refere-se à maçã – é relacionado com a festa das maçãs celebrada durante o equinócio do outono.
Acreditam alguns que Avalon é Glastonbury, local onde tanto Arthur quanto Guinevere teriam sido enterrados.
A abadia de Glastonbury, onde repousaria o casal, é tida também como o lugar de conservação do Graal.
É na obra do poeta francês Robert de Boron, “Roman de L´Estoire du Graal” (Romance da História do Graal), escrito entre os anos 1200 e 1210que o Santo Graal ganhou uma versão bastante popular, conta que o mito retrocede no tempo até chegar a Cristo e á última Ceia, o Graal seria o cálice ou vaso no qual Jesus bebeu o vinho com seus discípulos e que mais tarde seu discípulo José de Arimatéia recolheu o sangue de Cristo na Cruz.
José de Arimatéia era um judeu muito rico, membro do supremo tribunal hebreu – o Sinédrio.
É ele que, como visto nos evangelhos, pede a Pilatos o corpo de Jesus para ser colocado em um sepulcro em suas terras, (“Depois disso, José de Arimathéia, discípulo de Jesus, embora em segredo por medo dos Judeus, pediu a Pilatos que lhe permitisse retirar o corpo de Jesus e Pilatos lhe concedeu. Veio, pois e retirou o corpo”. – João 19:38).
Boron conta que certa noite, José de Arimatéia é ferido na coxa por uma lança (perceba também, sempre presente, as referências às lanças e espadas, símbolos do fogo, tanto nas histórias de Jesus como de Arthur).
Em outra versão, a ferida é nos genitais e a razão seria a quebra do voto de castidade.
Este fato está totalmente relacionado à traição de Sir. Lancelot que seduz Guinevere, esposa de Arthur.
Após a batalha entre os dois, a espada de Arthur, Caliburnius, é quebrada – pois é usada para fins mesquinhos – e jogada em um lago onde é recolhida pela Dama do Lago antes que afunde, Depois lhe é oferecida outra espada, esta sim, é a Excalibur.
Somente uma única vez Boron chama a taça de Graal.
Em um inciso, ele deduz que o artefato já tinha uma história e um nome antes de ser usado por Jesus:
- “eu não ouso contar, nem referir, nem poderia fazê-lo (...) as coisas ditas e feitas pelos grandes sábios. Naquele tempo foram escritas as razões secretas pelas quais o Graal foi designado por este nome”.
No seguimento, daremos continuidade ao Santo Graal representando como símbolo, a Taça ou Cálice.

O SANTO GRAAL XV - OS DIVERSOS TIPOS DE REPRESENTAR O GRAAL

O Santo Graal será uma lenda ou é um mito, o que poderia ser mesmo?
Os escritores e historiadores se debatem em torno do assunto
e não chegam a nenhuma conclusão lógica.
O grande mitólogo Joseph Campbell escrevendo sobre ele dizia:
“O rei que inicialmente cuidava do Graal era jovem adorável, mas por ser ainda muito jovem e cheio de anseios de vida, acabou por tomar atitudes que não se coadunavam com a posição de rei do Graal. Ele então abandonou o castelo bradando o grito de guerra “Amor”, o que é próprio da juventude, mas que não se coaduna com a condição de rei do Graal.
Ele partiu do castelo e, quando cavalgava, um muçulmano, um não-cristão, surgiu da floresta. Ambos erguem as lanças e se atiram um contra o outro.
A lança do rei mata o pagão, mas a lança do pagão castra o rei do Graal.”
“O que isso quer dizer é que a separação que os padres da Igreja fizeram entre matéria e espírito, entre o dinamismo da vida e o reino do espírito, entre a graça natural e a graça sobrenatural, na verdade, castrou a natureza”.

