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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A MENSAGEIRA DA MORTE

Esta lenda, embora a cena se passe na Inglaterra, é contada por muitos anciãos na Irlanda do Norte.
Dizem que nas ruínas do Castelo de Berry Pomeroy, no sul da Inglaterra, existem vários fantasmas, entre eles o de uma bela jovem, condenada por sua própria crueldade. Chamava-se Margaret, filha de um dos primeiros Barões de Pomeroy.

A jovem ficou grávida do próprio pai e estrangulou a criança ao nascer. Depois de morta, alega-se que seu fantasma pressagiava a morte de um Pomeroy ou de criados da casa.

Entre os muito que dizem tê-la visto está Sir Walter Farquhar, um eminente médico do final do século XVIII.

Estava ele no Castelo cuidando da mulher enferma do administrador da família, quando viu de repente uma jovem belíssima parada à sua frente.

Ela se virou e sumiu pelo corredor, em direção à escada. Ele a viu claramente, iluminada pela luz que vinha de um vitral, antes que desaparecesse num dos aposentos do andar superior.

No dia seguinte, Sir. Walter perguntou ao administrador quem era a bela jovem que havia visto. Para imensa surpresa do médico, o homem se pôs a chorar, dizendo que a visita significava que sua mulher estava à morte.

Aí, contou que Margaret assassinara seu bebê no cômodo logo acima e que desde sua morte começara a anunciar as mortes no Castelo; ela já anunciara antes, a morte do filho do administrador.

O médico então, garantiu-lhe que sua mulher estava se recuperando e que não fazia sentido tal história.
O homem ficou muito nervoso e, mesmo com a certeza do médico de que ela estava fora de perigo, ela calmamente morreu na manhã seguinte.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A SOMBRA RUIVA


A Irlanda é cheia de lendas sobre a banshee, criatura lacrimosa cujas visitas anunciam mortes.
Seu nome, em Celta, é bansidhe - fada - embora muitos digam que sejam espíritos, ora bondosos, ora malévolos.
Essas aparições estão ligadas por lendas centenárias às grandes casas da Irlanda, cujos infortúnios ficam registrados nos gritos lamuriantes ou nas risadas demoníacas do espírito.
Existem vários relatos corroborando essas Lendas, mas talvez o mais impressionante tenha ocorrido no século XVII na Irlanda, na residência dos O'Brien.
Conta-se que certa noite, Lady Ann Honora O'Brien foi acordada por por uma voz suave. Olhou pela janela e viu uma mulher que parecia flutuar bem em frente à vidraça.
O corpo do fantasma se perdia na bruma, mas seu rosto, delineado pela Lua, estava claro - pálida, de olhos verdes, linda e uma farta cabeleira ruiva.
A aparição gemeu três vezes, suspirou e sumiu. Aquela imagem fascinou e amedrontou a jovem Ann, mas pensando que fosse apenas um sonho, dormiu novamente.
Na manhã seguinte, Lady Ann encontrou sua família em prantos, pois seu irmão mais jovem havia morrido durante a noite.
Sem saber o que fazer, a jovem contou aos pais sobre a visão que tivera na noite anterior.
Aquilo não alertou ninguém, pois os mais velhos sabiam que sempre que um O'Brien morria, uma jovem ruiva que morrera no castelo e fora enterrada no jardim - logo abaixo da janela de Lady Ann - aparecia para um membro da família e chorava pelo parente morto.

sábado, 11 de dezembro de 2010

A LENDA IRLANDESA DE LIBAN

No contexto da religião católico-cristã, diante de um ser de natureza ambígua, meio humano, meio animal, surgia complexa questão de definir:


1. se tais seres possuem uma alma;


2. se esta alma poderia, de algum modo, alcançar a salvação em Cristo.


Esse problema aparece na lenda irlandesa de Liban, datada do século VI [anos 500 d.C.] mas somente registrada por escrito no século XVII [anos 1600].
Liban era uma jovem humana que sobreviveu a uma enchente. Era filha de Eochaid, rei Firbolg e da rainha Etain.


Um dia, um poço sagrado transbordou e esta foi a causa da enchente. A moça foi arrastada pelas águas junto com com seu cão de estimação. Eles não foram engolidos pelas águas. A princesa encontrou abrigo em uma pequena gruta junto ao mar.

Ali, rezou para a deusa Dana, a Mãe de Todos. Pediu para ser transformada em um salmão para que pudesse ser nadar, ser livre como os peixes que ela via perto de seu abrigo.

