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terça-feira, 15 de março de 2011

A BELA, MÁGICA E ENCANTADORA ESCÓCIA



Muits vezes não nos é possível viajar e as razões podem ser várias, tais como; falta de dinheiro, de saúde, idade avançada, enfim podem existir diferentes fatores e motivos. No entanto, isso não deve nos impedir de conhecermos novos locais e costumes. Podemos viajar sem sair da nossa cadeira, vendo fotografias que nos transportem à lugares longínquos, se assim a nossa imaginação se predispuser.

Para aqueles que gostam de viajar, nem que seja através da imaginação, aqui estão fotos e informações, que vão permitir à todos conhecer um pouco mais outras terras e culturas.
Hoje vamos viajar até… a Escócia

Boa viagem!


A Escócia é um dos territórios que integram o Reino Unido. Um país cheio de encanto e magia, com paisagens de um verde inigualável, lagos sublimes, ilhas espetaculares, castelos de sonho e lendas inesquecíveis.




O nome Escócia (Scotland) deriva do latim Scotia, que significa terra dos scots, um povo de origem celta vindo da Irlanda e que se estabeleceu na costa oeste da Grã-Bretanha por volta do século V. Em 1707, a Escócia uniu-se à Inglaterra para formar o Reino Unido da Grã-Bretanha.



É limitada ao norte pelo oceano Atlântico, a leste pelo mar do Norte, a sudeste pela Inglaterra, ao sul por Solway Firth e pelo mar da Irlanda e a oeste pelo canal do Norte, que a separa da ilha da Irlanda e do oceano Atlântico.



A Escócia compreende 186 ilhas, a maioria delas incluídas em três grupos: as ilhas Hébridas, perto da costa ocidental, as Órcadas, próximas à costa setentrional, e as Shetland, ao nordeste das anteriores.





A sua capital é Edinburgh (em gaélico escocês: Dùn Èideann). É uma das mais bonitas e elegantes cidades européias. Os seus bairros são separados por parques e jardins e, mais o imponente, por encostas escarpadas e colinas relvadas.





Língua:


Sua língua oficial é o Inglês mas duas outras línguas também são faladas em algumas comunidades: o Scots (que por vezes não é considerado como um idioma separado) e o gaélico escocês.
A moeda utilizada na Inglaterra é a libra esterlina (£), ou pound. Os centavos são conhecidos como pences.




A bandeira
A bandeira da Escócia representa a cruz de Santo André, mártir que foi crucificado numa cruz em forma de X e que é o patrono da nação. É uma das três cruzes que compõem a bandeira do Reino Unido.






O Brasão


São as Armas Reais da Escócia, que foi o brasão de armas oficial dos monarcas da Escócia, e onde foi utilizado pelo brasão oficial do Reino da Escócia até o Tratado de União de 1707. O brasão de armas do Reino da Escócia mudou significativamente após a União das Coroas em 1603 e, finalmente, passou a se tornar o brasão real do Reino Unido usado na Escócia.
Como a Inglaterra, a Escócia, é representada por leões no Brasão Reino Unidense, A Inglaterra por três leões empilhados e a Escócia representada por um leão rampante. A Bandeira do Leão Rampant é usada pela realeza escocesa apenas.



Religião
O protestantismo presbiteriano (Igreja da Escócia, informalmente The Kirk) é a religião oficial e a de 80% da população, mas sofre uma divisão interna entre evangélicos ou calvinistas (ligados à burguesia) e moderados (apoiados pela nobreza); há também ecumênicos (10%) e católicos (10%) e um pequeno número de judeus; a maçonaria tem grande prestígio entre intelectuais, aristocratas e magnatas da indústria.



Demografia
Cerca de 70% da população do país vive na Central Lowlands - um vasto e fértil vale num estiramento na orientação nordeste-sudoeste entre as cidades de Edinburgh e Glasgow, incluindo grandes povoações como Paisley, Stirling, Falkirk, Perth e Dundee.





Economia
A economia da Escócia é próspera e diversificada. É baseada no setor de serviços, principalmente de turismo, serviços financeiros, da educação e da pesquisa tecnológica. Edimburgo é um dos principais centros financeiros da Europa. Também se destaca no setor de bebidas, onde a produção de uísque é o principal produto. A tradicional fabricação de uísque está profundamente enraizada na cultura escocesa, datando da época dos antigos celtas, por volta de 800 a.C.



O clima úmido da Escócia oferece as condições ideais para o plantio de cereais como cevada e centeio, mais tarde destilados para elaborar o uísque. Visto como um presente dos deuses, os celtas chamavam o uísque de "uisge beatha" - água da vida. Hoje a Escócia tem a maior concentração mundial de destilarias de uísque maltado. Muitas delas oferecem visitas guiadas.









Relêvo
O relevo da Escócia integra a cadeia de montanhas que se estende da Escandinávia à Irlanda. As suas montanhas, originadas no período pré-devoniano, apesar de fortemente aplainadas pela erosão, são as mais altas da Grã-Bretanha, com altitudes médias de 900m.



Ben Nevis é o pico culminante, com 1.343m. As montanhas dividem-se em dois blocos: o das Terras Altas (Highlands), ao norte, e o das Terras Altas do Sul (Southern Uplands).



Entre eles há uma faixa plana, as Terras Baixas (Lowlands).








Clima
Escócia tem um clima que muda bastante. Num minuto tem um sol esplêndido, no minuto seguinte está chovendo. Dependendo do dia, pode-se ver diversas variações de tempo e clima, em pouco intervalo. Nas montanhas, o tempo pode mudar mais rápido que nas zonas baixas, e ser ainda mais de extremos.






A Costa Este da Escócia é mais seca e geralmente melhor. No Inverno a temperatura raramente está abaixo dos zero graus. Na Costa Oeste, a temperatura é mais elevada, se bem que a umidade e a chuva também mais intensas. Os meses secos da Escócia são Maio e Junho, os mais quentes Julho e Agosto e durante o Inverno, o frio e a umidade dominam tudo.




Cultura
A Escócia possui grande diversidade cultural e muitos atores, escritores e artistas. Atores como Sean Connery e Ewan MacGregor tornaram-se grandes estrelas do cinema, merecendo aclamação internacional e tornando-se embaixadores do seu país e da indústria cinematográfica escocesa.


A cidade de Edimburgo recebe no Verão, aquele que é considerado o mais importante festival cultural do mundo, o Festival de Edimburgo.


O kilt que é considerado um traço marcante da cultura e identidade do país. Surgiu no século XVI, no norte da Escócia. Cada clã ou família tinha um tipo de quadriculado no kilt, que identificava os seus integrantes.






Gastronomia


A gastronomia escocesa distingue-se pelo variado sortimento de produtos frescos, seja carne (vaca ou caça), peixe (salmão e arenque fumado), marisco e legumes de grande qualidade.


Há toda uma variedade de sabores e aromas exóticos provindos de diversas origens étnicas. O prato nacional da Escócia é o calórico haggis, feito à base de pulmões, coração e fígados de borrego (carneiro) picados e misturados com aveia. Serve-se acompanhado de puré de batata, nabo, manteiga e pimenta preta, sem esquecer um copo de uísque. Também há haggis vegetarianos.


Outro prato típico é o Scotch Sink, uma sopa de peixe com badejo fumado e carne de veado ou faisão.






Alguns dos Locais a conhecer:


A Escócia apresenta interessantes pontos turísticos e culturais. Em função de seu rico passado e do bom desenvolvimento socio-económico. São diversos museus, parques, teatros, monumentos, castelos medievais, construções históricas e etc.


O destaque fica para a Cidade Velha de Edimburgo que é Património Mundial da UNESCO.






■ A Capital Edinburgh





Edinburgh, capital da Escócia caracteriza-se por ter uma vista urbana espectacular que pode ser dividida em duas - a zona antiga, com as suas ruelas e becos calcetados e as elegantes fachadas neo-clássicas da zona mais recente. A cidade é dominada pelo Castelo de Edinburgh construído sobre uma rocha de origem vulcânica.
É um centro moderno e dinâmico de arte e cultura, com imensos museus, galerias, universidades e festivais. Em Agosto, a cidade de Edinburgh é anfitriã da maior exposição de arte, música, teatro, dança e teatro de rua do mundo. Para além da cidade, a zona campestre The Lothian proporciona locais de enorme beleza com casas históricas e castelos. A zona este de Lothian tem tradição no golfe e é onde se pode encontrar os melhores campos de golfe do mundo. As Colinas Pentland, no extremo da cidade, oferecem uma vista espectacular.


Principais pontos turísticos em Edinburgh:


- Cidade Velha de Edinburgh (Património Mundial - UNESCO)





-Museu Real da Escócia
-Museu da Infância
-Galeria Nacional da Escócia



- Museu Real da Escócia
- Museu da Escócia
- Museu da Infância- Catedral St. Gilles


- Edifício do Parlamento Escocês
- Castelo de Edinburgh
- Princes Street Gardens
- Catedral St. Gilles- Palácio de Holyrood





■ Glasgow
É a segunda maior cidade da Escócia e também a terceira mais populosa de todo o Reino Unido. A cidade tem um estilo único e uma personalidade marcante.





Esta bela Cidade Vitoriana é conhecida mundialmente pela sua arquitetura e pelas suas exuberantes paisagens campestres. Um dos lugares mais visitados em Glasgow, é o Lighthouse, onde a história do arquiteto e designer Charles Rennie Mackintosh, filho mais ilustre da cidade, é contada minuciosamente.
A cidade desenvolve-se em torno do rio Clyde, que a atravessa e onde se podem admirar diversas pontes quer para trânsito rodoviário quer pedonais.





