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domingo, 31 de maio de 2009

A LINGUA DOS CELTAS

Atualmente, existe um interesse imenso sobre qual seria a lingua falada por tão fascinante povo, e porque ela teria morrido.
Na verdade, ela não morreu, e nem mesmo há uma única lingua de origem Celta no mundo. Nesse momento, existem quatro linguas Celtas faladas ainda na Europa e nas colonias, e duas em processo de ressurreição. E todas, sem exceção, retrocedem à antiga lingua-mãe Celta.
As linguas Celtas são idiomas Indo-Europeus em origem, e derivam portanto da linguagem Indo-Européia.
Enquanto os Indo-Europeus migravam para o Oeste (Celtas, Helenos, Germanos, Italiotas...) e Leste (Hindus principalmente), as difusões e épocas migratorias geraram, influências de povos aborigenes e periodos de isolamento geraram diferentes povos, com diferentes estruturas sociais e também, linguas diferentes.
Desses ramos linguisticos, um deles foi chamado de Céltico pelos filólogos; não se sabe exatamente quando o Céltico teria florescido, uma vez que carater migratório dos povos Celtas os levava sempre à novas regiões, com novas influencias linguisticas, e assim, o Céltico terminou por dar origem a um sem número de linguas, a maioria perdida atualmente.
As linguas Celtas melhor documentadas são aquela que pertencem ao chamado Celtico Insular, ainda que os primeiro registros que temos sejam das linguagens pertencentes ao Céltico Continental.
Das linguas Celtas Cotinentais, aquela que conhecemos melhor é o Gaulês.
Apesar disso, é um erro pensar que Gaulês era idioma único.
Os cronistas nos dizem que a fala dos Gauleses de uma região diferia da fala dos de outra, indicando a possibilidade de um grande número de dialetos locais.
Daqui vem muitas das palavras tão conhecidas daqueles que estudam os Celtas, como Maponos (Mabon, em Galês), Samonios (Samhain, na tradição Irlandesa) e outras.
Alguns dizem, com base nos nomes de Maponos, Epona e alguns outros, que a lingua Galesa teria fortes afinidades com as linguas insulares Britônicas, uma vez que Maponos é semelhante à Mab (filho em Galês) e difere de Mac (filho em Gaélico).
O mesmo vale para Epona, da raiz Gaulesa “epos” (égua), enquanto o Gaélico Arcaico seria “ech” (semelhante ao Latim “equus”).
De qualquer modo, o Gaulês veio a perecer com os séculos de dominação Romana, e apenas as inscrições nos dão o testemunho dessa lingua.
Muitas linguas Celtas Continentais também nos legaram alguns registros, como o Celtibérico, e todas elas tem recebido estudos em uma tentativa de reconstrução.
Todavia, são linguas mortas, pois o vocabulario disponivel não permite uma fluencia verdadeira em nenhum dos casos.
Os melhores avanços foram feitos no Gaulês, onde um sistema Gramatical (o Labarion) foi desenvolvido, e um belo vocabulario existe.
A realidade das linguas Celtas Insulares é bem diferente.
Quando os Celtas atingiram as Ilhas Britanicas, houve uma cisão entre eles.
Na Irlanda ficaram os chamados Celtas Goidélicos, enquanto na Bretanha, os Celtas Britonicos. Não se sabe exatamente como houve essa separação, mas é normalmente aceito que as linguas já diferiam antes dos Celtas alcançarem as Ilhas.
Algumas evidencias apontam para um Celtibérico mais próximo ao Gaélico, enquanto, como já foi dito, o Gaulês seria mais semelhante aos idiomas Britonicos, e isso talvez nos diga que as expedições dos Celtas para as Ilhas partiram de regiões diferentes.
Se alguma chegou antes, se empurrou ou assimilou a outra, isso é uma questão de suposições apenas.
O Britonico se assentou na Ilha maior, e pode ter sofrido influências do idioma Picto, embora pareça que os Pictos é que tenham sido Britonizados, uma vez que alguns nomes Pictos conhecidos tem afinidades Britônicas.
Uma outra hipotese é que os Pictos tenham sido sempre Celtas Britonicos, apenas separados dos outros por épocas migratórias.
Após isso, com a dispersão das tribos pela Bretanha, diferenças de dialetos surgiam.
A invasão seguinte, a dos Romanos, trouxe novas influencias ao Britonico.
Porém, diferente do que ocorrera na Gália, na Bretanha a lingua nativa sobreviveu, agora já diferindo do que era anterioromente, com influências Latinas.
As invasões seguintes, dos Escotos da Irlanda e dos Germanos (Saxões, Anglos, Jutos...) continuavam a influenciar a lingua, mas ela permanecia Britonica no todo.
Aqui nasceu um dos dois ramos que os filólogos atuais identificam como linguas Celtas modernas, o Celta Britonico, ou Celta P, já que suas palavras utilizavam uma troca do som do “K” Indo-Europeu por um “P” (ou “b”, em Galês moderno), ainda que o som do “K” não fosse totalmente perdido.
Do Britônico nasceu o Galês (Cymraeg) que permaneceu falado no interior Britanico, em regiões de menor influencia dos Anglos e Saxões.
Com a chegada dos Normandos, os falantes do Galês recuaram mais para o Oeste.
Uma versão do Galês também foi falada no sul da Escócia, mas ali a lingua cedeu rapidamente espaço para as variantes do Inglês.
Porém o Galês no País de Gales não pode ser banido, tendo diversos inimigos e aliados ao longo da Historia.
Uma das ações que permitiram a sobrevivencia da lingua foi a da “cultura de capelas” da Igreja Metodista, que apoiava o uso da lingua, mesmo com ela proscrita pela coroa Inglesa.
Atualmente, a lingua Galesa sofre poucos problemas, mas seu número está longe de ser seguro. Gwynedd, Dyfed e Glamorgan são os três maiores centros de falantes de Galês, que são cerca de um terço da população do País de Gales.
Cerca de trinta mil Argentinos também falam Galês, descendentes de colonos Galeses que se assentaram na Patagonia.
A lingua não corre mais risco de desaparecimento imediato, mas ainda não tem o futuro assegurado.
Outra lingua descendente do Britonico, mas que não teve tanta sorte, foi o Córnico (Kerneweg), que foi falada na Cornualha, no atual extremo sudoeste da Inglaterra.
A lingua diferia pouco do Galês, apenas o suficienta para ser considerada outro idioma, mas a baixa população e a rápida queda de Kernow perante os Anglo-Normandos condenaram a lingua. Como o Galês, ele foi proscrito, e nem mesmo a Igreja Metodista pode salva-lo.
Porém, a destruição não foi completa, nos legando textos, como dramas religiosos medievais, e permitiram a reconstrução da lingua.
Diferente do Gaulês, a quantidade de textos era grande, e a estrutura gramatical era reconhecida no Galês e no Bretão.
Com um vocabulario vasto, e duas linguas irmãs disponiveis, o Cornico foi reconstruido no século XX, e alguns dos estudiosos passaram a ensinar o idioma em suas casas.
Atualmente, cerca de trezentas pessoas falam Córnico, e seu caso único, o de uma lingua morta que parece realmente estar conseguindo ressurgir das cinzas.
O Bretão (Brezhoneg) é um caso mais complicado.
Também uma lingua Britônica, é atualmente a única lingua Celta falada na Europa Continental.
A migração dos Britonicos para a atual Bretanha Francesa (Breizh) começou por instigação dos Romanos, e atingiu seu ápice durante as invasões dos Saxões à Ilha Britanica.
Ali, os Bretões, que viviam separados de seus primos nas Ilhas, terminaram por desenvolver uma lingua que diferia de sua base Britônica, com influencias dos dialetos Latinos da região, e depois do Francês Normando também.
A lingua foi o idioma Celta que sofreu os ataques mais ferozes, por parte do governo Francês, e não do Inglês.
Ela foi perseguida até o século XX, mas sobreviveu, e apesar de ser uma lingua com um grande número de falantes idosos, ela tem um número expressivo (cerca de meio milhão de fluentes) e com o fim da perseguição (apesar de algum preconceito ainda persistir), ela finalmente volta a crescer.
Os Bretões foram alguns dos principais responsaveis pelo “Renascimento Celta”, com a força e divulgação de sua cultura, música (Alan Stivell) e literatura, e se esse movimento permanecer em crescente, o futuro da lingua pode estar assegurado.
Na Irlanda proliferou o ramo chamado Celta Goidélico (ou “Celta Q”), atualmente o mais visivel ramo das linguas Celtas.
Possivelmente levado à ilha por Celtas vindos da Ibéria, o Goidélico permaneceu praticamente sem contestação até a Idade Média.
Sua lingua herdeira local, o Gaélico Irlandês (Gaeilge), foi falada até a conquista Britanica, e foi a lingua na qual foram registrados os primeiros livros em lingua Celta, pelos monges que pregavam na ilha.
Nessa lingua estão presevados verdadeiros tesouros como o Echtrae Chormaic, o Tochmar Étaine, o Táin e o Leabhar Gaballa Érenn, todos textos importantissimos para o entendimento da mitologia Celta.
A lingua foi inclusive levada por migrantes Irlandeses para suas colonias além-mar.
A lingua permaneceu falada entre o povo após a Cristianização, e muitos textos fundamentais ao primevo Cristianismo Irlandês tem versões tanto em Latim quanto em Gaélico.
Após a conquista pela coroa Britanica, o Irlandês sofreu ferozes ataques do governo centrado em Londres, mas como sempre acontece com as linguas Celtas, o povo se recusava a deixar a fala de seus pais.
Os piores estragos ocorreram com a horrivel gestão de Cronwell e a Praga da Batata, já no século XIX, fatos que atingiam principalmente o povo Gaélico do interior da Ilha Esmeralda, causando morte e imigração para a América do Norte massivas, e dificilmente a lingua sobrevivia à mudança.
Mas a lingua resistiu, e com as ações de independência, deixou de sofrer ataques diretos, ainda que continuasse ameaçada pela mídia e educação Anglofonas.
A lingua foi incluida como matéria obrigatória nas escolas Irlandesas, e é a primeira lingua da nação pela Constituição.
Atualmente, a lingua, mesmo não sendo falada pela maioria da população Irlandesa, tem interesse renovado, número de falantes seguro e material de sobra para que aqueles que se interessam por estudos Celtas.
A lingua foi levada até a Ilha de Mann pelos Irlandeses, e é possivel que a população anterior fosse Britônica, mas os Gaélicos se tornaram logo predominantes, inclusive, seu santo nacional é o mesmo São Patricio da Irlanda.
Porém a ilha passou para o dominio Britanico, mas a lingua prevaleceu.
Então veio a regência Escandinava na Era Viking (gerando uma das mais exóticas conversões da Historia, com a maioria dos Manqueses adotando a religião pagã Nórdica, misturando-a ao Cristianismo e ainda agregando fortes elementos Celtas), e durante esse tempo, a influencia Nórdica penetrou fundo na lingua, tornando-a bastante distinta do seu Gaélico original.
Depois o controle da ilha passou à Escócia (que baniu a religião “mista” local), e a lingua passou a ser reconhecida como Manx.
Estando dentro do espectro da Coroa Britanica, a lingua também estava destinada a ser banida, e também permaneceu falada pelo povo, mesmo com a pequena população da ilha.
A lingua oficialmente morreu na década de 1970, mas foi totalmente registrada, e vem sendo estudada e revitalizada.
Ela foi incluida no curriculo escolar como matéria opcional par as crianças, e o interesse aumentou muito após a sua extinção.
Atualmente, existem cerca de 1500 falantes do Gaélico Manx (ou Gailck), que aprenderam a lingua por atitude própria e a passam aos filhos, e cerca de mil crianças frequentam as aulas de Manx nas escolas.
Tudo leva a crer em uma ressurreição completa da lingua.
O Gaélico escocês (Gaidhlig) foi levado pelos colonos Irlandeses, na instituição do Dál Ríada.
A lingua nunca foi realmente falada por todo o território Escocês, dividindo espaço com uma variação do Galês no sul, e o idioma Picto (do qual não nos sobram registros) no leste, mas essas linguas logo deram espaço à variante do Inglês conhecida por “Lallans”.
O Gaélico também cedeu rapidamente, mas por algum tempo houve regiões que falavam Gaídhlig.
Ele, como o usual, foi resistindo entre o povo, mas de forma extremamente restrita.
Porém, justamente pelo dificil acesso à essas regiões, ela sobreviveu, e não só isso, como manteve uma estrutura mais arcaica do que o Gaélico Irlandês, que sofreu mais influencias do Inglês.
Com a anexação definitiva da Escócia ao Império Britanico, o Gaélico cedeu rapidamente mesmo nessas áreas isoladas.
Hoje, a lingua sobrevive, mas é a mais ameaçada de todas as linguas Celtas.
Seus números só são maiores do que os das linguas que morreram (Manx e Kerneweg) e talvez seus cinquenta ou sessenta mil falantes na Escócia não sejam suficiente para manter a lingua viva.
Existem falantes dessa lingua em Cape Breton, no Canadá, mas talvez seus números também não aumentem muito as chances.
Alguns trabalhos vem sendo feitos para sua revitalização, mas sem um apoio estatal forte, não é possivel afirmar que háverá um futuro seguro para o Gaídhlig.
Essas são as linguas Celtas, as herdeiras da fala desse povo antigo tão fascinante, e nas quais muitos dos seus tesouros culturais e literarios são preservados.
Elas são ameaçadas, mas resistem com uma tenacidade digna dos antigos Britanicos e Gaélicos, e trazem ao mundo moderno um pouco do seu modo de pensar e ver o mundo.
E por isso, são cheias de méritos para aqueles que se interessam pelos Celtas, qualquer que seja seu motivo.
(A Fala dos CeltasCategoria : CeltaPublicado por Wallace.William em 26/6/2007 Por Wallace William de Sousa)