A taça, uma possível representação do Graal



Podemos também interpretar como uma alusão a Sir Lancelot, cavaleiro do rei Arthur e pertencente a “Távola Redonda” que encontrou o Graal, no entanto não pode tocá-lo, pois sua pureza fora manchada pelo adultério (simbolizado pela castração pelo muçulmano) que cometera com a rainha Guinevére esposa do rei Arthur.
No início da seqüência dos nossos artigos, informamos que, por mais intensas e profundas fossem as nossas pesquisas, nos encontramos em completa escuridão com um desconhecimento do que seria o verdadeiro Graal.
Ninguém consegue informar ou explicar o significado real de todos os eventos estranhos nas histórias do Graal.
A força duradoura e generalizada desse mito em particular é descrita por Malcolm Godwin:
“A LENDA DO GRAAL, mais que qualquer outro mito ocidental, manteve a magia vital que a caracteriza como uma lenda viva capaz de emocionar a imaginação e o espírito. Nenhum outro mito é tão rico em simbolismo, tão diverso e muitas vezes de sentido tão contraditório. E em seu âmago existe um segredo que manteve o apelo místico do Graal durante os últimos novecentos anos, enquanto outros mitos e lendas caíram no olvido e foram esquecidos”.
Voltamos a perguntar: o que é finalmente o Graal e o que ele representa?
O que dizem os nossos escritores, pesquisadores e historiadores a respeito do mesmo?
Com base na biblioteca existente, efetuamos um completo levantamento e, a partir desse momento, iremos trazer para os nossos leitores, em separado, alguns capítulos abordando o assunto já de uma forma mais específica, pois das nossas pesquisas chegamos aos seguintes tipos de possíveis representações do que seja o Santo Graal:
O Graal – Sendo uma Taça ou Cálice (e suas derivações);
O Graal – Sendo a figura de um Caldeirão;
O Graal – Na forma de uma Pedra;
O Graal – Na figura de um Livro;
O Graal – Uma explicação de fundo Científico;
O Graal – O Sangue de Jesus ou em sentido figurado a linhagem de seus descendentes;
O Graal – A cabeça de Deus;
O Graal – Diversas outras representações existentes.
Quanto à conclusão do que seria o mesmo, deixaremos ao sabor dos nossos pensamentos após analisarmos todo esse polemico assunto com a devida tranqüilidade, procurando encontrar dentro de nós a verdadeira resposta, pois, acreditamos que cada um de nós tenha o seu Graal e se no momento não o tem, sabe onde e quando procurar.
No desenvolver dos nossos trabalhos procuraremos efetuá-lo de uma maneira bastante condensada, pois, não caberia aqui, produzirmos um tratado sob cada possível representação do Graal na tentativa de esgotarmos o inesgotável, basta lembramos da existência de milhares de livros escritos, e acreditamos que outros milhares serão escritos.
Descobrir a verdade dentro de uma lenda ou um mito, é algo imponderável.
Em continuação abordaremos o Santo Graal na figura de uma Taça ou Cálice.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O SANTO GRAAL XIV - CONSIDERAÇÕES GERAIS

Através de uma série de capítulos devidamente escolhidos do livro “O Caminho do Mago” do escritor Deepak Chopra, procuramos trazer em um primeiro pensamento a idéia do que seja realmente o Graal.


Esperamos que ao lerem, tenham compreendido em profundidade o teor da conversa que o Mago Merlim teve com Sir. Percival e Sir. Galahad, cavaleiros do Rei Arthur, sobre o verdadeiro sentido do Graal, como procurar o que muitas vezes está ao nosso alcance e não o enxergamos.
O Mago abordou uma série de etapas, etapas essas intimamente ligadas com a nossa vida, com o nosso eu, com o nosso espírito.



Falou de uma maneira simples sobre a Inocência, sobre os nascimentos: do Ego, do Empreendedor, do Doador, do Buscador, do Observador e por último o aparecimento do Espírito.



