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sábado, 5 de setembro de 2009

O SANTO GRAAL XXXV - ONDE SE ENCONTRA

Onde se Encontra



Estamos chegando ao final dos nossos artigos abordando sobre o que seria O Santo Graal e qual o seu formato.
Iniciamos com uma pequena história sobre o famoso rei Arthur e de seus “Cavaleiros da Tavola Redonda” ouvindo os ensinamentos do Mago Marlin a cerca da constante procura da alma eterna; pois a busca do Graal se traduz na busca do homem, pela verdade do espírito do tempo. Utilizamos para isso, um trecho extraído do livro escrito por Deepack Chopra “O Caminho do Mago” para ilustrarmos o assunto.
Em seguida, abordamos o Graal sob os seus diversos aspectos: falamos sobre a sua representação no formato de uma Taça ou Cálice o mais difundido dentre todos; também o abordamos na figura de uma Pedra, que poderia estar associada a uma esmeralda ou, simplesmente, a pedra que serviu como travesseiro para Jacó descansar a sua cabeça à fim de ver a escada que levava ao céu; nos enveredamos para compará-lo como sendo um Livro escrito por Jesus, procurando passar os seus conhecimentos para os seus discípulos; desse ponto partimos para a sua explicação sobre um cunho Científico inclusive abordando a analise de C.G. Jung que era fascinado pelo Graal.


A procura do Santo Graal



À partir desse ponto, iniciamos uma abordagem altamente polêmica, quando trouxemos ao conhecimento dos leitores o Santo Graal associado ao sangue de Jesus, não ao sangue que corria nas suas veias que, segundo alguns, foram essas gotas que José de Arimatéia coletou em uma taça e levou para a Britânia conforme contam às lendas.
Um assunto bastante controvertido quando, um grande número de escritores e historiadores abordam o tema como sendo o casamento de Jesus com Maria de Madalena, a partir do qual inicia-se a “Linhagem do Santo Graal”, ou seja, uma linhagem consangüínea, onde através dos seus descendentes perpetuou-se uma verdadeira dinastia; a dinastia dos Morovíngios, guardada a sete chaves pelos detentores do Priorato do Sion (ou Sinai).
Em seguida, abordamos o Santo Graal na figura da Cabeça de Jesus embalsamada, a qual estaria guardada na Fortaleza de Montségur em plena cordilheira dos Pirineus onde foi retirada através de um ato de puro desespêro pelos catáros quando foram cercados e exterminados pela cruzada albigense.
Como também consideramos um assunto lendário, controvertido, passado na época da inquisição, onde um verdadeiro genocídio foi perpetuado na região de Languedoc, trouxemos para os nossos leitores a história dessa pequena fortaleza considerada inexpugnável, situada no alto de um morro escarpado.
Trouxemos para conhecimento dos nossos amigos, a “Teoria de Otto Rahn”, mostrando que também o Terceiro Reich na Alemanha, numa tentativa de ganhar a guerra, patrocinou buscas ao Graal, pelo místico Otto Rahn.
Como não podia deixar de ser, acreditamos que não poderíamos deixar de abordar essa figura lendária que, segundo a maioria dos historiadores, foi quem trouxe o Santo Graal para a Europa, sendo o seu primeiro guardião, o irmão de Jesus, José de Arimatéia.
E, concluindo a primeira parte dos nossos trabalhos, abordamos uma série de demais outras representações da figura do Graal.
Uma pergunta que faríamos, durante esse nosso longo percurso literário, acreditando que todos também estariam efetuando a mesma pergunta:
"Onde realmente se encontra o Santo Graal?"
É uma pergunta sem resposta.
Até os dias de hoje uma série de historiadores, arqueólogos, pesquisadores e escritores buscam em vão encontrar uma resposta adequada.
Aproveitando a oportunidade, efetuamos um levantamento procurando trazer para vocês, os locais que detêm os maiores índices de evidências.
No próximo artigo abordaremos a Capela Rosslyn.

O SANTO GRAAL - XXXIV - DIVERSAS OUTRAS REPRESENTAÇÕES

Em artigos anteriores abordamos a figura do Santo Graal sob diversos aspectos; uns possíveis, outros podemos colocar no reino das lendas e alguns colocamos no rol dos bastante polêmicos. Entretanto, não cessa aí o volume das diversas modalidades do Graal que a cada instante é atribuída pelos historiadores e escritores que nos informam e continuarão a informar, acreditamos, que muitos tipos do Graal ainda nos serão apresentados, com suas defesas e seus comentários.
Separamos nesse artigo alguns outros tipos da representação do Graal.
Vejamos.



Diversas outras representações


O Urim e o Thummim


A Senhora Flavia Anderson apresentou uma teoria totalmente nova sobre o Graal no seu livro “O Segredo Antigo”. Neste livro ela reivindica que o Graal é uma redonda bola de vidro cheia de água. Este objeto é guardado em uma arvore servindo como seu esconderijo. Esta hipótese que ela reivindica são os objetos judeus denominados “Thummim e o Urim”. Estes objetos foram feitos para acender os fogos através da luz do sol.
O livro dela mostra como o homem venerou a luz como religião e o fogo feito de luz solar direta, por um cristal ou bola de vidro ou igual, que pensou-se ser santo por muito tempo.
Freqüentemente fogos perpétuos eram mantidos acesos em lugares Santos por virgens que usavam tais métodos. Ela também demonstra quantas metáforas para luz e raios (como a lança e a espada) aparecem ao longo do tempo e novamente nas lendas do Rei Arthur.
Não só isto, mas o Graal é descrito freqüentemente como uma pedra e há referências constantes a uma árvore de Graal como se fosse uma árvore genealógica.
Mais adiante, nas lendas e histórias, vemos que freqüentemente as mulheres eram responsáveis por alimentar as armas de fogo ou mesmo os fogos rituais e por isso, as mulheres são também descritas como guardiãs do Graal nas lendas Arturianas.
Indubitavelmente tais objetos existiram, e é provável que os Judeus na época de Salomão usaram tal objeto.
Uma das teorias declara que objetos desse tipo foram enterrados junto com a Arca da Aliança em uma caverna, em algum lugar da Jordânia. De maneira interessante, as cenas finais de Indiana Jones III são filmadas nas ruínas da cidade de Petra na Jordânia e não no Egito como é reivindicado no próprio filme.



A Alquimia


Acredita-se que a alquimia tenha sido transmitida pelo Egito antigo através dos árabes. A alquimia significava mais do que a ciência, sua prática compreendia uma bem concatenada teia de atividades encadeadas e modos de pensar, da magia à química, da filosofia e hermetismo à geometria sagrada e à cosmologia.
Alquimia foi imaginada durante muito tempo, como uma falsa ciência. A base da alquimia era criar uma pedra que transformaria (ou transmutaria) todos os metais básicos em ouro. Atualmente, é afirmado freqüentemente que alquimia era um código para ensinos espirituais; e é claro, isso foi considerado herético.
Os alquimistas ansiavam por conhecimento e não tinham tempo a perder com antagonismos da Igreja contra as suas experimentações. Eles, então, se ocultaram e continuaram suas pesquisas secretamente.
Para os alquimistas não existia a heresia, enquanto que, para a Igreja não existia um alquimista que não fosse herético; conseqüentemente, a prática da alquimia tornou-se conhecida como “Magia Negra”.
Devido às Caças às Bruxas, na época negra das Inquisições, era necessário escrever em código de alguma forma.
A alquimia com freqüência está por trás dos motivos aparentemente bizarros das construções góticas e era a que aparentava ser o dado mais comum entre a maioria dos grão-mestres do Priorato do Sião.
As catedrais góticas ostentam muitas figuras curiosas, de demônios a Homens Verdes. Alguns, porém, ultrapassam em muito o nosso pensamento: uma escultura na Catedral de Nantes mostra uma mulher olhando para um espelho, embora o reflexo seja, na verdade, o de um homem velho. Em Chartres a escultura da “Rainha de Sabá”, se a olharmos com o devido cuidado, veremos que ela porta uma barba.
Os símbolos alquímicos podem ser encontrados em muitas das catedrais associadas aos Cavaleiros Templários.
O ouro em alquimia é apresentado como sendo a união espiritual com Deus. O metal básico é o “antes” no qual cada homem é o processo de alquimia, e aquela alquimia é um caminho espiritual a Deus.
A pedra dos filósofos foi assim associada com o Graal; por ter a mesma propriedade de unificação com Deus. Deve ser frisado que a pedra dos filósofos não é considerada uma pedra real de qualquer natureza, mas tal como o Graal, é uma metáfora para a fase final de esclarecimento.
Às vezes esta teoria é associada à Esmeralda de Lúcifer, sugerindo que uma pedra real pode existir.