LINGUAGEM DOS CELTAS

História da Linguagem dos Celtas:
Além de nomes próprios e algumas inscrições curtas grafadas em etrusco, grego ou latim, pouco restou para documentar o idioma céltico.
Exemplos importantes do residual linguístico celta — provas da grande expansão geográfica destes povos — são nomes de cidades européias:
Londres (Londiniom), Viena (Vindobona), Milão (Mediolanum), Lyon (Lugdunum), Verdun (Virodunum), Kempeten (Cambodunum) e Dublin.
No século I d.C, o celta continental, falado na Gália, desapareceu, sobrepujado pelo latim dos invasores romanos.
Restaram, apenas, alguns dialetos do celta insular dividos em dois grupos:
1) Britônico, que compreende o bretão ou armórico, o córnico e o galês.
2) Gaélico ou Goidélico, que compreende o irlandês, o escocês ou "erse" e o manês.
Todas as línguas celtas empregam o alfabeto romano.
O bretão é falado, hoje, na Bretanha francesa.
O período de maior esplendor da língua bretã corresponde à metade do século XVII.
Neste período, gramáticas foram escritas e um grande conjunto de obras de teatro, literatura e baladas surgiram.
O córnico, língua da Cornualha, desapareceu no século XVIII, embora tenham sido feitos esforços recentes para reavivá-lo.
De documentos escritos na língua córnica restam algumas glosas do século IX, um vocabulário do século XII e dramas religiosos dos séculos XVI e XVII.
O galês — também chamado câmbrico e címbrico por seus próprios falantes — é o dialeto da região de Gales e uma das mais conhecidas variantes da língua Celta.
Divide-se em velho, médio e moderno galês (ver Literatura galesa).
O irlandês, também chamado gaélico-irlandês, é o idioma mais antigo do grupo gaélico.
Na República da Irlanda, é língua co-oficial (ver Literatura irlandesa).
No século V d.C., os irlandeses invadiram a Escócia e levaram uma variedade do gaélico que substituiu a antiga língua britônica.
Durante o século XV, o escocês se constituiu em uma língua diferente do irlandês e ganhou a condição de idioma (ver Literatura escocesa).
Por último, o manês é um dialeto gaélico-escocês, bastante influenciado pelos idiomas escandinavos, falado na ilha de Man, localizada entre a Inglaterra e a Irlanda.

LINGUA

As línguas célticas derivam de dois ramos indo-europeus do grupo denominado centum:
o celta-Q (goidélico), mais antigo, do qual derivam o irlandês, o gaélico da Escócia e a língua manx da Ilha de Man, e o celta-P (galo-britânico), falado pelos gauleses e pelos habitantes da Bretanha, cujos descendentes modernos são o galês (do País de Gales) e o bretão (na Bretanha).
Os registos mais antigos escritos numa língua celta datam do século VI a.C..

As informações hoje disponíveis sobre os celtas foram obtidas principalmente através do testemunho dos autores greco-romanos.
Isto não permite traçar um quadro completo e imparcial do que foi a realidade quotidiana desses povos.
O chamado "alfabeto das árvores" ou Ogham surgiu apenas por volta de 400 d.C.

Edward Lhuyd, em 1707, identificou uma família de línguas, ao notar a semelhança entre o irlandês, o bretão, o córnico e o galês e a extinta língua gaulesa, as quais classificou como línguas celtas.
Lhuyd justificou o uso da expressão pelo fato destas pertencerem à mesma família linguística do gaulês e a língua gaulesa e a maioria das tribos gaulesas terem sido chamadas de celtas.

Fontes clássicas e arqueológicas atestam que os celtas faziam uso limitado da escrita.
Júlio César, no De Bello Gallico, comentou que os helvécios usavam o alfabeto grego para registar o censo da população e que os druidas recusavam-se a registar por escrito os seus versos, mas que faziam uso do alfabeto grego para as transações públicas e pessoais.
Diodoro disse que nos funerais os gauleses escreviam cartas aos amigos, e jogavam-nas na pira funerária, como se elas pudessem ser lidas pelos defuntos.
Já Ulpiano determina que os fidei comunis podiam ser escritos em gaulês, entre outras línguas, o que gerou especulações de que no século III esta língua ainda seria escrita e falada.

O alfabeto ibérico foi usado para registar o celtibéro, uma língua celta da península Ibérica.
O alfabeto de Lugano e Sondrio foi usada na Gália Cisalpina e o alfabeto grego na Gália Transalpina.
Variações do alfabeto latino foram usadas na península Ibérica e na Gália Transalpina.
Estudos colocam a hipótese de haver uma relação entre as inscrições de Glozel e um dialecto celta.

sábado, 30 de maio de 2009

TRIBOS E POVOS CELTAS



Brácaros
Bretões
Batavos
Calaicos
Caledônios
Celtiberos
Célticos
Gauleses
Eburões
Escotos
Pictos
Trinovantes


Os Brácaros (em latim bracari) eram um povo pré-romano de cultura céltica, que habitava o Noroeste de Portugal. No seu território entre os rios Douro e Lima, por volta do ano 16 a.C., foi edificada Bracara Augusta a mando do imperador romano Augusto, o nome romano da actual cidade de Braga. Adoravam a deusa galaico-lusitana Nabia.
A respectiva celticidade linguística surge atestada nomeadamente na inscrição epigráfica da Fonte do Ídolo, em Braga, dedicada a Nabia e no nome da cidade de Tongobriga (Marco de Canaveses), formado a partir dos elementos tong- ("jurar") e -briga ("povoado fortificado").