A deusa atendeu o pedido e Liban foi transformada; porém, não completamente.
Metade dela permaneceu com aparência humana da cintura para cima e foi dotada com uma cauda de peixe no lugar das pernas.

Seu cãozinho foi transformado em um leão marinho.
Ela viveu 300 anos nos mares da Terra até que foi capturada.

Um padre, chamado Beoc, à bordo de navio com destino a Roma, ouviu o canto da sereia, deteve a embarcação e convenceu a criatura a seguir com ele.

Em civilização, Liban converteu-se ao Cristianismo e foi batizada. Durante mais 300 anos ela ainda viveu na Terra e quando morreu, tinha uma alma que foi direto para o Paraíso.
No mundo, tornou-se uma figura reverenciada como virgem santa sob o nome de Murgelt [or Murgen, sea-born, sereia].

Mas Liban tinha nascido humana e, assim, foi considerado que tinha, certamente, uma alma humana.

Resta saber se sereias nascidas sereias também têm alma humana. Esse ponto do debate conduz a um segundo tipo de estória na qual a sereia apaixona-se por um homem.
Nesse caso, ou ela arrasta o homem para o fundo das águas ou busca um meio mágico para viver como uma mulher.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O CLURICAUN


O cluricaun (pronuncia-se /KLU-ra-Kãn/), ou clobhair-ceann na região de O’Kearney, é uma criatura do folclore irlandês muito semelhante ao seu primo, o leprechaun.
Há inclusive autores que indiquem que os cluricauns sejam uma “forma diferente” do leprechaun, assumida por este após seu trabalho diário ou em certos momentos do ano.
Acredita-se que vivam sempre consumindo bebidas alcoólicas ou bêbados mas, ao contrário dos leprechaun, costumam ser solitários e insociáveis.
Durante suas bebedeiras, gostam de montar em ovelhas, carneiros e cachorros como se estes fossem cavalos e cavalgá-los freneticamente pela noite, mas se forem bem tratados por um humano protejerão sua adega de vinhos e sua casa.
No entanto, se maltratados, irão depredar a propriedade do agressor, bem como furtar ou derramar seu vinho.
Cluricaun apesar de pouco conhecido é na verdade o mesmo ser que o Leprechaun, porém um Cluricaun pode se dizer que é um Leprechaun nas horas não boas, em geral de noite.
Cluricauns são altamente beberrões e pirracentos, deixam de ser simpáticas criaturas belas para se tornarem criaturas com nenhum senso de ética, respeito, pudor ou higiene.

domingo, 28 de novembro de 2010

OS SERES ENCANTADOS DO PRADO LESTE


Fala-se de um conto sobre o encontro entre seres encantados e alguns contrabandistas no qual os spriggans tiveram um papel muito mais terrível.


Uma noite, um pequeno bando de saqueadores veio para a praia perto de Long Rock na Cornualha.


Tendo tirado todos os despojos do barco e colocado na praia, acima da marca da água na areia, três dos homens partiram para providenciar os arranjos necessários para a venda de seus bem, enquanto os outros três, incluindo Tom Warren de Paul, considerado um dos contrabandistas mais audaciosos de seu tempo, se deitaram para descansar.


Mal haviam cochilado, quando foram acordados por um silvo estridente e retinido. Acreditando que fosse o som de jovens fazendo farra, Tom foi alertá-los para que fossem embora.


Ele subiu num banco de areia e viu, a curta distância, em uma cavidade entre outros bancos de areia, uma porção de pessoas vestidas em trajes alegres, do tamanho de bonecas, pulando e dançando, projetadas por luzes bruxuleantes.


Sobre um dos bancos, em meio aos foliões, ele viu um grupo de velhinhos, barbudos, tocando flautas de Pan, batendo pratos e pandeiros, tocando berimbaus e pipilando assobios feitos de junco.

Os homenzinhos estavam todos vestidos de verde, usavam bonés de cor escarlate e, quando tocavam, suas barbas sacolejavam. Tom ficou tão surpreso com a visão que não conseguiu se conter:

-"Vou lhes cortar a barba, vou lhes cortar a barba, velhinhos encapuzados !".


Ele gritou duas vezes, usando essas mesmas palavras e estava prestes a repetir novamente quando todos os dançarinos, e centenas mais do que ele notara da primeira vez, brotaram em tropas, armados com arcos e flechas, lanças e estilingues.