Uma representação do Santo Graal



Todo esse material foi necessário trazermos ao conhecimento dos nossos leitores, pois, a partir desse ponto, iremos abordar através de uma série de capítulos, assuntos bastante polêmicos e controvertidos, pois podemos dizer sem medo de erramos, o Santo Graal é um dos maiores enigmas da história humana.
As lendas sobre o Graal são bastante antigas, são originadas nos primeiros séculos da nossa era, uma das primeiras referências cristãs sobre o tema aparece numa “Crônica de Helinando”, do monge de Froidmont, que fala a respeito de um eremita que vivia na Bretanha no século VIII, ao qual apareceu José de Arimatéia com o recipiente que Jesus utilizou na Última Ceia, no entanto as partes escritas que chegaram até nós, referem-se apenas a um período da Idade Média bastante curta, pois alguns relatos foram produzidos entre os anos 1175 e 1220 e outros entre 1220 e 1230, nenhum escrito anterior a Idade Média apareceu com fundamentos sobre as lendas do Graal.
A partir desse período baixou um silencio quase que sepulcral sobre o assunto, acreditamos que o motivo foram devido às repressões iniciadas pela igreja contra as heresias vicejantes na época, a qual os historiadores batizaram como “Período da Inquisição”.
Um outro ponto que não podemos deixar de abordar é a influência dos Templários junto às Lendas do Graal. Se efetuarmos um paralelo entre o surgimento dos trabalhos que falam sobre o Graal e a fundação da Ordem dos Templários, iremos verificar a perfeita coincidência entre as mesmas. Vejamos:
- Urbano II eleito papa em 1088, foi o grande motivador das primeiras cruzadas com a finalidade de retomar a cidade de Jerusalém que estava em poder os “infiéis”, os Islamitas desde o ano 638 d.C., seis anos após a morte de Maomé.
- Em 1099 Jerusalém volta a ficar sob o domínio dos cristãos ocidental;
- Em 1118 um nobre francês Hughes de Payens juntamente com oito cavaleiros oferecem seus serviços ao primeiro rei de Jerusalém Balduino I, com a finalidade de proteger os peregrinos Cristãos que se dirigiam a Terra Santa. Balduino em recompensa aos seus esforços e a fim de proporcionar-lhes uma renda suficiente, concedeu-lhes um palácio que era a antiga mesquita Al-Aqsar que tinha sido construída num local que antes fora ocupado pelo próprio Templo Sagrado de Salomão, em conseqüência, foi esse o nome dado à nova Ordem. A “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão – Cavaleiros Templários”.
Sobre esse assunto David Caparelli e Píer Campadello em seu livro “Templários – Sua Origem Mística” nos informam:
“Assim, antes da fundação oficial da Ordem do Templo, São Bernardo, em 1118, enviou a Jerusalém nove (9) altos dignitários da Soberana Ordem de Mariz (El-Xavarnah-Massiah ou Milich-Há-Shadai), comandados por Hugues de Payens e Godofredo de Saint-Omer, para que ocupassem as estrebarias subterrâneas do Templo de Salomão com a devida autorização do imperador Balduíno II. Portanto, segundo Charpentier, os noves emissários do Templo não foram a Jerusalém para liberar e proteger a rota para uso dos incultos peregrinos cristãos, mas procuravam algo de maior valor transcendental nas criptas do Templo salomônico.”
O que sabemos é que a Ordem dos Templários cresceu rapidamente tanto política quanto economicamente e a partir desse momento passou a ter uma liderança bastante importante em toda a região, chegando a possuir um volume bastante grande de propriedades, praticamente dominava os nobres devido ao seu poder econômico, pois possuíam grande quantidade de dinheiro emprestada aos reis e aos nobres. Uma boa parte da riqueza dos Templários também vieram dos bens conferidos à sua guarda, que, por um ou outro motivo, jamais retornaria às mãos dos seus legítimos donos. Detinha um grande trunfo, pois se encontrava diretamente subordinada a autoridade papal e, portanto, sem responsabilidades para com qualquer reis ou nações.
Com a queda da fortaleza de São João Acre, no oriente, em 1290 e a conseqüente expulsão dos cristãos da Terra Santa, os Templários foram obrigados a mudar seus planos dedicando-se mais ao espírito de lucro comercial. Outro fator que também concorreu para a sua queda foi à luta travada nos bastidores entre credores e devedores, onde príncipes e reis travaram contra ela. Felipe IV, “o Belo”, rei da França, acusou-os de heresia, homossexualidade, idolatria e feitiçaria. Muitos deles inteiramente inocentes foram condenados à fogueira pela Inquisição. Com uma pressão sempre crescente, a mesma não resistiu. A Ordem foi extinta pela bula “Vox in excelso” do Concílio de Viena, no ano de 1312 pelo Papa Clementino V, francês, arcebispo de Bordéus.
Seu famoso tesouro nunca foi encontrado, o certo é que possuíam bastante dinheiro que ganhavam com a cobrança dos seus serviços que eram avaliados conforme o tempo empregado, o tipo do trabalho e o risco de suas missões. O ouro e a prata estavam distribuídos pelas diversas casas da Ordem, as quais constituíam a base de seu tesouro, mais todo aquele império econômico que era a Ordem dos Templários soçobrou sem deixar nenhuma pista para os historiadores.