A Princess Square é a mais importante praça central de Glasgow, situada próximo de Buchanan Street, que junto com as ruas Argyle e Sauchiehall formam a mais famosa região comercial da cidade.


Conhecida como a capital do estilo da Escócia, com as suas cervejarias art déco, elegantes lojas e centros culturais, Glasgow orgulha-se de mais de 30 museus e galerias. Acolhe todos os anos o Festival Internacional de Jazz e o Celtic Connections - o maior festival de Inverno em todo o mundo, dedicado à música e cultura celtas.


Para quem gosta de áreas verdes uma visita aos parques Barshaw, Kelvingrove e Pollok é obrigatória.





Principais pontos turísticos em Glasgow:
- Museum of Transport(Museu dos Transportes),
- Museum of Piping (Museu da Gaita de Foles), o maior do género no mundo
- Parque Glasgow Green
- People's Palace no Glasgow Green. Trata-se de um prédio histórico onde se pode conhecer toda história da cidade desde 1750.

- Clydebuilt, museu marítimo que conta a importância do rio Clyde na formação da cidade.

- Vikingar, onde é contada a história da presença dos Vikings na Escócia.
- Kelvingrove Art Gallery and Museum





- Catedral de Glasgow
- Glasgow Royal Concert Hall
- Scottish Exhibition and Conference Centre
- Galeria de Arte Moderna




- King's Theatre




- Citizens Theatre



■ Dundee
A cidade de Dundee está localizada na costa leste da Escócia, na foz do rio Tay com o Mar do Norte e é a quarta maior cidade do país.








Dundee conserva muitos atrativos turísticos e preserva a sua antiga história através dos seus antigos prédios, como o famoso castelo de Broughty, construído em 1496.








Entre as principais atrações da cidade está o Mills Observatory, o único observatório público Britânico construído somente para as pessoas conhecerem e entenderem a ciência.






Dundee também possui belíssimos parques, onde visitantes e moradores costumam passar as tardes ensolaradas. Entre os principais parques da cidade estão o The Rock Garden e o Caird Park, ideal para caminhadas e práticas desportivas.





Principais pontos turísticos em Dundee
- Galeria McManus
- Prédio da Academia Morgan
- Farol de Dundee
- Wishart Arch






- Sensation Science Centre
- Teatro de Dança Escocesa





■ Aberdeen
A cidade escocesa de Aberdeen é a terceira maior cidade do país e é também um importante porto da Escócia por ser banhada pelo Mar do Norte. Ela é conhecida como a "cidade do granito", devido aos seus edifícios construídos à base de granito.






Situada na foz dos rios Don e Dee, a cidade conserva inúmeros pontos turísticos, entre eles as pontes instaladas sobre esses dois importantes rios.


A catedral de St. Machar é outro grande ponto turístico de Aberdeen. Com uma arquitetura em estilo gótico perpendicular, foi construída no século 14.


O pináculo de cerca de 60 metros da Catedral Católica é também um dos atrativos juntamente com Marischal College, o maior prédio de granito branco do mundo.





■ Highlands Highlands é a parte da Escócia que reflecte perfeitamente a imagem romântica que a maior parte das pessoas têm desta nação.




A cidade principal é Fort William, que fica na sombra do Ben Nevis, o pico mais alto da Grã-Bretanha. A norte fica uma costa majestosa de Lochs (fiordes) de águas profundas e enseadas de areia branca flanqueadas por montanhas e com as Ilhas Hébridas no horizonte.


A oeste de Fort William, pela poética 'Road to the Isles' (estrada para as ilhas), fica Mallaig, o principal ponto de embarque para Skye.


Mais para norte fica Ullapool, um dos principais portos das Hébridas Exteriores e a base ideal para explorar o inóspito noroeste.






■ Inverness
Inverness é a maior cidade do norte da Escócia e a capital das terras altas, conhecidas como Highlands, local de muitas lendas e tradições.
É uma cidade pequena e tranquila, cortada pelo rio Ness.





A cidade tem o seu encanto, particularmente nas margens do Rio Ness, que corre pelo seu coração ligando Loch Ness a Moray Firth.


O Castelo é um edifício Victoriano avermelhado, construído em 1834. Por baixo do Castelo fica o Museu de Inverness e a Galeria de Arte.



Em High Street destaca-se a gótica Town House. No fim de Church Street fica a Old High Church, fundada no século XII e reconstruída em 1772, embora a torre do século XIV permaneça intacta.


Na margem ocidental do Rio Ness, oposta ao Castelo, fica a neo-gótica St. Andrews Cathedral que data de 1869.



■ Loch Ness (O lago Ness)





É uma das maiores atrações da Escócia. É o lago mais profundo da Grã-Bretanha que se estende por 37 kms desde Fort Augustus no sul até Inverness no norte. O "loch" oferece uma bela paisagem só por si, com colinas majestosas que se erguem verticalmente das suas margens de florestas.






A visibilidade da água é extremamente reduzida devido ao teor de turfa dos solos circundantes, que é trazida para o lago através das redes de drenagem.


Pensa-se que o lago Ness tenha sido modelado pelos glaciares. Todos os anos chegam centenas de milhares de visitantes para observar o lago e contemplar o mistério originado no famoso Monstro do Loch Ness.


As águas do Loch Ness são bastante frias, devido principalmente à sua latitude e à sua profundidade. O seu litoral é bastante pitoresco, com castelos como o de Eilean Donan.









■ Fort William
É a principal porta de entrada nas Highlands Ocidentais e um dos principais centros turísticos do país.




Fica no topo de Loch Linnhe, na sombra dos picos brancos do Ben Nevis, a montanha mais alta da Grã-Bretanha.


As montanhas em redor de Fort William e os Glens estão entre os mais impressionantes da Escócia.


Glen Nevis é muito bonito e pode ser reconhecido em filmes como Braveheart e Rob Roy.


O forte que deu o nome à cidade foi construído em 1690 por ordem de William III para manter os rebeldes escoceses em ordem.







■ Mallaig
É um porto pesqueiro agitado e o principal ponto de partida de ferry para a Isle of Skye.





Uma das suas principais atrações é o Mallaig Marine World, um aquário com espécies marinhas locais e com a exibição da história da industria pesqueira.


Do alto de uma das colinas da aldeia é possível observar um excelente panorama do porto e da Ilha de Skye no horizonte.





■ Ilha de Skye Skye é a maior das quase mil ilhas que fazem parte da Escócia.


Com cascatas, vales a perder de vista, arco-íris lindíssimos e abundantes e paisagens inspiradoras, é sem duvida uma das mais bonitas.





No extremo norte da ilha, que não tem mais que 80 quilômetros de ponta a ponta, o Skye Museum of Island Life.


Os traços da cultura celta estão presentes desde as placas de trânsito bilíngues (inglês-gaélico) até os símbolos de linhas entrelaçadas, encontrados em objetos de prata. Portree é a sua capital.



Recomendamos visitar: as montanhas da parte Sul Cullins, o lado Norte da ilha, a peninsula de Uig e Staffin, Dunvengan e Coral beaches. É imperdível uma visita ao castelo aonde foi filmado o Highlander, em Dornie - Eilean Donan Castle, construído no século XIII. Faça uma visita virtual, a este encantador castelo.




■ Gruta de Fingal - Ilha de Staffa
A Gruta de Fingal é uma caverna marinha na ilha desabitada de Staffa, nas Hébridas Interiores, Escócia, que faz parte de um reserva nacional.





É formada por basalto hexagonal, similar em estrutura - por causa da mesma origem num fluxo de lava - da Giant's Causeway, a Calçada dos Gigantes, na Irlanda do Norte. O seu tamanho e teto de arcos naturais, juntamente com os arrepiantes ecos produzidos pelas ondas, produzem um ambiente de uma catedral natural. O nome gaélico da gruta, Uamh-Binn, significa "Gruta da melodia".






Uma paisagem majestosa, montanhosas imponentes, uma costa polvilhada de lindas cidades coloridas, uma impressionante herança histórica e um povo cordial, animado, amigável e hospitaleiro, tornam a Escócia um país que vale a pena visitar.



quarta-feira, 9 de março de 2011

O DESTINO DOS FILHOS DE LIR


Do "MABINOGI", esta lenda permanece viva até hoje na Irlanda

Os cinco reis da Irlanda reuniram-se um dia para eleger, dentre eles, um grande rei de Erin.
Os seus nobres escolheram Dearg, filho de Dagda, por ser o filho mais velho de um druida altamente respeitado.
Contudo, o rei Lir deixou a reunião real muito irritado, pois esperara para si próprio, essa alta distinção.
Os outros reis quiseram cavalgar atrás dele para feri-lo com a espada e com a lança devido à sua traição, mas Dearg deteve-os.
De forma a manter a paz, disse:
- Faremos dele nosso parente dando-lhe, a saber, que pode escolher para esposa uma das três lindas filhas de Oilell de Aran, meu próprio filho adotivo.
Foram, então, enviados mensageiros para a colina de White Field, onde o rei Lir tinha a sua corte.
Este aceitou a oferta e, no dia seguinte, partiu com cinquenta carroças para o lago do Olho Vermelho, perto de Killaloe.
O rei Dearg estava lá à sua espera, juntamente com as três filhas de Oille.
- Toma a donzela que desejares, qualquer que seja, disse Dearg.
- Não posso decidir qual delas é a mais bonita, responder Lir, e por isso, levarei a mais velha, pois ela é a mais nobre.
- A donzela Ove é a mais velha das três, e é tua se assim o desejas, disse Dearg.
Lir regressou à colina de White Field, com Ove como sua noiva.
Pouco tempo depois nasceram uma filha e um filho gêmeos, Fingula e Aod eram os seus nomes.
Mais dois filhos se seguiram, Fiachra e Conn, mas o nascimento deles levou à deplorável morte de Ove.
Contudo, Lir amara ternamente a sua mulher e o seu coração não teria resistido se não fosse o igual amor que sentia pelos seus quatro filhos.
Quando recebeu a notícia, o rei Dearg sentiu muito a dor de Lir, pelo que enviou mensageiros para lhe oferecer a mão de Oifa, irmã de Ove, como segunda esposa.
Casaram e viveram felizes durante algum tempo. Porém, Oifa começou a ter ciúmes das crianças, que eram amadas por toda a gente.
Assim, Oifa levou-as a passear de carroça, tendo em mente intentos malvados e perversos.
Fingula resistiu, pois na noite anterior, sonhara coisas terríveis a respeito da sua madrasta; porém o seu destino estava marcado e ela entrou na carroça.
Os cinco chegaram ao lago dos carvalhos.
- Dar-vos-ei aquilo que mais desejarem neste mundo, gritou Oifa para a gente que ali habitava: - Se matarem os quatro filhos de Lir. Todavia, ninguém quis nada com ela.
Então, disse às crianças que fossem nadar no lago, lançando-lhes um encantamento com uma varinha que um druida lhe oferecera certa vez. E enquanto apontava a varinha, cantou as palavras mágicas por sobre as águas e lançou correntes de prata, que se enrolaram nos pescoços das crianças:

