TÁ MÍLE FÁILTE ROIMH - YN FIL O WEILHAU CROESO - ARE A THOUSAND TIMES WELCOME - SEJAM MIL VEZES BEM VINDOS

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A HISTÓRIA DE UM DUERGAR


Conta-se a história de um viajante que, tendo se perdido por causa do mau tempo,
viu uma luz brilhar a uma certa distância.


Encontrou uma choupana de pedra iluminada apenas pelas brasas da lareira.


Havia duas pedras, uma em cada lado da lareira e dois troncos próximos.


Ele sentou-se em uma delas e reacendeu o fogo.


Logo um Duegar entrou e sentou-se à sua frente.


Ali ficaram até o fogo apagar.


O Duegar pegou uma tora grande, quebrou-a e colocou-a no fogo.


Quando ela estava quase queimada, ele fez um sinal para o viajante,
indicando que ele deveria colocar a outra metade no fogo.

Mas, suspeitando de algum truque, o viajante não se mexeu.


Eles permaneceram sentados até o fogo se apagar, quando o Duegar e a choupana desapareceram, o viajante viu-se sentado à beira de um penhasco.






Se tivesse feito qualquer movimento, teria encontrado a morte.

Os Duegars são uma espécie de anão da morte da Inglaterra.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

BROWNIES - O MOINHO FINCASTLE

Um dos Brownies mais conhecidos das Highlands da Escócia é Meg ou Maggy Mouloch. Meg teve um filho, Brownie-Clod, que era uma variação muito estúpida do brownie.


Mas o que são BROWNIES?

Espírito doméstico do folclore da Inglaterra e Escócia, o brownie habita casas de família, onde executa labores domésticos enquanto seus habitantes dormem. Tais tarefas são feitas em troca de presentes entre os quais laticínios, sua comida preferida. Se oferecido pagamento ou roupas, o brownie, ofendido, abandona a casa.
Os brownies são descritos como homenzinhos de pele amarronzada. São mais ouvidos do que vistos.


De espirito prestativo e benéfico, podem se tornar malignos se contrariados.
Espíritos domésticos que agem à maneira dos brownies também são encontrados em outras culturas, como por exemplo o tomte finlandês, o Heinzelmännchen alemão e o domovoi russo.
A palavra portuguesa duende se origina do español dueño de casa (dono de casa) e exprime um conceito semelhante.

Conta-se uma história de um certo moinho Fincastle considerado um lugar assombrado para qualquer humano que ousasse ali entrar após o escurecer. No entanto, uma noite, uma moça que estava fazendo um bolo para o seu casamento constatou que estava sem farinha, e como ninguém estava disposto a ir até o moinho, teve de ir sozinha.



Ela fez uma fogueira, colocou um caldeirão com água para ferver e começou a moer a farinha.


À meia noite em ponto, um homenzinho marrom e feio, entrou no moinho, dirigiu-se até ela e, quando ela lhe perguntou quem era, ele respondeu-lhe perguntando o nome dela.


- "Oh, eu sou eu mesma", ela respondeu.


O brownie se aproximou mais dela, olhando desconfiado, de um modo desagradável, até que ela ficou com medo e despejou um concha de água fervente sobre ele.


Com isso, ele berrou enfurecido e investiu contra ela. Ela se defendeu jogando o restante da água sobre ele.

Mortalmente queimado, ele fugiu pela porta ao encontro de Maggy Mouloch que lhe perguntou quem era o responsável por feri-lo daquela maneira. Ele respondeu que havia sido ela mesma.

A moça não conseguiu escapar da cólera de Maggy por muito tempo. Mais tarde, quando ela já estava cansada, pediram-lhe para que contasse uma história e ela recontou como se livrara do brownie no moinho Fincastle.

Sem que ninguém soubesse, Maggy Mouloch estava do lado de fora ouvindo cada palavra da história e imediatamente executou sua vingança, atirando um banco com três pernas violentamente contra a noiva que a matou na hora.