Os Bretões - Depois da conquista da Gália pelos Romanos, a Bretanha fazia parte da Armórica (aremoricae – que está frente ao mar).
Cerca de 500 d.C., os Bretões da ilha da Bretanha (a Grã-Bretanha atual), atacados pelos Anglo-saxões emigraram para a ilha, trazendo os seus costumes e língua. A região passou a se designar Bretanha com a sua chegada.
Muitos a designam, também, de Pequena Bretanha, por oposição à ilha de onde vieram.
No início da Idade Média, a Bretanha foi dividida em três reinos - o Domnonée, a Cornualha, e o Bro Waroch - que foram incorporados ao Ducado da Bretanha.
Bem antes dos Celtas, as primeiras populações erigiram aí monumentos megalíticos, como os menires e os dólmens. Não é pacífico que estes monumentos tivessem significado religioso, mas é muito provável que sim.
A religião druídica expandiu-se com a chegada dos Celtas, tanto na Gália como nas ilhas britânicas.
A dominação da península da Bretanha pelos Romanos não deixou grandes marcas na religião destes povos.
Com o fim da Gália romana, as tribos que se estabelecem na Armórica, vindas da Grã-Bretanha, trazem consigo uma nova religião – o cristianismo - que irá suplantar progressivamente as outras crenças tradicionais.
Contudo, o paganismo druídico coexistirá durante muito tempo com a religião dominante, de forma mais ou menos pacífica.
Ainda hoje existe um grande acervo de lendas e tradições locais que evocam práticas religiosas druídicas.
A Bretanha é composta, em termos históricos, por duas áreas linguísticas: a Baixa-Bretanha ou Breizh Izel, a oeste (Finisterra, Morbihan e a parte ocidental de Côtes-d’Armor) onde se fala uma língua céltica, do grupo britônico (aparentado ao galês e ao córnico) designada como bretão (ou bretão armórico); e a Alta-Bretanha ou Breizh Uhel, a leste (Ille-et-Vilaine, Côtes-d’Armor e Loire-Atlantique) onde se falam dialectos românicos (langues d’oïl) conhecidos como "Gallo".









(Mapa da Bretanha)










(Localização da Bretanha na França)

Batavos - Os batavos eram uma tribo germânica, que habitava a região do delta do rio Reno após a sua divisão; um dos braços sendo o Waal, o outro sendo o Nederrijn/Oude Rijn e nas suas ilhas vizinhas. O nome Batávia foi usado por diversas unidades militares romanas, originalmente recrutadas entre os batavos.
O nome tribal deriva de bat "excelente" e avjo "terra", uma referência à fertilidade da região, ainda hoje conhecida como o principal centro de produção agrícola dos Países Baixos (a Betuwe).
Achados arqueológicos, nomeadamente tábuas de escrita, sugerem que parte da população estava alfabetizada, utilizando uma forma de escrita antes e durante o período romano e, também sugerem, que os batavos viviam em pequenas aldeias de 6 a 12 casas, localizadas nas terras mais férteis das margens dos rios.
Dedicavam-se à agricultura e à criação de gado, possuindo cavalos, o que é comprovado pela presença de esqueletos destes animais em túmulos da época.
Aparentemente seriam exímios cavaleiros, dedicando grande atenção à equitação.
No período do romantismo, associado ao fenômeno do renascimento do nacionalismo europeu, os batavos foram erroneamente considerados como os antepassados eponimos dos neerlandeses, quando na realidade foram apenas um dos povos que convergiram àquela região do noroeste europeu, em conjunto com os frísios, francos e saxões.

Os galaicos (callaeci ou gallaeci, em latim, kallaikoi em grego), também chamados de calaicos, eram um conjunto de tribos celtas que habitavam o noroeste da península Ibérica, correspondendo hoje em dia ao espaço geográfico que abrange o norte de Portugal, a Galiza, as Astúrias e parte de Leão.
Travaram grandes batalhas com os romanos durante anos e foram subjugados por eles politica e militarmente.
Os romanos eram comandados por Décimo Júnio Bruto, que pela proeza de os derrotar, tomou o cognome de "o Galaico".
A designação da tribo vem da batalha entre galaicos e romanos que ocorreu na cidade de Cale (que alguns historiadores situam no que hoje é Gaia e outros no que hoje é Porto) e celebra a forte resistência dada por este povo aos romanos, que estendem a designação às restantes tribos do noroeste peninsular.
Foi então criada a divisão administrativa da Gallaecia, tendo como limites o Douro - a sul; o oceano Atlântico - a oeste e a norte; e a Tarraconensis (Tarraconense).
A Gallaecia (Galécia) estava dividida em três conventus: a Galécia Lucense, a Galécia Bracarense e a Galécia Asturicense. A sua capital era Braga. A divisão correspondia à divisão feita às tribos que a compunham: os ártabros, a norte; os gróvios, a sul; e os astures a oeste.












(Castro galaico)

Para quem quiser aprofundar-se no assunto, a seguir listamos as Tribos Galaicas.
Tribos Galaicas:


Aidwoi
Albioni
Arronioi
Baniensses
Brassioi
Brigantini
Cilenos
Koukoi
Límios
Nerioi
Sewroroi
Túrodes Artabroi
Zoelae
Abobrigoi
Artodioi
Bracaroi
Ekwesioi
Interammikoi
Kalaikoi

A maioria dessas tribos deu origem aos nomes das províncias romanas na Europa que mais tarde batizaram os estados/nações modernos.
O único estado/nação independente de origem céltica atualmente é a República da Irlanda.
O País de Gales também se identifica com a cultura e a etnia célticas, mas é uma entidade subnacional do Reino Unido.
A Cornualha (Reino Unido), a Bretanha (França) e a Galícia (Espanha) também são regiões onde línguas e costumes celtas predominam até hoje, ainda que na Galícia a língua Galega não é de origem celta.
Os celtas eram de etnia similar à dos povos Germânicos: altos, com muitos pêlos e de olhos e cabelos claros (ainda que, entre os celtas, os pêlos ruivos e alaranjados fossem mais comuns). São, no entanto, ramos étnicos e culturais distintos tanto geograficamente quanto historicamente.
Note-se, porém, que nos atuais irlandeses, tradicionalmente relacionados com os antigos celtas, predominam muito os cabelos escuros e menor estatura que os germânicos.



Os caledônios (português brasileiro) ou caledónios (português europeu) (em latim: caledonii), é o nome dado por historiadores a um conjunto de tribos celtas da Escócia na época da Idade do Ferro. Foram primeiramente tidos como bretões, mas depois distinguidos como pictos. Os pictos eram antigos habitantes da Escócia que estabeleceram seu próprio reino e lutaram contra os romanos na Britânia. Fontes romanas afirmam que os pictos teriam um poderoso reino com centro em Strathmere. Tiveram que enfrentar o advento de outros povos à Grã-Bretanha, entre eles os anglos da Úmbria do Norte; e os escotos procedentes da Irlanda, que formaram um reino na Dalríada.



(Pedra picta)

As invasões nórdicas nos século VIII e IX parecem ter levado os pictos e escotos a se unirem, pois, em 843, Kenneth I MacAlpin, antes rei dos escotos, tornou-se também rei dos pictos. A partir de então, toda a Escócia reconhecia um só rei. Eles venceram os vikings e os anglo-saxões e criaram a Escócia.
Segundo um estudo efetuado pelo geneticista Bryan Sykes, os pictos seriam originários da Península Ibérica.

(Britânia província britânica onde habitavam)

Eles eram inimigos do Império Romano, que possuia a Grã-Bretanha como província (Britânia). Não é sabido o nome que os caledônios referiam a si mesmos.
Eram fazendeiros que viviam em aldeias cercadas por muros, e foram derrotados pelos romanos em diversas ocasiões.
Apesar disso, os romanos nunca ocuparam completamente o território da Caledônia (correspondente à Escócia moderna) e a resistência dos caledônios foi um dos fatores que colaborou com o abandono do plano romano de ocupar a área.
Segundo registros romanos, os caledônios eram conhecidos como resistentes ao frio, à fome, e ao sofrimento.
Para conter ataques de tribos que viviam na Escócia, os romanos construiram a Muralha de Adriano, que pertence ao Patrimônio Mundial.
Quase toda a informação sobre os caledônios vem de seu inimigo, podendo resultar na parcialidade do registro histórico.
O historiador Tácito menciona que eram ruivos e fortes em seu livro sobre a vida e o caráter de Júlio Agrícola.

Os celtiberos são o povo que resultou, segundo alguns autores, da fusão das culturas do povo celta e do povo ibero, nativo da península Ibérica.
Habitavam a Península Ibérica, nas regiões montanhosas onde nascem os rios Douro, Tejo e Guadiana, desde o século VI a.C..
Não há, contudo, unanimidade quanto à origem destes povos entre os historiadores.
Para outros autores, tratar-se-ia de um povo celta que adaptou costumes e tradições iberas. Estavam organizados em gens, uma espécie de clã familiar que ligava as tribos, embora cada uma destas fosse autónoma, numa espécie de federação. Esta organização social e a sua natural belicosidade, permitiram a estes povos resistir tenazmente aos invasores Romanos até cerca de 133 a.C., com a Queda de Numância.





(Botorrita: placa de bronze com inscrição antiga)



Os célticos (em latim, CELTICI, que significa celta) é o nome dado aos celtas que habitavam a zona do Alentejo ocidental no sul de Portugal, mas poderiam também ocupar território dos Turdetanos.
Os Turdetanos eram povos ibero da Hispânia bética, que habitava a Turdetânia, região a oriente do rio Guadiana e junto ao curso médio e inferior do rio Guadalquivir, do Algarve em Portugal até Serra Morena, coincidindo com os territórios da antiga civilização de Tartessos.
Estrabão diz que, os turdetanos, principalmente os que viviam ao longo do rio Baetis, tinham adoptado o modo de vida Romano, e não se lembravam mais da própria língua.
Segundo Jorge de Alarcão a "designação Celtici seria um colectivo que abrangeria diversos populi, designadamente os Sefes, os Cempsii e talvez também os Lusitani".
As povoações dos Célticos na Lusitânia eram Lacobriga, Caepiana, Braetolaeum, Miróbriga, Arcóbriga, Meribriga, Catraleucus, Turres, Albae e Arandis.
Os célticos eram vizinhos dos Turdetanos com quem partilhavam as planícies do Alentejo, ocupando os célticos a parte ocidental.
É Ptolomeu , baseado em autores mais antigos como Possidónio e Artemidoro, que distingue os dois povos no século II d.C.