"Nas águas selvagens, real Progênie de Lir!
Para todo o sempre os vossos
Gritos ficarão perdidos entre as aves.


As quatro crianças começaram imediatamente a ficar cobertas de penas macias, Em breve, se tornaram lindos cisnes da mais pura brancura.
Fingula cantou:
- Conhecemos-te por aquilo que és, mulher bruxa!
Tens poderes para nos fazer nadar no lago,
Ainda que possamos descansar em terra quando quisermos;
Nós seremos acariciados, mas tu serás censurada.
Embora nos vejas agora sobre as ondas,
Os nossos espíritos estão a caminho de casa."

- Retira a maldição que sobre nós lançaste, gritou Fingula.
- Nunca! Exclamou Oifa, rindo. Não até que Lairgnen de Connaught case com Deoch de Munster e as mulheres do Sul se unam aos homens do Norte.
Durante novecentos anos terão de sulcar os lagos e rios de Erin e ninguém será capaz de retirar o meu encantamento. Uma coisa vos concedo, conservarão a fala do homem e nenhum homem ou animal ouvirá o vosso áspero cantar.
Disse isto sem qualquer remorso. Depois de algum tempo, ouviu-se um canto:

- "As nossas saudações ao grupo de cavaleiros
Que se aproxima do lago do Olho Vermelho,
Estes não são homens de encantamento e podem
Procurar tirar-nos das águas.
Então dirijam-se para a margem, irmãos Aod,
Fiachra e formoso Conn,
Pois estes não são cavaleiros estranhos
Mas nosso pai, o rei Lir, e os seus homens."

Lir ouviu as maravilhosas vozes humanas dos cisnes e perguntou seus nomes.
- "Somos os filhos de Lir", gritaram. A nossa madrasta lançou sobre nós uma cruel maldição, como todos podem ver e esta não pode ser quebrada até ao casamento de Lairgncn e Deoch.
Os cisnes cantaram as suas selvagens e míseras baladas.
Lir e os seus acompanhantes choraram e enfureceram-se, até que os cisnes acabaram por voar para longe. Logo a seguir, Lir fez-se a caminho para o palácio de Dearg e contou-lhe a perfìdia da sua segunda mulher.
- Que criatura, perguntou Dearg a Oífa, gostarias menos de ser neste mundo de figuras e formas?
- Bem, repondeu ela, qualquer pessoa odiaria ser transformada em um demônio do ar.
- Então, torna-te num deles, disse Dearg, apontando sua varinha para Oifa.
O rosto desta tornou-se imediatamente demoníaco e as asas afiladas levaram-na para o ar, para ali ficar como demônio, até ao fim dos tempos.
Os filhos de Lir entoaram as suas canções de pesar aos clãs que habitavam em redor do lago do Olho Vermelho, até que chegara a altura de partir.
Enquanto se mantiveram nas margens do lago, Fingula cantou para a gente de Dearg e de Lir:

"Faz o bem, Dearg nosso rei,
Tu que dominaste a arte dos druidas!
E faz o bem, nosso pai querido,
Rei Lir da colina de White Field!
Nós vamos partir para viver os nossos últimos dias,
Muito longe das habitações dos homens.
Nadaremos nas mates cheias do Moyle,
Com todas as penas frias e salgadas.
Até esse dia em que Deoch se junte a Lairgnen,
Voemos, meus irmãos, que já tivemos faces coradas;
Do lago do Olho Vermelho partiremos;
Com pesar voaremos para longe dos nossos entes queridos."

Partiram, voando alto pelo céu, a perder de vista e não descansaram até chegarem a Mooyle, o lençol de água que está entre Erin e Alba.
E a gente de Erin ficou tão triste com a partida dos meninos-cisne, que decretaram uma lei que proibia a morte de cisnes.
As crianças encontraram-se, geladas e sozinhas, no meio de uma enorme tempestade.
Fingula sugeriu que combinassem um ponto de encontro, para o caso de se perderem na tempestade.
- Reunir-nos-emos, disse a seus irmãos, no rochedo das Focas.
Ao dizer isto, um relâmpago e um trovão atiraram os filhos de Lir para longe uns dos outros, perdidos na intensa tempestade.
Quando finalmente esta amainou, Fingula cantou:
"Desejei ter morrido nas bravias águas
Pois as minhas asas transformaram-se em gelo.
Meus três irmãos, voltem de novo
E escondam-se uma vez mais debaixo das minhas asas.
Mas eu sei que isto nunca poderá acontecer
Até que os mortos se levantem das suas sepulturas! "

Pôs-se a caminho do rochedo das focas e apareceram dois dos seus irmãos, Conn e Fiachra, com as penas pesadas pelo sal que o mar tempestuoso atirara sobre elas.
Fingula aconchegou-os debaixo das suas asas e disse:
- Se, pelo menos, o nosso irmão Aod estivesse aqui conosco, então, estaríamos felizes.
Aod chegou com a cabeça e as penas secas e lisas. Fingula cobriu-o com o peito, tendo Conn e Fiachra debaixo de cada uma das asas e cantou:
"As palavras mágicas de uma mulher malvada
Enviaram-nos para os mares setentrionais,
Transformados pela nossa madrasta somos
Formas mágicas de cisnes.
E agora a nossa banheira é a crista da água
Na espuma salgada do rebentar das ondas
E a única cerveja que bebemos durante a festa
E o trago salgado do profundo mar azul."

Um belo dia, um grupo de reluzentes cavalos brancos chegou a galope e as crianças-cisne reconheceram os dois filhos de Dearg.
- O rei, nosso pai, disseram, e evidentemente, o vosso próprio pai Lir, estão vivos e bem, mas não se sentem felizes desde que voastes do lago do Olho Vermelho.
Fingula cantou então os seus destinos:

"Esta noite há carne e bebida na corte,
Na corte de Lir há alegria.
Mas o que foi que aconteceu aos filhos de Lir?
As nossas camas são as nossas penas,
A nossa comida é a areia branca,
O nosso vinho é o profundo mar azul.
Debaixo das minhas penas descansam Fiachra e Conn,
Sob as minhas asas nadam no Moyle,
E debaixo do meu peito descansa o querido Aod.
Juntos descansamos na nossa cama de penas."

Os filhos de Dearg regressaram, contaram o que tinham visto e falaram da linda canção que tinham ouvido.
As correntes do Moyle levaram os filhos de Lir para a baía de Erris, onde permaneceram até ao dia fadado em que tiveram de regressar à colina de White Field.
Encontraram tudo num estado de desolação; só havia urtigas onde, outrora, se erguiam as altas paredes das casas.
Por três vezes gritaram a sua dor. E Fingula cantou:
"Que triste é para eu ver
As casas em ruínas de meu pai.
Houve aqui outrora cães de guarda e cães de caça,
Aqui as mulheres riam com os galantes cavaleiros,
Aqui se ouviu outrora o entrechocar dos copos
De chifre ou madeira nas festas felizes,
Agora, tudo o que vejo é desolação
Desde que há muito meu pai morreu e partiu.
E nós, seus filhos, vagueamos durante anos,
E sentimos a cruel rajada dos ventos gélidos;
Mas chegou agora o mais cruel de todos os golpes,
Regressar finalmente a uma casa vazia."



Em seguida, os cisnes voaram para as encantadoras ilhas do Oeste.
Por essa altura, a profecia da canção de Fingula tornou-se verdadeira. Deoch, a princesa de Munster, prometeu casar com Lairgnen, príncipe de Connaught.
Todavia, Deoch não casaria até que o seu príncipe lhe trouxesse os maravilhosos cisnes.
Eairgnen encontrou-os a nadar alegremente no lago das aves; remou até eles e retirou as correntes de prata.
Num instante, tornaram-se novamente humanos, mas os rapazes tinham crescido e eram agora homens velhos,eram anciões de 1500 anos a ponto de morrer e a jovem Fingula uma velha magra encurvada. Morreram uma hora depois e foram deixados a descansar como tinham estado em vida. Fiachra e Conn, um de cada lado de Fingula e Aod debaixo do seu peito.
A lenda dos Filhos de Lir sobreviveu até aos nossos dias e ainda hoje na Irlanda é proibido matar cisnes. Estas belas criaturas, uma das maiores que visitam a Irlanda, podem ser vistas em lagos, rios, baías, etc. um constante recordar dos Filhos de Lir.