A Lança de Longinus


Em algumas narrativas, uma misteriosa lança com sangue na ponta ou uma lança branca que sangra, acompanha as histórias do Graal.
Alguns dizem que se trata da lança que perfurou o quadril do Rei Pescador, identificada como a lança com a qual o centurião romano Longinus perfurou o lado de Jesus na cruz.
A lenda diz que ela foi elaborada por Finéias, neto de Aarão e transmitida pelo gnóstico Efrem, o Sírio. Saul, enfurecido atirou-a em Davi, e ela foi posteriormente usada por Longinus para perfurar o lado de Jesus e verter sangue e água no Graal.
No livro”The Spear of Destiny” (A lança do destino), Trevor Ravenscroft conta a história da Lança de Longinus, a lança que perfurou o lado de Cristo quando estava na cruz. Ele localiza esta lança na história e especula que ela pode ter estado de posse de alguns das mais influentes pessoas da história, como Herodes “o grande”; Otto “o grande”; Carlos Martel; Carlos Magno; Rodolfo II; e Hitler, que a viu quando menino no museu de Hofburg, em Viena.
O professor de Revenscroft era Walter Stein e uma boa parte do livro se concentra em Hitler e na obsessão dele com o objeto (o Graal). Neste livro o Graal é apresentado como o conhecimento para usar esta lança de algum modo sobrenatural.
No fim da Segunda Guerra Mundial, soldados americanos encontraram a lança e outras insígnias imperiais em uma casamata, num dos muitos túneis existentes sob o Castelo de Nurembergue.
O General Patton foi um dos poucos que viu a lança na época e percebeu seu significado.
Em 4 de janeiro de 1946, o general Eisenhower ordenou que a lança e outros itens fossem devolvidos à Áustria.
No julgamento de Nuremberg, a maioria dos dados sobrenaturais, apresentados como evidência factual, ficou fora do domínio público a pedido de Winston Churchill e outros. Embora cause surpresa para alguns, as questões esotéricas podem ter exercido muito mais influência sobre as ações nazistas alemãs do que se pensava anteriormente. Churchill sabia disso e, durante a guerra, consultou o historiados esotérico Stein para melhor entender esse aspecto do modo de pensar dos alemães.
Nenhuma evidência é apresentada e não há nenhuma referencia de qualquer outra literatura disponível. Simplesmente é declarado.
Existem reivindicações de Ravenscroft que há dois modos para se alcançar o conhecimento; pelo uso de magia negra ou por uma rota muito mais dura de aprendizado que é o abc da magia.
Estas citações particulares são a introdução para Wolfram Von Eschenbach em sua obra: “Parzival”.
Uma vez que este conhecimento é obtido, passa a existir um pouco de poder e a lança pode ser usada para o bem ou para o mal. O uso é determinado pelo método que o usuário ganhou o conhecimento do Graal. Se for usada a magia negra, a lança será usada para o mal, se não, então ele é livre para escolher.
Durante muito tempo, Viena e Nuremberg permaneceram como centros de peregrinação; Viena por causa da lança imperial e Nuremberg por sua reputação como centro do culto do Graal na Alemanha.
No entanto, Rudolf Steiner e Stein, seu aluno, pensavam que Externsteine era o verdadeiro centro.
Esse antigo grupo de rochas, situado em Teutoburger Wald, estava ligado ao solstício de inverno. A árvore sagrada dos saxões, Irminsul – destruída pelo exercito cristão de Carlos Magno - ficava próxima em tempos passados.


A Excalibur encravada em plena rocha

A Espada

Existem, também, algumas associações do Graal na figura de uma espada em vez de uma lança. Temos como exemplo a espada mística entregue a Parzival, que possuía seu cabo confeccionado em rubi; temos a espada sagrada de Tristão; e aqui não poderemos deixar de mencionar a lendária espada Excalibur pertencente ao rei Artur da Bretanha (que segundo consta, jamais foi rei e sim um grande guerreiro que conseguiu unificar as diversas tribos existentes na Bretanha, contra o inimigo comum – os Saxões). Ela era dotada de poderes místicos e que poderia cortar até o aço. Em galês, é conhecida com o nome de “Caledfwich”.

Segundo a lenda foi entregue ao Rei Artur pela Dama do Lago, quando sua espada original foi destruída numa batalha contra o rei Pelinore.

Era de Aquário

Uma fonte crescente de publicações sobre o Graal é a teoria da Idade Nova (ou Graal de Aquário). Esta teoria analisa as lendas Arturianas como caminhos espirituais para Deus. A convicção é que o Graal não é um objeto real, mas a união com Deus ainda na Terra. Assim, o estudo das lendas e da procura pessoal do Graal enfoca achar o Graal interiormente.

Foram escritos muitos livros sobre isto, um notável, escritor é John Matthews, cuja obra é o “Aquarian Gral”. Relata ele, uma teoria em que todo religioso possui um ponto fundamental de verdade comum e que isto é representado melhor pelo símbolo do Graal.
É parte das teorias que o Graal, é um conceito místico ou nível de realização espiritual e não um objeto real.

Devemos lembrar que as histórias do rei Arthur (que inclui o Graal após Cheretien Troyes), foram escritas em um tempo quando muitas das idéias secretas teriam sido consideradas heréticas e perigosas. Na ocasião, a primeira mistura de culturas do leste distante e o oeste estava acontecendo através dos “Knights Templar”.
De fato, Wolfram Von Eschenbach em sua obra sobre o Graal épico (Parzival), descreve um grupo de “knights” que são os guardiões do Graal. Não há nenhuma dúvida que ele está aludindo aos “Templars”.

Os trovadores e contadores de histórias e lendas teriam sido os divulgadores iniciais das religiões, não só da oriental, bem como a ocidental, durante os primeiros tempos; de forma semelhante que para a alquimia, teria sido heresia combinar estes conhecimentos abertamente. Mas a expressão desta união de religiões através das histórias seria uma saída natural e plenamente aceitável.
Finalizando a nossa série de artigos sobre o que poderia ser o Santo Graal, nossos próximos artigos levaremos os nossos amigos, a tomarem conhecimento dos locais onde os historiadores e escritores julgam possa o Graal estar escondido.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O SANTO GRAAL XXXIII - JOSÉ DE ARIMATÉIA

Nos artigos escritos, em muitos deles aparecem à figura de José de Arimatéia.

O seu nome algumas vezes é confundido com o de Tiago (o Justo) irmão de Jesus e em outras com Lázaro. Mas quem seria José de Arimatéia, esse homem que ousou solicitar a Pilatos o corpo de Jesus para enterrá-lo?

Devido a essa pergunta achei por bem trazer à baila, alguns dados sobre essa figura algumas vezes controvertida que é citada na Bíblia e ligada ao nome de Jesus e ao do Santo Graal.







José de Arimatéia, um “judeu cristão”







No Evangelho de Pedro, cuja primeira cópia foi localizada em um vale do Alto Egito em 1886, embora ele seja mencionado pelo Bispo da Antioquia em 180 d.C., de acordo com este Evangelho Apócrifo, José de Arimatéia era amigo íntimo de Pilatos e que a tumba onde foi enterrado Jesus, situa-se em uma localidade chamada “O Jardim de José”. E as últimas palavras de Jesus na cruz são particularmente chocantes: “Meu poder, meu poder, por que me desamparaste?” (Evangelho de Pedro 5:5).
José de Arimatéia era um homem rico e membro proeminente do conselho (Sinédrio), Colégio onde se reuniam os mais altos magistrados do povo judeu, formava a suprema magistratura judaica. Tinha o poder para pronunciar a condenação à morte, que devia, então, ser executada pelo procurador da Judéia. O Sinédrio era composto de 71 membros dividido em três classes: a dos anciões, representantes da aristocracia leiga; os pontífices e os escribas, geralmente do partido dos fariseus. O Sumo Sacerdote era o Presidente. Foi o referido conselho que efetuou a condenação de Jesus.
José tinha muitas qualidades admiráveis. Ele era um homem justo e bom que esperava o reino de Deus. Ele se destacou entre os seus companheiros para crer em Jesus. Ele não permitiu que nomes como “blasfemo”, “samaritano”, “enganador” e “poder de Belzebu”, o dispusessem contra Jesus.

Quando o Conselho havia condenado a Jesus entregando-o a Pilatos para a sentença de morte, José “não tinha concordado com o desígnio e ação” (Lucas 23:51).