Gauleses - O termo gauleses designa um conjunto de populações celtas que habitava a Gália (Gallia, em latim), isto é, o território que corresponde hoje, a grosso modo, à França, à Bélgica e à Itália setentrional proto-históricas, provavelmente a partir da Primeira Idade do Ferro (cerca de 800 a.C.).

Os gauleses dividiam-se em diversas tribos ou povos, por vezes federados, cada um com cultura e tradições originais.

Os arqueólogos ligam as civilizações gaulesas à civilização celta de La Tène (chamada assim a partir do nome do sítio descoberto no lago Neuchâtel, Suíça).

A civilização de La Tène expandiu-se no continente na Segunda Idade do Ferro e desapareceu na Irlanda, durante a Idade Média.











(Mapa da Gália aproximadamente 58 dc.)

Os gauleses dividiam-se em povos, um total de 44 na época da conquista romana.
Formavam a Gália celta e foram incorporados à chamada Gália romana.
(Charge retratando um Gaulês)

Os Eburões – Viviam numa região que nos dias atuais, compreende a área situada ao norte da França, da Bélgica e uma parte do sul da Holanda para o Rio Reno e na porção norte-ocidental da Renânia do Norte-Vestefália.
Sabe-se que viviam da colheita pois César relata que em 54aC, após a conquista da Galia em 57aC, suas tropas necessitando urgentemente de alimentos recorreram aos campos dos Eburões que relutantes pelo fato de sua colheita naquele período não ter sido boa, negaram-se a ceder com medo de virem a sentir fome. César então ordenou que campos fossem feitos ao lado dos campos dos Eburões, o que gerou revolta.
Através dos relatos de César, sabe-se também que eram bons e valentes guerreiros, pois ele narra seu comentário sobre suas batalhas contra os gauleses: "De Bello Gallico".
Neste texto ele também escreveu a famosa linha: "De todos os gauleses, o Belgas são os mais bravos". ("... Horum omnium fortissimi sunt Belgae ...").
Os Eburões foram governados por Ambiorix
O Eburões foram história a partir desse ponto.
Ambiorix e os seus homens, no entanto, conseguiu atravessar o Reno e desaparecem sem deixar rastro.


Escotos (em irlandês antigo Scot, no moderno gaélico escocês Sgaothaich) era o nome genérico dado pelos romanos aos gaélicos da Irlanda.
Alguns deles, do nascente Reino de Dal Riata, onde hoje é o Ulster, estabeleceram-se em Argyll (Earra-Ghàidheal, East Gaels), onde criaram o Reino de Dalriada.
Com o tempo o nome tornou-se aplicável a todos os povos das regiões que eles conquistaram, donde vêm as palavras modernas escocês e Escócia (em inglês Scotland).
Acredita-se que os grupos gaélicos não se auto-denominavam escotos, exceto quando se referindo a si mesmos em latim.
A pseudo-história medieval irlandesa explicava o nome traçando a descendência dos gaélicos de Scota, filha de um faraó egípcio.


Os pictos eram antigos habitantes da Escócia que estabeleceram seu próprio reino e lutaram contra os romanos na Britânia.
Fontes romanas afirmam que os pictos teriam um poderoso reino com centro em Strathmere. Tiveram que enfrentar o advento de outros povos à Grã-Bretanha, entre eles os anglos da Úmbria do Norte; e os escotos procedentes da Irlanda, que formaram um reino na Dalríada.
As invasões nórdicas nos século VIII e IX parecem ter levado os pictos e escotos a se unirem, pois, em 843, Kenneth I MacAlpin, antes rei dos escotos, tornou-se também rei dos pictos.
A partir de então, toda a Escócia reconhecia um só rei.
Eles venceram os vikings e os anglo-saxões e criaram a Escócia.
Segundo um estudo efetuado pelo geneticista Bryan Sykes, os pictos seriam originários da Península Ibérica .

Os Trinovantes ou Trinobantes são uma das tribos célticas que viveram na Grã-Bretanha pré-romana.
Seu território ficava localizado no lado norte do estuário do rio Tâmisa, onde hoje se situam Essex e Suffolk, e incluíam terras que agora fazem parte da Grande Londres.
Seu nome deriva do prefixo intensificador celta tri- e novio ("novo"), significando portanto "muito novo", provavelmente com o sentido de "recém-chegados".
Sua capital era Camulodunum (actual Colchester), um dos lugares propostos para a legendária Camelot.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

NAÇÕES CELTAS

A expressão nações celtas refere-se a áreas da Europa onde se supõe que membros da cultura celta (especificamente falantes de línguas célticas) tenham habitado. Desde meados do Século XX, que pessoas de vários países e regiões têm utilizado a celticidade para expressar sua identidade. Através do tempo, estas nações têm sido mais ou menos rotuladas como célticas. Estas regiões celtas na Europa são por vezes referenciados como "Cinturão Celta" ou "Franja Celta", devido a sua localização situar-se geralmente na parte noroeste das regiões que ocupam (por exemplo, a Bretanha está situada no noroeste da França, as partes da Escócia e Irlanda que falam gaélico estão a noroeste e oeste, respectivamente). Todavia, como tais termos são às vezes interpretados como depreciativos, os residentes destas regiões preferem a denominação "Nações Celtas".

Uma nação pode ter vários significados dependendo do contexto ou da perspectiva política de quem empregue esta palavra. Coloquialmente o significado de nação é sinônimo de país e estado, mas um significado mais amplo é o de um conjunto de habitantes de um território que posuem uma cultura, uma língua, uma história, uma origem étnica ou uma mentalidade própria em comum (inconsciente coletivo). Segundo tal raciocínio, existem na Europa vários territórios/povos/nações que se autoproclamam celtas, e seriam por isso merecedores da denominação de Nações Celtas.


As Seis Nações:
As regiões geralmente incluídas nesta identificação são:
Bretanha
Cornualha
Irlanda
Ilha de Man
Escócia
Gales
São tão somente estas as 'Seis Nações' consideradas célticas pela Liga Céltica, pelo Congresso Céltico e vários outros grupos pan-célticos. Cada uma das seis pode ostentar uma língua céltica própria: esse é o principal critério de celticidade para as organizações citadas.
Ao revés, da revivida identidade regional das Shetland e das Ilhas Orkney poderia ser dito que se apóia mais na cultura escandinava do que na cultura e nas raízes genealógicas celtas. Entrementes, tanto o movimento lingüístico Gallo quanto o dos Escotos das Terras Baixas (Lowlands) promovem línguas ou dialetos indígenas não-célticos para estes países, a saber, bretão, escocês e Ulster na Irlanda.
Quatro das 'Seis Nações' (Bretanha, Irlanda, Escócia, Gales) contém áreas onde uma língua céltica ainda é usada pela comunidade. Geralmente, estas comunidades estão situadas a oeste em seus países, em regiões elevadas ou ilhas, e por vezes afirmam serem mais célticas do que as áreas anglicizadas/galicizadas à leste ou nas grandes cidades.

Outras reivindicações:
Em geral, a maioria dos países da Europa Central e Ocidental podem considerar ter tido uma influência celta. Em vários deles, também existem movimentos 'célticos', desejando seu reconhecimento como Nação Celta. Estas reivindicações são discutidas abaixo.



A península Ibérica
Os celtas na Europa, passado e presente:
partes da Europa outrora populadas pelos celtas; habitantes atuais destas áreas freqüentemente reivindicam uma herança e/ou cultura céltica.
A Galiza, o norte de Portugal e Astúrias são as áreas mais freqüentemente destacadas pela influência da cultura celta. Como a Bretanha, a Galiza foi parcialmente colonizada pelos Bretões durante o período pós-romano.
Nem na Galiza nem em Astúrias houve a sobrevivência de uma linguagem céltica, o que significa que o teste mais comum de celticidade não se aplica. A base para a reivindicação de celticidade destas regiões, é mais a consciência céltica per si a qual é justificada sucessivamente através das semelhanças na música, dança e folclore com a Bretanha e os outros países célticos amplamente reconhecidos. A candidatura da Galiza a membro das "Nações Celtas" foi recusado pela Liga Céltica apesar de esta reconhecer a sua herança céltica.
A Cantábria e Portugal do Norte (através da área galega do seu território) são ocasionalmente sugeridos como outras regiões célticas.

Antigas regiões gaulesas
Muitos franceses se identificam ativamente com os gauleses.
Os falantes de francês (provençal) da região do Vale de Aosta na Itália também vêm apresentando reivindicações ocasionais de herança céltica e o partido autonomista Liga Norte freqüentemente exalta as raízes celtas da Padânia. Alegadamente, o Friuli também apresentou uma efêmera reivindicação de celticidade.
Os Valões são às vezes caracterizados como "Celtas", principalmente em oposição às identidades "Teutônica" flamenga e "Latina" francesa; a palavra "valão" deriva de uma palavra germânica que significa "forasteiro", cognata com "galês".