Os spriggans marcharam em direção a Tom, crescendo mais e 'mais à medida que dele se aproximavam.


Seu aspecto era tão assustador que Tom correu até seus companheiros, acordou-os e implorou-lhes que se atirassem ao mar para salvar suas vidas. Enquanto corriam em direção ao barco, uma chuva de pedras pequenas caía sobre eles e "queimavam como brasas ardentes em qualquer parte do corpo que atingissem".

Os homem estavam tão amedrontados que adentraram o mar sem nem mesmo olhar para trás, embora soubessem que estavam seguros, pois os spriggans não se atrevem a tocar a água salgada.

Quando deram uma espiada para ver o que acontecia atrás deles, viram um exército das criaturas mais feias do mundo, alinhadas na praia, fazendo gestos ameaçadores.


Isso durou até o amanhecer, quando os pequeninos se retiraram para os bancos de areia.


Obs; Spriggans são figuras masculinas grotescamente feias, encontradas em velhas ruínas, que guardam tesouros enterrados e agem como guarda-costas de fadas. Dizem também que eram culpados por praticarem furtos. Embora geralmente pequenos, tinham a capacidade de inchar alcançando enorme tamanho (especula-se que sejam os fantasmas dos antigos gigantes).
Certamente, sua disposição era pobre e que causaram o mal a quem ofendeu. Eles enviavam tempestades e queimavam plantações e, por vezes roubavam os filhos dos mortais, deixando seus feios changelings em seu lugar.


Há uma história de uma velha mulher que obteve o melhor de um bando de Spriggans virando sua roupa pelo avesso, para ganhar suas moedas. (o que provou ser tão eficaz como a água benta e o ferro para espantar as fadas)

sábado, 27 de novembro de 2010

A PARADA DOS SERES ENCANTADOS

A hierarquia dominante no Reino Encantado é muito semelhante ao nosso sistema monárquico. Os seres encantados mais aristocráticos, conhecidos como o Exército mágico ou Heróicos, pertencem a cortes organizadas como a Corte Seelie da Escócia ou o Daoine Sidhe (Theena Shee) tribo da Irlanda.

Essas cortes passam seus dias em atividades aristocráticas das quais uma das mais comuns, e certamente a mais impressionante, é cavalgar em procissão solene. Isso é denominado a Parada Encantada.

A cavalgada e os cavalos da tribo Daoine Sidhe têm fama mundial que é explicada, provavelmente, pela origem desses seres, os quais acredita-se serem os fragmentos decadentes dos legendários Tuatha De Danann (Tootha day danan) que, certa vez, governaram a Irlanda, mas foram conquistados pelos irlandeses e levados para as profundezas da terra.


Os cavalos encantados dos Tuatha De Danann foram descritos por Lady Wilde em seu livro Lendas Antigas da Irlanda :

"A raça dos cavalos que eles criavam não poderia ser superada em canto algum do mundo - velozes como o vento, com o pescoço curvado, o peito largo, narinas palpitantes, olhos grandes que mostravam que eles eram feitos de fogo e chamas, e não de terra pesada e sombria".

Os Tuatha fizeram para eles estábulos nas grandes cavernas das colinas e eram calçados com prata e tinham rédeas de ouro. Nunca permitiram que um escravo montasse neles.

A parada dos cavaleiros Tuatha De Danann era um espetáculo esplêndido.

Sete corcéis, cada um com uma jóia em sua testa, como uma estrela, e sete cavaleiros, todos filhos de reis, em mantos verdes com franjas douradas, cabeças cobertas por capacetes de ouro, membros protegidos por grevas douradas e tinham uma lança também dourada na mão.



Laddy Wilde nos conta que esses cavalos conseguiam viver cem anos ou mais. Os últimos animais da raça pertenceram a um grande lorde em Connaught, mas que, após a sua morte, foram tomados pelo martelo de um leiloeiro, juntamente com todos os seus pertences.




A estirpe foi comprada por um emissário do governo britânico, mas quando o cavalariço tentou montar um dos animal intrépidos, ele empinou e atirou o plebeu ao chão tão violentamente, que matou-o no mesmo instante.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A LENDA DE OISIN

Um dos poucos mortais a ser convidado para visitar Tir Nan Og foi Oisin (Isheen), filho de Fionn, chefe dos legendários guerreiros fenianos da Irlanda.