Maggy Mouloch então encontrou um novo lar perto de uma fazenda onde os criados pagavam por sua ajuda com pão e creme. Ela era tão conscienciosa de seu trabalho que o fazendeiro resolveu demitir todos os empregados e contar só com o seu serviço.


Ela se desforrou dele entrando em greve e tomando-se um bòggart por tempo integral, atormentando-o tanto que ele foi obrigado a recontratar o restante dos empregados.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

SOBRE AS LENDAS DA IRLANDA

A Irlanda não seria Irlanda sem Mitologia. Em todas as lojas para turistas que você vai, encotra chaveiros, canecas e camisetas com a imagem de um Leprechaun impressos sobre eles.





OsLeprechauns, ou "pessoas pequenas", são o tema da Irlanda e sua imagem geralmente são representadas por figuras com cabelo ruivo, barba ruiva, roupa verde e um chapéu enorme.



Se você pegar um Leprechaun, você deve segurá-lo e não tirar os olhos dele, até que ele lhe diga onde está escondido o ouro, assim diz a história.




Outra figura famosa é a Banshee que aparece como uma mulher jovem ou velha, bonita ou feia.




Ela se mostra num curto período de tempo antes que alguém esteja prestes a morrer para informar à família o evento trágico iminente. Nunca é um bom sinal quando a Banshee aparece!





Existem também as fadas e duendes.
Pixies, por exemplo, são fadas pequenas, criaturas que podem ser agradáveis ou desagradáveis.



Mas essas são apenas algumas das figuras da mitologia irlandesapois existem muitas mais.Existem sites na internet em algumas regiões da Irlanda onde você pode continuar assistindo webcams de fadas e duendes, de dia e de noite.



Diz-se que alguns dos "pequenos" já foram vistos.



Eu aprendi que os irlandeses são pessoas muito realistas.




Os únicos que acreditam em contos de fadas da Irlanda, são geralmente os turistas, principalmente americanos, e os irlandeses se divertem com eles.


Mas lembro-me de que conheci um irlandês que acredita em duendes; um Dubliner idoso, chamado Joe. Eu o conheci em um bar.




Joe foi incrível, ele alegou que poderia beber 20-25 litros em uma noite.
Fiquei muito surpresa ao ver que uma única pessoa fosse capaz de ingerir tantas bebidas alcoólicas de uma só vez!






No final de sua sessão de beber, não podendo mais segurar tanto líquido, ele pediu a garçonete "Whixie". Como ele estava muito bêbado, nessa fase, sua língua estava pesada e ele não foi capaz de pronunciar mais uísque.

Naquela noite, Joe contou-nos o seu segredo muito pessoal.



Ele nos disse que vê Pixies, muitas vezes, quando a noite chega é que elas vem rastejando de fora, vindo de todos os cantos e fazem de tudo para irritá-lo.





Enquanto estava nos contando sua história, de repente ele bateu com a mão espalmada sobre a mesa. Então ele pegou algo invisível com dois dedos, colocou-o na frente de seus olhos, olhou vesgo em um pedaço de nada e disse: "Pixieee! Um novo! Little Bastard ", gritou.




Soubemos depois que uma vez, Joe foi levado para o hospital porque ele sempre vê Pixies após as sessões excessivas de álcool. Joe pobre velho!




Agora vou terminar a minha pequena viagem para a Fantasyland irlandesesa e está em você querer saber, se há realmente um pote de ouro escondido no final do arco-íris.

domingo, 21 de novembro de 2010

SOBRE SEREIAS



Desde criança sempre fui fascinada por esses seres misteriosos que segundo as lendas habitam o fundo dos Oceanos. As primeiras narrativas sobre esses seres são encontradas na Odisséia, onde Ulisses narra o encontro de sua tripulação com essas criaturas metade peixe e metade mulher (nereidas)que cantam de forma tão maravilhosa atraindo os homens para as profundezas dos mares. Por isso, sabendo que seu barco passaria pelo lugar onde elas se encontravam ordenou a seus homens que protegessem os ouvidos com muita cera. Quanto a ele pediu que fosse amarrado ao mastro com muita força, pois gostaria de vê-las e ouví-las...
E eis que Ulisses se maravilhou com a visão extraordinária. Todas elas estavam sentadas em uma pequena ilha de pedras banhadas pelas águas e pelo luar e cantavam uma melodia tão linda que Ulisses mesmo amarrado fortemente gritava aos seus homens para que o soltassem.“Assim falavam com melodiosa voz, e eu sentia o coração consumir-se de desejo. Com um aceno dos olhos, ordenava aos companheiros que me soltassem; eles, porém, remavam, curvados sobre remos." Ulisses, Odisséia.