Inglaterra
Tradições e costumes celtas tiveram continuidade na Inglaterra, particularmente nas extremidades tais como Devon, Nortúmbria e Cúmbria. Como um todo, a Inglaterra não é vista como um país céltico; durante a era 'céltica', a Grã-Bretanha era habitada por grande número de tribos regionais célticas, nenhuma das quais terminou formando diretamente a nação inglesa. Nas 'línguas célticas', ela é usualmente referida como a "Terra dos Saxões (Sasann, Pow Saws etc), e em galês como Lloegr.
Diferentemente de muitos dos exemplos acima, há pouca motivação política por trás desta busca por uma identidade mais complexa, mas um reconhecimento de que peculiaridades linguísticas culturais podem ser traçadas até as origens celtas. A Cúmbria, por exemplo, retêm alguma influência céltica, dos esportes locais (a luta livre da Cúmbria) a superstições, e traços do cúmbrico ainda são falados, afamadamente pelos pastores ao contar suas ovelhas (Yan, Tan, Tethera, Methera, Pim). Existem agora propostas de resgatar o cúmbrico como linguagem e existem cerca de 50 falantes de um hipotético "cúmbrico" reconstruído. A jurisdição também é o lar do Rheged Discovery Centre que testemunha a história céltica da Cúmbria. Seu nome é cognato de Cymru, o termo galês que significa "Terra dos Camaradas".
A revitalização da celticidade inglesa não tem sido popular entre seus vizinhos, cujas próprias renovações surgiram com o intuito de se contrapôr à cultura majoritária da Inglaterra dentro do Reino Unido. Ela também tende a ser apolítica, num contraste estrito ao dos 'Seis', Galiza ou mesmo da Padânia. Em seus primórdios, a revitalização concentrou-se no Rei Artur, fadas, folclore e também Boadicéia, cuja estátua se ergue na parte externa do palácio de Westminster. Curiosamente, Boadicéia, que combateu o imperialismo romano, foi realmente pesquisada por um ou dois ingleses vitorianos imperialistas, que clamavam que ela teria um "novo império" maior do que o romano. A revitalização moderna tem se focado muito mais em música, mitologia, rituais como os dos druidas e uma melhor compreensão dos festivais célticos que têm sido observados na Inglaterra desde o período céltico, e dialeto ou linguagem.



As Américas e além
Em outras regiões, pessoas com herança de uma das 'Nações Celtas' também se associam à identidade céltica. Nestas áreas, tradições e linguagens célticas são componentes significativos da cultura local. Estas incluem o vale Chubut da Patagônia com falantes argentinos do galês (conhecida como "Y Wladfa"), Ilha Cape Breton na Nova Escócia, com falantes de gaélico, canadianos e o sudeste da Terra Nova com falantes do irlandês.
Em acréscimo a estes, grande quantidade de pessoas dos EUA, Austrália e outras partes do antigo Império Britânico podem se considerar de 'nacionalidade céltica'.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O REAVIVAR CELTA


No séc. XVIII houve um reavivar da cultura celta e do druidismo, quando John Toland estabeleceu a Ordem Druida em 1717, no Primrose Hill, em Londres, mais tarde designada “the Ancient Order of Druids (AOD)”.

Os escoceses tiveram menos sorte, pois em 1762 os ingleses começara com a desobstrução das terras altas, afirmando ser um “progresso” necessário, mas efetivamente forçaram os escoceses a abandonarem as suas casas nesses lugares e a abolir o seu sistema de clãs.

A situação agravou-se posteriormente quando a crise da batata devastou a Escócia e a Irlanda no séc IX.

Muitos escoceses e irlandeses foram forçados, devido à fome e más condições de vida a mudarem-se para as igualmente imundas (mas com melhores salários) cidades, esperançosos de acharem um novo rendimento, ou migrarem para os USA, Canadá ou Austrália, em busca de terras e liberdade.

Com eles levaram a sua cultura e tradições e espalharam-nas pelo mundo.

Sobretudo os irlandeses e escoceses foram forçados a abandonarem as suas terras pelos Senhores, que punham os seus próprios lucros acima do bem-estar do seu povo.

O séc XX conheceu um novo conflito pela independência da Irlanda, e em 1916 foi proclamada a República Irlandesa.

Em 1949 a ilha irlandesa acabou por ser dividida na República da Irlanda e na Irlanda do Norte, a última ainda sendo parte do Reino Unido.

O DECLÍNIO DA CIVILIZAÇÃO CELTA





Como já foi dito, a falta de um governo central entre as tribos celtas, fez da grande expansão o motivo de sua decadência.


Os celtas foram o primeiro povo a se submeter ao Império Romano, tanto que no final do século II a.C. a Gália Cisalpina e a Celtibéria já eram territórios conquistados.


Sob o comando de Julio César, no século I a.C., a Gália Transalpina foi tomada e, no mesmo período, a Galácia tornava-se província subordinada a Roma.


Com as Gálias já conquistadas, as legiões avançaram para as Ilhas britânicas, onde a dominação aconteceu de forma gradativa e foi concluída no fim século I d.C.


Enquanto isso, neste mesmo período, as tribos celtas na Europa Central caiam no domínio dos povos germânicos.


Em tese, era o fim da cultura La Tène e a arte celta, assim como concebida, acabou confinada na Ilha da Irlanda, para florescer novamente no início da Idade Média em um ambiente já cristão católico.


Afora a região irlandesa, a tradição e as línguas de herança céltica ainda sobreviveram nas demais regiões habitadas pelos celtas nos últimos anos que antecederam a dominação, como na Cornualha, Ilha Manx e as Highlands escocesas (Reino Unido), na Bretanha (França), na Galícia (Espanha) e na Galácia (Turquia).

O PERÍODO ARISTOCRATA



Em 1485 Henry Tudor tornou-se rei da Grã-Bretanha levantando a esperança de Wales visto que ele próprio era de descendência galesa.
Infelizmente não houve uma restauração da população galesa e o muito anglicizado Henry VII, filho de Henry Tudor, só tornou as coisas pior, unindo a política galesa à inglesa.
Em 1534 o rei Henry VIII declarou-se como o líder principal da Igreja Inglesa e começou a fechar muitos dos mosteiros cristãos.
A dinastia Tudor terminou em 1603, com o começo da dinastia de Stuart, pelo rei James I da Inglaterra, de descendência escocesa. Contudo também não se verificou nenhuma restauração escocesa, e no sec XVII deu-se uma conquista irlandesa liderada por Oliver Cromwell.
Quanto à Irlanda, no séc XVI o aperto do império inglês tornou-se mais firme, e as relações mais tarde azedaram ainda mais com a Reforma.
A Inglaterra protestante manteve a Irlanda católica sob sujeição, por vezes incrivelmente brutal, até ao fim da I Guerra Mundial.

A IDADE MÉDIA



No séc IX começaram os ataques Vikings à Grã-Bretanha e à Irlanda. Em 1014, Brian Boru, o Rei Supremo da Irlanda, combateu na batalha de Clontarf contra o Rei Mael Ordha de Leinster e o seu exército viking, mas foi morto entretanto. Mas não só a Irlanda conheceu os seus heróis medievais.


Em 1282, Llywelyn, último Príncipe nativo de Gales (que continuava como um principado separado), foi morto pelos ingleses.

O rei Edward I da Inglaterra começou a construir uma série de castelos em Gales e, em 129, a sua atenção voltou-se para a Escócia.

A Escócia foi dividida entre a língua gaélica das Terras Altas (celta irlandês) e a língua escocesa das terras Baixas (dialecto germânico, parecido ao inglês).

Os clãs guerreiros e chefes das Terras Altas estavam constantemente em conflito com os seus vizinhos das Terras Baixas, que lhes planeavam roubar gado. (Esta foi a base da sua eventual supressão brutal depois do seu suporte à galante e católica tentativa do Príncepe Charles de trazer o trono da Inglaterra para as mãos da antiga Casa Real Escocesa dos Stuart, dos Protestantes de Hannover, em 1745-6.)


Esta foi a época do famoso guerreiro conhecido como William Wallace, que derrotou as topas inglesas na batalha de Stirling Bridge em 1297.
Apesar de William Wallace ter sido capturado e executado em 1305, a resistência escocesa ao governo inglês continuou por Robert the Bruce.

Em 1400, Wales revoltou-se contra a soberania inglesa, liderada por Owain Glyndwr (Owen Glendower). Esta revolução continuou por alguns anos, até que sofreu uma série de derrotas em 1410.

Quanto à Bretanha francesa, era um reino independente no séc IX.
Tornou-se um dos quase independentes ducados que faziam parte da França medieval.
Assim como o centro do poder real crescia no séc XV, também a independência diminuía, e era politicamente absorvida pela França em 1532

AS DARK AGES


Há uma lenda de um rei chamado Vortigern, que usurpou o trono aos reis justos da Bretanha. Diz-se que foi ele quem convidou os anglo-saxões como mercenários para a Bretanha e lhes deu terra, se em troca lutassem contra os ataques e assaltos dos irlandeses e dos Picts.
Os anglo-saxões tornaram-se ambiciosos e começaram a exigir mais terra, começando a partir do Leste, eventualmente para estabelecer uma Inglaterra de língua germânica.


É nestes tempos que Merlin começou a aparecer e fez a profecia do dragão vermelho (os britânicos) a lutar contra o dragão branco (os anglo-saxões), e em seguida começou um período em que se acredita que o próprio Rei Artur reinou e interrompeu as invasões anglo-saxónicas por alguns anos. Quer o rei Artur tenha ou não existido, a batalha de Mount Badon quase de certeza que se deu, apesar do local não ser certo, mas acredita-se que foi em 494.
Uma segunda batalha notável foi a batalha de Camlann, em 537, onde é comum dizer que o rei Artur combateu o próprio filho, Mordred, e recebeu uma ferida mortal, sendo depois levado para Avalon para ser curado, onde ficou dormindo até o seu povo voltar a precisar dele.

No séc VII, as invasões e conquistas dos anglo-saxões continuaram e, gradualmente os britânicos perdiam mais e mais terra para eles. Foram forçados a recuar até á costa oeste, para regiões que hoje conhecemos como Cornwall e Wales.

Do oeste alguns bretões atravessaram a Armórica, a extremidade oeste da Gália (terra que acabou por se designar França após os seus novos lordes germânicos, os Francos).
Os emigrantes britânicos não eram tanto refugiados das invasões anglo-saxónicas, como eles próprios eram invasores; conquista e emigração era o nome do jogo da altura, e os britânicos aproveitaram a oportunidade para alguma expansão deles mesmos. A partir de então a ilha da Grã-bretanha ficou distinguida como “Great-Britain” ao invés de “Britain”, para evitar confusões com esta nova “pequena Britain” (Bretanha).

