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domingo, 15 de maio de 2011

O DIRETOR MEL GIBSON



Um dos maiores astros do cinema, Mel Gibson conseguiu provar que seu talento não se restringe unicamente aos seus brilhantes olhos azuis.
Ao contrário do que muitos pensam, Mel Gibson não é somente mais um ator pop em meio a centenas de outros em Hollywood.







Obviamente o ator é marcado por inúmeros papéis canastrões e heróicos, mas que provavelmente por causa da ingrata chegada da idade, acabou crescendo e muito em suas performances, deixando um pouco de lado seus personagens típicos das grandes atrações pipoca que constam em seu currículo.



Além de algumas surpresas nas telonas com personagens de tom sério e dramático, Gibson, nas quatro vezes em que decidiu atuar atrás das câmeras como diretor, por três vezes marcou de maneira intensa a quem estava atento ao seu trabalho, mas isso, comentaremos mais tarde.
Para começar, podemos definir Mel Gibson com uma única e inegável característica, a evolução.




O Começo



Mel Gibson é de fato americano indo contra ao que muitos acreditavam quando sempre atribuíram sua nacionalidade como australiana.



Seu nome, inspirado por um santo irlandês (Saint Mel) Mel Columcille Gerard Gibson, filho do funcionário ferroviário Hutton Gibson com a irlandesa Anne Reilly Gibson, nasceu no dia 3 de janeiro de 1956 no estado de Nova York em Peekskill e é o sétimo filho do casal entre onze irmãos. Mas aos doze anos, após seu pai ter ganho uma ação judicial contra seu ex-empregador, a família se muda para a Austrália de modo a amenizar sua condição financeira.



Tudo indica que outro dos fatores decisivos pela opção da mudança foi para evitar que o filho mais velho do casal fosse enviado para o Vietnã.
Na Austrália foi para a universidade de New South Wales, onde reza a lenda que foi companheiro de quarto de nada mais nada menos do que Geoffrey Rush.



Coincidência ou não, Mel Gibson acabou enveredando para as artes cênicas, e depois de uma temporada com a companhia de teatro de Sidney, começou sua carreira na dramaturgia em produções pouco conhecidas como The Sullivans em 1976, Summer City em1977 e Tim em 1979, mas que enfim, chamaram atenção de pessoas que o escalaram para o drama ambientado na primeira guerra mundial, Gallipoli de 1981, dirigido pela lenda Peter Weir.




Bem, estamos aqui para falar de seus dotes na direção, mas seria inevitável mencionar seu próximo trabalho, mesmo porque, sem Mad Max, provavelmente Mel Gibson não teria chegado onde está hoje. Apesar de ser algo longe do gênero no qual atuou em ocasiões anteriores, Mad Max de 1979, filme dirigido por George Miller com foco mais no público das típicas atrações pipoca, elevou seu nome a um patamar de um astro pop. Mad Max acabou por se tornar uma franquia que ganhou mais dois filmes nos anos de 1981 e encerrando a série com Mad Max Além da Cúpula do Trovão em 1985. Mad Max nada mais é que um conto de vingança que se estendeu por mais dois filmes, e a princípio traz em foco o policial Max Rockatansky, que sai a caça de um grupo de motoqueiros que assassinaram sua família e tudo isso ambientado em um mundo pós-apocalíptico.



E como muitos devem saber, personagens como este último fizeram com que Mel Gibson entrasse para outra popular série de filmes dos anos 80, Máquina Mortífera, no qual eternizou o policial canastrão Martin Riggs, que por incrível que pareça, teve uma química impressionante ao atuar ao lado do veterano Danny Glover, (Roger Murtaugh).



Máquina Mortífera rendeu quatro filmes (1987-1998) todos com direção de Richard Donner.

No decorrer de sua carreira, Gibson se demonstrou versátil a muitos desafios, e estrelou inúmeras produções dos mais variados gêneros se saindo muito bem na maioria delas.



Como ator, salientamos outros de seus trabalhos como, Teoria da Conspiração, a comédia Maverick, o suspense/drama (e quem diria Ficção Científica) Sinais, Eternamente Jovem e Coração Valente. Mas apesar de sua bem sucedida carreira, a atuação não seria a única vocação de Mel Gibson.




Direção




Enfim vamos ao que é de interesse desta seção, ao talento de Gibson por trás das câmeras, a direção.









Como este por sua vez se apresentou no cargo por poucas vezes já que a principio quando ingressou nas atividades relacionadas com a sétima arte seu objetivo se voltava para a atuação, vamos relacionar e avaliar as quatro produções que contaram com sua visão.


4º – O Homem Sem Face (1993)







Um começo discreto na direção na verdade, o que é bem compreensível principalmente para seu debut em outro segmento na área, além de ter estrelado no drama O Homem Sem Face.



Este por sua vez não compromete o início de carreira de Gibson como diretor, apesar de ser um filme mediano sem muita notoriedade em seu meio, o que faz com que o diretor dance segundo a música, neste caso, o roteiro adaptado do romance homônimo de Isabelle Holland de 1972.



Mel Gibson também atua na pele do personagem Justin Mcleod, ex-professor que destruiu sua reputaçãoao ao se envolver em um acidente de automóvel que custou a vida de um de seus alunos e que ainda lhe rendeu um rosto desfigurando, fazendo com que vida se despedaçasse perante o repúdio da comunidade com as suspeitas de pedofilia, sofrendo constantes humilhações de vizinhança.

O desfigurado McLeod e seu pupilo
Mcleod passa a viver como artista free-lance mesmo que ainda em uma vida reclusa durante 7 anos em uma grande residência situada na costa do Maine.
Mas sua vida muda quando conhece o jovem Chuck Norstadt (vivido por Nick Stahl, sim o John Connor de Terminator 3), um garoto cuja enorme gana de aprendizado e a vontade de seguir os passos de seu pai e ingressar na carreira militar faz com que se inicie uma amizade entre ambos, o que obviamente causa certo alvoroço na cidade dado o polêmico passado de Mcleod.



O determinado garoto, desesperado por um tutor disponível no verão americano, sacrifica suas férias para os estudos mesmo perante reprovação de sua mãe e as impertinências de suas irmãs.



Ambos se fortalecem com a ajuda mútua, mas os problemas só aumentam quando a família do garoto e a polícia acusam Mcleod de molestar crianças.



Como já dito, o filme não é nenhum estardalhaço perante a comunidade de cineastas, mas o roteiro que apresenta alguns pontos controversos com o tema pedofilia mas que ao mesmo tempo não abusa do tema, já mostrava que Mel Gibson, ao contrário de sua carreira na dramaturgia, vinha com um certo quê de ousadia na direção. O filme foi elogiado, mas não ovacionado, mesmo porque se trata de um drama regular, mas com boa presença de Gibson e do demais elenco.





3º Lugar – Apocalypto







Sentando na cadeira do diretor pela quarta vez, desta vez, Mel Gibson nos presenteia inesperadamente com uma aventura de ação ininterrupta ambientada na pré-colonização da américa, sob o enfoque da extinta cultura Maia.

O filme começa com uma bela cena de perseguição e caça a uma presa, mostrando o meio de subsistência de uma pacata tribo dos Maias. Tribo que vive em paz e toma como foco a vida do jovem nativo batizado de Jaguar Paw (Pata de Jaguar), que além de um pequeno filho, também é responsável por sua jovem esposa que se encontra grávida.


Mas a tranqüilidade destes chega ao fim quando uma tribo, supostamente mais “civilizada”, invade, saqueia e mata muitos membros da tribo de Jaguar Paw.



A superioridade em termos de estratégia e técnicas de combate dos agressores, apesar da bravura dos homens da pequena tribo, conta e muito para a total subjugação dos mesmos.



Jaguar Paw, um dos mais ágeis guerreiros de sua tribo, luta bravamente contra os invasores e em uma oportunidade consegue esconder sua esposa e filho em um fosso natural, ficando longe dos olhos inimigos.



Pela primeira vez neste filme, vimos uma das características predominantes nas produções dirigidas por Gibson, ação visceral e violência tão bem retratada na tela que chega perto do real.



Os guerreiros que não são mortos em batalha são pegos para sacrifícios humanos em prol de satisfazer os deuses e assim aplaquem as doenças e demais problemas pelo qual passa a imensa população desta tribo, enquanto as mulheres são vendidas como escravas para os abastados naquela sociedade. Mais uma vez Mel Gibson nos rende momentos de pura tensão nas brutais cenas de sacrifícios humanos.