Lendas celtas irlandesas



Fonte bibliográfica:
Introdução à Mitologia Céltica - David Bellingham

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O SIDHE


Os cavaleiros Sidhe, de John Duncan (1911)

Sídhe, sìth, sidh é uma palavra gaélica (irlandesa e escocesa) que se refere a pequenas colinas ou montes de terra imaginados como o lar de um povo sobrenatural de espíritos da natureza vinculado às fadas, janas e elfos de outras tradições, e posteriormente, a seus supostos habitantes, propriamente Aes Sídhe, Daoine Sídhe ou Duine Sìth, o "povo das colinas" (em irlandês moderno, Aos Sí, que se pronuncia "és xi")
Muitos vêem os Sídhe como uma versão folclorizada dos Tuatha Dé Danann ("povo da deusa Danu"), que abandonaram a Irlanda para viver no Outro Mundo depois de derrotados pelos milésios (os irlandeses atuais). De acordo com o Lebor Gabála Érenn (O Livro das Invasões), os Tuatha Dé Danann ou Daoine Sídhe, foram derrotados em batalha pelos mortais Filhos de Míl Espáine. Como parte dos termos de rendição, os Tuatha Dé Danann concordaram em residir no subsolo, em síde (singular síd), as pequenas colinas, freqüentemente artificiais (túmulos pré-históricos) que são comuns na paisagem irlandesa. A cada líder de uma das tribos dos Tuatha Dé Danaan, foi dado uma colina. Posteriormente, tanto os montes quanto as entidades sobrenaturais se tornaram conhecidas pela mesma palavra: síd; com a mudança da língua através dos tempos, tornou-se sídhe, sìth e sí.



"Mound of the Hostages", em Tara, Irlanda, datado de 1.800 a.C.


Na crença e prática popular, os sídhe foram freqüentemente reverenciados com oferendas e toma-se cuidado para que eles não fiquem irados. Deles usualmente se fala através de eufemismos como "Os Bons Vizinhos", "O Povo das Fadas", "Os Nobres" ou simplesmente, "O Povo", na esperança de que se os humanos os considerarem gentis, provavelmente eles assim o serão.
Banshee ou bean sídhe, significa "mulher dos Sídhe" (ver postagem do blog sobre AS BANSHEES de outubro de 2009). Todavia, a expressão passou a indicar especificamente as mulheres sobrenaturais da Irlanda que anunciam uma morte iminente com seus gritos e lamentos. Sua contraparte na mitologia escocesa é a Bean Nighe – a lavadeira que é vista lavando as vestes ou a armadura ensanguentada da pessoa fadada a morrer.




outro sídhe ou "morro das fadas" na Irlanda
Outros nomes comuns são "Leanan sídhe" - a "fada amante"; o Cait Sidhe – um gato encantado e o Cu Sith – cão encantado. Os "sluagh sídhe"; "a hoste das fadas" – são algumas vezes representados no folclore irlandês e escocês como espíritos que se movem pelo ar como bandos de pássaros. São de natureza desagradável e talvez representem os mortos amaldiçoados, maléficos ou sem descanso.
Os sídhe são por vezes vistos como ferozes guardiões de suas moradas – sejam elas uma colina encantada, um círculo das fadas, uma árvore especial (freqüentemente um pilriteiro), ou um lago em particular ou uma floresta. O Outro Mundo celta é visto como mais próximo durante o crepúsculo e a aurora, que por isso são especiais para os Sídhe, bem como para festivais como o Samhain. Os Sídhe são geralmente descritos como estonteantemente belos, embora possam também ser terríveis e asquerosos.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

E-MAIL DE ROGÉRIO MACIEL (2)

Rogério Maciel para mim 14/02/2011 às 16:17 (15 horas atrás)

Querida Hyllana , (posso chamá-la de querida ?) , obrigado pêlo que disse .
Fiquei sensibilizado , principalmente pela sua simplicidade e humildade , virtudes nada vulgares nos dias que correm .
Bem haja Hyllanna , mas não é necessário tantos elogios para mim . Não os merêço . Sou apenas um simples aprendiz que Ama a Lusitânia-Portugal e tudo o que Ela significa .
Os elogios devem ir todos para as grandes personalidades de quem lhe enviei ligações , e hoje vou enviar-lhe algo mais sobre um grande etnólogo português , um grande homem e Lusitano , o Moisés Espírito Santo .
Este grande Português tem ido contra a corrente e a "ciência" estabelecida , aquela que o sistêma mais lhe interessa para melhor alienar/controlar as almas .
Faz-me confusão , e por vezes fico zangado com tanta ignorância disfarçada de conhecimento que vejo em muitos sítios na rêde .
Então , se tem a vêr com Portugal , fico mesmo revoltado ... mas julgo que não fui mal educado , ou agressivo consigo . Se fui , as minhas desculpas mais sinceras .
A "aula" , não foi aula . Não era minha intenção dar uma aula , mas se existe aula , então é a dêsses grandes personagens , que o são de Portugal , mas que ultrapassam fronteiras reais ou virtuais , pêla sua grandeza humana .
Hoje envio-lhe o Moisés Espírito Santo (passe a expressão) , que confirma e complementa o texto do Samuel Galazak , que lhe enviei há dias .

MONTE DOS TAMBORES E O CALENDÁRIO RUPESTRE DA ALDEIA DE CHÃS.
Visitei o monte dos Tambores para observar o calendário rupestre e dei particular atenção aos nomes dos sítios e das pedras que constituíram o calendário. Vou interpretá-los neste artigo.


O que vou expor não consta nos livros de História de Portugal onde notamos uma crassa ignorância e uma verdadeira fobia quanto à cultura dos nossos antepassados lusitanos।

Os historiadores e arqueólogos procuram fazer-nos crer que os lusitanos eram uma horde de selvagens, atrasados e ignorantes, quando foram o povo que «durante mais tempo se opôs aos romanos», segundo Estrabão।
Quer dizer, a resistência dos lusitanos aos romanos durou 200 anos। Porquê são assim ignorados pelos historiadores os nossos antepassados? Porque eram libertários e ciosos da sua independência e cultura, e porque se opuseram aos colonizadores।
Leite de Vasconcelos ousa até dizer que «os lusitanos esqueceram a sua língua; para a descobrir seria necessário consultar a esfinge»।
Nós diríamos o seguinte: para que um povo esquecesse a sua língua materna em favor da do colonizador, seria necessário que quatro gerações, dos bisavôs aos bisnetos, durante cem anos, se calassem, não falassem entre si, nem uma palavra, enquanto não aprendessem correctamente a língua do colonizador.











Em qualquer cultura, qualquer aprendiz de investigador pode descobrir a língua que precedeu a actual. O método para isso consiste, entre outros, na interpretação da toponímia, da gíria popular e das expressões codificadas do linguarejar quotidiano como, por exemplo, «morar em cascos de rolha» (muito longe), «andar à paz de pílula» (estar sem dinheiro), «Está de ananazes» (um tempo muito quente), etc. que constam em dicionários especializados. Só os historiadores, arqueólogos e etnólogos portugueses tradicionais se recusam a esse trabalho, por razões ideológicas, para desvalorizar a cultura vencida.
«
Por este método, demonstra-se que os lusitanos, antes da introdução do latim/português, falaram a língua dos fenícios ou cartagineses (ou púnicos) que era uma mistura de dialectos ou de línguas com origem nas regiões donde provieram os chamados «fenícios» que, depois, se chamaram cartagineses ou púnicos e que dominaram a Península Ibérica durante, pelo menos, 500 anos (até à vitória do Império romano com o assassinato de Viriato, no ano 140 a.C.).
Essas línguas ou dialectos eram: o cananita da Costa Fenícia, o hebraico (em que foi escrito o Antigo Testamento), o acádico, o assírio e o aramaico, falados nas regiões donde provieram os fenícios/cartagineses; essas regiões iam da actual Palestina até aos rios Tigre e Eufrates e ao País dos Hititas (actual Turquia).
A antiga língua pode ter ficado por «decalque fonético» ou corrupção de línguas. Os antigos vocábulos adaptaram-se, foneticamente, a palavras da língua actual. Vejamos então os nomes dos sítios em questão....





Espero que goste Hyllana . Entretanto , pode sim publicar o correio-e .

Um Abraço Grande .

Rogério

NOTA: Obrigada Rogério

E-MAIL DE ROGÉRIO MACIEL (1)

Amigos, no dia 09/02/2011, recebi o seguinte e-mail de Rogério Maciel, ilustre cidadão Lusitano, que passo a transcrever na íntegra por ter tido sua permissão.

Rogério Maciel... 9 fev (6 dias atrás)
(gajo simpático, não?!!)


Boa Tarde ! Por favôr , não misturem alhos com bugalhos .
Só porque amam a cultura Celta , e querem encontrar , forçosamente , para vós , uma ligação ancestral nos Povos ancestrais de Portugal , não forçem algo que não é verdadeiro (utilizando por exemplo , um texto de Martins Sarmento , o mesmo que refuta categóricamente no texto/pdf que vos envio , a celticidade dos Luso -Galaicos) .

Não digo que no sangue de Portugal não haja genética Celta , porque existe , mas isso , é outra história .

Essa mania de fazêr uma mistela dos povos e metê-los todos na panelinha do celtismo , TEM de acabar . Não se ponham a falar do que não sabem ...