Leia abaixo algumas curiosidades sobre esses seres

1.As sereias são criaturas dos mares, metade peixe e metade mulher. São lindas, sedutoras e donas de uma voz tão encantadora que poucos conseguem resistir.
2.De fato, muitos marinheiros atraídos por seu canto pulam de seus navios e mergulham nos oceanos para ir ao encontro delas
3.Dizem que até hoje muitos deles vivem com suas amadas nas profundezas dos mares.
4.As sereias são muito românticas e se apaixonam facilmente. Mas quando seus amados não correspondem a esse amor, choram tanto que espalham suas lágrimas por todo o oceano. 5.Gostam de jóias e roupas. Por isso, às vezes são vistas perto de escombros de navios naufragados em busca de objetos preciosos.

Existe uma lenda que conta como apareceu a primeira sereia e é assim....


LENDA DA SEREIA

"Uma jovem muito linda, de alva pele e esbelta, tinha o costume de percorrer as íngremes escarpas da costa para pescar mariscos e também satisfazer a sua paixão de cantar.
Foi repreendida várias vezes por sua mãe para evitar uma possível desgraça e para moderar-se em suas ininterruptas fugas.
Porém a jovem, fazendo ouvidos de mercador, nunca levou em conta os pedidos da mãe. Muito pelo contrário, considerava os conselhos da mãe empecilhos que deveriam ser burlados e se deleitava a tagarelar suas canções sobre os penhascos, embriagada de euforia.
Por fim, a mãe cansada e farta com tanta desobediência, em um momento de raiva lhe lançou a seguinte maldição:
-Assim permita Deus do Céu que te transformes em peixe!
E, imediatamente a bela jovem fugitiva transformou-se em uma belíssima mulher com rabo de peixe".

Em Zennor, Cornualha, uma sereia apaixonou-se por um rapaz e o atraiu para o mar.

Perto da península de Lizard, também na Cornualha, um homem chamado Lutey (leia a lenda publicada no outro post) ajudou uma sereia encalhada a voltar para a água. Ela lhe deu seu pente e disse que ele e seus descendentes seriam capazes de quebrar os feitiços das bruxas e controlar demônios, mas nove anos depois ela voltou e o arrastou para as ondas.

Na década de 1840, o folclorista Robert Hunt ouviu que várias famílias da Cornualha diziam ter poderes fantásticos por serem descendentes de uma sereia ou tritão (masculino de sereia).


Por outro lado, uma sereia arruinou a baía de Padstow com bancos de areia, porque alguém ali atirou nela.
Na ilha de Man, entre a Grã-Bretanha e a Irlanda, as sereias são chamadas ben varrey e os tritões, dinny-mara.
Há uma lenda na qual um pescador carregou uma ben varrey encalhada de volta ao mar que, como recompensa, lhe disse como encontrar um tesouro. Mas o pobre e ignorante pescador não reconheceu o valor do ouro da Armada Espanhola e o jogou de volta ao mar.
Outra lenda fala de uma sereiazinha que quis a boneca de uma menina e a roubou.
A mãe da sereiazinha lhe deu uma bronca e a fez devolver a boneca, junto com um colar de pérolas.
Conta-se uma história de uma ben varrey amistosa que vivia perto de Patrick.
Durante uma estação de pesca, quando os barcos do porto de Peel pescavam além do promontório de Spanish Head, a sereia subitamente ergueu-se da água e grigou shiaull er thalloo! ("velejem para terra!").
Os pescadores que haviam aprendido a confiar nos conselhos dessa sereia imediatamente levaram seus botes para os abrigos. Aqueles que não atenderam ao aviso perderam todo o equipamento e alguns perderam a vida.
Em Gales as sereias da fronteira galesa não vivem no mar, mas em lagos e rios.