Jaguar Paw escapa por um triz da morte, mas só descobre que a suposta sede saciada dos deuses, somente lhe rendeu mais alguns momentos de vida ao perceber que agora faz parte de uma série de jogos mortais em uma arena de esportes. Jaguar Paw é ágil e mesmo cansado e ferido, somente uma coisa habita seus pensamentos, sua esposa e filho a mercê dos castigos do tempo escondidos em um fosso sem saída. O pensamento lhe rende determinação que o faz escapar de seus captores ao matar um de seus membros, filho de Zero Wolf, líder da casta guerreira inimiga, que toma isso como um assunto pessoal, e empurrado pela sua sede de vingança, ele e mais um grupo de soldados rendem por todo o decorrer do filme, algumas das cenas de perseguição e violência inesquecíveis na história cinematográfica. Jaguar Paw foge pela sua vida e luta contra o tempo para salvar sua família, onde o seu único aliado é a própria selva.



Jaguar Paw
Um show de direção, não só da parte de Mel Gibson, mas como também de fotografia e arte, cujos figurinos e maquiagens, associados como o idioma do filme (todo feito em um dialeto Maia), nos transporta até aquele momento esquecido pelo próprio tempo.



Sinceramente, na minha modesta opinião, um dos melhores trabalhos de Gibson como diretor, que provavelmente não teve seu merecido reconhecimento pelo roteiro básico se comparado aos seus demais trabalhos cujas histórias se ressaltaram como os dois exemplos que restam a seguir, mas a academia ainda lhe indicou a três categorias (Maquiagem, Edição de Som e Som).





2º Lugar – A Paixão de Cristo








Sempre disseram que as provações pelas quais passou um dos maiores ícones religiosos, Jesus Cristo, nunca foram retratadas de maneira fiel.



Pessoas, por vezes devotas e por outras não, sempre mencionaram que o sofrimento causado em Jesus Cristo sempre foi, e por muitas e muitas vezes, amenizado nas clássicas cenas de flagelação e morte através da crucificação. Mas isso durou até Mel Gibson assumir este projeto.



A Paixão de Cristo, retrata através dos olhos de Gibson, as prováveis doze e derradeiras horas deste que foi considerado, um dos maiores “homens” que viveram na terra.
"Jim" Caviezel como Jesus
A história, como muitos já devem saber, é ambientada a cerca de 2000 anos atrás, e mostra com riqueza de detalhes as últimas horas de vida de Cristo, a partir da traição de Judas Iscariotes, um de seus próprios doze discípulos.



Quando preso no monte das oliveiras por soldados a mando de religiosos Hebreus, Cristo é entregue para o governador romano na Judéia, Poncio Pilatos sob a acusação de blasfêmia (e o que consideravam outras heresias), já que se declarara filho do próprio Deus e representava ameaça a estes pelo seus inegáveis milagres.



Os sacerdotes hebreus liderados por Caifás que ainda incitam a turba presente a clamar a pena máxima para Cristo, a morte.



Pilatos percebendo a falta de evidências de um crime grave repassa o caso para Herodes, governador da Galiléia que também não encontra nenhum crime em Jesus Cristo, e o devolve para a responsabilidade de Pilatos, que pressionado ainda oferece outro criminoso para a execução, mas ainda fortemente influenciada pelos sacerdotes, a multidão preferem a libertação de Barrabás, um assassino convicto, do que a de Cristo, fazendo com que o governador lavasse as mãos (Literalmente! Dando origem a esta expressão!) deixando um inocente a mercê da vontade de Caifás e cia.

A seguir, mostra-se em uma mórbida riqueza de detalhes, as provações e as horríveis flagelações ao corpo de Jesus Cristo, o torturante caminho até sua execução carregando o seu próprio instrumento de execução, as humilhações e os momentos finais em sua crucificação. Além de Gibson, outros elementos fazem deste um dos grandes trabalhos do diretor e do cinema como por exemplo, a ótima caracterização dos personagens como Maria, que passa para os expectadores, uma dor insuportável ao ver seu filho sob os horrores da tortura até a morte de Jesus, uma grande interpretação da atriz Maia Morgenstern ao lado da italiana Mônica Belucci, que se encarrega do papel de Maria Madalena. Na verdade todos os envolvidos estão muito bem cada qual em seu papel, na encarnação destes personagens que ecoam na historia do mundo há mais de dois mil anos.
O ator americano Jim Caviezel fica encarregado deste pesado e icônico personagem, e realmente nos passa a impressão de tudo o que nos foi dito deste homem desde a nossa infância, alguém que apesar de misericordioso, mostrava tamanha firmeza e coragem nas suas ações. Outros dos muitos destaques neste elenco que vem de muitos cantos do mundo (Romênia, Bulgária, USA, Itália etc…) é a também italiana Rosalinda Celentano, que fica incumbida de nada mais nada menos do que Satã em pessoa.



Enfim, A Paixão de Cristo é um acerto na fotografia, na direção de arte, nas atuações, cenografias, tudo isso muito bem sincronizado pela épica direção de Mel Gibson. Um ponto muito bem observado na produção foi as próprias feições faciais dos personagens, onde a maquiagem acertou em cheio ressaltando mais os rasgos característicos de pessoas do oriente médio, incluindo a maquiagem de Caviezel no papel de Jesus, meio que derrubando a já ortodoxa imagem caucasiana criada e passada através dos séculos. Gibson mostra sua ousadia ao manter os idiomas usados naquele lugar e naquela época (Hebreu, Aramaico, Latim e Italiano)

O filme, quando lançado, foi alvo de polêmicas, tendo em vista que entidades religiosas o consideraram uma verdadeira ode a violência, ainda mais tratando-se de algo tão sagrado e praticamente intocável por escritores e cineastas.



Mel Gibson também não ajudou muito ao ceder declarações contra a comunidade judia, sendo necessário algumas retratações tempos depois.



Em um dos talkshows que contaram com a presença de Gibson, e novamente foi posto contra a parede (apesar de que uma forma mais leve) e disse algo como, “e porque de Kill Bill não falam nada”, trabalho de Quentin Tarantino que como todos sabem, é regado a violência e sangue!
Em suma, uma verdadeira pérola cinematográfica que atende a todos os quesitos de uma verdadeira “masterpiece”.




1º Lugar – Coração Valente






Na minha opinião pode não ser o melhor filme em termos de direção de Mel Gibson, mas quem sou eu contra a crítica mundial e o gosto de milhares de pessoas que afirmam veementemente que, Sim?! Coração Valente é de fato o melhor filme de Gibson, não só como o de diretor, mas firmando-o ainda mais em seu meio como ator.






O filme se passa na Escócia no século XIII e conta a história do homem que iniciou a rebelião dos escoceses contra o domínio britânico.



O jovem William Wallace (Mel Gibson) sente as agruras da opressão desde muito cedo quando ainda criança, perde seu pai e seu irmão para a luta da libertação da Escócia sob o jugo Inglês.



Aparentemente, Wallace não demonstra muito interesse na guerra e passa a viver tranquilamente mesmo que em um lugar sobre o forte domínio da coroa de Sir Edward The Longshanks, o cruel rei inglês. Willian Wallace decide entrar na rebelião quando soldados matam friamente sua noiva na noite de núpcias, e o que um dia foi sua batalha pessoal para saciar sua sede de vingança, torna-se a centelha que acende a chama da luta pela liberdade de seus demais compatriotas.
Willian Wallace acaba se tornando o herói do povo e um nome a ser temido pelos cruéis britânicos.



Cenas de batalhas épicas, roteiro cativante, bons personagens e como sempre as habituais cenas de violência que terminaram por se tornar a sua marca registrada.



A trama de Coração Valente é uma mistura de fatos históricos e alguns mitos que circundaram a vida deste personagem, obviamente inseridos para maior impacto além de romantizar mais o roteiro.





Este que marca como o segundo filme dirigido (e estrelado ao mesmo tempo) por Mel Gibson foi instantaneamente aclamado pela crítica e pelo público, tanto que lhe renderam 10 indicações ao premio Oscar da Academia, terminando a noite com cinco Oscars, entre eles os principais, melhor filme, e o mais que merecido prêmio de melhor direção (além de faturar também os prêmios de melhor Fotografia, Maquiagem e edição de som).



Gibson também foi premiado pelo Globo de Ouro pela direção de Coração Valente.