Com a morte de Jesus e a necessidade de ter um enterro decente, José “Dirigiu-se resolutamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. E Pilatos se maravilhou de que já estivesse morto. E, chamando o centurião, perguntou-lhe se já havia muito que tinha morrido. E, tendo-se certificado pelo centurião, deu o corpo a José.” diz Marcos (15:43).

McGarvey fala acerca do ato de coragem de José: “É estranho que aqueles que não tinham medo de ser discípulos tiveram medo de pedir o corpo do Senhor, mas aquele que teve medo de ser discípulo não temeu fazê-lo” (The Fourfold Gospel, p.735).

Nicodemos era o Chefe dos judeus, fariseu, também membro do conselho. João em seu relato teve o cuidado de identificar o Nicodemos como aquele que ajudou no enterro de Jesus. Nicodemos, assim como José, tinham muitas excelentes qualidades. Nicodemos bem como José, não haviam confessado abertamente a sua fé em Cristo por temer represálias, mantendo esse amor em segredo. Na morte de Cristo, entretanto, corajosamente uniu-se a José no enterro, Nicodemos forneceu os ungüentos e José o túmulo.
O enterro de Jesus foi repleto de incenso, de gestos de coragem e de realeza. Realeza de quem veio para servir. E de muito suor dos acompanhantes. Eles intercederam pelo corpo, desceram-no da cruz, sepultaram e moveram a pesada pedra do sepulcro.
O sepultamento de Jesus não só obedeceu a ritos profanos bem como religiosos, próprios do judaísmo e do contexto religioso e político daqueles momentos terríveis.
José de Arimatéia foi quem “oficiou” as exéquias de Jesus, amigo de Nicodemos (Naqdimon ben Gurion), era chamado de Iossef de Ramataim, discípulo secreto de Iehoshua bem Iossef, de Jesus de Nazaré.
Segundo alguns historiadores, José era do vilarejo de Ramataim, em grego Arimathaia, de localização incerta. O sentido hebraico da palavra Ramataim designa a altura (ram) dupla (staim), a Dupla Elevação, designando provavelmente uma cidade possuindo dois bairros situados em colinas vizinhas.


Vitrail de José de Arimatéia portando duas galetas




Após a morte de Jesus, no que pesem as terríveis circunstâncias políticas e humanas implicadas, num lance de ousadia e de quem não deixa intimidar-se, José de Arimatéia vai pessoalmente reclamar junto a Pôncio Pilatos a liberação do Corpo de Jesus para dar-lhe sepultamento e cumprir os ritos de exéquias.
Pilatos permite, não sem antes estar seguro da realidade da morte de Jesus de Nazaré (Mt. 15,44).
Sua situação de “nobre conselheiro”, mencionada por Marcos, indica que José de Arimatéia era um homem suficientemente importante socialmente para ter livre acesso a Pilatos.
José de Arimatéia sabia que a tradição judaica era a de sepultar os seus mortos no mesmo dia de sua morte (Jô 11,27). No caso de um enforcado, a Lei exigia esse procedimento (Dt 21,23).
Os romanos, pelo contrário, tinham como lei deixar os cadáveres dos crucificados à mercê dos animais selvagens e aves de rapina.
Estava-se na preparação do shabat da Páscoa e esse favor pedido a Pilatos por José de Arimatéia, tem também um alcance religioso: tratava-se, na liturgia judaica, do shabat da libertação dos hebreus da escravidão, na véspera da Páscoa. Tratava-se de uma festa pagã que se incorporou ao Catolicismo Romano e foi usada como um substituto para as comemorações judaicas da Passagem, dos Pães Ázimos e dos Primeiros Frutos – todas celebradas em três dias consecutivos durante a primeira semana do ano novo judaico.
Normalmente, o clandestino de um partido ou de uma seita, nunca é apreciado, mas o comprometimento público – no mais alto nível - de José de Arimatéia para pôr a salvo o corpo de Jesus, vai torná-lo merecedor de menção elogiosa pelos quatro evangelistas.
Ele oferece o mausoléu de sua família, uma sepultura cavada no rochedo do Calvário, bem próximo ao local da crucifixão.




Túmulo de Jesus pertencente a José de Arimatéia





No final do dia, José de Arimatéia ajudado por outro fariseu, Naqdimon ben Gurion, o Nicodemos, desce Jesus da cruz, envolve-o em seus braços e depois na mortalha de linho. Nicodemos e José de Arimatéia buscam observar as práticas rituais prescritas pelos fariseus numa situação limite nessas circunstâncias.
Segundo relato de Marcos, José de Arimatéia é quem compra a mortalha, essa longa peça de linho na qual os judeus tinham o costume de envolver seus mortos. Na oportunidade tinham levando grande quantidade de aromas preciosos: mais de trinta quilos de mirra e aloés (Jo 19,39)! Nesse gesto, Nicodemos vê em Jesus, o messias de Israel.
Finalmente, eles o depositam na sepultura cavada na rocha, onde ninguém ainda havia sido posto (Lc 23,53). Ajudado por muitos homens, possivelmente por amigos fariseus, José de Arimatéia num esforço final rola a pedra circular. Provavelmente ela avança sobre uma caneleta, até a abertura do sepulcro. Imediatamente José de Arimatéia se retira, cansado e suado, junto com seus irmãos fariseus. É shabat.
Robert de Boron conta que os Judeus aborrecidos com o desaparecimento do corpo, por ocasião da ressurreição, prenderam José de Arimatéia, de modo que ninguém mais o encontrasse, em uma cela sem janelas onde todos os dias uma pomba se materializava deixando-lhe uma hóstia, seu único alimento durante todo o cárcere, graças ao qual sobrevive.
Uma das lendas informa que Cristo lhe aparece na prisão. Arimatéia confessa seu amor, mas que jamais tinha ousado falar com Ele e pede desculpas por estar sempre na companhia dos que desejavam sua morte. Jesus o consola dizendo:
“Deixei que ficaste com eles por saber que irias me prestar grandes serviços, ajudando-me onde meus discípulos não ousariam. E tu fizeste por compaixão. Tu me amaste secretamente como também eu a ti, e nosso amor se revelará a todos para prejuízo dos infiéis, porque tu terás sob tua guarda o sinal da minha morte, hei-lo aqui”. Jesus então mostra o Graal.
A que tudo indica, José de Arimatéia está bastante ligado não só com a vida de Cristo como também com o Santo Graal.
José esconde a taça que Jesus usou na Última Ceia, a mesma que ele próprio usou para recolher o sangue de Cristo antes de colocá-lo na tumba.
Ao ser libertado, viaja para a Inglaterra com um grupo de seguidores e funda a Segunda Mesa da Última Ceia, ao redor da qual sentam doze pessoas (conforme a Távola Redonda).
No lugar de Cristo é colocado um peixe. O assento de Judas Iscariotes fica vazio e quando alguém tenta ocupá-lo é “devorado pelo lugar” de forma misteriosa.
A partir desse momento esse assento é conhecido como a Cadeira Perigosa (mesmo nome do assento da Távola Redonda que também ficava vazio e só poderia ser ocupado pelo “cavaleiro mais virtuoso do mundo”).