A Escócia, livre das invasões anglo-saxónicas, viram a instalação de irlandeses nas suas terras, que também se juntaram à expansão, mas em direção aos seus colegas celtas da Grã-Bretanha (a sua maior captura de celtas foi, claro, o jovem St. Patrick). Instalaram-se sobretudo na costa Oeste escocesa, que acabou por receber esse nome dos seus novos moradores em Argyll; a terra destes Scotti tornou-se “Scotia”. Eventualmente as tribos dos Pictish desapareceram como um povo separado, envolvidos em guerras com os irlandeses, assim como outros reinos menores, misturando-se com aqueles que acabaram por ser os escoceses.

A própria Irlanda acabou por se tornar terra cristã, como resultado do trabalho de S. Patrício no séc V, e tornou-se um dos maiores centros de devoção religiosa da Europa nos sécs VII e VIII.
Os seus clérigos e artistas tiveram uma profunda influência na Grã-Bretanha (e não menos sobe os ingleses) e no continente.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O PERÍODO ROMANO-CELTA


Muitas tribos celtas da Gália que se recusaram à submissão perante os romanos foram forçados a migrarem para outro local e, ao que parece, muitos atravessaram o canal inglês para a Grã-Bretanha, sobretudo os belgas, tal como regista César.
Nomes tribais idênticos foram encontrados nas ilhas e no continente (ex: Atrebates, Paris), além de linguistas modernos mostrarem que as línguas indígenas da Bretanha e da Irlanda são semelhantes às usadas pelos celtas continentais, sendo todos da mesma família de línguas celtas. Também com o evoluir da arqueologia foram identificados artefatos da Idade do Ferro, na Irlanda e na Grã-Bretanha, mostrando ligações importantes com os dos gauleses.

Todos os três tinham as mesmas características na arte, de torvelinho de linhas, sugerindo vegetação, e talvez faces estilizadas de pessoas e animais.


Parecia haver uma ênfase comum em relação as armas, fortalezas e guerras, assim como documentos históricos sugeriam também organizações em comum, não só em termos de religião; os Druidas, por exemplo, encontravam-se entre os três grupos.



Mas também essa fuga seria apenas uma solução temporária, pois em 43DC a conquista romana da Grã-Bretanha começou (apesar de Júlio César ter deixado alguns estados-clientes em 55/54AC), sob decisão do Imperador Claudius.


A ocupação romana das terras que acabaram por se tornar a Inglaterra e Gales (aproximadamente), conduziu a uma perda similar da língua e cultura celta na parte Este da ilha, em relação aos celtas continentais.


Ainda ocorria o processo de independência dos bárbaros da Caledónia (Escócia do Norte), enquanto a Irlanda nunca foi invadida. (Recentemente foi descoberta uma suposta base militar romana em Drumanagh, na Irlanda, que era quase certamente um centro comercial).




No ano 61DC deu-se a rebelião de Boudicca na Inglaterra.

Ela era a rainha da tribo dos Iceni, e conseguiu reunir vários guerreiros celtas numa revolta contra os romanos.

Infelizmente para Boudicca, tal revolta acabou em derrota.


Também neste ano, Suetonius Paulinius, o governador romano da “Britannia”, foi para Anglesey, uma ilha a norte de gales, onde massacrou muitos druidas.




Anglesey era até aí algo como a capital dos druidas, mas ao que parece a maior parte dos druidas sobreviventes depois deste massacre fugiram para a Irlanda, que nunca foi ocupada pelas forças militares romanas.


Em 122 DC, começou a construção da Muralha Adriana, uma muralha com 120 km de comprimento, que marcava as fronteiras do território romano, e mantinha afastados os assaltos das tribos dos Pictish da Escócia. Em 142 DC essa muralha foi extendida mais a norte, quando a muralha Antonina foi construída, apesar de ter sido abandonada novamente 20 anos após a sua construção.
Em 181 DC, um certo comandante romano, Lucius Artorius Castus, foi supostamente posicionado perto da Muralha Adriana, e crê-se que pode ter sido a fonte para as lendas arturianas que mais tarde surgiram.

O estandarte de Artorius tinha de facto um grade dragão vermelho, com o qual Arthur Pendragon teria sido também mais tarde associado.

Quando o Imperador Constantino, o Grande, tornou o cristianismo legal pelo império em 313 DC, ocorreram consequências irreversíveis na cultura dos celtas romanizados.


Os santos cristãos entraram na História, como S. Patrício da Irlanda, S. David de Gales e S. André da Escócia, que são os mais conhecidos.

As populações celtas foram cristianizadas e a Igreja celta tornou-se a religião princip

Em 383 DC, Magnus Maximus foi proclamado Imperador de Roma pelas suas tropas britânicas e instalou-se por si mesmo no trono em Roma.

Deste salto nasceu uma lenda em gales, chamada “The Dream of Macsen Wledig”.

O seu reinado como Imperador de Roma foi curto contudo, e acabou por ser morto em 388.

Assim que o império começou a decair nos séc III e IV, os restantes celtas livres moveram-se para uma posição ofensiva.

Na Caledónia, uma nova confederação, apareceram os Picts.

Estes, ameaçaram as fronteiras romanas, enquanto os navegadores irlandeses, conhecidos como Scotti, navegavam as costas Oeste, estando os anglo-germanos e saxões no Este.


No início do século V, o império romano foi invadido então pelas tribos germânicas, e em 410, o Imperador romano Honorius ordenou à Inglaterra para se defender sozinha, retirou as tropas romanas, acabando aí um período de quase 400 anos de soberania romana na ilha.

Começaram as Dark Ages e a população celta na Grã-bretanha começaram a sofrer das maiores invasões dos Anglo-Saxões.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O PERÍODO LA TÈNE

O segundo período é designado como “Período de La Tène”, entre 450 e 50 AC (período das civilizações clássicas grega e romana) no qual ocorreram mudanças significantes na cultura e tradições celtas. O nome “La Tène” vem de uma aldeia perto do lago de Neuchatel, na Suíça, onde foram feitas descobertas, desta vez de habitações construídas sobre estacaria e de espadas de ferro, assim como outros itens deste período. Por alguma razão os celtas abandonaram os fortes nas colinas de Hallstatt e emergiu uma nova sociedade guerreira. A cultura celta predominante encontrava-se no norte dos Alpes.





Os celtas eram pessoas competentes no fabrico de armas como espadas, e também inventaram a chain mail. Ficaram conhecidos pelas suas capacidades guerreiras por entre as culturas vizinhas, e eram frequentemente contratados como mercenários. Mesmo alguns faraós egípcios escolhiam celtas para mercenários ou guarda-costas. A bravura dos Celtas em batalha é lendária. Eles desprezavam com frequência as armaduras de batalha, indo para o combate de corpo nu.

Ao que parece também foi nesta época que os druidas, como sacerdotes, xamãs, conselheiros, juízes e cronistas, começaram a ganhar importância na sociedade, havendo um incremento do interesse pelo estudo, e surgiram novas formas de arte. Os Celtas transmitiram a sua cultura oralmente, nunca escrevendo a sua história ou os seus fatos. Isto explica a extrema falta de conhecimento quanto aos seus contactos com as civilizações clássicas de Grécia e Roma. Os Celtas eram na generalidade bem instruídos, particularmente no que diz respeito á religião, filosofia, geografia e astronomia. Há no entanto uma ideia consistente sobre os Druidas, de que o culto pode ter sido confinado às ilhas britânicas e em grande parte da Gália, podendo ter sido desconhecido pela maior parte dos celtas continentais da Idade do Ferro. Também havia igualdade entre homens e mulheres na sociedade Celta, nomeadamente em termos de cargos e desempenhos. As mulheres tinham uma condição social igual á dos homens sendo muitas vezes excelentes guerreiras, mercadoras e governantes.


A cultura guerreira estava contudo no coração da sociedade celta, como as sagas heróicas de registos antigos da Irlanda. Como resultado parcial das guerras, muitas tribos celtas migraram de uma região da Europa para outra. Desde a sua terra-natal na Europa Central espalharam-se para oeste na França (leste) e ilhas britânicas, para sudoeste em direcção á Ibéria, para sul, em direcção á Itália, estabelecendo-se no Po Valley, e também para a Alemanha, Áustria e Bohemia (posteriormente para os Balcãs e Ásia Menor). Com as expansões tribos antigas tornaram-se celtas, incluindo os Helvetii, na Suíça, os Boii, na Itália, os Averni, na França, os Scordisci, na Sérvia, e os Belgae, a norte da Gália e no sul da Grã-Bretanha em tempos imediatamente pré-romanos.


A cultura celta era muito tribal e muitos dos nomes das tribos chegaram até nós.
Em 390 AC, os guerreiros celtas gauleses, liderados por um certo Brennus, invadiram a Itália e conquistaram a própria Roma. Claro que na altura Roma não estava sequer perto de ser um império. É dito que os celtas pilharam a maior parte da cidade e destruíram muitos registos escritos romanos, apagando toda a História da civilização até à data (razão pela qual muita da história romana até aí é meio lendária, pois teve que ser reescrita). Demorou 7 meses para que os celtas deixassem a cidade, e foi só porque se fez um acordo segundo o qual os romanos pagariam um resgate, que não era menos que o peso de Brennus em ouro, que famosamente exclamou “vae victis”, que significa “mágoa aos vencedores”. Instalaram-se então no Po Valley, que se tornou a Gália Cisalpina.

Muitas batalhas entre os celtas e romanos seguiram-se durante o período de La Tène, contudo um evento notável foi sem dúvida a invasão celta à Grécia. Em 279 AC, os celtas invadiram a Grécia até Delphi, o maior altar grego, e saquearam o templo. Regressaram com perdas terríveis, contudo, ao que parece, acabaram por se separar e alguns decidiram atravessar a Anatólia (agora Turquia) e instalar-se como uma espécie de reino em volta da moderna Ankara. Os gregos designaram-nos “galatae”, acabando por ser essa a fonte do nome que foi dado á terra: “Galatia”. São estes os galatianos do Novo Testamento.