A Lusitânia ( ou Terra da LuZ , ou Ofiússa , a Terra das Serpentes /Serpente , Símbolo do Eterno Retôrno , a Luz da Sabedoria), cujos povos , eram os Lusitânos , nada tem a vêr com os Celtas .

http://www.csarmento.uminho.pt/docs/sms/obra/FMSDispersos_008.pdf ( A Negação do celtismo por Martins Sarmento )

Os povos do Norte da Lusitânia (não a divisão artificial romana : http://ibericos.wordpress.com/2008/05/26/pinharanda-gomes-a-patrologia-lusitana/) , do MInho e da Galiza , os Galaicos , irmãos e aliados dos Lusitanos mais ao sul , eram povos PRÉ-CELTAS que foram os povoadores da Hibérnia Ancestral (a Irlanda actual) , e não o contrário . A invasão celta vinda do norte da Europa , é bastante posterior e , , embora tendo ahvido Célticos no sul de Portugal , nunca houve mistura dos povos . O facto dos Lusitanos e Galaicos terem muitos sinais ditos celtas não significa nada (veja o pdf de Martins Sarmento) .

E agora , a machadada final (embora haja muito mais dados que poderia enviar-vos ) :

http://dasserpentes.blogspot.com/2010/02/viajaram-os-filhos-de-dan-ate-portugal.html
«

Viajaram os Filhos de Dan até Portugal?
Rufius Festus Avienus, poeta latino, escrevendo no século IV mas apoiado em velho roteiros fenícios e gregos com quase mil anos – «escritos recônditos» e «antigas páginas», nas suas próprias palavras – relata-nos no seu poema Ora Maritima que a região ocidental da Península Ibérica, antes chamada Oestrymnis, se chamava agora Ophiussa, e que o seu nome lhe vinha de uma grande invasão de serpentes que fizera fugir os antigos habitantes da terra. Os seus actuais habitantes chamavam-se Sefes e Cempsos (Saefes e Cempsi), e habitavam as colinas e os campos de Ophiussa.

Este é o mito fundador de Portugal, desde sempre desprezado pelos historiadores, mas agora olhado de novo, à luz dos últimos mapas genéticos das populações peninsulares, onde os pergaminhos celtas das populações da Galiza e do Norte de Portugal são definitivamente rasgados e substituídos por novos e inimagináveis pergaminhos berberes (Amazighs), de populações aqui instaladas desde o Neolítico e que nada têm a ver com os invasores Mouros de 711… populações estabelecidas em Oestrymnis, na Estremadura portuguesa, e daqui expulsas por uma “invasão de serpentes” que fez instalar novas populações, Sefes e Cempsos.

Durante decénios, aceitando sem discutir a Teoria das Invasões de Bosch Gispera, fizemos destas populações Celtas vindos do centro da Europa, negando as evidências arqueológicas que apontavam noutra direcção, negando Avieno que claramente nos dizia que os Cempsos, agora no ocidente peninsular, tinham o seu berço nas margens do Lago Ligustino, sendo irmãos germanos dos Tartéssios. Os fenícios tinham-nos preterido a favor destes últimos, e combatidos por uns e por outros, tinham os Cempsos partido para noroeste, arrastando na sua passagem uma multidão de povos menores.

A sua passagem como força invasora pelas planícies do Alentejo encontra-se arqueologicamente documentada, seja pelo desaparecimento súbito e inexplicável de povoados na Serra de Huelva e nas duas margens do Guadiana (o povoado de Passo Alto, na margem direita do Chança, é um caso paradigmático), seja pela alteração do modelo de povoamento no Alentejo Central, com as populações abandonando as suas quintas na planície, sem preocupações defensivas, e recuperando ou construíndo grandes povoados fortificados, no cimo dos montes, como se pode comprovar nos povoados da Serra d’ Ossa. Fundam uma primeira cidade, Dipo, que sobrevive até à epoca romana e que muito acreditam estar no subsolo de Évoramonte. E avançando para oeste e para noroeste fundam sucessivamente Beuipo (Alcácer do Sal), Olisipo (Lisboa) e Colipo (Leiria), avançando até às margens do Mondego. A terminação em “-ipo” das povoações que fundaram (os topónimos que o tempo não devorou), não nos ilude quanto à sua proveniência, pois a esmagadora maioria dos povoados em “-ipo” encontra-se a sul do Guadalquivir.

Quanto aos Sefes, nada sabemos... tirando o facto de serem exógenos (os antigos habitantes, os Estrímnios (Oestrymni), foram expulsos e a terra ficou vazia, diz-nos Avieno). Não sabemos se os Sefes acompanharam os Cempsos no seu êxodo desde o Lago Ligustino ou se aqui chegaram na mesma altura, sendo seus aliados na conquista do país. Tudo nos leva a apostar na segunda hipótese, pois Avieno diz-nos que os vizinhos dos Cinetas eram os Cempsos, estando pois estes últimos a sul dos Sefes e, sendo mais numerosos – eventualmente pelo número de povos que arrastaram – tenham acabado por exercer alguma hegemonia política, ao ponto de serem eles a nominar os novos povoados e, alcançando o Mondego, “cercarem” pelo norte e pelo sul os Sefes.

Menos numerosos, os Sefes estabeleceram-se na Baixa Estremadura, onde partilharam os campos e as colinas com a grande coligação dos Cempsos, mas sem se unirem ou submeterem, pois Avieno identifica-os claramente. De onde vieram? De leste claramente não vieram, pois aí estão instalados os povos que a História conhecerá por Lusitanos. Do norte também não é provável, pois esse movimento impediria o êxodo dos Estrímnios aquando da “Invasão das Serpentes”. Resta-nos a via marítima, o largo oceano onde o Tejo se derrama…


O mar era uma velha e familiar estrada, que sempre trouxera gente ao ocidente peninsular. Por ele tinham viajado os pioneiros neolíticos vindos do Mediterrâneo Oriental. Por ele tinham viajado os homens e as ideias que, da longínqua Bretanha, tornaram possível o fenómeno megalítico no Alentejo Central. Por ele tinham viajado os homens e as mulheres que trouxeram o Campaniforme até Oestrymnis, desde a foz do Reno. E era em Oestrymnis, já na Era do Bronze, que se encontravam os comerciantes do nebuloso norte com os comerciantes do luminoso sul. Há cinco mil anos que o grande oceano era navegado, e há cinco mil anos que Oestrymnis era, no Ocidente, uma das principais razões porque os homens desafiavam esse grande oceano.

Perante isto, não nos custa admitir terem os Sefes alcançado Oestrymnis por mar. Teriam chegado na mesma altura em que os Cempsos, uns por mar, outros por terra. Podemos mesmo, com alguma imaginação, reconstituir os primeiros passos no novo país onde escolhiam viver. Unidos por um objectivo comum e por uma bandeira comum (a serpente) teriam os dois povos pactuado a divisão da terra. Os barcos dos Sefes, subindo o rio Tejo – mais largo do que hoje – muito para além de Santarém, transportavam os Cempsos da margem esquerda para a margem direita, derramando tropas e abrindo novas frentes de combate que rompiam as defesas dos Estrímnios. Era a grande «invasão das serpentes», que vinha pôr fim à civilização estrímnia e marcar uma nova era. Nascia o «País das Serpentes», que os Gregos, informados da lenda, traduziriam depois para Ophiussa.

Mas quem eram afinal estes Sefes que partilhavam com os Cempsos as colinas e os campos de Ophiussa? Qual a sua proveniência? Vinham da Europa do Norte ou do Mediterrâneo? Temos razões para acreditar virem do Mediterrâneo, acompanhando a colonização fenícia do Mediterrâneo ocidental, pois o surgimento quase simultâneo dos dois povos nas costas ocidentais da península não pode ser simples coincidência.

O etnónimo “Sefes” tem sido motivo de grande controvérsia. Escavando hipotéticas raízes célticas, ainda embebido pela «Teoria das Invasões» de Bosch-Gimpera, conseguira S. Lambrino ligar os Sefes, embora sem grande convicção, com o topónimo Sefulae do nordeste da Gália. Mais nos parece a nós, olhando o mito da Invasão das Serpentes, que é no hebraico tsefah «serpente» que devemos procurar a origem do etnónimo “Sefes”. Entre as doze tribos de Israel a serpente era o eterno símbolo dos Filhos de Dan, que lhes fora transmitido por Jacob no seu leito de morte:

Dan será a serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo e faz cair o seu cavaleiro por detrás.

Génesis, 46:17

De regresso a Canaan depois do êxodo egípcio, as sortes lançadas por Josué foram aziagas para os Filhos de Dan na distribuição dos territórios pelas doze tribos de Israel.

Saiu, porém, pequeno o termo aos filhos de Dan; pelo que subiram os filhos de Dan e pelejaram contra Leshem; e a tomaram, e a feriram ao fio da espada, e a possuíram e habitaram nela: e a Leshem chamaram Dan, conforme ao nome de Dan, seu pai.

Josué, 19:47


A divisão da terra de Canaan entre as doze tribos de Israel não significou que os territórios fossem rigorosos. Na verdade a terra não se encontrava vazia, e os Filhos de Israel, para garantirem a posse da terra que lhes coubera em sorte, tinham primeiro de conquistá-la. Belicosos, fortalecidos na guerra contra os Filisteus (que os historiadores dizem ser seus irmãos de raça) os Filhos de Dan partiram à conquista da cidade de Leshem, situada no extremo norte da terra de Canaan, no território tradicionalmente atribuído à tribo de Neftali. Esse pormenor “jurídico” não impediu a sua conquista pelos Dan. Sendo os habitantes de Leshem Sidónios (Fenícios), não nos custa admitir terem os Filhos de Dan garantido pela força das armas, também contra os Fenícios, o controlo militar de um largo “corredor” que permitia o acesso de Leshem/Dan ao mar. Ficaria este corredor entre o território de Asher e a Fenícia.