Filmografia


Como ator
Título original
Título no Brasil
Título em Portugal
Ano


Summer City
O Último Verão
-
1977


Tim
Tim - Anjos de Aço
-
1979


Mad Max
Mad Max
Mad Max - As Motos da Morte
1979




Mad Max 2
Mad Max 2 - A Caçada Continua
Mad Max 2: O Guerreiro da Estrada
1981


Gallipoli
Galipoli
Gallipoli
1981


The Year of Living Dangerously
O Ano que Vivemos em Perigo
O Ano de Todos os Perigos
1982


Attack Force Z
Attack Force Z
-
1982


The Bounty
Rebelião em Alto-Mar
Revolta no Pacífico
1984


The River
O Rio do Desespero
O Rio
1984


Mrs. Soffel
Mrs. Soffel - Um Amor Proibido
O Fogo da Paixão
1984


Mad Max Beyond Thunderdome
Mad Max 3 - Além da Cúpula do Trovão
Além da Cúpula do Trovão
1985


Lethal Weapon
Máquina Mortífera
Arma Mortífera
1987


Tequila Sunrise
Conspiração Tequila
Intriga ao Amanhecer
1988


Lethal Weapon 2
Máquina Mortífera 2
Arma Mortífera 2
1989


Hamlet
Hamlet
Hamlet
1990


Bird on a Wire
Alta Tensão
Na Corda Bamba
1990


Air America
Air America - Loucos pelo Perigo
Air América
1990


Forever Young
Eternamente Jovem
Eternamente Jovem
1992


Lethal Weapon 3
Máquina Mortífera 3
Arma Mortífera 3
1993


The Man without a Face
O Homem sem Face
Um Homem sem Rosto
1993


Maverick
Maverick
Maverick
1994


Braveheart
Coração Valente
O Desafio do Guerreiro
1995


Pocahontas (voz)
Pocahontas
Pocahontas
1995


Ransom
O Preço de um Resgate
Resgate
1996


Conspiracy Theory
Teoria da Conspiração
Teoria da Conspiração
1997


Lethal Weapon 4
Máquina Mortífera 4
Arma Mortífera 4
1998


Payback
O Troco
Payback - A Vingança
1999


The Million Dollar Hotel
O Hotel de Um Milhão de Dólares
The Million Dollar Hotel - O Hotel
2000


Chicken Run (voz)
A Fuga das Galinhas
A Fuga das Galinhas
2000


The Patriot
O Patriota
O Patriota
2000


What Women Want
Do Que as Mulheres Gostam
O Que As Mulheres Querem
2000


We Were Soldiers
Fomos Heróis
Fomos Soldados…
2002


Signs
Sinais
Sinais
2002


The Singing Detective
-
O Detective Cantor
2003


Paparazzi (não creditado)
-
Paparazzi
2004


Edge of Darkness
O Fim da Escuridão
-
2010


The Beaver
Um Novo Despertar
-
2011



Como diretor
Título original
Título no Brasil
Título em Portugal
Ano



The Man without a Face
O Homem sem Face
Um Homem sem Rosto
1993


Braveheart
Coração Valente
O Desafio do Guerreiro
1995


The Passion of the Christ
A Paixão de Cristo
A Paixão de Cristo
2004


Apocalypto
Apocalypto
Apocalypto
2006

sábado, 14 de maio de 2011

ANÁLISE DO FILME BRAVEHEART






O FILME





"Lutem, e pode ser que morram. Corram, e vocês vão viver. Pelo menos por um tempo. E morrendo em suas camas, daqui a muitos anos, vocês vão querer trocar todos esses dias que tiveram por uma chance, só uma chance, de voltar aqui e dizer aos seus inimigos que eles podem tirar nossas vidas, mas não podem tirar nossa liberdade".




Voltemos ao ano de 95, onde chegava às telas o épico Coração Valente (Braveheart).


Um filme que não conta a história de um homem, Wallace, mas sim como ele se tornou um mito. Quer as coisas tenham acontecido assim ou não.

É assim, sob essa visão, que Mel Gibson (que também dirige) cria o clima do seu filme.

O filme vai além do que se sabe na realidade da biografia de Wallace e extrapola toda uma parte da vida dele não conhecida.

Está recheado de batalhas, que é o que a platéia mais irá se lembrar. E apesar de ser marinheiro de primeira viagem, em cenas desse tipo, Gibson fez um excelente trabalho.


As batalhas têm muitos e muitos homens a pé ou em cima de cavalos, e ainda assim fluem de forma quase brilhante ao invés de sair um amontoado confuso de pessoas.



O herói da ação, Gibson, se revelou um grande maestro para essas cenas e, além disso, o filme foi um dos predecessores das técnicas de multiplicação de pessoas por computador, possibilitando assim grandiosas tomadas de batalhas.





A maior parte dos figurantes eram soldados escoceses, o que tornou as cenas muito mais coniventes com a geografia da história (recurso usado recentemente por Peter Jackson em O Senhor dos Anéis, mas por motivos financeiros).


E não é só nas batalhas que Gibson se sai bem, o filme como um todo se sai muito melhor do que se podia esperar.




Isso porque como disse, é um filme que não conta a história, mas mitos.


Ele cria um mundo ficcional baseado na realidade que se torna extremamente divertido de se assistir.


Tanto que as "licenças poéticas" que ele toma passam tranquilamente, assim como as licenças históricas.

Além de ganhar o Oscar de Melhor Filme em 96, Coração Valente arrebatou outras 4 estatuetas nas categorias de Fotografia, Maquiagem, Efeitos Sonoros e de Melhor Diretor para Mel Gibson que, antes deste longa, tinha dirigido somente o drama O Homem Sem Face (que também protagoniza).




Como se não bastasse o fato de ter ditado regras para novos filmes épicos cujas cenas de batalhas fossem o ponto alto da narrativa, o projeto lançou a bela estrela do cinema francês Sophie Marceau (que fez o par romântico de Gibson no filme) ao estrelato mundial.


A moça, que antes emplacava somente no circuito audiovisual de seu país, acabou levando até um papel de Bondgirl, trabalhando posteriormente ao lado de Pierce Bronan e Robert Carlyle em 007 – O Mundo Não É o Bastante.

O diretor, ator e produtor Mel Gibson acaba levando o espectador a uma história bem construída que, mesmo durando 177 minutos, nos segura na poltrona do começo ao fim. Claro que a história real de William Wallace (cuja luta pela liberdade perdurou, na realidade, por 10 anos) foi ampliada para os padrões cinéfilos, mas não deixa de ser surpreendente o quanto a determinação de um único homem pode levar multidões para lutar em prol de uma grande causa.



Cinco Oscars mais que merecidos

As mais belas paisagens da Irlanda, que se tornaram Escócia, podendo ser apreciadas em algumas cenas - pois que, em sua maioria, o set de filmagem estava bem longe dos penhascos a beira do mar da Irlanda – servindo como pano de fundo das ótimas tomadas da película onde repousava o premio de Melhor Fotografia.

Em cada tilintar de espadas e em cada trote de cavalos se ouvia a Melhor Edição de Som.

A brutalidade visceral das guerras do mundo antigo retratada com perfeição assustadora trouxe com a Melhor Maquiagem.

E por esses e muitos outros motivos que não precisam de prêmios para serem reconhecidos, a batalha de William Wallace pela liberdade levou o Oscar de Melhor Filme em 1996, assim como a visão de Mel Gibson para realizar este épico foi considerada a Melhor Direção.


Ficha Técnica


Título Original: Braveheart

Gênero: Épico
Tempo de Duração: 177 minutos

Ano de Lançamento (EUA): 1995

Estúdio: 20th Century Fox / Paramount Pictures / Icon Entertainment International
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation / Paramount Pictures

Direção: Mel Gibson

Roteiro: Randall Wallace

Produção: Bruce Dave, Mel Gibson e Alan Ladd Jr.

Música: James Horner



Direção de Fotografia: John Toll

Desenho de Produção: Thomas E. Sanders

Direção de Arte: Ken Court, Nathan Crowley, John Lucas e Ned McLoughlin

Figurino: Charles Knode

Edição: Steven Rosenblum

Efeitos Especiais: The Computer Film Company / R/Greenberg Associates West, Inc.


Elenco






Mel Gibson (William Wallace)



Sophie Marceau (Princesa Isabelle de França



Patrick McGoohan (Rei Eduardo I)



Catherine McCormack (Murron MacClannough)



Angus MacFadyen (Robert the Bruce)



Brendan Gleeson (Hamish)



David O'Hara (Stephen)



Ian Bannen (Leproso)



Brian Cox (Argyle Wallace)


Gerda Stevenson (Tia MacClannough)


Peter Hanly (Edward, Príncipe de Gales)



Prémios e nomeações












Globo de Ouro 1996 (EUA)
Venceu na categoria de Melhor Diretor - Cinema.
Nomeado nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora.