Ruínas da Abadia de Glastonbury






Em algumas versões, é o assento de Lancelot que sempre fica vazio. Lancelot, o mais dedicado cavaleiro, que assim como Judas em relação a Jesus era o que mais amava Arthur e também o traiu.
José de Arimatéia fundou sua congregação em Glastonbury. No lugar onde teria edificado sua igreja com barro e palha. Atualmente ainda encontram-se as ruínas de uma abadia construída muito posteriormente. A mesma, onde se diz estarem enterrados os corpos do rei Arthur e de sua esposa Guinevere e onde estaria também o Santo Graal.
A estreita ligação entre José de Arimatéia e Jesus está relatada no livro “A Linhagem do Santo Graal” de Laurence Gardner quando escreve:
“Enquanto isso sabemos que Jesus era o herdeiro do trono de Davi. O título patriarcal de José se aplicava ao sucessor imediato e, nesse sentido, com Jesus considerado o herdeiro, então seu irmão mais velho, Tiago, era o José designado. Assim, José de Arimatéia emerge como o próprio Tiago, irmão de Jesus. Não é nenhuma surpresa, portanto, que Jesus tenha sido sepultado num sepulcro que pertencia à sua família real. Tampouco é surpresa que Pilatos deixasse o irmão de Jesus cuidar de tudo ou que as mulheres da família de Jesus aceitassem os planos feitos por José (Tiago), sem questioná-los.”
O mesmo Laurence Gardner em seu livro “O Legado de Madalena” nos diz que:
“Enquanto na Britânia, o projeto de José de Arimatéia era mantido na tradição apostólica por um círculo fechado de 12 eremitas (devotos). Se um morresse, ele seria substituído por outro. Esses monges eremitas irlandeses foram citados como os “Irmãos de Alain”, que era um de seus nomes. Portanto, eles eram filhos simbólicos de Bran (o pai da Velha Igreja, em oposição ao mais recente título de “Papa” em Roma – por esse motivo, Alain é às vezes incluído nas listas das famílias como o filho de Bran).
Entretanto, depois da morte de José de Arimatéia, em 82 d.C., o grupo desintegrou-se – principalmente porque, naquela época, a invasão romana e o controle tinham mudado para sempre a personalidade da Inglaterra.
Consta na “História da Igreja” de Cressy (que incorpora os registros do mosteiro de Glastonbury) e afirma que Tiago, o Justo irmão de Jesus, também conhecido como José de Arimatéia (ha Rama Theo) morreu em 27 de julho de 82 d.C., após ter sido formalmente excomungado em Jerusalém, vinte anos antes.
O dia consagrado a José de Arimatéia onde se processam os seus festejos é 17 de março.
Onde se encontra o Santo Graal?
O que na realidade representa o Santo Graal?
No próximo artigo abordaremos a figura do “Santo Graal” sendo representada de diversas outras maneiras, conforme informações de escritores e historiadores.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O SANTO GRAAL XXXII - A TEORIA DE OTTO RAHN

A procura do Santo Graal tem despertado a curiosidade
de todos os habitantes do nosso planeta,
não só a dos escritores, historiadores, caçadores de tesouros e pesquisadores,
desde que tomaram conhecimento das suas propriedades.
Em artigos anteriores, falamos a respeito de que também o Terceiro Reich na Alemanha,
em uma tentativa de ganhar a guerra andou patrocinando uma busca pelo Graal,
estando à frente das mesmas o místico Otto Rahn,
que chegou até a criar uma teoria sobre ele.
Vejamos a sua teoria.




A Teoria de Otto Rahn




No ano de 1904, nasceu na Alemanha Otto Rahn, um personagem que iria ter uma certa importância dentro do circulo relacionado com a busca do Graal.
Otto, prematuramente foi tentado pela temática medieval a qual se dedicou de corpo e alma durante muitos anos de estudo.
Especializou-se em filologia e história medieval, sendo imediatamente atraído pelo estudo do catarismo, aquela doutrina que ensinava a visão dualista do Universo.
Logo descobriu, mediante a leitura dos poemas medievais sobre o Santo Graal, que existia uma vinculação entre alguns desses textos e a história Cátara.
Especialmente lhe atrai a leitura de Percival de Wolfram Von Eschenbach quanto à semelhança que achava existir entre o castelo de Muntsalvach descrito na obra e o de Montségur, centro espiritual dos cátaros.




Otto Rahn

Aos vinte sete anos decide inspecionar Montségur com seus próprios olhos e se dirige a região francesa de Languedoc, nos Pirineus. Em seguida começa a elaborar uma teoria segundo a qual, a obra do alemão Wolfram era em verdade uma alegoria de feitos verdadeiros acontecidos em Montségur. Por exemplo, o nome Percival proveniente do provençal Trençavel, era o apelativo de uma importante personagem dentro do catarismo. Este seria assim mesmo, o primo da condessa Esclamonde, a dona do castelo, falecida antes do assedio final a Montségur.

Para Rahn, a condessa não pode ser outra que a dama portadora do Graal (Dispensadora de Gozo) descrita por Wolfram. A teoria do filólogo alemão assegurava que o Graal esteve na fortaleza situada em Languedoc, e, portanto seria fácil recuperá-lo se si achasse o tesouro cátaro escondido nas montanhas em sua proximidade.
Rahn voltou ao sul da França e passou a percorrer as enigmáticas montanhas e castelos, em uma apaixonada busca do tesouro, porem não conseguiu nenhum sucesso. Sem dúvida, alguns cientistas franceses acreditaram em sua teoria e prestaram suas colaborações.

Acreditava que os sítios mais apropriados para as buscas eram a gruta de L´Hermitte e as cavernas limítrofes como a de Lombrives, a maior da Europa. A exploração espeleolíca não era fácil, pois estas cavernas apresentavam portadoras de uma rede intricada de passagens e gretas inexploráveis, que alimentavam a convicção de que nelas se refugiaram na Idade Média os poucos cátaros que puderam fugir da perseguição.

Nessas expedições foram achados vários elementos de grande valor arqueológicos de origem cátara, porém nenhum cálice ou pedra de esmeralda como descreve Wolfram, “caída da fronte de Lúcifer”. Temos de notar que Rahn buscava na realidade esta pedra sagrada antes do cálice.

Em seu livro “A Cruzada contra o Graal” atribui que a queda final de Montségur ocorreu porque as forças de Lúcifer desejavam na verdade recuperar a pedra que se encontrava em poder dos Cátaros.

“Uma lenda que se ouve dos lábios de um pastor nos Pirineus, narra como uma pomba partiu em dois o monte Tabor e como Esclamonde se metamorfoseou no emblema de Deus-Espiritu”.

Assim descreve o cientifico na sua crença de que a pedra havia sido resgatada por Esclamonde, que havia se transformado em uma pomba, ocultando-se nas profundidades de uma montanha sagrada.

Soldados norte-americanos admiram uma pintura de Edouard Manet encontrada na mina de Marker, onde os alemães durante a Segunda Guerra ocultaram parte de seus tesouros, ali donde séculos antes estiveram os tesouros dos cátaros.

Como podia Otto Rahn resgatar o tesouro em tão recôndito sitio?
Decidiu fazer uso das artes da geometria para achá-lo.
Rahn, na sua obsessão utilizou estranhos métodos, como traçar sobre o mapa dessas montanhas uma rede de triângulos e trapézios numa tentativa de configurá-la como a “estrela hermética dos Templários”, símbolo que revelaria o sitio exato donde estaria o Graal seu sonho de séculos. Tudo foi em vão. Decepcionado Otto regressa a Alemanha e passa a conhecer importantes dirigentes do partido nazista, como Heinrich Himmler.
No ano de 1936, o filólogo e historiador alemão Otto Rahn, torna-se membro da SS do Terceiro Reich.
Quem de fato tinham sido os catáros na nova formulação de Rahn? Não era difícil descobrir, pois assim ele escreveu:
“Não precisamos de deus de Roma, temos nosso próprio deus. Não precisamos dos mandamentos de Moisés, carregamos em nossos corações o legado de nossos ancestrais. Moisés é que é imperfeito e impuro (...) Nós, ocidentais de sangue nórdico, nos autodenominamos catáros assim como os orientais de sangue nórdico são chamados de persas, os puros. Nosso céu está aberto apenas para aqueles que não são criaturas de uma raça inferior, ou bastardos, ou escravos. Está aberto para os árias (arianos). Seu nome indica que eles são nobres e honrados”.
Naquela época começou a aparecer rumores de que Rahn dentro da SS, tinha criado um circulo de admiradores da seita cátara da qual eles se denominavam de “os neo-cátaros”.
Em correspondência a seu amigo Paul Ladame - de Geneve – prologista de sua segunda obra “A Corte de Lúcifer” e que o acompanhou durante vários dias em suas incursões às cavernas cátaras, que lhe perguntava estupefato porque se havia tornado um nazista, ele respondeu com amargura: “preciso viver...”.
Numa carta a Gadal, ele que admirava o seu pai com a intensidade de um discípulo e se revia nos seus valores democráticos diz:
“Meu pai não agüenta mais a mentalidade que reina agora na Alemanha. Ele fala-me muitas vezes com saudade da França, pátria da Liberdade”.