Em Marden (Herefordshire) o sino de uma igreja caiu uma vez em uma poça profunda de um rio, onde uma sereia o agarrou.
Em Child's Ercall (Shropshire) a sereia de um lago oferecia a alguns homens ‘um pedaço de ouro, grande como a cabeça de um homem, e estava bem perto’, quando um deles disse um palavrão de espanto e ela gritou e desapareceu.
Uma lenda popular na Grécia, provavelmente de origem medieval, diz que Thessalonike, irmã de Alexandre, o Grande, tornou-se uma sereia após a morte. Ela vive no mar Egeu e quando marinheiros a encontram ela lhes faz uma só pergunta: "O rei Alexandre vive?" (em grego: Ζει ο βασιλιάς Αλέξανδρος;), os marinheiros devem responder "Vive e ainda reina" (em grego: Ζει και βασιλεύει). Qualquer outra resposta a deixará furiosa e a transformará numa górgona, condenando o navio e todos os marinheiros a bordo.

sábado, 20 de novembro de 2010

AS GWRAGEDD ANNWN E A LENDA DA DAMA DO LlYN Y FAN FACH

As Gwragedd Annwn ("Esposas do Outro Mundo", em galês) são entidades amáveis que escolhem homens mortais como seus maridos.
Uma lenda diz que vivem em uma cidade afundada em algum dos muitos lagos de Gales.
As pessoas dizem ver torres debaixo d'água e ouvir o repicar de sinos.
Em outros tempos, dizia-se que em todas as manhãs do dia do Ano Novo, podia ver-se um portal aberto em uma rocha próxima a um lago de Gales.

Aqueles que ousassem atravessá-lo chegavam a um belo jardim situado em uma ilha no meio de um lago.



Nesse jardim havia frutas saborosas, belas flores, e a música mais adorável, além de muitas outras maravilhas. Aqueles que fossem suficientemente corajosos para entrar eram recebidos pelas Gwragedd Annwn, que lhes ensinavam segredos assombrosos e os convidavam a ficar o quanto quisessem, com a condição de jamais levar qualquer coisa de seu jardim.
Um visitante guardou em seu bolso uma flor que haviam lhe oferecido, pensando que lhe daria sorte. Porém, no momento em que deixou a ilha, a flor desapareceu e ele caiu inconsciente no chão.
Desse dia em diante, o portal foi trancado e ninguém mais o atravessou.


A DAMA DO LlYN Y FAN FACH


Outra lenda fala da dama do Llyn y Fan Fach ("Lago do Pequeno Pico"), uma lagoa próxima das Montanhas Negras. Segundo a versão contada por John Rhys em Celtic Folk-Lore, o caso teria se passado no século XII, em uma fazenda em Blaensawde, perto de Mydfai.


Uma viúva mandava o único filho a milhas de distância vale acima para pastorear suas vacas as margens de Llyn y Fan Fach.

Um dia, viu uma encantadora criatura remar de um lado para outro em um barquinho dourado sobre a superfície do lago.

Apaixonou-se por ela e ofereceu-lhe o pão que trouxera como almoço. Ela olhou bondosamente para ele, mas respondeu que o pão estava muito duro e submergiu no lago.

O jovem voltou para casa e contou para a mãe o ocorrido.

A mãe simpatizou com ela e no dia seguinte deu ao filho, para levar consigo, uma massa não cozida para oferecer à fada, mas ela não a aceitou, dizendo que estava muito branca, e desapareceu de novo.
Ao terceiro dia, a mãe entregou ao filho um pão ligeiramente tostado, que foi muito bem aceito, pois do lago surgiu um ancião de porte nobre e majestoso ladeado por suas duas lindas filhas, gêmeas idênticas. O ancião falou ao rapaz que se separaria de bom grado da filha, a qual ele havia se apaixonado, se fosse capaz de indicá-la.
As damas feéricas eram parecidas como duas gotas d'água, e o jovem fazendeiro desistiria, desesperado, se uma delas não movesse ligeiramente o pé, com o que ele pôde reconhecer o cordão de sua sandália e escolhê-la, corretamente.
O pai pediu como dote à filha tantas vacas quanto ela pudesse contar de uma só vez, e ela contou depressa. Porém advertiu a seu futuro marido que devia tratá-la bem e que a perderia se chegasse a bater nela por três vezes, sem motivo.