Em cerca de 200 AC, os celtas ocuparam uma vasta região da Europa, que atravessava da Holanda e Bélgica às ilhas britânicas e Irlanda, passando pela França, Alemanha, Suíça, à Espanha e pelos Alpes no norte de Itália. Mas mais cedo ou mais tarde a sua expansão foi interrompida pelos romanos, que depois começaram a atacar os celtas na Espanha (os celtiberos).

Durante os três últimos séculos AC a expansão romana foi gradualmente subjugando todo o mundo celta continental, excepto nas zonas do Reno e do Danúbio, que foram cedo invadidas por um novo grupo de bárbaros: os germanos. Em 58 AC, o bem conhecido Júlio César começou a sua conquista na Gália (nome dado pelos romanos aos territórios celtas na França, Alemanha e norte de Itália), já tendo começado a conquistar os celtas do norte de Itália, por batalhas que ficaram conhecidas como as Guerras Gaulesas. Estas terminaram numa total derrota dos celtas gauleses, assim como das tribos belgas, que possivelmente tinham tanto origem celta como germânica. A guerra teve o seu auge na batalha de Alésia, em 52 AC, onde Júlio César derrotou Vercingétorix, um celta que foi um dos primeiros a unir as várias tribos da Gália.

Em 51 AC as Guerras Gaulesas terminaram, assim como o período de La Tène da História celta, começando a romanização das tribos celtas, que extinguiu o estilo de vida e a língua celta, passando-se a falar dialectos latinos ancestrais aos actuais espanhol, francês, português, catalão, etc.

No séc III DC, os celtas do sul da Alemanha foram invadidos pela confederação das tribos germânicas, designados por Alamanni. Desde então passaram-se muitos séculos, com muitas invasões posteriores em terras celtas, contudo a cultura celta nunca foi eliminada da Europa e sem dúvida continuará a prosperar no próximo milénio.

HALLSTATT

Hallstatt é uma cidade perto de Salzburg na Austria, e os lugares funerários celtas descobertos no século XIX deram o nome do inicio do período celta na Europa, o qual permaneceu desde o século VII ao século V A.C.

O nome da localidade, como muitos outros lugares europeus, assim como Halle e Hallein, indicam a presença de minas de sal e subentende a importância que o sal jogava no comércio pré-histórico. O sal foi uma grande fonte de riqueza para os senhores da guerra pré-históricos e sua comunidade.

Ele preservava os alimentos, tornava a cozinha mais apaladada, e podia ser trocado no comércio europeu por outros bens. A impressionante qualidade de preservação do mineral foi claramente demonstrado quando o corpo de um mineiro morto num colapso de um túnel foi descoberto com poucos registos de decomposição.

Os guerreiros celtas da Europa Central cresciam ricos através do comércio do sal, e o seu poder e influência expandiu-se do Danúbio ao longo do Reno até França e Sul da Alemanha. O broze, combinado com o cobre, tornou-se no metal dominante no inicio deste período, juntando-se mais tarde o ferro.

A agricultura foi grandemente desenvolvida. Este comportamento foi reflectido em maior destaque mais tarde na sociedade irlandesa e escosesa com raids e contra-raids.

Os escoceses do sul, geralmente conhecidos como os "Fronteiriços", desenvolveram o ' reiving' para um fino e algumas vezes uma arte sangrenta, embora fosse usual os Homens das Terras Altas acompanharem com honra duvidosa as acções de assalto e roubo. Esses raids iniciais dos celtas trouxeram um stock adicional, assim como escravos, os quais podiam ser comercializados(conjuntamente com o sal e ferro) ás sofisticadas culturas citadinas da Itália e da Grécia do sul, providenciando aos celtas vinho e bens luxuriosos.

Foi uma era de expansão para os Celtas, uma era em que a sua cultura marcial tinha pouca oposição, e acabou por se tornar dominante na Europa Ocidental, através dos constantes feudos intertribais preveniam a formação de qualquer género de império organizado.

Outro factor que impediu a formação de um império para competir com a Grécia e mais tarde com Roma foi a simplicidade da vida celta. Eles não construiram grandes cidades para acomodar grandes populações e assim gerar um grande comércio. Em vez disso preferiram uma vida rural e o comércio era o suficiente para manter os abastecimentos de bens exóticos do sul da Europa.

Em termos planos, os Celtas não estavam inclinados para serem grandes construtores de cidades - não por eles não terem tecnologia - pois eles não precisavam disso. Eles viviam um estilo de vida livre e preferiam grandes espaços abertos da Europa do que grandes metrópoles.

A CULTURA HALLSTATT

A Cultura Hallstatt foi a primeira da Idade do Ferro.
As regiões ocidentais desta cultura, entre a França e a Alemanha Ocidental, também falavam a língua celta.
Em Circa (600 A.C.) o grego geógrafo Herodotus escreveu sobre os celtas como estando para além dos "pilares de Hércules"(Gibraltar) e no Alto Danúbio.
O nome "Celta" possivelmente veio da tribo dominante de Hallsatt, ou da palavra dominante da sua língua, e tornou-se num conceito unificador para toda a cultura. "Celta" é o que o povo se chamava a si próprio, e os gregos referiam-se aos Celtas como "Keltoi".
Existem várias opiniões sobre esta questão; alguns experts falam que o nome "Celta" foi dado pelos próprios gregos.

O Período de Hallstatt, deu-se entre 1200 e 450 AC, no fim da Idade do Bronze, no entanto o aparecimento dos celtas mais marcante verificou-se na segunda metade deste período, começando em cerca de 800 AC.

O nome “Hallstatt” é dado devido às marcas mais importantes dos celtas mais antigos terem sido encontradas nessa aldeia da Áustria. A área abrangia a Áustria, Alemanha, Suíça e França.
Na altura estes exploravam minas de sal (“Hall”), em todos os sítios que têm “Hall” no nome (Hallein, Helle, Schwabisch Hall). A sociedade baseava-se na extracção do sal e na sua venda, tendo properado graças a esta actividade em conjunto com a dos ferreiros.
A tecnologia do ferro também foi abraçada por ferreiros celtas inovadores, que produziam o melhor metal na Europa, que era bastante procurado. Desta forma mantinham relações comerciais com os gregos e etruscos, devendo as culturas ter-se influenciado mutuamente até certo nível, nomeadamente a nível da arte que ganhou os seus traços característicos. Nesta altura, os celtas construíram fortes nas colinas e desenvolveram a tradição de enterrar os seus mortos muitas vezes com as suas espadas de ferro. Eles foram das primeiras culturas a enterrar os mortos.

Foi em 517 AC que os gregos começaram a chamar a esse povo keltoi. Em vez de serem caracterizados por laços genéticos, eram caracterizados pela sua cultura-linguística.

Designavam portanto na altura apenas os antigos gauleses da França e outros povos continentais.
Em cerca de 500 AC, estes principados foram brutalmente destruídos.

A EXPANSÃO CELTA

A expansão celta atingiu o clímax no século III a.C.
Não se sabe com certeza nem as causas nem os métodos de suas andanças.

Supõe-se que partiam em levas sucessivas, cada qual numa direção em busca de terra para habitar.
O avanço dos celtas atingiu seus limites máximos no século III a.C. Após esta data, enfraquecem.
Seus vizinhos contêm os celtas gálatas na Ásia Menor e, antes mesmo da intervenção romana, a monarquia de Pérgamo estabeleceu sobre eles uma espécie de protetorado. Os citas, os getas e os dácios empurraram os celtas para a atual Hungria.

No Mediterrâneo, os romanos, após a vitória de Tálamon em 225 a.C., empreenderam a conquista e depois a colonização da Gália Cisalpina; puseram fim à independência dos celtiberos, cujo último reduto, Numância, sucumbiu em 113 a.C.

Finalmente, sob o comando de Júlio César, derrotaram definitivamente os gauleses transalpinos em 51 a.C., comandados por Vercingétorix.

O Imperador Augusto anexou ainda a Gálácia (25 a.C.) e submeteu as tribos alpinas e do Danúbio.

Os bretões que, por sua vez, se encontravam estabelecidos nas ilhas Britânicas só foram conquistados por Roma no correr do I século d.C.
Esse foi, pois, o fim dos celtas antigos que, embora tivessem tantas terras em seu poder, nunca chegaram a constituir um império com unidade política.
No século I a.C. todos os seus domínios - exceto a Irlanda e a Escócia - estavam submetidos a Roma.

Apesar de tudo, coube aos celtas o importante papel de difundir em diversas regiões a cultura de Hallstatt (aproximadamente 1.000 a 600 a.C.), primeira cultura metalúrgica, hábil na construção de novas e terríveis armas de ferro (espada, punhais, lanças).

Por volta de 500 a.C., mais para o ocidente se desenvolvia e difundia a cultura de La Tène, considerada, metarlurgia mais elaborada e refinada. Mas as suas armas eram muito grandes e pesadas, e os celtas não combatiam em formação militar. Isso talvez explique o fato de terem sido vencidos, com relativa facilidade, pelas legiões romanas, mais disciplinadas e portadoras de armas mais leves e manejáveis.

Além disso, os soldados gauleses não usavam elmos nem armaduras, proteções conferidas unicamente aos chefes.

A HISTÓRIA

O Início:

Os celtas, como povo distinto, tiveram as suas origens na civilização Indo-Europeia, que migraram para a Europa entre 2500 e 1500 AC, aparecendo na Idade do Ferro.

Ao longo do tempo formaram-se três grupos distintos: as tribos itálicas, que viajaram para sul (mais tarde os romanos), as tribos germânicas que viajaram para norte (mais tarde vikings, saxões, godos, …), e as tribos celtas que viajaram para oeste.

Contudo o primeiro período celta registado na História verifica-se por volta de 1200 AC.

Os celtas nunca foram um tipo de “império”, com um governo centralizado.

A sua estrutura social original era muito tribal, cada um por si, e sem dúvidas que as tradições, os rituais e os nomes dos Deuses, assim como a língua, podiam ter sido diferentes de tribo para tribo.