A “Cruzada Contra o Graal” escrita por Otto Rahn


Himmler era quem mais se identificava com a lenda do Graal e foi quem influenciou Hitler para que o mesmo iniciasse as buscas dos antigos símbolos da lenda, uma vez que ele era o legitimo herdeiro do Sacro Império Romano Germânico e do Primeiro Império Alemão.
Com tais intenções foram saqueadas as antigas coroas e a “Heilige Lance” (a lança do Destino) que foram transladadas para Nuremberg.
Somente restava achar o Graal e foi o próprio Himmler que se vinculou ao nosso conhecido Otto Rahn, que em 1936 havia escrito seu livro “A Cruzada Contra o Graal”.
Rahn enviou a Himmler um carregamento de peças arqueológicas encontradas nos arredores de Montségur.
Alguns estudiosos afirmam que entre estas se encontrava o Graal (como taça ou pedra), porém não há nenhuma prova material que confirme.
O mesmo Otto Rahn escreveu em 1937 Luzifers Hofgsind (A Corte de Lúcifer) no qual informa que, apesar de seus esforços não havia podido achar o tão ansioso tesouro:
“Reconheço publicamente que gostaria de encontrá-lo”.
A morte de Otto Rahn por “endura” em 1939, anunciada por um periódico oficial nazista gerou muitas duvidas, acredita-se que nada mais foi do que uma montagem criada pelos SS para não dar explicações do desaparecimento de uma figura pública de um escritor célebre em todo o mundo como era Otto Rahn.
Muitos asseguram que o cientista continuou vivendo com outra identidade, trabalhando para o serviço de inteligência alemão.
Entretanto Himmler não se resignou a perder o grande símbolo que contribuiria para a vitória nazista.
Decidiu continuar com as buscas do Graal na França, porém Montségur seguia parecendo-lhe inexpugnável como na Idade Média.
Qual seria a pessoa adequada para encomendar semelhante missão? O investigador norte americano Howard Buechner assegura que Heinrich Himmler encontrou no famoso Otto Skorzeny a pessoa indicada.
Skorzeny, militar alemão de origem austríaca, havia logrado notoriedade quando dirigiu com êxito um grupo reduzido de pára-quedistas com a missão de libertar Mussolini de uma prisão aliada nas montanhas.
Buechner sustenta que Skorzeny acampou na base da fortaleza de Montségur com seus combatentes e explorou as grutas e cavernas indicadas por Rahn em busca do Graal, concluindo que não eram os lugares ideais para a busca.
Pensou então nos quatro cátaros que haviam descido com o tesouro naquela sangrenta noite de 1244 quando do assedio da fortaleza.
Decidiu seguir um suposto itinerário desses homens descendo nas grutas existentes nas cercanias do monte Tabor.
Segundo Buechner encontraram ali um tesouro que consistia de valiosas relíquias, antigas moedas de ouro, pedras com estranhos caracteres e uma taça de prata.
Esta última foi enterrada nos arredores da catedral de Weweisburg, pertencente a SS.
Porém isto não é mais do que uma hipótese levantada por Howard Buechner.
Outros, e muitos outros, afirmam, que o Graal continua repousando nas entranhas de Montségur ou em suas grutas próximas, aguardando que uma alma simples e pura efetue o seu resgate.
Mais uma página para analisarmos e pensarmos sobre o assunto, que não só tem despertado atenção dos escritores, pesquisadores e historiadores, como também dos dirigentes de nações.
Onde se encontra o Santo Graal? Ou, o que será?

Para o próximo artigo reservamos lugar à figura controversa e enigmática de José de Arimatéia.

O SANTO GRAAL XXXI - A FORTALEZA DE MONTSÉGUR (3)

Anteriormente falamos sobre a conquista da fortaleza de Montségur, sua rendição,
o massacre através da queima de mais de duzentos e vinte “perfects”
que não renunciaram suas convicções e do contrabandeamento do tesouro cátaro
ainda existente da fortaleza.
Nesse artigo tecemos considerações sobre o referido tesouro
e o final da era cátara com a queima do seu último “perfects”, lá pelos anos de 1321.
O tema, até nos tempos atuais, é motivo de polêmicos debates e centenas de livros escritos.



A Fortaleza de Montségur (Terceira Parte – Final)


Depois de Usson, perde-se a pista do precioso tesouro carregado, segundo alguns pesquisadores, ele teria sido levado para o reino de Aragão, ou para o norte de Huesca, ou, mais provavelmente, para San Juan de La Penã.
Que poderiam estar carregando? Acessórios da crença cátara, talvez, livros, manuscritos, ensinamentos secretos, relíquias, objetos religiosos de alguma espécie; talvez algo que, por uma ou outra razão, não podiam cair em mãos hostis. Isto poderia explicar uma fuga que implicasse tal risco para todos.
Se alguma coisa tão preciosa tivesse que ser mantida fora do alcance de mãos hostis, por que não haviam sido contrabandeados três meses antes, junto com o tesouro material?
Por que foi retida na fortaleza até o último e perigoso momento?
A data precisa da trégua nos permitiu deduzir uma resposta possível a estas perguntas.
Ela foi pedida pelos defensores da fortaleza, que ofereceram reféns a fim de obtê-la.
Por alguma razão, os defensores parecem ter considerado isso necessário – ainda que, dessa forma, só conseguissem retardar o inevitável desenlace por duas semanas.
Quando a trégua acabou e os defensores desceram marchando da fortaleza, a tradição informa que os cruzados vencedores providenciaram para que o caminho deles fosse iluminado pelas chamas que se erguiam de uma enorme pira funerária onde 220 perfectae (mulheres) e perfects (homens) eram queimados vivos.
Apesar da brutalidade, só se sabe de três perfects que se retrataram durante a cruzada e a prolongada era de repressão que se seguiu sob o comando da inquisição.
A natureza das crenças cátaras era tal que a vasta maioria de perfects e perfectae estava disposta a morrer por ela.
Concluímos que tal demora talvez fosse necessária para ganhar tempo.
Não um tempo qualquer, mas aquele tempo necessário e específico.
Ele coincidiu com o equinócio – e o equinócio pode bem ter significado uma condição ritual para os cátaros. Também coincidiu com a Páscoa.
Sabe-se que um certo festival acontecia em 14 de março; véspera da expiração do prazo?
Existe pouca duvida de que a trégua foi solicitada de modo a que o festival pudesse acontecer, e de que este não poderia ser realizado em uma data escolhida ao acaso.
Qualquer que tenha sido o festival, ele certamente causou forte impressão aos mercenários contratados; alguns deles se converteram à crença cátara, desafiando assim a morte inevitável. Poderia este fato conter a chave, pelo menos parcial, para se descobrir o que era a coisa contrabandeada de Montségur duas noites mais tarde?
Essa coisa teria sido necessária para o festival do dia 14?
Seria ela instrumental na persuasão de pelo menos vinte dos defensores, os quais se tornaram perfects no último momento?
Poderia ter assegurado a cumplicidade subseqüente da milícia, mesmo com risco de vidas?
Se a resposta a todas estas questões é sim. Isto explicaria por que ela foi removida no dia 16 e não antes – em janeiro, por exemplo, quando o tesouro monetário foi transportado para lugar seguro.

Castelo cátaro de Peyrepertuse



Existe uma outra lenda que comumente é contada com referência ao cerco que antecedeu a queda da fortaleza de Montségur, ela nos diz:
A fortaleza estava sob o comando de uma das mulheres mais formosa dentre as perfects, a legendária condessa Esclamonde de Foie. Esta mulher faleceu antes da tomada total de Montségur, no entanto nunca ninguém acreditou em sua morte definitiva tal era a admiração que lhe professava seus seguidores, convencidos de que a mesma permaneceria dormindo nas cavernas subterrâneas da montanha para renascer quando necessário.
Um parente da condessa (a que logo se identificou como a donzela do Graal) chamado de Roger de Mirepoix, no meio de uma batalha começou a vestir uma armadura de uma brancura extraordinária.
Logo que saiu da fortaleza e apareceu perante seus inimigos brandindo uma magnífica espada com empunhadura de ouro, os soldados recuaram descendo montanha abaixo, temendo que se apresentavam ante a eles os impecáveis cavaleiros guardiões do Graal.
Mas, prevendo a derrota eminente, os catáros ocultaram o Santo Graal num dos numerosos subterrâneos, ou emparedaram-no em uma das várias muralhas da fortaleza onde estaria até hoje.
Os catáros refugiavam-se nos castelos situados ao sul de Corbières, onde estão os mais espetaculares castelos medievais.
O castelo de Peyrepertuse é um dos mais remotos e de mais difícil acesso até hoje. Uma verdadeira cidadela longa e estreita de pedras, cortada por uma montanha de mais de 609m de altura.
Uma parte curiosa da cultura Cátara era a cautela na construção de seus castelos e abadias em cima de precipícios e inacessíveis colinas, as mais elevadas possíveis, razão pela qual, na atualidade, os tornam muito atrativos por abarcar uma vista perfeita sobre o horizonte servindo como ponto para a observação de paisagens impressionantes.
Os remanescentes dos cátaros que conseguiram fugir, refugiaram-se na Catalunha e na Itália ou foram simplesmente dizimados quando da queda da fortaleza de Queribus, situada em Aude na França, último ponto de sua resistência em 1255.
Por mais incrível que pareça durante os 30 anos de guerra brutal e intermitente no Languedoc, as duas Ordens de monges guerreiros que valentemente haviam lutado contra os serracenos no Oriente Médio, não tiveram nenhuma participação na cruzada contra os cátaros, embora não tenhamos registro de críticas papais às ordens dos Cavaleiros Templários e Hospitalários, as justificativas que elas apresentaram foram as seguintes:






