Um dos lugares mais incríveis que conheci por aqui, foi com certeza Cliffs of Moher. Localizados na costa oeste do País, ou seja, na costa do oceano Atlântico, o caminho que nos leva até os Cliffs nos faz entender uma das razões da Irlanda ser considerada um país de escritores. O bucolismo das paisagens inspira a todos a escrever, pensar na vida, deixar a consciência viajar e sonhar, sonhar muito!!!

Os gramados baixinhos e verdes claros hospedam as criações de gado e ovelha, onde apenas "taipas" fazem as divisões dos lotes. Muito mais ovelhas, que se adaptam bem ao clima e contribuem para a fabricação dos famosos suéters artesanais confeccionados naquela região. E o detalhe especial deste trajeto é que andando pelas estradas super estreitas da Irlanda, estreitas mesmo, com menos de 4 metros de largura, você aprecia o pasto verde de um lado e a costa do mar do outro. Na Irlanda, a magia que mistura o campo e a praia é simplesmente indescritível.
Os Cliffs of Moher são conhecidos como uma das paisagens mais exuberantes da Europa, por exibirem a beleza de 214 metros de altura e 8 Km de comprimento. No dia em que visitei os Cliffs – que são penhascos -, fomos agraciadas por um dia maravilhoso de sol, depois de dias inteiros de chuva. Os suaves raios de sol, misturados com o intenso vento lá em cima, pareceram tornar os Cliffs ainda mais belos, se é que isso é possíve!. A sensação de olhar aquela maravilha que a natureza coloca diante dos nossos olhos, nos faz nos sentir minúsculos diante da imensidão de Deus criador do Céu e da Terra.

Nas proximidades dos Cliffs você ainda pode visitar monumentos formados pelas pedreiras como - Poulnabrone Dolmen – (que tem o formato de uma mesa) que data de 5 mil anos atrás e Aillwee Caves, uma caverna que conserva uma rica formação rochosa e servia de abrigo para espécies extintas como ursos.

Ainda na mesma costa, tem-se a oportunidade de visitar Connemara, onde montanhas começam a se formar e exibem particularidades com pedreiras milenares. Mas neste último final de semana, foi a vez de pegar um barco em Galway e chegar até Aran Island: que vontade de não sair mais de lá!

São três ilhas na costa do Atlântico – Inis Mór, Inis Meáin e Inis Oírr - nas quais os moradores nativos ainda falam irish (gailec). Finalmente, depois de 2 meses na Irlanda consegui ouvir conversas em irlandês!!! Chegando em Inis Mór – a maior das três, foi a vez de alugar uma bicicleta e pedalar por toda a sua extensão, me encantando com cada detalhe da simplicidade do lugar.

Casas simples, ovelhas pastando, telhados parecidos com uma espécie de palha, muitas ruínas antigas, tanto de igrejas, quanto de cemitérios. Quando cheguei em Oún Aonghasa – um dos mais espetaculares fortes de pedra foi difícil entender que precisava voltar! A única vontade que tinha era de ficar lá, apreciando tudo aquilo, deixando o vento forte quase nos carregar, ouvindo o barulho do mar e me apaixonando por cada detalhe da beleza daquele Cliff. Este forte foi consruído pelos celtas aproximadamente há 2000 a.c. Estar dentro daquele formato semi-circular, sendo contagiada pela mistura da beleza natural com o sentimento de impotência de uma contrução tão perfeita há mais de 4000 anos, me transportou para horizontes muito maiores que nosso dia-a-dia pode nos oferecer.

É muito difícil imaginar como era a vida há 4 mil anos atrás... Mas é inevitavel dizer que eles tinham uma civilização próspera e competente por tudo o que deixaram... Por todo o caminho de volta, as pedreiras estão presentes. É um rochedo quase interminável da costa do Atlântico que promove uma paisagem indescritível.

E para encerrar, não posso deixar de mencionar Giant´s Causeway, um dos pontos indicados no rank dos 100 lugares mais lindos pra se conhecer no mundo. Localizado há aproximadamente 3 horas de Belfast, capital da Irlanda do Norte, além de oferecer a exuberância da beleza das pedreiras, montanhas e declives na costa do Atlântico, o trajeto oferece várias paradas onde se pode visitar ruínas de Castelos, de Igrejas e se aventurar em estreitas e frágeis "pinguelas" para olhar a imensidão dos penhascos de cima. É preciso se proteger para não ser levado pelo forte vento e para ter coragem de deixar aquela maravilha e voltar à vida real.