Os Cavaleiros Templários


Os Templários detinham também importantes relíquias sagradas das quais falaremos oportunamente no desenrolar dos nossos trabalhos.
Quando Gerard de Villiers conseguiu fugir do Templo de Paris em 1307, levou consigo certas relíquias, quais? Não sabemos... A esquadra de galeras pertencentes aos Templários zarpou do porto de La Rochelle e em seguida dividiu-se em duas partes, uma rumou para o sul em direção a Portugal, onde mais tarde foi absorvida pela Ordem de Cristo do rei Dinis, a outra metade navegando rumo ao norte tomou a direção da Escócia, onde lançou ancoras no estuário do Forth. Ao sul de Edimburgo estava situado o castelo de Rosslyn, de propriedade dos Saint-Clairs, uma família com longos vínculos com os Templários, onde a capela era praticamente “um templo de Salomão diferente”.
A partir do século XIV a Igreja já vencera à Ordem dos Templários; a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João; os Cavaleiros Teutônicos, etc, começou a surgir às novelas e os cantos épicos, nos quais as antigas lendas começaram a surgir em cena dentro dos contesto católicos, passando a procura do Graal e as histórias dos Cavaleiros daquela época, à condição de elementos românticos, dando origem às centenas de livros abordando os referidos temas, permitindo irmos mais a fundo nos misteriosos símbolos dos guerreiros Sagrados e em particular sobre a procurado Graal.
Quando ao tão decantado tesouro bem como as relíquias dos quais os Templários possuíam ou se dizia possuir, nunca foram encontradas, passou para o reino das lendas que até os nossos dias abastece os historiadores e aos escritores.
Aguardem a continuação, pois muita coisa está para acontecer. Na realidade é que até momento ainda não sabemos realmente o que é o Graal.
O que será o Graal?

O SANTO GRAAL XIII

Chegamos na segunda parte da Sétima etapa, a última etapa.
Nela iremos travar conhecimento das ultimas palavras
proferidas pelo mago Merlim com os cavaleiros do rei Arthur da Tavola Redonda
do reino de Camelot; Sir. Galahad e Sir. Percival.
Trata-se da conclusão de toda sua explanação através das etapas
que ele inicialmente enunciou: a Inocência, o Nascimento do Ego;
O Nascimento do Empreendedor; o Nascimento do Doador;
o Nascimento do Buscador; o Nascimento do Observador
e finalmente a sétima e última etapa que é o aparecimento do Espírito.
Durante toda essa leitura o Mago nos permitiu com as suas palavras
a compreender um pouco da nossa pessoa, dos nossos limites
e da nossa capacidade de encontrar o verdadeiro Graal.
A procura do Graal é eterna, infinita, pois sempre estaremos a sua procura.
O que é finalmente o Graal?
Continuemos com a nossa leitura


O Santo Graal?



Sétima Etapa
- O Espírito -
(Segunda Parte)