Fortaleza cátara de Quéribus em Aude, na França




A área do Languedoc-Roussillon era a terra da qual quase 30 por cento das propriedades pertenciam aos Templários na Europa e também abrigavam muitas e extensas propriedades da Ordem rival dos Cavaleiros Hospitalários.
Disseram que muitas das doações de terras naquela região os proibiam especificamente de usar tais bases para qualquer atividade guerreira.
Também afirmaram que a vasta maioria de seus bens era puramente comercial, com pouco pessoal, sem guarnições militares e, portanto completamente inúteis como bases ou bastiões defensivos em tempo de guerra.
Levando-se em conta a intensa rivalidade que durou a vida toda entre eles, essa unânime justificação para sua atitude pacifica é estranha, para dizer o mínimo.
No auge da cruzada, está bem registrado que os Templários deram ajuda a cavaleiros que defenderam ativamente os cátaros contra os cruzados.
Os Templários não só deram abrigo a fugitivos cátaros, mas até mesmo permitiram que seus corpos fossem enterrados em terra consagrada.
Os registros também revelam que alguns desses locais de enterro foram mais tarde violados por ordens da Inquisição, com os corpos exumados sendo julgados, condenados e queimados por heresia.
Contudo, apesar do apoio clandestino ou da tolerância exercida pelos Templários em favor dos cátaros, a guerra de atrito de 30 anos finalmente chegou à sua sangrenta conclusão em Montségur.
Mas nem a Inquisição pode extinguir completamente a fé cátara.
Embora muitos perfects fossem queimados vivos e inúmeros membros dos crentes caçados pela Inquisição no período de 60 anos de perseguição que se seguiu, alguns fugiram para o exílio e outros aprenderam as artes da dispersão e do disfarce.
A religião cátara como entidade visível desapareceu completamente no século XIV.
Muitos cátaros se juntaram aos Templários nos anos finais da cruzada e após a queda de Montségur, muitos fugiram para a Toscana, onde foram assimilados na tolerante sociedade local. Seus descendentes bem podem ter dado refúgio aos Templários que fugiram após a supressão final dessa Ordem.
Alguns cátaros do Languedoc viajaram para as terras de St. Clair, perto de Roslin, na Escócia, e lá estabeleceram uma industria de fabricação de papel.
Os cátaros que fugiram para a Lombardia e Roslin buscavam a proteção das famílias de linhagem que se havia originado com Jesus e os sacerdotes do Templo de Jerusalém.



Megalito dedicado às vitimas Cátaras

Minerve – França


A história nos informa que o último cátaro “perfects” da região de Languedoc, foi talvez Guilherme Bélibaste, o mesmo era um pecador e não um santo, assassino e adúltero, no entanto provou ser um pastor gentil para os seus poucos seguidores existentes naquela época, era descendente de uma clã de proprietários de terra nos Corbières situado sobre o vale do rio Aude.
Foi preso graças a denuncia de um caçador de recompensas, seu julgamento do qual não existe nenhum registro foi efetuado no outono de 1321, o ex-pastor de ovelhas de cabeça quente, agora transformado em um rústico pregador, adentrou caminhando o pátio do Castelo de Villeronge-Termenès, uma vila no árido coração dos Corbières. Ele subiu em uma pilha de palhas, contendo pedaços de videiras e toras de madeiras, foi amarrado a uma estaca. Um facho chamejante foi inclinado para a sua base e o fogo se alastrou. Morria assim o último perfects herético de Languedoc.
O castelo existe até hoje e não foi muito modificado desde o tempo dos catáros. A vila pitoresca promove um disputado em um fim de semana no estilo medieval durante todo o mês de julho, no qual o velho e pobre Bélibaste na figura de um boneco é queimado tal qual as representações de Judas cuja figura retratada em um boneco de trapos, é malhado e queimado durante os festejos da Páscoa.
A cruzada cátara ou Albigense, durou mais de 60 anos, e foi de uma natureza extremamente brutal e genocida só igualada no Holocausto contra os Judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Deixamos aos nossos amigos, encontrar a resposta correta ou possível dentre ao emaranhado de dados, hipóteses e lendas em torno de tão palpitante assunto, principalmente sobre o real papel da Igreja.

No próximo artigo iremos abordar a Teoria de Otto Rahn com referência ao “Santo Graal”.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O SANTO GRAAL XXX - A FORTALEZA DE MONTSÉGUR (2)

No artigo anterior falamos sobre a região de Languedoc situada ao sul da França fronteira com a Espanha, falamos sobre os catáros e em que sua religião se baseava, bem como a destruição da Cidade de Béziers.

Nesse artigo, abordaremos o cerco à fortaleza de Montségur, sua queda e como o tesouro existente foi removido do local para um outro sobre o qual não encontramos nenhuma pista a não ser lendas e rumores.



A Fortaleza de Montségur (Segunda Parte)


O que fica fragrante na Cruzada Albigense é a determinação da Igreja em fazer desaparecer uma rival. O medo dela era que a heresia cátara que estava se espalhando pela Europa viesse a se consolidar e desta forma comprometendo o poder papal que naquela época mantinha sob o seu quase absoluto controle toda a monarquia reinante.


Vista da fortaleza no alto do morro tendo a vila abaixo




O ato corajoso e temerário de Gregório VII ainda é capaz de tirar o fôlego de qualquer ser humano. Em um volume de sua correspondência, os historiadores encontraram uma lista que contém os seguintes apontamentos:
“O papa não pode ser julgado por ninguém; a Igreja romana nunca errou e nunca errará até o fim dos tempos; a Igreja romana foi fundada apenas por Cristo; só o papa pode depor e reempossar bispos; só ele pode fazer leis novas, estabelecer bispados e dividir os antigos; só ele pode transferir bispos; só ele pode convocar assembléias eclesiásticas e autorizar a lei canônica; só ele pode revisar seus próprios julgamentos; só ele pode usar a insígnia imperial; pode depor imperadores; pode absolver vassalos de seu dever de obediência; todos os príncipes devem beijar seus pés” (fonte: R.W. Southern, Western Society and the Church in the Middle Ages, p. 102). Tal era o poder papal.
O massacre continuou por várias décadas ceifando milhares de vidas, culminando com a terrível carnificina em Montségur onde mais de 220 reféns foram queimados vivos no ano de 1244. A queda de Montségur marca o fim da igreja cátara organizada.

Segundos relatos, durante o cerco à fortaleza massacraram indiscriminadamente mais de 20.000 pessoas sem poupar velhos, mulheres e crianças. O papa e o rei Felipe II da França desconfiavam que eles estavam com a guarda do misterioso tesouro em conluio com os Cavaleiros Templários contra a igreja de Roma.

Vejamos o que nos informa os escritores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln no livro “O Santo Graal e a Linhagem Sagrada”.
“Todavia, durante a Cruzada Albigense surgiram rumores a respeito de um fantástico tesouro místico, muito mais importante que riqueza material. Presume-se que esse tesouro, qualquer que tenha sido, era guardado em Montségur. Quando a fortaleza caiu, nada foi encontrado. Entretanto, ocorreram incidentes extremamente singulares relacionados com o cerco e a capitulação de Montségur”.
Durante o cerco, os atacantes, em número superior a 10 mil, tentaram circundar a montanha e impedir toda saída ou entrada, esperando assim matar os sitiados de fome. Contudo, apesar de sua força numérica, eles não possuíam homens em quantidade suficiente para tornar o bloqueio completamente seguro, pois o seu perímetro no sopé da montanha, ultrapassava mais de 3,2 km e em muitos locais, o íngreme complexo rochoso de Montségur terminava em barrancos abruptos e traiçoeiros, coberto de mato, sendo seus desfiladeiros escondidos impossíveis de serem completamente mapeados.