A fada e o rapaz mortal casaram-se, foram muito felizes e tiveram três belos filhos, mas ela tinha estranhos costumes: chorava quando os demais se alegravam, como nos casamentos, e ria e cantava quando os demais estavam tristes, como no funeral de uma criança. Essas peculiaridades foram a causa para que o marido a reprendesse por três vezes com uma palmada, o suficiente para violar a proibição e fazer com que ela o abandonasse.
Entretanto, ela não levou os três filhos.
Visitou-os e lhes ensinou profundos segredos da medicina, com os quais se converteram nos famosos médicos de Mydfai, tradição que perdurou na família até o século XIX.

LUTEY E A SEREIA


Há muito tempo, os pescadores da Cornualha costumavam vasculhar os restos de navios afundados lançados à praia em busca de objetos de valor. Esse era o preço a ser pago naquela costa cruelmente rochosa.
Um dia, Lutey de Cury, que fica próxima ao ponto Lizard, achou uma adorável sereia encalhada em uma das muitas poças entre as rochas formadas pela maré alta.

Ela era uma criatura muito bonita e facilmente convenceu Lutey a levá-la para o oceano na maré baixa.

Aninhada em seu colo, ela lhe ofereceu três desejos por sua gentileza e ele, que era um homem bom, escolheu primeiro ter o poder para quebrar feitiços; segundo, ter o poder para obrigar os familiares da bruxa a praticarem o bem para os outros e, terceiro, que esses dois poderes fossem concedidos a seus descendentes.

A sereia concedeu esses desejos com alegria e, por ele ter escolhido sabiamente e sem egoísmo, ela acrescentou mais dois dons - primeiro, que nenhuma sereia jamais o quisesse, e segundo, seu pente mágico, para que ele a chamasse sempre que precisasse.
Ele agradeceu muito a ela e, ainda carregando-a sem muito esforço, caminhou na direção do mar.
Lutey era um homem bonito e forte. Na verdade, a sereia era uma criatura adorável, seus cabelos sedosos, claros como uma cascata de prata, olhos verdes grandes e uma voz cristalina de muita doçura.
Quando eles finalmente chegaram a beira da água , ela pediu para que Lutey entrasse um pouco mais com ela na água. A sereia segurava-o com força pelo pescoço. Ele se abaixou para colocá-la na água. Sua voz era tão macia e o movimento de seu corpinho tão suave em seus braços que Lutey entrou sem medo no mar e teria se perdido para sempre se seu cachorro não tivesse latido freneticamente da praia, fazendo-o lembrar-se de sua esposa e filhos queridos. Mas a sereia o segurava com mais força e o teria arrastado para o fundo do mar se ele não tivesse desembainhado sua faca e a ameaçado.

A faca era de ferro, um metal repulsivo ao povo do mar, e ela fugiu para o oceano, falando enquanto ia:
"Adeus! Adeus!
Cuide-se bem, meu amor!
Nove longos anos, por ti esperei
Leve-me em seu coração, meu amor
E então voltarei!"