BAFTA 1996 (Reino Unido)
Venceu nas categorias de Melhor Vestuário, Melhor Fotografia e Melhor Som.
Nomeado nas categorias de Melhor Maquiagem, Melhor Diretor e Melhor Produção de Arte além de ter concorrido ao prémio Anthony Asquith para música de filme.

MTV Movie Awards 1996 (EUA)
Venceu na categoria de Melhor Seqüência de Ação.
Prêmio Eddie 1996 (American Cinema Editors, EUA)
Venceu na categoria de Melhor Edição.


Prêmio Saturno 1996 (Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, EUA)
Nomeado nas categorias de Melhor Filme de Ação/Aventura, Melhor Figurino e Melhor Música.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

WALLACE EM HOLLYWOOD - BRAVEHEART




Quando aparece no trailer ou no início do filme a frase
“baseado em uma história real”
saiba que quase com certeza você não verá a história real.
Se bem que seja difícil achar uma adaptação de livro ou quadrinhos que venha a ser fiel ao original, imagine quando é uma história que pouca gente conhece. Quando o filme é histórico, pior ainda,

pois diversos fatos passarão batidos pelo público se forem modificados.
Historiadores admitem que os filmes atraem a atenção do público em geral

de uma forma que livro nenhum conseguiria,

mas às vezes os erros históricos são grandes demais.

Existem diversas produções famosas

que deixam qualquer historiador babando de raiva.
Mesmo que alguns descendentes do próprio Wallace

tenham participado do filme, alguns pontos do filme dirigido por Mel Gibson fugiram muito do contexto histórico.
Para quem não viu o filme (o que acho difícil),
trata-se de uma biografia de William Wallace.





O mundo do cinema é conhecido como um lugar em que tudo é possível e, em Hollywood tudo pode acontecer e acontece. Voar, caminhar sobre as águas, erguer a mais pesada das rochas e parar no tempo. Nada escapa das possibilidades criativas dos diretores de cinema e especialistas em efeitos especiais.
Um filme histórico é um esforço de imaginação criativa bastante livre em relação às regras que presidem o exercício intelectual da historiografia. Trata-se, portanto, de mais uma leitura dentre diversas outras interpretações possíveis acerca de um dado tema. Sabemos da complexidade da leitura cinematográfica, com todas as especificidades de sua estética muito própria e singular. Como obra de arte, o filme não precisa e nem deve se esforçar por recompor os traços de uma realidade conforme aconteceu no passado.
Quando se diz: "Mas foi exatamente assim que aconteceu." Isto leva a uma discussão sobre o quanto do que "realmente aconteceu" deve entrar no roteiro. Se escrevermos próximo demais da maneira que aconteceu, não estaremos escrevendo um roteiro. Estaremos fazendo um documentário. O melhor conselho que eu já ouvi sobre o assunto veio de um livro maravilhoso sobre dramaturgia chamado "Write That Play" [Escreva Aquela Peça], de Kenneth Thorpe Rowe, publicado em 1939. Ele disse: "A vida deve ser transformada, não transferida." Falou e disse.
A exemplo da literatura, o cinema é uma representação da realidade e pode, também, omitir elementos de complexidade histórica que poderiam esvaziar o impacto visual de uma cena. Mas não será por essas “traições” que os historiadores deverão sair em defesa da revisão dos filmes históricos que supostamente distorcem a “verdade” histórica. E por uma simples razão: um roteiro de cinema é uma obra de arte livre. A história que um roteiro cinematográfico conta não possui nenhum compromisso inarredável com as verdades extraídas de evidências, ou seja, dos documentos históricos. Em boa parte dos casos, os filmes históricos premeditam a banalização do enredo para, apelando a dimensões emocionais do público, intensificar o seu conteúdo. De fato, esse espírito de dramatização de enredos que, aos olhos de hoje, poderiam ser considerados muito banais, conforma- se adequadamente aos necessários arranjos da linguagem cinematográfica.

Assim sendo, não incorrem em erro os que encaram o filme como produto calculista daquilo que se tornou um poderoso ramo da indústria cultural desde os inícios do século passado: o cinema. Há somas vultosas — freqüentemente na escala dos milhões — investidas no financiamento de projetos, na aquisição dos equipamentos de alta tecnologia, na remuneração dos atores e do pessoal especializado, na contratação dos distribuidores mais eficientes, no aluguel das salas de exibição, etc., etc. Girar essa grande máquina é uma “arte” que demanda alguns alentados cifrões, e a palavra mágica nunca deixará de ser uma só: bilheteria.


Entretanto, o cinema é também, e acima de tudo, arte, em sua acepção plena. Se essa arte é capaz de manter uma indústria poderosa e sustentar um rico comércio, não deve ser confundida com eles, como se da mesma coisa se tratasse. Como lembra Roger Boussinot em L’encyclopédie du cinéma, um filme não é um simples “produto industrial”.


As obras cinematográficas são realizadas, muitas vezes, à revelia de alguns imperativos da indústria do entretenimento.
Admitindo-se esses pressupostos, pode-se argumentar que um bom filme histórico deverá ser capaz de recompor os traços característicos do passado em imagens, de modo a provocar a percepção do desterramento do observador.


Um bom filme no gênero será aquele que consiga despertar no espectador certa sensação de transporte para outra dimensão do tempo histórico. De fato, uma das virtudes de um filme histórico como obra de arte e artefato de entretenimento de massas é demarcar as nuanças mais sensíveis entre a época que foi reconstituída e o tempo presente. Denominemos a isso efeito de mimese, ou seja, a imitação ou o esforço de recriação da realidade pela obra ficcional. Mas, como reflete Antonio Candido em O discurso e a cidade, a propósito da literatura, “o sentimento da realidade na ficção pressupõe o dado real mas não depende dele”. Trata-se de uma imitação, mas de uma imitação narrada de maneira que transmita a impressão de uma realidade verossímil, passível de ter realmente ocorrido.


Com o discurso cinematográfico ocorre processo semelhante: a história que se conta não é a história propriamente dita, as coisas como se passaram realmente.
Ao tentar produzir a ilusão de uma realidade passada por meio da representação artística, portanto de uma história real, o filme histórico, para ser bom, deve “forçar” ou guiar o seu espectador ao exercício intelectual de tentar repensar as idéias e o sentido das ações dos personagens do passado contrastando- os com as suas próprias idéias sobre os temas em discussão. Isso significa que um filme histórico pode e deve provocar reações ao fazer virem à tona temas para pensar e discutir na dimensão do tempo presente.
CORAÇÃO VALENTE é dessa linhagem de filmes históricos. Ao combinar biografia e História, ou seja, uma trajetória pessoal contrastada com os valores e com a dinâmica de uma dada cultura, ele recompõe um passado distante de forma convincente. Mas, sem perder de vista o conteúdo de entretenimento da narrativa histórica do filme, não se podem desconsiderar as dimensões presentistas que também orientam a produção desta e das demais obras cinematográficas. E diz-se presentista no sentido atribuído por Benedeto Croce à expressão, o de que toda História é história contemporânea. Isso deve significar que a História narrada em qualquer de suas versões — incluindo a dos filmes — é sempre expressão da sociedade na qual é criada, com as marcas características de sua própria cultura, o que a torna forte candidata ao cometimento de toda sorte de anacronismos.
Aliás, se a escrita da História profissional é concebida pelos próprios historiadores como um exercício calculado de anacronismo, que dizer de uma trama narrada por obras ficcionais? Como afirma o historiador norte-americano Mark Carnes em Passado imperfeito, a História no Cinema, até mesmo os filmes históricos que pretendem retratar o passado são bastante reveladores da própria época de sua produção: “Bonnie and Clyde, 1967, revelava mais sobre sexo nos anos 60 do que sobre gangsters dos anos 30”.
Assim sendo, pode-se afirmar que o cinema não é um empreendimento que objetiva escrever História, que em nome da expressão artística o cinema freqüentemente é um agente de deturpação da história. Como obra de arte, o filme histórico é antes de tudo uma idealização, e seria atitude intelectual ingênua e equivocada esperar encontrar nele a história dos historiadores. Assim é que, diante de um filme histórico, será preciso ficar atento à sua magia, magia esta expressa em sua capacidade de criar a ilusão da realidade.


Ora, o filme molda uma percepção da história que, em diferentes graus, é freqüentemente enganosa. Entretanto, há muito que as relações entre o cinema e a História estão consolidadas; e em diversos níveis, incluindo o didático. E isso é ótimo.