Monumento à Monteségur



A topografia do terreno era tão perigosa que estava fora de cogitação a utilização dos equipamentos de sitio, tais como as gigantescas catapultas lançadoras de pedras e os imensos “gatos”, os quais não seria de nenhuma valia nas escarpas extremamente difícieis de escalar dos Pirineus.
Além disso, muitas tropas eram locais e simpatizantes dos cátaros, e inúmeras outras eram simplesmente não confiáveis. Em conseqüência, não era difícil passar despercebido através das linhas dos atacantes. Havia muitos vazios, através dos quais homens saíam e entravam e suprimentos atingiam seu destino na fortaleza. Os cátaros aproveitaram esses vazios.

Em janeiro, quase três meses antes da queda da fortaleza, Bertrand Marty prevendo a queda da fortaleza fez dois parfaits segundo uns, três ou quatro segundo outros historiadores escaparam. Segundo relatos confiáveis, eles carregaram consigo a riqueza material dos cátaros – muito ouro, prata e moedas - que protegidos pela escuridão da noite, levaram secretamente a uma caverna fortificada nas montanhas e de lá a um castelo aliado. Depois o tesouro desapareceu e nunca mais se ouviu falar nele.
Nos finais de 1243, Hugo de Arcis percebeu que o prolongado cerco estava minando cada vez mais o seu exército de cruzados, devido à ausência de qualquer avanço, os mesmos estavam ficando desmotivados. Em virtude disso, preparou um grupo de homens proveniente das montanhas da Gasgonha acostumados a palmilhar aquelas montanhas agrestes e, por uma sutil inclinação de centenas de metros, iniciou a escalada, pois não podiam alcançar a fortaleza pelo caminho mais fácil para não alertar seus defensores. A tática funcionou e os homens defensores de Montségur foram pegos desprevenidos.
Em 1º de março, com os catáros defensores de Montségur já completamente extenuados a fortaleza finalmente capitulou, Pedro Roger caminhou para fora do portão da cidade para negociar. A 2 de março de 1244, dez meses depois de as bandeiras com a flor-de-lis e a cruz terem tremulado pela primeira vez nos capinzais abaixo da montanha, Montségur finalmente se rendeu.

Vista da fortaleza de Montségur no alto da escarpada montanha

Seus defensores eram então menos de quatrocentos – 150 a 180 perfects, o restante cavaleiros, valetes e suas famílias. Os termos de rendição propostos eram surpreendentemente tolerantes. Os combatentes receberiam perdão total de todos os crimes precedentes. Receberiam permissão para partir com suas armas, bagagem e alguns presentes, inclusive dinheiro que porventura tivessem recebido de seus empregadores. Aos perfects também foi concebida uma generosidade inesperada: seriam liberados e submetidos a penas leves, com a condição de abjurar suas crenças heréticas e submeter-se a um interrogatório completo a ser efetuado pela inquisição.
Os defensores solicitaram uma trégua de duas semanas, com cessação completa das hostilidades, a fim de considerar os termos propostos. Numa demonstração de generosidade não característica, os atacantes concordaram. Em compensação, os defensores voluntariamente ofereceram reféns, estabelecendo-se que eles seriam executados se alguém tentasse escapar da fortaleza. Seriam os perfects tão comprometidos com suas crenças a ponto de escolher voluntariamente o martírio em lugar da conversão? Ou haveria algo que eles não podiam – ou não se atreviam – confessar à inquisição? Qualquer que seja a resposta, nenhum dos perfects, até onde se sabe, aceitou os termos dos atacantes. Todos escolheram o martírio. Além disso, pelo menos vinte dos outros ocupantes da fortaleza, seis mulheres e cerca de quinze combatentes voluntariamente receberam o Consolamentum e tornaram-se perfects, aceitando assim a morte certa.
A trégua expirou em 15 de março. Na madrugada do dia seguinte, mais de duzentos e vinte perfects foram rudemente arrastados montanha abaixo pelas últimas nesgas de neve existente naquela relva marrom do inverno. Nenhum deles cometeu perjúrio.

Como não houvesse tempo para que se levantassem estacas individuais, eles foram trancados em uma grande cerca de toros de madeira no pé da montanha e, a um sinal do arcebispo, seus homens jogavam archotes incandescentes dentro do cercado, em poucos minutos o crepitar das chamas tinha se tornado em um rugido e uma nuvem negra daquela fumaça iniciou a sua subida lentamente ao céu carregando aquele cheiro da carne humana queimada proveniente da falta de humanidade dos homens em relação a DEUS.

Os remanescentes da milícia, confinados no castelo, eram forçados a tudo assistir, sendo prevenidos de que se algum deles procurasse escapar seria morto, assim como os reféns. Apesar do risco, contudo, a milícia concordou em esconder quatro perfects.
Conta-se que na noite que precedeu a rendição de Montségur, esses quatro homens “perfects” (perfeitos), acompanhados de um guia, procederam à ousada fuga – de novo com o conhecimento e a cumplicidade da milícia.

Desceram a escarpada face oeste da montanha, baixados em corda de mais de uma centena de metros cada uma, e seguiram pela vereda de Saint Barthelémy rumo ao castelo de Usson, em Ariege na direção de Montreal de Sos.
Que estariam esses homens fazendo? Qual seria o propósito de sua perigosa escapada que implicava tamanho risco tanto para a milícia quanto para os reféns?

No dia seguinte eles poderiam ter saído da fortaleza, livres para recomeçarem suas vidas. Por alguma razão desconhecida, no entanto, embarcaram em uma perigosa fuga noturna que poderia facilmente tê-los levado à morte.

Segundo a tradição, esses quatro homens carregavam consigo o legendário tesouro cátaro. Mas um tesouro já havia sido contrabandeado de Montségur três meses antes. E, de qualquer forma, quanto tesouro – ouro, prata ou moeda – poderiam três ou quadro homens carregar nas costas, pendurados em cordas, montanha abaixo?

Se os quatros fugitivos estavam realmente carregando alguma coisa, seria algo diferente de riqueza material.

Aguardem a continuação no próximo capítulo.

O SANTO GRAAL XXIX - A FORTALEZA DE MONTSÉGUR (1)

Anteriormente, abordamos o Santo Graal na figura da Cabeça de Deus embalsamada que, segundo as lendas, foi trazida para a França por Maria Madalena sob a proteção do Priorado do Sião e posteriormente contrabandeada do local onde se encontrava na fortaleza de Montségur para a capela de Rosslyn.
Agora, abordaremos não só o cerco e a destruição da referida fortaleza com a carnificina da queima de seus reféns, bem como a seqüência da cena épica da remoção da sagrada relíquia. Aproveitamos também, para falar um pouco sobre esse povo que habitava a região de Languedoc, os Cátaros, bem como sobre a Cruzada Albigense considerada uma mancha negra dentro da Igreja Romana.


A Fortaleza de Montségur (Primeira Parte)


O Castelo ou fortaleza de Montségur é um castelo feudal, de formato pentagonal (pois o número 5 era sagrado entre os cátaros), está situado em plena cordilheira dos Pirineus, do lado da França no Dep. de Ariège.
Fica a 1207 metros de altitude no topo de um morro onde se descortina toda uma região, outrora praticamente inacessível.
Não sabemos o ano de sua construção, no entanto acredita-se que foi ocupado durante um certo período pelos romanos.
Os dados que existem sobre o castelo são referentes aos arquivos da inquisição, período esse na qual Montségur estava ocupada pelos cátaros (os puros) cuja religião se estendia por grande parte de Languedoc.
Atualmente encontra-se em ruína devido à denominada Cruzada Albigense.

As ruínas de Montségur no topo dos Pirineus




Era um refúgio e um retiro para meditação, lugar considerado mágico, cercado de montanhas nevadas, um Templo Solar. Montségur era um local de adoração ao Sol, ou seja, o Cristo, irradiador de luz e vida, dispensador das forças solares matizadas segundo os doze signos do Zodíaco.
Na base do morro existe atualmente uma povoação de aproximadamente 180 habitantes que mantém determinadas tradições, possuindo um Museu e algumas hospedagens que permite atender a demanda dos turistas ávidos de determinados conhecimentos, bem como subir sua escarpa para se deparar com uma atmosfera pura, porém triste e pacífica.
Os bispos estavam convencidos de que, qualquer que fosse a natureza do tesouro secreto dos Templários, ele residia em alguma parte de Languedoc ao sul da França.

Em 1208 o papa Inocêncio III (1160-1216, Lotario dei Conti di Segni, eleito papa em 1198 com 37 anos) deu início à Cruzada Albigense através da convocação do Quarto Concílio de Latrão, escrevendo uma bula anátema contra os catáros, ordenando uma cruzada para eliminar tal heresia.