Oisin era filho de Fionn MacCumhail e tornou-se membro do lendário grupo de heróis chamado de Fianna.
Os Fianna possuíam grande coragem, força e destreza, tanto para as artes de guerra como para simples caça.
Viviam também sob um código moral de valores muito elevados.


Um dia, os Fianna estavam caçando, quando foram abordados por uma mulher de enorme beleza que montava um cavalo branco de imponente porte.

Inquirida por Fionn sobre quem era, de onde vinha e o que queria daquelas paragens, apresentou-se como Niamh do Cabelo Dourado, uma Tuatha De Danann (veja artigo "Os Tuatha De Danann", no blog) e filha de Manannan, deus do mar e rei de Tir Na nOg e que tinha vindo até terras da Irlanda para encontrar o grande herói e poeta de nome Oisin, homem que ela tinha escolhido para esposo.
Até aquele momento, Oisin não tinha conseguido sair do transe que a beleza daquela mulher o tinha colocado, mas ao ouvir o seu nome pareceu despertar.
Aproximando-se dela, perguntou-lhe que tipo de terra era Tir Na nOg.
Niamh descreveu a sua terra como uma terra encantada, onde ninguém envelhecia ou adoecia, uma terra onde todos os desejos se realizavam.



Sem hesitar, Oisin despediu-se do pai e dos amigos e pulou para a garupa do cavalo da sua amada Niamh. Num último aceno, prometeu voltar um dia.
Os Fianna viram com assombro aquele cavalo galopar sobre as ondas em direcção Oeste, levando consigo o seu heróis Oisin.


Fionn sossegou-se, lembrando que Oisin tinha prometido voltar.Como ninguém adoecia ou envelhecia em Tir Na nOg, Oisin passou lá 300 anos sem que tivesse sentido o passar do tempo.

Ele e a sua amada Niamh tinham um vida perfeita, toda ela cheia de amor e felicidade.Mas nem aquela terra encantada poderia banir dele as memórias do passado e começou a sentir enormes saudades, da sua terra, do seu pai e dos seus amigos.

Niamh entendeu esta necessidade de voltar à terra dos mortais e cedeu-lhe um cavalo mágico para que ele pudesse matar as saudades que sentia.

No entanto avisou-o de que em momento algum poderia pisar o solo que o tinha visto nascer. Se o fizesse, ele nunca poderia voltar a Tir Na nOg.
Oisin chegou à sua Irlanda para constatar que tinham se passado 300 anos e que Fionn e os seus homens há muito que tinham morrido, sendo agora alimento para muitas das lendas e canções que fervilhavam por aquela terra.
Não encontrando o que procurava, Oisin decidiu voltar para Tir Na nOg e para os braços da sua amada Niamh.


No caminho de regresso, deparou-se com alguns homens tentando mover uma enorme e pesada rocha e inclinou-se no cavalo para os ajudar.
Foi quando a tragédia aconteceu. Escorregou da sela e caiu em terra mortal, transformando-se de imediato num homem muito velho e cego.
Durante muitos anos, Oisin percorreu as terras da Irlanda até que um dia encontrou S.Patrício que o levou para casa e o tentou converter ao Cristianismo.
Oisin falou-lhe sobre os Fianna, sobre os guerreiros da antiga Irlanda e sobre Tir Na nOg.
Oisin morreu logo depois, sem nunca ter voltado a ver Tir Na nOg, nem à sua Niamh e sem nunca saber que, para o não prender, Niamh não lhe tinha contado que iria ser pai.
Assim termina a história de Tir Na nOg, ensinando-nos que a eterna juventude é coisa para fadas e não para mortais, mas isso nunca nos impedirá de sonhar.

obs: Muitas lendas recontam como St. Patrick encontrou Oisin, contorcendo-se no chão em sua velhice desamparada e o levou para sua casa. O santo fez o melhor que pôde para converter Oisin ao cristianismo, descrevendo as maravilhas do céu que poderiam ser suas se ele apenas se arrependesse.
Mas Oisin respondeu que ele não poderia conceber um paraíso que não se orgulhasse em receber os fenianos, caso eles quisessem entrar, ou um Deus que não estivesse honrado em tê-los entre seus amigos.
No entanto, se esse fosse o caso, de que valeria uma vida eterna sem caçadar ou namorar mulheres bonitas? Ele preferiria ir para o inferno onde, segundo Sr. Patrick, seus camaradas fenianos agonizavam.