Desenvolveu-se uma relação íntima entre os Filhos de Dan e os Fenícios, ao ponto de os casamentos entre homens e mulheres dos dois povos se ter vulgarizado (o celebrado artífice que Hiram, o rei de Tiro, envia a Salomão para o ajudar na construção do templo é filho de um fenício e de uma mulher judia da tribo de Dan). Influenciados pelos Fenícios os Filhos de Dan apaixonam-se pelo mar e pelos barcos. Compreende-se assim o lamento de Débora, a profetiza:

Gilead se ficou dalém do Jordão, e Dan, por que se deteve em navios?

Juízes, 5:17

Sabemos que os Filhos de David combateram ao lado do rei David, em Hebron, onde forneceram vinte e oito mil e seiscentos combatentes, e quando David era já idoso «e cheio de dias», na altura em que fez Salomão, seu filho, rei de Israel, os Dan ainda viviam em Canaan, pois um dos seus príncipes, Azarel, está presente na cerimónia de coroação. Reinou Salomão 40 anos, e sucede-lhe seu filho, Roboão, que não consegue manter a unidade do reino, tendo apenas a seu lado as tribos de Judá e Benjamim. Por esta altura Dan faz parte das dez tribos rebeldes que coroam Joroboão rei de Israel, no norte, oposto a Joroão, em Judá, no Sul.

Em Crónicas I, contudo, na genealogia dos povos, a tribo de Dan já não figura entre as doze tribos, sendo substituída pela tribo de Levi. Em fins do século IX, princípios do século VIII, os Filhos de Dan não voltam a figurar nos livros dos profetas, pois eles, os mais idólatras de todos, desistiram da nação de Israel. E em 722 a. EC, quando os Assírios, sob o comando de Salmanaser V e depois Sargão II conquistam o reino do norte e destroem a sua capital, Samaria, deportando todos os Israelitas para a Mesopotâmia, os Filhos de Dan já tinham partido.

Acreditamos que terá sido durante o reinado de Hazael, rei de Aram-Damasco (842-805 a. EC) que os Filhos de Dan, habitando a mais setentrional das cidades de Israel, sempre sujeitos aos ataques e às pilhagens do Arameus, comprimidos num minúsculo território que não oferecia segurança para as populações, terão procurado protecção no país dos cedros.

O rei de Tiro era, por esta altura, Pummayyaton (o conhecido Pigmalião da mitologia grega), que reinaria entre os anos de 831-785 a. EC. Era lendária a índole guerreira dos Filhos de Dan, e a Pigmalião não interessava ter nas suas fronteiras (eventualmente dentro do seu país) gente tão perigosa. Havia que fazê-los partir, e o mar apresentava-se como a melhor solução. Não deixa de ser significativo ser exactamente no reinado de Pigmalião que Tiro se lança decisivamente na colonização do Mediterrâneo ocidental (Cartago, a mais famosa das suas colónias, é fundada – segundo a lenda – em 825 a. EC, pela irmã de Pigmalião, Dido).

A denominada Pedra de Nora, encontrada na Sardenha, com uma inscrição fenícia, dá-nos a conhecer alguns dos pormenores dessa colonização do Mediterrâneo ocidental, que esteve longe de ser pacífica, como durante muito tempo foi admitida. Por essa inscrição, onde aparece o nome de Pummayyaton sob o hipocorístico Pummay, ficamos a saber que o general fenício Milkaton, filho de Shubna, general do rei Pummay, combateu com o seu exército os Sardenhos em Tarshish, vencendo-os e alcançando a paz.

Havendo hoje alguma unanimidade entre arqueólogos e historiadores quanto à fundação quase simultânea das colónias fenícias no Ocidente, é lícito supor que a realidade que encontramos na Sardenha (um poderoso exército fenício vencendo os autóctones e conquistando o país) se tenha repetido noutras paragens onde Tiro decidira fundar as suas colónias, e onde as relações com os autóctones se revelavam conflituosas.

Em Cartago diz-nos a lenda que Dido, tendo partido de Tiro em 825 a. EC, se estabeleceu primeiro numa ilha, fortificando-a, e que durante onze longos anos Fenícios e Líbios se combateram, até a paz ser por fim alcançada e Dido obter permissão para fundar Cartago, em 814 a. EC. O estabelecimento no sul da Península Ibérica esteve igualmente longe de ser pacífico, e Gadir, a celebrada colónia ibérica, numa ilha, foi segundo Estrabão uma terceira escolha, depois de verem goradas as anteriores tentativas, em Onuba e em Sexi, onde seguramente terão sido combatidos pelas populações locais.

Mesmo em Tartessos, onde a colonização fenícia foi intensa, com Fenícios e Tartéssios beneficiando mutuamente da estreita relação, a rivalidade entre os dois povos terá sempre existido. Os autores latinos Justino e Macróbio descrevem inclusivamente algumas guerras entre os Tartéssios e os Fenícios, especialmente os de Gadir. Diz-nos Justino que os povos que viviam perto de Gadir (i. é, os Tartéssios) tinham muita inveja da nova cidade que nascia, e que atacaram os Gaditanos, que pediram ajuda aos Cartagineses, que vieram socorrê-los, acabando por conquistar uma grande parte da Hispânia.

É pouco provável que por esta altura Cartago, também acabada de ser fundada, tivesse condições para, por si só, socorrer Gadir. Mas se equacionarmos a presença de mercenários a soldo de Cartago, eventualmente numa altura em que já reinava a paz entre Fenícios e Líbios, então não nos custa admitir a transferência desses mercenários do Norte de África para a Península Ibérica.

Através da realidade púnica conhecemos bem a organização e a estrutura militar dos exércitos fenícios. Em Cartago os mercenários foram sempre preponderantes. Recrutados entre os Líbios, os Gauleses, os Iberos, os Celtiberos e os Lusitanos, com eles combateu Cartago na Primeira e na Segunda Guerras Púnicas. Com eles conquistou Amílcar Barca o seu império ibérico. Com eles marchou Aníbal Barca pelos Alpes, com os seus elefantes de guerra, para desafiar Roma na sua própria casa.

Quando Pigmalião se lança na colonização do Mediterrâneo Ocidental, nas suas frotas seguem centenas de navios, uns transportando os colonos com as suas famílias, os outros transportando os homens de armas que irão proteger as novas colónias. Temos razões para crer que esses homens de armas serão na sua maioria mercenários, soldados de fortuna que seguem acompanhados das suas famílias... gente que os azares da guerra tinha feito convergir ao reino de Pigmalião. São os Filhos de Dan, a mesma raça de guerreiros que gerara Sansão, o maior de todos os heróis hebreus, mas que, isolada no norte e diante da fúria de Hazael – que recriava o império arameu devorando a terra de Israel – se sentia incapaz de garantir a segurança das suas famílias. Emigrava agora, acompanhando os colonos fenícios, para sempre se perdendo a sua memória entre os Filhos de Israel.

Acreditamos que a última guerra guerra travada pelos Filhos de Dan por conta dos Fenícios tenha sido exactamente a que Justino nos descreve, e que os opõe a um dos povos tartéssios (que só podem ser os Cempsos, pois de outro modo não se compreenderia o seu êxodo). Derrotados estes pelos exércitos mercenários dos Fenícios, expulsos da grande ilha de Cartare, na foz do rio Guadalquivir (do que resultou a rápida ascenção da cidade de Tartessos, eventualmente neutra durante o conflito, e por isso escolhida como interlocutora privilegiada), os Filhos de Dan resolvem instalar-se por sua conta. Acabarão por escolher o ocidente peninsular, que conquistarão, lutando desta vez ao lado dos homens que combateram.

Os viajantes gregos guardarão para o futuro o nome que dão a si mesmos – Sefes, «as Serpentes» – porque assim os designara o pai de Dan, Jacob, mas também porque a serpente era, desde Moisés, a imagem totémica dos Filhos de Israel, o único ídolo admitido por D-us ao povo eleito.


E disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente ardente, e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo o mordido que olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal, e pô-la sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal, e ficava vivo.

Números, 21:8-9

Autorizada por Dêus, abençoada por Moisés e materializando a profecia de Jacob em relação à sua tribo, a serpente de metal terá sido especialmente acarinhada pelos Filhos de Dan, que a tornaram seu estandarte. A serpente prestigiava-os igualmente junto dos Fenícios, ou não fosse ela uma das representações de Baal e símbolo da sabedoria divina... Baal, o deus que eles sempre tinham adorado, e a que se tinham definitivamente rendido, esquecendo Iavé. Mas como podiam eles ter resistido ao chamamento do mais antigo dos deuses de Canaan, tão isolados no norte da terra de Israel e tão perto dos Fenícios, se mesmo Salomão, com toda a sua sabedoria, não fora capaz de o fazer?

Ao contrário dos Cempsos, não temos um conhecimento exacto dos povoados onde os Sefes se instalaram depois da conquista do novo país, mas a matriz orientalizante de Santarém, o seu nome primitivo (Scalabis) e a lendária antiguidade da sua comunidade judaica, fazem-nos equacionar ter sido este povoado, localizado num planalto implantado no mesmo maciço calcário estremenho que já merecera a atenção dos pioneiros neolíticos, terá merecido igualmente a sua atenção e terá sido um dos locais onde se terão instalado. Não deixam de ser curiosas as analogias entre Scalabi(s) e Saalabin (uma cidade dos Filhos de Dan, em Canaan) e entre Balatha (designação árabe do Ribatejo e Oeste, mas herança muito antiga) e Baalath (localidade e região dos Filhos de Dan, mas também a forma feminina de Baal, o deus da fertilidade).