Em junho de 1209 foi constituído um grande exercito papal de aproximadamente 30.000 soldados, a maioria proveniente do norte da França no qual foi permitido a utilização de mercenários, bandoleiros e vagabundos.

Evidentemente, a motivação destes não era a salvaguarda da fé, mas sim o botim, para os outros, era prometida à remissão dos pecados passados, presentes e futuros e, implicitamente o botim se encontrassem.




Região de Languedoc



Eles reuniram-se nas proximidades de Béziers e comandados por Simon de Montfort (1165-1218) invadiram e destruíram as cidades de Béziers, Narbonne, Carcassone e Toulose situadas na região de Languedoc.
Na primeira fase da cruzada a cidade de Béziers foi completamente destruída e os seus habitantes homens, mulheres e crianças dizimadas impiedosamente. “Matem todos eles, Deus saberá quem são os seus”, essa única frase proferida no conflito cátaro e legada à posteridade, são atribuídas a Arnold Amaury (falecido em 1225), líder da Ordem dos Monges Cistercienses, plenipotenciário papal no Languedoc (mais tarde indicado arcebispo de Narbonne), foi quem liderou a Cruzada Albigense.
Um cronista relatou que Arnold disse essa frase de comando nas cercanias da cidade de Béziers, a 22 de julho de 1209, quando seus guerreiros cruzados, a um passo de atacar a cidade, após terem aberto brechas em seu sistema de defesa, tinham-se voltado em sua direção para perguntar se deviam distinguir os fiéis ao catolicismo dos cátaros heréticos.

A instrução cabal foi obedecida ao pé da letra; diz-se que mais de 20 mil civis foram massacrados sem piedade, com 7 mil assassinados no recinto da catedral, para onde haviam fugido em busca de abrigo.

Pierre dês Vaux-de-Cernay afirmou que o massacre foi um castigo pelos pecados dos hereges da cidade e pela blasfêmia cátara contra Maria Madalena, em cujo dia de festa oficial, 23 de julho, teve lugar à matança.

Ele afirmou: “Béziers foi tomada no dia de Santa Maria Madalena. Oh, suprema justiça da providência!... Os hereges diziam que Santa Maria Madalena era a concubina de Jesus Cristo... foi, pois com justa causa que esses cães nojentos foram tomados e massacrados durante a festa de alguém a quem haviam insultado...”
A famosa frase apareceu pela primeira vez no livro intitulado “Dialogus miraculorum”, do monge cisterciense Caesarius de Heisterbach, que escreveu seu admirável relato da cruzada cerca de trinta anos depois do ocorrido. O saque de Béziers foi considerado como a Guernica da Idade Média.


Vista da cidade de Béziers

Em seguida os cruzados marcharam para Carcassone, destruindo-a e prendendo Raimundo VI, que posteriormente vem a morrer na prisão. Apesar de o Conde Raimundo IV de Toulouse ter levantado e comandado a maior força individual a tomar parte na Primeira Cruzada a Terra Santa, em meados do século XII, a letrada e sofisticada nobreza local era predominantemente anticlerical e Raimundo VI, que morreu em 1222, tinha uma boa-vontade particular com o catarismo, levando sempre um membro dos perfects catáros consigo quando viajava.

A família do Conde de Foix era notável por sua atitude tolerante com os catáros, e a esposa dele, após criar a família, tornou-se membro dos perfects. O Visconde de Carcassonne e Béziers, Roger Trençavel, teve perfects catáros como tutores e tornou-se um heróico defensor dos catáros em suas terras, crime pelo qual acabou pagando com a vida.


Vejamos o que nos informa Marilyn Hopkins, Graham Simmans & Tim Wallace-Murphy no seu livro intitulado “Rex Deus”:
“Após a queda de Béziers, a cidade principal, Carcassonne, sede da família Trençavel, foi sitiada. Depois de uma semana, os cruzados ofereceram ao Visconde Trençavel e a 11 de seus companheiros salvo-condutos para deixar a cidade, mas insistiram em que a guarnição, os habitantes e tudo que lá houvesse fosse deixado à mercê dos sitiantes. O Visconde recusou e o sítio continuou por mais uma semana, tempo em que as cisternas da cidade já secavam e o acesso às águas do rio era bloqueado pelos exércitos cruzados. A 15 de agosto, os cruzados ofereceram salvo-conduto ao Visconde para discutir os termos da rendição, mas, apesar dessa garantia, o Visconde de Trençavel foi preso e os direitos de herança de seu filho postos de lado. Ele morreu na prisão em novembro de 1209 e, segundo a maioria dos historiadores, em conseqüência de jogo sujo. Quando Carcassonne se rendeu, poupou-se a vida dos habitantes sem discriminação religiosa, mas eles foram obrigados a sair da cidade com as roupas do corpo e deixar suas casas e bens a mercê do exército cruzado”.

A cidade de Carcassone com as suas duplas muralhas

Simon de Montfort se apodera do condado de Trençavel, conquistando também Alzonne, Franjeaux, Castres, Mirepoix, Pamiera e Albi. Montfort depois de demonstrar bravura em batalhas, foi nomeado Visconde de Béziers e Carcassone em 1209.

Posteriormente, após anos de uma brilhante e brutal carreira fizeram-no senhor de toda Languedoc.
O Rei de Aragão também entrou na batalha em apoio à causa dos catáros e foi mortalmente ferido a 12 de setembro de 1213 em Muret, onde o massacre excedeu o de Béziers.
Em 1216, ouve outra investida contra os cátaros.

Desta vez, Raimundo VII, filho de Raimundo VI, obtém vitória contra Montfort, na batalha de Beaucaire. Simon de Montfort vem a morrer em 1218, acabando também a cruzada, sem, entretanto extinguir a heresia. Amaury, filho de Montfort, oferece as terras conquistadas por seu pai a Felipe Augusto, rei da França que às recusa, seu filho Luis VIII acabará aceitando as terras. Raimundo VII entra em luta com Amaury para retomar seu feudo em Languedoc.

Em 1224 Luis VIII liderando os barões do norte, empreendem uma nova cruzada que durou cerca de três anos alcançando muitas conquistas até chegar a Avignon, onde termina o cerco contra os hereges.
No século XIII a região de Languedoc era rica e prospera, a liberdade de pensamento e a religião eram mantidas, a mesma não fazia parte do reino francês e a proximidade com a Espanha permitia um intenso intercâmbio cultural abrangendo os pensamentos árabes, judeus e ibéricos, de tal modo que sua cultura e prosperidade eram únicas na Europa.

Devido a essa prosperidade muitas autoridades no assunto acreditam que, não houvesse a Igreja Católica incitada uma brutal cruzada de extermínio contra a “heresia cátara”, o Renascimento bem poderia haver ocorrido 200 anos antes, no Languedoc, e não no Norte da Itália.
Na sociedade de Languedoc, as mulheres tinham um papel social importante quando comparados ao restante da Europa.

Os cátaros acreditavam que sua forma de cristianismo era mais antiga do que a da Igreja, por conseguinte, não aceitavam a autoridade do Papa. Languedoc somente em 1229 veio a ser anexada à França pelo tratado de Meaux.
Os cátaros (do grego katharos, puros) formavam no século XIII, uma seita cristã que criticava a corrupção na Igreja, acreditava que o homem na sua origem havia sido um ser espiritual e para adquirir consciência e liberdade, precisaria de um corpo material, sendo necessárias várias reencarnações para se libertar.

Eram dualistas e acreditava na existência de dois deuses, um do bem (Deus) e outro do mal (Satã), que teria criado o mundo material e mal. Não concebiam a idéia de inferno, pois no fim o deus do bem triunfaria sobre o deus do mal e todos seriam salvos. Praticavam a abstinência de certos alimentos como a carne e tudo o que proviesse da procriação. Jejuavam antes do Natal, Páscoa e Pentecostes, não prestavam juramento, base das relações feudais na sociedade medieval e nem matavam qualquer espécie de animal.
Os catáros a exemplo dos primeiros cristãos levavam uma vida ascética de alta espiritualidade, vivenciando na prática um cristianismo puro, numa total alta-renúncia a tudo o que era deste mundo, eram conhecidos como os verdadeiros discípulos de Cristo, a serviço do mundo e da humanidade, um verdadeiro exemplo de amor ao próximo.

Os cátaros galgavam o caminho da transformação ou da transfiguração, O Catarismo se espalhou por toda a Europa entre os séculos XI e XIII.

Aguardem sua continuação no próximo capitulo.