“A voz de Merlim ficou mais suave enquanto o círculo de luz ao redor deles praticamente se extinguia”.
- Vocês, mortais, anseiam por milagres, digo eu, e na qualidade de filhos privilegiados do universo, nada lhes será negado. O espírito é o estado do milagroso, que se desenrolará em três estágios:"
Primeiro, vocês vivenciarão milagres no estado chamado consciência cósmica. Cada evento material terá uma causa espiritual. Cada acontecimento local também estará acontecendo no palco do universo. Seu menor desejo fará com que as forças cósmicas o tomem realidade. Por mais maravilhoso que isso possa parecer, esse não é um estado muito adiantado, porque muito antes de alcançarem a consciência cósmica, vocês estarão acostumados a ver seus desejos espontaneamente se tomarem realidade”.
" Segundo, vocês realizarão milagres no estado denominado consciência cósmica. Este é o estado de criatividade pura, no qual vocês se mesclam com o poder de Deus, por meio do qual Ele cria os mundos e tudo que acontece nesses mundos. Esse poder não tem origem em nada que Deus faz, ele é apenas Sua luz de consciência. Como um brilho rico e dourado, vocês verão a consciência divina reluzindo através de tudo que seus olhos contemplam. O mundo ilumina-se a partir do interior, e não existe nenhuma dúvida de que a matéria é simplesmente o espírito manifestado. Na consciência divina, vocês se verão como aquele que cria, não o que é criado, o que dá a vida, não o que recebe”.
" Terceiro, vocês se tornarão o milagre, no estado conhecido como consciência de unidade. Agora, qualquer distinção entre o que cria e o que é criado desapareceu. O espírito dentro de vocês se incorpora ao espírito de tudo o mais. O retorno de vocês à inocência é todo-abrangente, porque, à semelhança do bebê que toca a parede ou o berço e só sente a si mesmo, vocês verão cada ação como o espírito derramando-se sobre o espírito. Vocês viverão num completo conhecimento e confiança. E embora ainda pareçam morar num corpo, ele será apenas um grão de Ser nas praias do oceano infinito de Ser que são vocês mesmos”.
“ Os dois cavaleiros não tinham idéia do tempo que Merlim levara fazendo essa exposição. Eles tinham a impressão de terem sido erguidos num espaço no qual esferas de Ser se abriam uma depois da outra como as pétalas de uma flor. E quando a última se abriu, um diamante quase transparente, que mal podia ser visto, girava no centro”.
- O que é isso? Galahad teve vontade de perguntar, mas não ousou fazê-lo”.
- Contemplem o Graal - sussurrou Merlim.
- O desabrochar da sua busca conduziu a uma visão da meta, o ponto de pura luz, a essência do diamante que arde dentro da sua alma.
“ Os dois cavaleiros se ajoelharam no chão frio e rezaram em seus corações pedindo para merecer a visão”.
- Vivam em devoção a este momento - disse Merlim.
- Eu os trouxe aqui por causa do seu mais íntimo desejo, mas agora vocês mesmos precisam conquistar o verdadeiro Graal, e não apenas a visão dele.
- O verdadeiro Graal? - murmurou Percival.
- O que devemos procurar, esta mesma imagem?
- Não esperem nem antevejam - advertiu Merlim enquanto a visão do Graal começava a desaparecer.
O homem vai a busca de símbolos, e os símbolos mudam a cada época. Mas o que lhes mostrei não foi um símbolo, e sim a verdade. O Graal é a partícula de cristal do Ser no coração de vocês. Ela reflete sutilmente a luz em suas facetas, e desses reflexos sutis surgem todas as faculdades da mente e do corpo que vocês percebem com seus sentidos. Como reflexos, eles são reais, mas muito mais real é esse diamante transparente de puro Ser.
“ Inesperadamente, Merlim bocejou, inclinando a cabeça para trás como se esse fosse o ato mais agradável do mundo. Ele estendeu os braços bem abertos e se levantou. Estava agora quase escuro como breu, o fogo havia se apagado completamente, mas Percival e Galahad podiam sentir o olhar de Merlim fixo sobre eles. Ele disse”:
- Um dia vocês olharão para trás, para esta noite, e perguntarão: "Quem é você, Merlim?” Além da esfera do tempo, assim responderei: Sou aquele que não precisa de milagres. Sou um mago, e o fato de eu estar aqui é um milagre suficiente, o que poderia ser mais milagroso do que a própria vida.
“Com a luz que se extinguia, o velho desapareceu. Percival e Galahad permaneceram imóveis, sem emitir um som. O fascínio da fala de Merlim ainda tomava conta deles, e quando ele começou a diminuir, ambos tremeram, lamentando terem que voltar a terra. Ao amanhecer, iniciaram o retorno ao Castelo. À luz dourada do sol, Percival avistou o rei Arthur de pé, na janela de seus aposentos reais; ele estava olhando diretamente para eles”.
- Você acha que devemos falar com ele sobre o que aconteceu? - perguntou Percival, fazendo um gesto em direção ao castelo.
Galahad sacudiu negativamente a cabeça.
- Estou certo de que o rei sabe o que aconteceu; deve ter acontecido a ele, ou porque outro motivo ele estaria tão relutante em falar sobre o Graal? Mas quero lhe dizer uma coisa, Irmão Cavaleiro. Eu gostaria que Arthur compreendesse que estamos com ele e Merlim nessa busca. Vamos chamar esta noite de noite da gruta de cristal. O rei saberá ao que estamos nos referindo.
E embora eles não tivessem estado numa gruta e sim debaixo do dossel de um céu estrelado, Percival concordou instantaneamente com a sugestão de Galahad.
Essa é apenas uma pequena parte de um todo que reservamos para os nossos leitores sobre a compreensão e o real significado do que seja o “Santo Graal”.
Continuemos com a nossa leitura sobre o Graal.
Vamos, na intimidade do nosso pensamento perguntar: o que é realmente o Graal?
Muitas surpresas estão a sua espera.