Não se sabe ao certo quando o corónimo Sefarad passou a designar Península Ibérica, embora muitas hipóteses se tenham avançado até hoje. Tudo indica ter sido a tradição rabínica medieval a consolidar o corónimo, designando deste modo a península onde os Judeus viviam a sua Idade de Ouro. No livro de Obadias, Sefarad designa o local onde se encontram os cativos de Jerusalém:
E os cativos deste exército dos filhos de Israel, que estão entre os cananitas, possuirão até Jarefath; e os cativos de Jerusalém, que estão em Sefarad, possuirão as cidades do sul.

Obadias, 1:20

Pensamos que nunca foi equacionada, pela sua obviedade, a ligação entre o etnónimo Sefes e o corónimo Sefarad. A verdade é que, na nossa preocupação de celticizarmos os Sefes, nunca conseguimos abrir o nosso espírito a outras possibilidades... e a etimologia de Sefarad foi sempre uma incógnita. Mas se no hebraico juntarmos o substantivo “tsefah” (serpente) e o verbo “radah” (dominar, governar), teremos um corónimo Tsefarad, Sefarad (= O Domínio das Serpentes). É afinal o mesmo corónimo que os Gregos traduziriam por Ophioussa, com o mesmo significado, «O País das Serpentes», o país que os Sefes/Filhos de Dan renomearam e onde definitivamente se instalariam.

Quando no Atlântico muitos buscam, de forma fantasiosa, os Filhos de Dan entre os Dinamarqueses (Danmark), os ingleses (Lon-Dan) ou os irlandeses (Tuatha dé Danan, do Livro das Invasões), mais crível seria o corónimo Lusitânia, cuja origem é um mistério, ser apenas uma deturpação de Luzidanya, onde o primeiro elemento, Luz, designa a Cidade dos Imortais na tradição hebraica (onde o Anjo da Morte não consegue entrar e para onde o rei David se teria retirado no final da vida e onde ainda vivia) e um osso da coluna, indestrutível pelo Homem, pelo Tempo ou pelos elementos, e o eixo da ressurreição. Eterna evocação dos Filhos de Dan, o corónimo Luzidanya, o nome hebraico de Portugal, perpetuaria a memória da tribo perdida de Israel que ganhara raízes no Ocidente europeu.

Mas as nossas balizas são os factos históricos, não as fantasias. E os factos históricos apontam claramente para que os Filhos de Dan, refugiados no país dos cedros aquando das ferozes campanhas militares de Hazael contra Israel, tenham sido recrutados como mercenários por Pigmalião, seguindo com as suas famílias nas frotas fenícias onde seguiam os homens e mulheres de Tiro que iam colonizar o Mediterrâneo Ocidental. Com o nome de Sefes (=As Serpentes) acabariam por se estabelecer no ocidente da Península Ibérica, onde aliados aos Cempsos conquistariam o país que Avieno nos diz chamar-se Ophiussa, «País das Serpentes». Este corónimo será apenas uma tradução de Sefarad, o nome que na sua língua deram ao país onde definitivamente se instalavam.



Hoje poucos conhecem (e muitos recusam conhecer) o mito fundador da nossa terra ocidental, onde os Filhos de Dan, uma das doze tribos de Israel, fortemente aculturados pelos Fenícios, desempenharam um papel determinante, deixando para o futuro uma pegada histórica e genética no território que é hoje Portugal.

Oitenta gerações de homens e mulheres, vinte longos séculos, permeiam entre o nascimento de Ophiussa e o nascimento de Portugal. Dir-se-ia que a plaina do tempo, arrancando lascas sobre lascas à memória dos vivos, teria feito desaparecer o mito fundador, a lenda da Invasão das Serpentes. Surpreendentemente a tsefah, «a serpente», símbolo e estandarte dos Filhos de Dan (os Sefes), iria sobreviver através dos tempos, ressurgindo sob a forma da serpente alada (o dragão), oficialmente o timbre dos reis de Portugal desde D. João I, embora um documento apócrifo atribua a sua adopção a Afonso Henriques, que teria recuperado a «serpente de Moisés» e a usaria como símbolo pessoal (já fora símbolo pessoal dos reis suevos, que a tinham copiado do «draco» das legiões de Marco Aurélio, no tempo em que os Quados combatiam Roma nas Guerras Marcomanas).

É no Mosteiro da Batalha que podemos encontrar as mais antigas representações do dragão em terras portuguesas. Está presente na chave da abóbada na Capela do Fundador, e numa pedra de armas sobre a porta sul da Igreja. Em ambas surge o dragão representado de frente. No selo real, porém, o dragão só se irá impôr a partir de D. Afonso V (num selo de chancelaria deste soberano, apenso a um documento datado de 1450, surge-nos o dragão, de perfil, bem visível e expressivo).



Com D. Manuel I, um dos maiores cultivadores do património heráldico português, as armas reais adquirem belíssimas representações. No armorial designado por «Livro da Torre do Tombo» temos uma explêndida iluminura, o padrão oficial das armas do rei de Portugal, com o dragão de ouro, de frente, olhando à esquerda do observador. Esta é a melhor fonte para conhecermos a cor do dragão do rei de Portugal – ouro, o mais nobre dos metais – e não verde como alguns o representarão mais tarde, erroneamente.

Já no século XV se sabia no estrangeiro que o dragão era a cimeira do rei de Portugal, e por extensão o símbolo do país, com vários armoriais representando este animal fantástico, de ouro ou prata, sempre enqunto símbolo de Portugal. Assim acontece no Armorial Equestre do Tosão de Ouro e da Europa (c. 1450), onde uma espectacular figura de cavaleiro – o Roy de Portighal – tem como timbre, sainte da sua coroa aberta, um dragão de ouro, posto de frente, com os seus membros visíveis. O mesmo se repetirá nos armoriais de Clemery (século XV), Donaueschigen (1433), Grunenberg (1483), Schnitt (século XV).


No século XVI D. Sebastião é o último rei a representar o dragão como timbre da monarquia portuguesa e de Portugal. Mas no século XVII, restaurada a independência, numa curiosíssima estampa da obra Lusitania liberata ab injusto Castellanorum, datada de 1645, vê-se um dragão possante, coroado com a coroa real fechada, atacando e vencendo um leão – o dragão português vencendo o leão espanhol. Este simbolismo do dragão, finalmente identificado com a nação portuguesa e não só com os seus reis, está bem patente numa brilhante metáfora de um dos sermões do padre António Vieira, que nos confirma o dragão nas armas de Portugal no século XVII.

Eu não direi que S. João no seu Apocalipse levantou figura aos que nascem em Portugal; mas há muitos dias que naquelas suas visões de Patmos tenho observado uma notável pintura, na qual estão retratadas ao vivo as fortunas ou influências deste fatal nascimento:

Signum magnum apparuit in coelo mulier amieta Sole, et Luna sub pedibus ejus, et in capite ejus corona Stellarum duodecim: et in utero habens, clamabat parturiens. Visum est et aliud signum in coelo: et ecce Draco magnus: et Draco stetit ante mulierem, quae erat paritura; ut cum peperisset risset filium ejus devoraret.


Esta é em suma a história da visão, na qual diz o Evangelista, que viu primeiramente uma mulher vestida do Sol, coroada de Estrelas, e com a Lua debaixo dos pés, a qual estava de parto, e dava vozes. E que logo apareceu diante desta mulher um grande Dragão, o qual com a boca aberta, estava esperando que saísse à luz o filho para lho tragar e comer, tanto que nascesse. Infeliz menino, antes destinado às unhas e dentes do Dragão, que nascido! Mas que Dragão, que mulher, e que filho é este? O enigma é tão claro, que pelas figuras sem letra se pode entender. A mulher vestida de luzes, o mesmo nome diz, que é a Lusitânia: as luzes são as que ouvistes o ano passado; e o ter a Lua debaixo dos pés, é a maior expressão da mesma figura; porque a Lusitânia foi a primeira em toda a Espanha, que sacudiu o jugo dos Sarracenos, e tantas vezes então, e depois meteu debaixo dos pés as Luas Maometanas. O parto, que a fazia bradar, são os filhos, ou partos da Lusitânia, não todos, senão aqueles com quem ela dá brado no mundo. E o Dragão, finalmente já preparado para tragar esses filhos, é aquele mesmo Dragão que Portugal tem por timbre das suas armas; porque é timbre da nossa Nação, tanto que sai à luz quem pode luzir, tragá-lo logo, para que não luza. De maneira que a mulher e o Dragão em tão diferentes figuras, uma humana, outra sem humanidade, ambas vêm a ser a mesma coisa; porque como mulher pare os filhos, e como Dragão os traga depois de nascidos.

Padre António Vieira
Sermão de Santo António

Até ao fim da monarquia a serpente alada (dragão) estará sempre presente, nas diversas representações heráldicas portuguesas (no mobiliário real, por exemplo, como pode ser verificado no Palácio da Ajuda). Uma das mais notáveis representações, contudo, é o Carro Triunfal, o coche da embaixada ao Papa Clemente XI, que fazia parte do conjunto de cinco coches temáticos e dez de acompanhamento que integraram o cortejo da Embaixada enviada pelo rei D. João V ao Papa, em 1716. Alusivo ao tema da coroação de Lisboa, capital do Império, vitoriosa na defesa da Fé cristã.



O exterior apresenta caixa aberta forrada a seda vermelha, decorada com esculturas de talha dourada, em estilo barroco. No jogo dianteiro apresenta uma alegoria em que um génio parece conduzir o carro, tendo a seu lado as figuras simbólicas do Heroísmo e da Imortalidade. No cabeçal, do jogo traseiro, a figura de Lisboa coroada pela Fama e pela Abundância que segura uma elegante cornucópia de flores e frutos. Aos pés de Lisboa, o dragão alado, símbolo da Casa Real, quebra o crescente muçulmano, perante a figura de dois escravos agrilhoados, que representam a África e a Ásia.