Ao professor que utiliza o cinema como peça auxiliar de ensino caberá a competência teórica para fazer dele um instrumento eficaz.
Coração Valente é o filme que todo mundo já viu e que todo mundo gosta. Quem se importa com o roteiro maniqueísta cheio de furos históricos e preconceitos quando você tem batalhas onde discursos inflamados são feitos antes de carnificinas que são mostradas nos mínimos detalhes?
O vencedor de 5 Oscars, é um épico que tem a duração de aproximadamente 177 minutos. O roteiro, escrito por Randall Wallace (Wallace afirma ser descendente do herói do filme, informação que ele mesmo reconhece não ter como comprovar, mas que também não tem como ninguém dizer o contrário; então tá!...) foi escrito com o intuito de que o filme fosse “baseado em fatos históricos”.
As famosas “licenças dramáticas”, no entanto, permitiram que os kilts fossem usados pelos escoceses em uma época onde não existia essa prática, que colocassem em dúvida a paternidade de um dos filhos do Príncipe de Gales, alegando que ele seria de Wallace quando, na verdade, o guerreiro morreu 10 anos antes, do tal filho ter nascido e, claro, o fato do mesmo Príncipe ser mostrado como um provável homossexual em uma tentativa de provocar uma antipatia no público para com o personagem e seus gestos extravagantes, quando o seu correspondente natural, foi pai de pelo menos cinco crianças. Claro que isso não quer dizer muita coisa, mas não havendo nenhum outro registro de que ele fosse gay, a caracterização foi entendida como homofobia e gerou protestos de grupos homossexuais.
Apesar das batalhas sangrentas, nos momentos de paz o filme toma um clima sublime que mais parece um conto de fadas, um ar de serenidade que é apenas enriquecido com a trilha sonora magistral e repleta de solos de flauta e gaitas de fole composta por James Horner (Avatar), mostrando como seriam todos os dias se o sonho de todos os escoceses fosse realidade, uma palavra que consegue definir 3 horas de filme e a determinação de um líder: LIBERDADE.




Nos primeiros minutos vemos um William ainda pequeno vivendo numa fazenda na Escócia com seu irmão John e seu pai Malcolm Wallace, que depois de um tempo voltam mortos da batalha contra as forças inglesas, deixando o pequeno garoto aos cuidados de seu tio Argyle (Brian Cox), que o leva dalí para viver com ele e ensiná-lo a usar a cabeça para só depois ensiná-lo a usar a espada. Anos depois Wallace retorna a sua terra natal, já um homem formado, conhecedor do mundo e muito culto, além fluente em latim e francês, só desejando reconstruir sua casa, formar uma família com seu antigo amor de infância, Murron, e viver em paz na fazenda que era de seu pai.
Para oprimir mais ainda os escoceses, Longshanks declara regime de Prima Nocte (primeira noite), que consiste em: sempre que houver um casamento, a noiva deve passar a noite de núpcias com um nobre inglês, e não com seu marido. Por esse motivo William e Murron se casam escondidos numa floresta. No dia seguinte um soldado inglês tenta molestar Murron por desconfiar do relacionamento dos dois, que se defendem, porém acabam caçados pelos ingleses, e no meio do alvoroço a moça é capturada e assassinada por um juiz inglês para atrair William. E neste momento a lenda se inicia…



Segundo os historiadores, o rei Edward I nunca instituiu o recurso da primae noctis (que permitia a nobres e oficiais ingleses tirar a virgindade de uma noiva no dia de seu casamento).
Durante o filme os escoceses usam kilts nas batalhas, coisa que não é provável segundo eles.
Outro ponto complicado é o romance entre Isabella e Wallace, porque no período retratado no filme ela era apenas um bebê. Assim como Edward II, que aparece como um adulto no filme e neste período deveria ter apenas 13 anos.
Coração Valente também exagera o problema existente entre Inglaterra e Escócia, pois no século XIII os dois países viviam um período de relativa paz que já durava quase 100 anos e o povo deste país em geral não exigia ser livre dos ingleses.


Não tendo mais motivos para viver em paz ele começa liderando uma pequena tropa, mas a medida que vence as batalhas a tropa ganha mais e mais aliados, se tornando um exército temido lutando pela libertação de uma nação. Por todos os cantos se ouvem rumores do guerreiro William Wallace, que possui 2 metros de altura e pode vencer sozinho mais de 100 homens, claro que não eram verdadeiros, porém eram prova da fama deste nome.

O filme já começa cometendo pecados históricos, mas, como eu disse, esses anacronismos existentes no filme, são detalhes que passam a ser meras curiosidades quando entramos dentro daquele mundo. As batalhas, que ocuparam mais de 90 horas de material gravado, marcaram tanto pela coordenação de um número sem fim de figurantes, do uso de cavalos mecânicos construídos especialmente para a cena (que ficaram tão reais que o diretor foi investigado por associações de proteção aos animais por cenas onde eles são “maltrados”), pelos discursos anteriores as batalhas que viraram moda nos épicos posteriores e, claro, pela violência explícita que passaria a ser uma constante nos trabalhos seguintes do diretor (Paixão de Cristo e Apocalypto). Gibson pode até parecer velho demais para o papel de Wallace (conta-se que ele só interpretou o personagem por exigência da Paramount), mas como diretor o trabalho dele foi preciso (embora alguns contestem): Coração Valente é emocionante, tem boas cenas de ação, boas atuações e, apesar das simplificações que muitas vezes tornam os personagens unilaterais, passa uma bela mensagem sobre viver intensamente e não sujeitar-se a governos tiranos. “FREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEDOM!!!”

(pode até soar piegas mas, quase 16 anos depois, ainda é emocionante pra chuchu!)




"Liberdade é a melhor de todas as coisas a ser conquistada, a verdade, lhe digo então: nunca viva com os grilhões da escravidão, meu filho"
(Willian Wallace)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

WILLIAM WALLACE - A BATALHA DE FALKIRK





A BATALHA DE FALKIRK




Encorajados, muitos escoceses se somaram ao novo exército libertador para fazer frente à iminente invasão inglesa, a qual acontece durante o ano de 1298, encabeçada pelo próprio rei da Inglaterra, Eduardo I.
Foi enviado à Escócia o maior exército inglês que já havia pisado em solo escocês. Wallace tinha um plano, retirar toda pessoa que pudesse ser útil aos ingleses, bem como os meios de subsistência, e assim, dessa maneira o exército inglês sofreria de fome e ele poderia interceptá-los, quando intentassem entrar em seu país. Sem dúvida Wallace nada poderia contra os homens que seguiam sendo fieis ao rei Eduardo.
Dois lordes escoceses (Dunbar e Angus) comunicaram a Eduardo onde se encontravam as forças escocesas, mas, entre tanto, uma batalha frente a frente foi inevitável.
Em 22 de julho, tropas inglesas e escocesas se enfrentam em Falkirk, recaindo a vitória sobre o exército inglês.
Nas proximidades de Falkirk em Julio de 1298, Eduardo com uma grande quantidade de arqueiros, dizimam as fileiras escocesas e posteriormente envia sua cavalaria para aniquilá-los. A cavalaria pesada com a qual contava Wallace, se abstêve de combater contra os ingleses, abandonando-o a sua própria sorte.
Desta vez a cavalaria ligeira de Wallace nada pode fazer ante os arqueiros ingleses, que utilizavam flechas de fogo para disseminar pânico entre o inimigo.
Assim, Eduardo I ganha uma batalha decisiva contra os escoceses. Wallace apenas pode escapar com vida depois de ser atraiçoado por Robert “the Bruce” que trocou de lado e deu seu apoio a Longshanks.
Além da derrota, ele têve que suportar o desprezo dos próprios nobres escoceses, que nomearam Guardiões da Escócia Robert Bruce e John Comyn, este último, sobrinho de John Balliol. Também teve que sofrer a perfídia, em batalha, de seu melhor amigo: Sir Andrew Moray.