Todos os desejos de Lutey se tornaram reais, sua família e seus descendentes viraram curandeiros famosos. Mas a promessa da sereia também se tornou real, pois, após nove anos, a contar do dia em que Lutey livrou-se dela, ela voltou.
Ele estava pescando com um de seus filhos, quando ela surgiu da água e balançou seus cabelos sedosos e acenou.
Lutey virou-se para o filho e disse:
- "Está na hora. Devo pagar minha dívida".
Mas ele não parecia nem um pouco infeliz quando mergulhou nas profundezas verdes com sua amada de voz suave.
Dizem também que, desde então, a cada nove anos, um Lutey de Cury se perderia no mar. Mas ninguém sabe se eles partem tão felizes quanto o primeiro Lutey.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A LENDA DE JACK O'LANTERN



Uma lenda irlandesa do século XVIII conta a estória de um homem chamado "Stingy Jack" - Jack Avarento – homem alcoólatra e grosseiro – que bebeu mais do que de costume e o Diabo veio para levar sua alma.
Desesperado para viver, Jack implorou por mais um copo de bebida e o Diabo, compadecido, concordou.
De acordo com a lenda, Stingy Jack então, convidou o Diabo para tomar um drinque com ele. Sem dinheiro para o último trago e fazendo jus a seu nome, Jack não quis pagar pelas bebidas e com sua astúcia, convenceu o Diabo a se transformar em uma moeda, com a qual ele poderia usar para efetuar o pagamento.
Assim que o Diabo se transformou, Jack resolveu não pagar a conta e mal viu a moeda sobre a mesa, Jack guardou-a na carteira, que tinha um fecho em forma de cruz; fato que impedia o Diabo de voltar a sua forma original.
Desesperado, o Diabo implorou para sair e Jack finalmente o liberou, sob a promessa de não ser incomodado por um ano e, no caso de sua morte, sua alma ficaria livre. Sem opção, o Diabo concordou.
Feliz com a oportunidade, Jack resolve mudar seu modo de agir e começa a tratar bem a esposa e os filhos, vai à igreja e até faz caridade. Mas a mudança não dura muito.
No ano seguinte, Jack estava indo para casa e vê uma macieira carregada de maçãs mas, como era de costume, estava muito bêbado e por mais que pulasse ou tentasse pegá-las, não conseguia apanhar nenhuma. Foi quando o Diabo apareceu, novamente, reclamando por sua alma e Jack tornou a enganar o Diabo.
Jack, esperto como sempre, conseguiu convencer o Diabo à pegar uma maçã da árvore para ele. O Diabo aceitou e quando subiu no primeiro galho, assim que Jack o viu lá em cima, pegou um canivete em seu bolso e desenhou uma cruz no tronco, que o impedia de descer. O Diabo disse que não o incomodaria mais durante os dez anos seguintes. Sem aceitar a proposta, Jack ordenou que o Diabo nunca mais o aborrecesse. O Diabo aceitou e Jack o libertou da árvore.
Mas, infelizmente, pouco tempo depois, no dia 31 de outubro, Jack morreu decapitado.
Segundo a lenda, ao chegar ao Céu foi impedido de entrar devido aos seus pecados em vida. Sem alternativa, vai para o inferno. No inferno o Diabo, que estava furioso por ter sido enganado duas vezes, ainda desconfiado e se sentindo humilhado, também não permite sua entrada. Disse a Jack que manteria sua palavra e não exigiria a sua alma.
Impedido de entrar no Inferno também, Jack viu-se na mais completa escuridão.
Mas, com pena da alma perdida, o Diabo jogou um pedaço de carvão em brasa para que Jack possa iluminar seu caminho pelo limbo.
Com apenas uma brasa para iluminar seu caminho, ele colocou a brasa dentro de um nabo e continua a vagar pela terra desde então.
Os irlandeses começaram a chamar esta figura de "Jack of the Lantern" e depois, simplesmente, de "Jack O' Lantern".
Quem prestar atenção vai ver uma luzinha fraca na noite de 31 de outubro. É a alma penada de Jack, procurando um lugar.


Os irlandeses e escoceses criaram suas próprias versões de lanternas "Jack" esculpindo faces assustadoras em nabos e batatas, colocando-as perto de janelas e portas para assustar o errante Jack e outros espíritos. Os ingleses esculpiam caretas em beterrabas.
Ao imigrarem para a América do Norte levaram esta tradição com eles. As abóboras começaram a ser usadas por serem nativas da região e muito mais baratas do que nabos, batatas ou beterrabas, além de terem o tamanho "certo" para as lanternas.