Com a revolução republicana toda a simbologia monárquica e todos os simbolos que estavam relacionados com a monarquia são varridos. São vandalizados os monumentos e as coroas arrancadas. A bandeira nacional, a liberal, bipartida de azul e branco, será substituída por outra, igualmente bipartida, agora de vermelho e verde. De igual modo a serpente alada, o dragão, que Afonso Henriques tornara seu símbolo pessoal, se iria perder.

Mas não acreditamos que a Serpente de Moisés, presente no território português desde c. 800 a. EC., quando os Filhos de Dan/Sefes aqui aportaram nos seus navios, se tenha perdido para sempre. A serpente e o dragão fazem parte do nosso simbólico, fazem parte da História de Portugal. Este é, afinal, o País das Serpentes, a terra de Ophiussa.

Samuel Galazak

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Aprendam e deixem-se de fantasias celtas .


De qq modo , Cumprimentos da Lusitânia , Terra da Luz , a OFIÚSSA .

Rogério Maciel


NOSSA RESPOSTA

Olá Maciel, bom dia!


Caro amigo, que bom você ter feito essa crítica. Saiba que estou também aprendendo sobre a cultura celta. Não sou e nem tenho pretensões a ser dona da verdade.


O caro amigo há de convir que, hoje, podemos contestar muito do que nos foi ensinado nos bancos escolares que freqüentamos.


Saber que estamos na mira de pessoas como você, criteriosas, conhecedoras e ávidas de sabedoria e justiça é que nos impulsiona cada vez mais à pesquisa e ao desenvolvimento de um trabalho sério e honesto.

Agradeço muito a sua "aula" e gostaria de convidá-lo às críticas desse nosso bloguinho humilde, despretensioso, mas que vem conquistando leitores. O espaço também é seu e estou aqui à sua disposição para receber suas tão positivas críticas.


Aprender também é arte e estamos nessa escola da vida como alunos. Já dizia o grande filósofo: - "Quanto mais sei, mais sei que nada sei".


Peço permissão para publicar o seu e-mail e mais uma vez agradeço pela sua atenção.


Um forte abraço carinhoso (sem machadadas, ou foiçadas) dessa sua mais recente amiga e admiradora;


Hyllanna

domingo, 6 de fevereiro de 2011

OUTROS CASTELOS INTERESSANTES

CASTELO MANDERLEY

Castelo Manderley
O Castelo Manderley, também denominado como Castelo Vitória ou como Castelo Ayesha, localiza-se em Killinney, a doze quilômetros de Dublin, em Killiney na Republica da Irlanda.
Foi erguido em 1840 por Robert Warren, que o denominou Castelo Vitória em homenagem à coroação da Rainha Vitória.
O castelo, em estilo neogótico, sofreu um incêndio em 1924. Em 1928, Sir Thomas Power procedeu-lhe trabalhos de restauração, tendo mudado o seu nome para Castelo Ayesha, que em língua árabe significa "flor".

Esse castelo eu achei muito interessante e um detalhe: É onde a Enya mora, hehehee
Vive mal a coitada, não?...



CASTELO RATHFARNHAM



Castelo Rathfarnham

O Castelo de Rathfarnham (em irlandês: Caisleán Rath Fearnáin) localiza-se em Rathfarnham, no Condado de Dublin, na República da Irlanda.


O primitivo castelo apresentava planta quadrangular em quatro pavimentos com torres que se projetavam em cada vértice. As paredes tinham, em média, cinco pés de espessura. As extensas alterações na estrutura, promovidas no século XVIII, acarretaram-lhe feições em estilo grego, dando-lhe a aparência de uma casa moderna.


No pavimento térreo existem dois compartimentos abobadados, separados por uma parede de quase dez pés de espessura, que se ergue a plena altura do castelo. No nível do corredor de entrada, encontram-se as salas da biblioteca e da recepção, e acima destas, o salão de bailes, posteriormente convertido em capela.


A Norte do castelo existia uma longa câmara abobadada anteriormente conhecida como Câmara ou Forte de Cromwell. A sua função, aparentemente, era a de um celeiro ou de armazém construída com relação à fazenda do castelo e como o próprio castelo apresentava estreitas aberturas em suas paredes de cinco pés de espessura. Em 1922, ela foi incorporado à nova casa de retiro, com a qual passou a formar o pavimento térreo, e a sua natureza oculta do exterior por uma cobertura uniforme de revestimento de cimento.


Não longe do clube de golfe existiu um pequeno e atraente templo construído em pedra e tijolos, outra relíquia da ocupação da época de Rathfarnham por Lorde Ely. Ainda se encontrava necessitando de reparos, mas assim que fosse restaurada, aumentaria em muito o charme desta parte do conjunto. Infelizmente por decisão do comitê, foi demolida em 1979. Outra perda considerável foi a remoção, à época da venda da propriedade pela Companhia de Jesus, em 1986, dos vitrais da capela, de autoria dos estúdios do famoso Harry Clarke.


A lenda do fantasma do castelo

Uma das mais curiosas lendas sobre o Castelo de Rathfarnham é a que refere o esqueleto de uma mulher, encontrado no interior de uma das paredes do pavimento intermediário em 1880. É certo que ele se encontrava ali há mais de cento e trinta anos.
Acredita-se que ela tenha sido trancada em um compartimento secreto numa das salas, durante um baile. Dois de seus pretendentes estavam discutindo sobre o seu amor e decidiram acertar as suas diferenças por meio de um duelo. O vencedor salvaria então a virgem de seu confinamento na parede. Mas, tendo acontecido a morte de ambos, um por afogamento e o outro das feridas recebidas, e tendo o acontecido se processado em segredo, a infortunada dama acabou sepultada viva na parede, aonde veio a falecer.

O vestido de seda do cadáver encontrado em 1880 foi transformado em almofadas. Alguns acreditam que o seu fantasma ainda assombra o salão de baile do castelo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

LEAP CASTLE



Você já viu um fantasma? Eu já!
E apesar do medo danado que senti na hora, foi uma experiência fantástica!
Se tem uma coisa que a Irlanda tem é fantasma. Quer dizer, a Irlanda e a Europa toda, né?
Mas a gente vai direto ao ponto. Uma de nossas paradas foi no Castelo Leap, considerado o mais assombrado da Irlanda e por isso, merecedor de um artigo à parte. Nele já estiveram várias equipes de paranormais tentando constatar suas atividades fantasmagóricas e, dentre os muitos, os famosos "Caçadores de Fantasmas".

A história desse castelo é sinistra e muito longa. Foi um dos últimos redutos irlandeses a cair diante dos ingleses no século XVII.


Era propriedade dos O'Carrolls, e uma disputa de família levou à uma briga entre irmãos.
Um dos irmãos era padre e celebrava uma missa na capela do castelo, quando o irmão rival entrou e o matou com um golpe de espada. O padre caiu sangrando e morreu no altar, escandalizando a família que presenciou toda a cena.
Essa capela ficou conhecida como a Capela Sangrenta e é um dos pontos mais assombrados do lugar (embora os moradores da região acreditem que a área que cerca o castelo é também muito negativa).
Em uma obra, encontraram uma porta na capela, uma espécie de alçapão.
Agora, olhe os requintes de crueldade!
Pessoas eram jogadas nesse buraco e deixadas para morrer. Se a queda não as matasse, elas ainda passariam vários dias morrendo de fome e sede sobre um amontoado de corpos mal cheirosos.
Tudo isso, vendo e ouvindo os passos das pessoas acima delas e sentindo o cheiro da comida que era preparada. Uma janela as permitia ver as pessoas que podiam sair e entrar no castelo livremente.
Em 1900, limparam esse buraco e foram preciso três carroças para retirar todos os ossos. Um relógio de bolso de 1840 foi encontrado nas ossadas.O castelo mudou de donos, foi atacado pelo IRA quando passou para as mãos de uma família inglesa, pegou fogo e sempre manteve seu histórico de desgraças, acidentes bizarros e aparições.
Uma das donas inglesas afirmou ter sentido alguém tocar seu ombro e quando olhou, viu um ser inumano, do tamanho de uma ovelha, cujos olhos eram órbitas grandes e negras, como se estivessem em decomposição. E ele exalava um odor nauseante de um corpo putrefato. Este ser, já avistado antes, é tido como um elemental, mas particularmente, eu acredito ser um dos espíritos que morreu no buraco.
Um dos donos foi informado que pessoas eram emparedadas em sua sala. Incrédulo, mandou derrubar a parede. E, para sua surpresa, três esqueletos foram encontrados. Ele mandou emparedar de volta, dizendo que se seus ancestrais tinham feito aquilo é porque tinham tido um motivo (tudo gente boa!...).

Conforme o castelo mudava de mãos, os novos donos iam sofrendo acidentes bizarros, morrendo de gangrena ou simplesmente morrendo.
Até 1990, quando o castelo foi vendido e o novo dono apostou numa reforma total (ele estivera fechado por 70 anos, e moradores da região viam as janelas se iluminarem de noite, como se um monte de pessoas com velas tivessem entrado de repente...).
Um acidente misterioso durante a obra fez o novo dono ir para o hospital e a obra atrasou em um ano. Depois desse período, ele, teimoso, voltou.
Outro acidente bizarro o fez quebrar os quadris, mas não impediu a reforma. Em 1991, um batizado da filha do dono. Pela primeira vez em séculos, a Capela Sangrenta se encheu de música, alegria e risos. Nenhum incidente aconteceu nesse dia.