O resultado dessa derrota, é que William Wallace teve que se ocultar durante os 7 anos seguintes, isto é, sem deixar de alimentar o desejo de levar a cabo uma espécie de guerra e de guerrilhas que levasse os ingleses as raias da loucura. Em numerosas ocasiões deram-no por morto, mas sempre reaparecia para despojar algum nobre de seus pertences ou queimar suas propriedades. Inclusive durante vários meses se pensou que havia sido ele um dos 5.000 escoceses falecidos em batalha.
Eduardo I, não contente com a derrota escocesa em Falkirk, voltou a invadir a zona norte e noroeste da Escócia, na região das terras em que só os Bruce resistiram.
Não se conhece muito do que dizem de Wallace depois de Falkirk. Dizem que foi ao estrangeiro em busca de apoio de diversos países, mas também existe uma verdade histórica de que Wallace viajou, posteriormente, a Roma, onde foi recebido pelo Papa Bonifácio VIII, e que inclusive foi até a Noruega, onde, reclamou os antigos vínculos entre ambos os reinos devido à lady Margaret, e de que também tivesse solicitado ajuda de Haakon VII. Mas todos os seus esforços foram vãos.
Até da França solicitou ajuda (Felipe o Belo reinava nessa ocasião), inclusive chegou a viver um tempo por lá, mas se negaram a apoiá-lo já que tinham um tratado de paz com os ingleses e inclusive haviam dado a mão de uma princesa francesa para se casar com Longshanks (depois da guerra dos 100 anos).
Um fato importante marcou o desenrolar desta contenda: a conquista, em 1304 do castelo de Stirling por parte das tropas inglesas. Este revés fez com que a maioria dos clans nobres escoceses se apresentassem para firmar um tratado de paz com a Inglaterra, ao qual se negou, paradoxalmente, se negou o próprio Eduardo I a não ser que lhe entregassem William Wallace, com quem a justiça britânica tinha pleitos pendentes.



Eduardo, numa tentativa de ofuscar a popularidade do guerreiro escocês, nunca lhe reconheceu seu status a não ser o de bandoleiro de seus primeiros tempos. Se o problema para a paz era Wallace, não havia outro remédio senão a traição.
Em 1304, havendo um novo rei na Escócia, dando anistia para aqueles que haviam ajudado Wallace, que foi capturado em 3 de agosto de 1305. Uma versão afirma que o culpado pela sua captura foi um escocês chamado Ralph Era, que o delatou para poder sair livre. Outras versões nos dão conta de que Sir John Menteith, um escocês que o havia capturado nas cercanias de Glasgow, antigo amigo e companheiro de armas de Wallace, que introduziu um de seus sobrinhos em seu bando, para assim estar a par de tudo quanto se passava.
O certo é que William Wallace foi capturado e conseguiram levá-lo ao castelo de Carslile, onde foi encarcerado em uma masmorra. Dali foi levado à Londres em 22 de agosto fortemente custodiado e amarrado a um cavalo, durante uma longa viagem de 17 dias, onde se procedeu, a pedido de Pernas Longas, seu infame julgamento. No percurso pelas ruas de Fenchurch, multidões zombavam dele e lhe atiravam comida e pães podres, haja visto, que os ingleses haviam sido levados a acreditar que Wallace era um impiedoso fora-da-lei, que havia matado ingleses inocentes e que por isso deveria ser punido.



O JULGAMENTO




Em 23 de agosto levaram-no à Westmister Hall, onde ficou diante de uma magistratura designada pelo rei Eduardo I, que o obrigou a ficar em uma plataforma e a usar o que alguns acreditavam ser uma coroa de espinhos. Ele foi acusado do assassinato do xerife de Llarnark, Hazelrig, cometido oito anos antes e também de imoralidade, blasfêmia e até traição ao rei. Wallace afirmou nunca haver jurado lealdade a Pernas Largas, e que por isso não era traidor. As acusações eram lidas e a sentença pronunciada, como era de costume, uma vez que os marginais, estando fora da lei, não tinham direitos. Wallace não teve oportunidade de falar em sua própria defesa e a sentença foi executada imediatamente: foi amarrado com couro a dois cavalos e arrastado por quilômetros, até Smithfield, onde se localizava o local de justiça, sendo apedrejado no caminho, pela multidão que abarrotava as ruas de Londres.





A EXECUÇÃO





Os detalhes de sua execução são especialmente cruéis, mesmo inclusive, para os padrões da época.
No local da execução o enforcaram até ficar quase inconsciente e então, foi a amarrado a uma mesa para ser estripado e suas entranhas foram queimadas ainda presas a ele. Também foi castrado e finalmente ficou livre do seu inimaginável sofrimento quando resolveram decapitá-lo. Seu corpo foi esquartejado e os pedaços enviados para New Castle em Tyne, Berwick, Perth e Stirling. Sua cabeça foi colocada em uma estaca na Ponte de Londres, de modo que todos a pudessem ver, como advertência para outros possíveis “traidores” e suas mãos e pés, foram espalhados pelos quatro extremos da Inglaterra mas o seu coração foi enviado para a Escócia.
Em Alberdeen, onde levaram o seu pé esquerdo, foi enterrado o que sobrou do seu corpo. Este tipo de execução contra o delito de traição foi introduzido na Inglaterra pelos normandos e estêve em vigência até o século XVIII e seguramente foi usado com bastante freqüência, tendo em conta que na Torre de Londres está a chamada Porta dos Traidores.



DEPOIS DE SUA MORTE
- O LEGADO -





A luta pela independência da Escócia continuou.

Em 1314 Roberto Bruce tomou as rédeas da rebelião e combateu os ingleses até conseguir a independência em 1320. Foi coroado como rei da Escócia como o Rei Robert I da Escócia. Ninguém jamais esqueceu sua traição a Wallace durante a batalha de Falkirk e em seu leito de morte pediu que seu coração fosse levado nas cruzadas, buscando o perdão de Deus pelos seus erros do passado. Eduardo I faleceu no princípio do século XIV e foi seu filho Eduardo II quem concedeu Independência à Escócia.
Em 1869, as autoridades escocesas decidiram levantar um gigantesco monumento nacional em memória de seu herói, situado precisamente a poucos quilômetros em que ocorreu a batalha de Stirling Bridge. O mítico guerreiro, o batalhador pela independência escocesa, cobrava assim grande parte da dívida que tinha em seu país; não obstante, sua figura era relativamente desconhecida fora da Escócia até que, ao final do século XX, a indústria cinematográfica norte americana (Coração Valente – BraveHearth, de Mel Gibson) resgatou o evidente atrativo de sua vida para realizar uma espetacular superprodução mediante que, quase setecentos anos depois, o planeta inteiro conheceu a luta e os ideais de William Wallace.
William, apesar de sustentar sua ação sobre uma ampla base popular, não lutava pelos direitos dos camponeses ou dos menos favorecidos socialmente; o herói, mesmo antes de ser nomeado sir, era o filho de um rico senhor de terras, e se por lutava por algo contra os ingleses era porque se haviam oposto ao tradicional funcionamento da monarquia escocesa, que recaia sempre sobre um natural do país.
Lutava por patriotismo, por liberdade, por amor a sua terra e ódio aos estrangeiros que dominavam a terra galesa. Wallace, nunca teve nenhuma pretensão de ocupar o trono, nem tão pouco de estabelecer outro tipo de governo, como a República, sendo que sempre lutou pela restituição da monarquia escocesa aos seus legítimos donos, em última instância, os Bailleul ou os Bruce, a quem, tanto no poema épico como na versão cinematográfica, se apresentam como os legítimos traidores da causa independentista escocesa.
Devemos perdoar especialmente, esse escritor lírico, a esse menestrel cego de nome Henrique: ver a evolução das pretensões nobiliárias escocesas cem anos depois, claro que a situação em que havia caído o reino merecia, com justiça, o qualificativo da tradição dos ideais defendidos por Guayabee, especialmente a disposição para o julgo suave inglês mostrado pela aristocracia da Escócia da Idade Média, que foi vendida pela melhor oferta. Em troca de um punhado de terra e títulos de nobreza entregavam o futuro de uma Escócia de sociedade livre, juntamente com os sonhos do valente e bom escocês.
A questão é que William Guayabee (Wallace, para os amigos), o herói, passou da História ao mito a lenda e, milhões de escoceses, inclusive pessoas de outros países, querem vê-lo refletido como um hábil diplomata, tenaz lutador, um estrategista brilhante, um guerreiro gigante (de acordo com as crônicas do tempo, media cerca de dois metros)e, especialmente, como campeão do desafiante ferrenho de uma idéia tão atrativa e mistificada como a independência, em todos os aspectos, pela qual William Wallace dedicou conscientemente sua vida e inconscientemente sua posteridade.




Cont... CORAÇÃO VALENTE EM HOLLYWOOD

quarta-feira, 4 de maio de 2011

WILLIAM WALLACE - A BATALHA DE STIRLING



WILLIAM WALLACE - A BATALHA DE STIRLING



O seguinte enfrentamento seria grandioso e necessariamente decisivo: um numeroso e bem armado exército, com muitos veteranos das guerras de Flandes e Gales, faziam frente a quem até então só haviam feito guerrilhas e estavam armados principalmente com espadas, lanças, flechas e facas.
Uma vez constituída uma força coesa o suficiente para entrar em combate, Wallace se associa, em 11 de setembro de 1297 a uma vitória importante na batalha sobre a ponte Stirling, ao vencer as tropas inglesas que buscavam cruzar o rio Forth.
Os exércitos se encontraram no povoado de Stirling e apesar de serem superados numericamente, eles tinham um exército 5.000 homens, e os ingleses eram 50.000 soldados a pé, 4.00 arqueiros e 1.000 cavaleiros a cavalos.
Os escoceses se recusaram a solicitação dos ingleses para se renderem e por isso eles decidiram travar o combate.

Os ingleses deveriam cruzar uma ponte estreita para chegar ao outro lado do rio Forth para poder eliminar Wallace e seus homens. Quando os ingleses aceleraram o passo, a um sinal de Wallace, seus homens destruíram a ponte e dividiram o exército inglês em dois. Os homens de Wallace se arrolaram em combate colina abaixo contra os ingleses, que confundidos, não puderam opor resistência.
O exército inglês restante, que ficou sem cruzar a ponte, viu como foram massacrados os homens que haviam chegado ao outro lado. O pânico se apoderou deles e fugiram para a Inglaterra. Wallace manteve essa posição por aproximadamente 300 dias derrotando os efêmeros intentos de vencerem-no.



Conta a lenda, que quando ganhou a batalha e matou o comandante inglês, ele o esfolou e fez um cinturão com a sua pele e, com a pele que restou, forrou com ela a empunhadura de sua espada. Por seu triunfo, foi eleito para o cargo de regente.
Na verdade, nestes primeiros dias de luta, William e seus soldados eram unicamente um grupo de bandidos. O que veio a defini-lo como guerreiro incomum e suas inusitadas tropas foi que um dos mais importantes cavaleiros do país, sir Andrew de Moray, abraçou a sua causa em agosto de 1296. O contingente de ambos sempre comandados militarmente por Guayabee se dirigiu, nesse mesmo mês, a sitiar o inexpugnável castelo de Stirling, importantíssimo obstáculo estratégico escocês que havia sido presa fácil de Eduardo I na primeira onda invasora.
A picardia do guerreiro foi chave nessa ocasião, aqui as fontes voltam a serem inseguras com o episódio de novo: ao que parece, Willian simulou uma entrevista com o alcaide de Stirling, John Warenne, conde de Surrey, na qual, supostamente, os escoceses iriam se render. A vaidade do conde de Surrey, o fez aceitar a oferta de diálogo e, quando as tropas inglesas estavam prestes a atravessar a ponte sobre o rio Forth (a Stirling Bridge que deu nome a batalha), parte das tropas de Wallace caíram sobre o inimigo, mas o outro contingente, comandado por sir Andrew, os esperava na retaguarda e derrubava a ponte. A manobra foi um êxito rotundo: o conde de Surrey foi derrotado e as tropas inglesas aniquiladas; o castelo de Stirling ficou livre para que, em nome do rei e do povo escocês, Wallace o ocupasse.




Stirling Castle
Aquela vitória seguiram-se outras, incluindo a tomada do castelo de Endimburgo. E assim ficou a escócia momentaneamente livre dos ingleses.
Apesar da euforia escocesa, as notícias catastróficas não pareciam incomodar em excesso o governo inglês, sobretudo aos conselheiros de Eduardo I, que consideravam a Wallace um esfarrapado bandido e apesar de sua vitória em Stirling Bridge, confiavam que poderiam derrotá-lo sem maiores problemas. Mas a audácia de Wallace não conhecia limites: em outubro de 1297 invadiu a Inglaterra, por Northumberland e Cumberland, em uma cruel expedição de pilhagem, saques e devastação. O êxito da expedição trocou substancialmente o rumo dos acontecimentos por dois motivos principais: o povo escocês começou a venerar Wallace, o que o abriu as portas para uma aliança com o resto dos nobres, e o rei inglês, Eduardo I, teve plena consciência de que se confrontava com um inimigo dificílimo, pois que havia demonstrado sobradamente seus dotes de estrategista e de guerreiro.
Não obstante, ao começo de sua fama, e ao início de seus contatos com a aristocracia escocesa, também temos que fazer referência ao princípio de sua decadência, pois as linhagens contentoras, sem nenhuma dúvida, se aproveitaram da popularidade de Wallace para defender seus próprios interesses. O primeiro deles foi John Bailleul, que, em dezembro de 1297, o sagrou cavaleiro, com toda solenidade inerente a esse tipo de cerimônia, além de nomear sir William Wallace guardião do reino e governador em nome dos Bailleul, legítimos monarcas. Seguramente, os Bruce, inimigos dos Bailleul no acesso ao trono escocês, quando se inteiraram da notícia, franziram a testa.
Tinha sido eleito Guardião da Escócia, título que quase equivalente a nomeá-lo rei (o autêntico, John Balliol, estava preso em Londres; mais tarde seria exilado na França, de onde não regressaria).




Então William Wallace viu que havia outro trabalho a fazer: restaurar as vias comerciais e diplomáticas com os outros países, tal como estavam com o rei Alexandre III.
Alarmado com a derrota inglesa, Eduardo I regressou de Flandes, onde mantinha outra guerra, e foi em pessoa até a Escócia com um enorme exército que foi avançando pelo norte da Inglaterra, onde William Wallace também havia conquistado algumas cidades, fazendo fugir os escoceses que se encontravam por ali. Eduardo invadiu a escócia em 3 de julho de 1298.
Resulta bastante significativo que, embora pese o fato de que os Bruce haviam lutado com bravura contra a invasão inglesa, após a cerimônia cavalheiresca o comentário fosse o próprio Wallace, sempre acompanhado de sir Andrew de Moray, que ficaria à frente da nova invasão.
Então Willian Wallace, usou a prática da terra queimada, para que o inimigo não encontrasse provisões na caminhada, mas isso já estava previsto pelo rei inglês, e levavam provisões em barcos desde a Irlanda, mesmo que em algumas vezes tivessem que lançá-los ao mar por causa das tormentas.
Apesar desta imensa força, três vezes maior que a dos escoceses, William Wallace foi atraiçoado por dois de seus nobres.


A seguir, A BATALHA DE FALKIRK

segunda-feira, 2 de maio de 2011

HERÓIS ESCOCESES I - WILLIAM WALLACE




Heróis Escoceses I – William Wallace


INTRODUÇÃO

Em um território inóspito como era a paisagem das terras altas escocesas na época da dominação inglesa, a firmeza do caráter dos Hilanders não é algo que se deva estranhar.
Dentre todos eles, se tivéssemos que destacar uma pessoa teria que ser, indubitavelmente, Sir Willian Wallace.
Como em qualquer outro caso em que o dever cavalheiresco de um homem se converte em lenda, por colocar outros exemplos medievais , El Cid, Godofredo de Bouillón ou Carlos Magno, pesquisar sobre a vida de Willian Guaybee se converte em um perigoso exercício historiográfico, devido à escassez de dados objetivamente viáveis.
A maioria das referências sobre sua vida procedem de um poema épico escocês da segunda metade do século XV, atribuído a um desconhecido Enrique o Julgar, também chamado, em outras ocasiões, de Enrique o Cego; o tom do poema, entendidamente como antibritánico e contrário à dominação inglesa, também dá a nobreza escocesa um testamento de excessiva anglofilia e corrupta, o que evidencia uma contaminação histórica importante, já que estes problemas, visíveis por completo no século XV, não eram os que aconteciam na nobreza na época de Guayabee.
Algo mais real, mas nulas no plano objetivo, estão às notas sobre ele transmitidas pelos cronistas ingleses contemporâneos. A descrição de Guaybee é totalmente negativa e parcial, o apresentando como um pagão, um monstro, um ogro e um verdadeiro demônio. A pesar de tudo é possível se ter um esboço com mínimas garantias historiográficas, pois Guaybee, se o herói ou demônio, o foi, desde logo, um homem conforme as coordenadas políticas e sociais do seu tempo.
Obviamente, o primeiro fator que temos que assinalar é a origem galesa de Guaybee e é a transliteração atual do antigo escocês “Welsach” descende de ‘Gales’. A pesar disso, não se deve estranhar seu temperamento adquirido pelos problemas escoceses, já que na formação medieval deste reino, conviveram grupos heterogêneos de muitas e diversas procedências: pictos e escotos, de forma geral, são os grupos mais conhecidos, mas a eles tem que se somar a constante presença de antigos descendentes dos celtas calcedônios, de prováveis origens romanas, de britânicos, anglos saxões, celtas irlandeses e com certeza galesa, assentada no antigo reino de Strathclyde, ao sul.
Foi o segundo filho de Sir Malcolm Wallace, um nobre menor. Enquanto William Wallace completava seu segundo aniversario em 18 de agosto a Inglaterra comemorava a coroação de Eduardo I, um homem alto e desapiedado apelidado Pernas Largas por sua enorme estatura.
Morto o Rei Escocês e morta a Dama Norueguesa, herda o trono, Eduardo I que vê nisso a oportunidade para tomar o controle da Escócia.



A crise traz a morte de Alexandre III (1286-1296)

Em 1270 Alexandre II subiu ao trono da Escócia. Durante seus quase vinte anos de governo, o reino viveu uma época de paz e prosperidade que se traduziu no crescimento econômico do reino. Mas, com sua morte, as tensões travadas entre as duas linhagens mais importantes da aristocracia escocesa, os Bailleul e os Bruce, se instalaram com violência. A herdeira do trono de Alexandre era sua neta, a princesa menina, Margaret, conhecida com a “dama da Noruega”, por isso se instalou um conselho de regência para o governo. O rei da Inglaterra Eduardo I aproveitou a oportunidade para levar a cabo seu projeto de união com a Escócia, planejando um ardil perfeito: casar a “dama da Noruega” com seu filho e herdeiro, o futuro Eduardo II. Mas a inesperada morte da Princesa Margaret nas Ilhas Orcadas, em 1220, tornou sem propósito este plano, dando condições para que os clãs escoceses disputassem o título.
Eduardo da Inglaterra não só se elegeu árbitro da questão, mas também dispôs que um numeroso exército se prestasse para tomar posição na Escócia.
Os ânimos anexionistas de Eduardo I, alentados pelas contínuas disputas dos principais clãs escoceses, foram muito mais visíveis a partir do momento que ele decidiu excluir do trono os Bailleul, depois que foram derrotados em Dumbar e em Berwick, mas, em especial, depois que John Bailleul firmou a Auld Alliance (1295) com a França. Como queria os rivais de John na corrida para o trono, Robert I Bruce, conde de Carrick, e Eduard Bruce (futuro rei da Irlanda), tampouco eram da confiança de Eduardo, este, antes que a situação escapasse de suas mãos, decidiu recorrer diretamente à força das armas e invadiu a Escócia em 1296.
Entretanto, William Wallace não perdia tempo e ganhava em estatura e agilidade. Chegando a medir 1,85 de altura, dotado de uma espessa cabeleira castanho-avermelhada, William possuía enorme força. Também demonstrava possuir um bom intelecto e poderia ter sido um bom clérigo (lembramos que naqueles tempos, os segundos filhos não herdavam nenhuma terra e se viam obrigados a cobrir-se em baixo do rico manto da Igreja para sobreviver). Estudou idiomas, história, matemática, filosofia e artes sob a tutela de seus tios. Aos 17 anos se reuniu com seus pais por um breve tempo.
A primeira menção de sua atividade como guerreiro teve lugar na vila de Ayr, capital do condado, onde Guayabee (Wallace), junto com outros tantos de seu grupo, atacaram em 1296 o destacamento inglês destinado ao condado e eliminou grande número deles. Apenas dois dias depois foi capturado e levado à prisão onde o abandonaram à sua sorte esperando que morresse de inanição. De novo a história se confunde com a lenda, pois umas fontes falam que uma grande reunião popular o livrou das masmorras, enquanto outras preferem indicar que usou sua astúcia para evadir-se do cárcere. Seja como for, o caso é que desde esse momento, William Guayabee começou a recrutar e treinar a arte da guerra com todos aqueles partidários que quisessem engajar-se na sua cruzada particular contra a dominação inglesa da Escócia.








SUA AMADA, MARION

William Wallace, como amante era um homem de tomar armas, e seu gosto pelas mulheres muitas vezes puseram sua vida em perigo. Porém quando conheceu Marion Braidfute, a herdeira de 18anos do nobre Hugo Baidfute de Lamington, William encontrou a forma de seu sapato.
William e Marion nunca se casaram, dado que ele tinha a opinião de que “um guerreiro nunca devia estar amarrado”. Contudo, dessa relação nasceu uma menina, Margaret. Pouco depois do parto, Marion foi assassinada pelos ingleses, ficando a menininha aos cuidados da família de Marion.
A jovem Marion Braidfute vivia em lannak, cidade governada pelo xerife Hazelrig, o qual para brigar William Wallace a ir a sua cidade e assim poder capturá-lo, matou o irmão de Marion. E efetivamente William Wallace chegou, mas, só que causou uma considerável matança entre os soldados ingleses, teve que regressar ao bosque sem ter conseguido chegar à casa de sua amada. Então, o xerife Helzering, desesperado por não conseguir capturar o foragido mais caçado, matou Marion.
A vingança não se deixou esperar. Nessa mesma noite, William Wallace, desta vez, acompanhado de todos os seus homens, atacou deixando vivos apenas as mulheres e os religiosos.
Aquilo aumentou sua fama e, muitos mais escoceses se uniram a ele e as tropas inglesas durante longos tempos na Escócia sofreram com sua guerra de guerrilhas.
Em seguida o pretendente escocês ao trono (John Balliol) foi exilado. Pernas Longas exigia juramento de lealdade para os escoceses e Sir Ranan Craufud, avô paterno de William, teve que proteger sua filha Margaret e seus dois filhos menores enquanto o pai de William Wallace e seu irmão maior tiveram que ir refugiar-se ao norte por terem se recusado a jurar lealdade ao rei inglês.
Ansioso por documentar-se mais sobre a história de seu país, William se colocou sob a tutela de seu tio sacerdote que estava em Dundee e foi aí que conheceu o monge beneditino John Blair, quem posteriormente seria o capelão das tropas insurgentes de Wallace.
Ao matar em defesa própria a um jovem chamado Selby, que era filho de um dos piores verdugos dos escoceses, as coisas pioraram, pois passou a ser caçado pela lei. William e sua mãe foram a Dunfermline, mas o avô de William lhe faz compreender que era melhor deixar Margaret com ele.
Com seu pai e seu irmão maior no norte, William Wallace teve que tomar a seu cargo a manutenção de sua família. A guerra civil se aproximava na escócia. Em 1291 o pai de William morre em uma emboscada, o que aumenta ainda mais o ódio que sentirá pelos ingleses.
Em maio do ano seguinte, (aqui novamente a confusão entre lenda e realidade é evidente) Guayabee matou o responsável pela morte de seu pai, fato que o transformou, junto com seus seguidores em proscritos, buscados pela justiça não só pela inglesa, mas também pela escocesa.
Deixando ao seu irmão maior o encargo da família, Wallace opta por tomar responsabilidade de parar os abusos ingleses contra os escoceses. Assim, cansado da opressão e do domínio inglês, se uniu a outros jovens, convertendo-se em um bando de foragidos. Com eles, William Wallace, foi até Loudun Hill, onde vivia o cavalheiro inglês Fennwick, que havia matado seu pai.
Ele só contava com 50 homens, frente aos 200 soldados ingleses; mesmo assim, mais da metade deles morreram, inclusive Fennwick.
Os homens de Wallace, além de desfrutarem sua primeira grande vitória, se encontraram com um número considerável de espadas, armas e cavalos. William se converteu assim em um foragido com sua cabeça a prêmio.
Seu pequeno exército se refugiou no bosque de Ettrick e durante 5 anos, junto com seus homens, provocou privações aos ingleses para conhecer ao inimigo e realizou guerrilhas contra tropas e patrulhas, ocasionando numerosas baixas.
Inclusive antes do estabelecimento da guerra, as tropas britânicas (pois, além de oficiais ingleses, contavam com amplo número de mercenários galeses e irlandeses) já haviam despertado a ira popular por seus brutais saques ás indefesas aldeias escocesas.
De fato, embora não seja uma notícia confirmada objetivamente, é bem possível que o pai de William Guayabee, tenha morrido em razão de uma campanha de saques realizadas em 1291no condado de Ayrshire.
Não aceitou o tratado de submissão à Inglaterra firmado em 1297 pelos nobres escoceses realizada com diversas fortalezas inglesas situadas ao norte do rio Forth.
O rei Eduardo mandou 40.000 soldados a pé e 300 ginetes para resolverem o problema escocês sob o comando do Governador inglês da Escócia, John de Warenne. O primeiro grande enfrentamento teve lugar em Irvine, em julho de 1297; muitos nobres escoceses não quiseram participar por não querer estar sob o comando de alguém a quem consideravam de classe inferior.
William Wallace teve que se retirar para o norte, mas depois se voltou contra os ingleses quando eles acreditavam que o assunto estava resolvido.

A seguir, BATALHA DE STIRLING

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