Não são conhecidos documentos da literatura céltica, mas fontes irlandesas e galesas posteriores revelam muito da sociedade e do mundo de vida dos celtas.

Povo fundamentalmente agrícola, com artesanato desenvolvido, em alguns lugares se dedicava à fundição de ferro e agrupava-se em pequenas povoações.

Sua unidade social, baseada no parentesco, era dividida entre uma nobreza guerreira e uma classe de agricultores.

Da nobreza, recrutavam-se os sacerdotes e os Druidas, que ficavam acima de todos.

A arte céltica mistura figuras humanas estilizadas com desenhos abstratos de arabescos e espirais.

A influência linguística celta permanece no gaélico (Irlanda, Escócia e ilha de Man) e no galês.

A influência dos celtas declinou durante o século I a.C. devido à expanção do Império Romano e às incursões de povos germânicos.



Os Celtas dominaram o meio e a parte Ocidental da Europa durante mil anos. Mas apenas recentemente importância da influência celta na cultura, linguística e desenvolvimento artístico da Europa parece ter gerado interesse de estudo deste povo. Os Celtas estão indentificados como uma raça ou grupo étnico que desapareceu desde á muito, exceto em certos lugares como a Irlanda e as Terras Altas da Escócia, e ainda em Gales e Bretanha.
Os Celtas transmitiam a sua cultura oralmente, nunca escreveram a sua história ou fatos.

Daí o fraco conhecimento sobre os seus contatos com as civilizações clássicas da Grécia e Roma. Eles eram mestres na metalurgia, e pré seguiam a vida para além da morte na sua religião, tinham também conhecimento em áreas como a Filosofia, Geografia, e Astronomia.

Os Romanos tinham como tutores para os seus filhos de acordo com um historiador romano.

Isto teve consequência no Império Romano que cresceu em poder e prestígio. Esses tutores foram mais tarde substituídos por outros de outras culturas, pois os romanos consideravam os Celtas um povo bárbaro para educar a sua juventude.

A bravura dos Celtas em batalha é lendária.

Eles muitas vezes tiravam a armadura, partindo despidos para a batalha.

A sociedade celta era típicamente mais igual em termos de sexos .

A mulher era tão mais ou menos igual do que um homem guerreiro, elas participavam e acompanhavam os guerreiros, comerciantes e governantes.

No Inicio da Europa os primeiros habitantes na Europa foram as tribos caçadoras e recoletoras do Paleolítico.

Até ao final da Idade do Gelo (a 10000 anos ), eles começaram a adotar um estilo de vida agrário.

Isto aconteceu á cerca de 2500 anos durante o Mesolítico.

Estas sociedades agrícolas começaram a fabricar potes por volta de 5000 A.C., o inicio do Período Neolítico.

O Neolítico durou até cerca de 2500 A.C.

Durante este tempo nós não temos conhecimento sobre a raça ou língua desses primeiros europeus. Não é conhecido se eles falavam uma língua Indo-europeia ou ainda as línguas pré-indo-europeias. O pouco conhecimento dá-se na Idade do Bronze (2500-800 A.C.), a raça do povo é desconhecida, mas desde a primeira migração grega que ocorreu em 1800 A.C.

O que se sabe é que algumas pessoas falavam uma língua Indo-Europeia.

Não é conhecido se foi motivado pelas migrações Indo-Europeias vindas da Rússia, ou se a Europa estava num nível cultural baixo no tempo em que se tornou Indo-Europeia.

Muitas teorias, e isto tudo pode ser, relacionado pelo fluxo de povos que falavam línguas classificadas como Indo-Europeias. Contudo, o crescimento da população da Idade do Bronze, era formada na base das culturas da Idade do Ferro.

A primeira foi a Cultura de Hallstatt, agora claramente vista como o inicio da cultura Celta.

STONEHENGE: O MITO DESFEITO

Antes de começar desfaz-se um mito: os famosos círculos de pedra, como Stonehenge não foram construídos pelos celtas ou druidas.
Há muitos mistérios em volta destes círculos de pedra lindíssimos que parece terem sido usados mais tarde pelos druidas como templo, contudo Stonehenge, por exemplo, foi construído por uma civilização das ilhas britânicas anterior aos celtas.

De seguida fala-se do Oran Mor.
O Oran Mor, traduzido como “A Grande Melodia”, é o que existe de mais próximo sobre o mito da criação celta.
Diz-se que o Oran Mor começou no silêncio, quando nada existia ainda.
Depois a canção começou.
A vida foi tocada (sung) na existência, e que a melodia continuou desde então, para aqueles que a ouvem.

Deve-se ter em conta que muitas das informações que até hoje obtivemos vêm de escritores romanos como Estrabão e César, que apesar de não serem fontes isentas nos transmitem algum conhecimento acerca da sociedade celta.

domingo, 24 de maio de 2009

HISTÓRIA - RESUMO

Distribuição dos celtas na Europa.
A área verde na imagem sugere a possível extensão da área (proto-) céltica por volta de 1000 a.e.a. A área laranja indica a região de nascimento da cultura La Tène e a área vermelha indica a possível região sob influência céltica por volta de 400 a.e.a. Vestígios associados à cultura celta remontam a pelo menos 800 a.e.a, no sul da Alemanha e no oeste dos Alpes.
Todavia, é muito provável que o grupo étnico celta já estivesse presente na Europa Central há centenas ou milhares de anos antes desse período.
Durante a primeira fase da Idade do Ferro céltica (do século VIII a.e.a ao século V a.e.a.), as sepulturas encontradas pelos arqueólogos indicam o surgimento de uma nova aristocracia e de uma crescente estratificação social.
Essa estratificação aprofundou-se a partir do século VI a.e.a., quando grupos do norte da Europa e da região oeste dos Alpes entraram em contato comercial com as colônias gregas fundadas no Mediterrâneo Ocidental.
O intercâmbio com os gregos, que chamavam aos celtas indistintamente de keltoi, é evidenciado pelas finas peças de cerâmica grega encontradas nos túmulos. É igualmente provável que os gregos tenham adotado o costume de armazenar o vinho em vasos de cerâmica após seus contactos com os celtas, que já os utilizavam como forma de armazenamento de provisões.
Os objetos inumados das sepulturas comprovam que o comércio dos celtas se estendia a regiões ainda mais afastadas, tendo sido encontradas peças de bronze de origem etrusca e tecidos de seda seguramente oriundos da China.
A partir do século V a.e.a., verifica-se um deslocamento dos centros urbanos celtas, até então localizados ao longo dos rios Ródano, Saona e Danúbio, evento associado a segunda fase da Idade do Ferro europeia e ao desenvolvimento artístico da cultura La Tène.
As sepulturas deste período apresentam armas e carros de combate, embora sejam menos ricas do que as do período pacífico anterior, provavelmente, reflexo da sua fase de maior expansão, quando invadiram o sul da Europa após 400 a.e.a.
Em 390 a.e.a. os celtas invadiram o norte da península Itálica (Gália Cisalpina) e saquearam Roma. Por volta de 272 a.e.a., pilharam Delfos na Grécia.
As hostes celtas conquistaram territórios na Ásia Menor, nos Balcãs e no norte da Itália, onde o contingente mais numeroso era o dos gauleses.
A partir do século II a.e.a., os celtas começam a perder território para os povos de língua germânica, e os romanos, pouco a pouco, conseguem dominá-los, o que consolidam a partir de 192 a.e.a., quando anexam a Gália Cisalpina ao Império Romano.
Os golpes finais na dominância celta ocorrem no século I a.e.a., quando Júlio César conquista a Gália, e no século I d.e.a., quando o imperador Cláudio domina a Bretanha. Somente a Irlanda e o norte da Escócia, onde viviam os escotos, permaneceram fora da zona de influência direta do Império Romano.

DEMOGRAFIA

As origens dos povos celtas são motivo de controvérsia, especulando-se que entre 1900 e 1500 a.e.a. (antes da era atual) tenham surgido da fusão de descendentes dos agricultores danubianos neolíticos e de povos de pastores oriundos das estepes.

Esta incerteza deriva da complexidade e diversidade dos povos celtas, que além de englobarem grupos distintos, parecem ser a resultante da fusão sucessiva de culturas e etnias. Na península Ibérica, por exemplo, parte da população celta se misturou aos iberos, o que resultou no surgimento dos celtiberos.
Todavia, estudos genéticos realizados em 2004 por Daniel Bradley, do Trinity College de Dublin, demonstraram que os laços genéticos entre os habitantes de áreas célticas como Gales, Escócia, Irlanda, Bretanha e Cornualha são muito fortes e trouxeram uma novidade: a de que, de entre todos os demais povos da Europa, os traços genéticos mais próximos destes eram encontrados na península Ibérica.
Daniel Bradley explicou que sua equipe propunha uma origem muito mais antiga para as comunidades da costa do Atlântico: pelo menos 6000 anos atrás, ou até antes disso.

Os grupos migratórios que deram origem aos povos celtas do noroeste europeu teriam saído da costa atlântica da península Ibérica nos finais da última Idade do Gelo e ocupada as terras recém libertadas da cobertura glacial no noroeste europeu, expandindo-se depois para as áreas continentais mais distantes do mar.
O geneticista Bryan Sykes confirma esta teoria no seu livro Blood of the Isles (2006), a partir de um estudo efectuado em 2006 pela equipe de geneticistas da Universidade de Oxford.

O estudo analisou amostras de ADN recolhidas de 10.000 voluntários do Reino Unido e Irlanda, permitindo concluir que os celtas que habitaram estas terras, — escoceses, galeses e irlandeses —, eram descendentes dos celtas da península Ibérica que migraram para as ilhas Britânicas e Irlanda entre 4.000 e 5.000 a.e.a..
Outro geneticista da Universidade de Oxford, Stephen Oppenheimer, corrobora esta teoria no seu livro "The Origins of the British" (2006). Estes estudos levaram também à conclusão de que os primitivos celtas tiveram a sua origem não na Europa Central, mas entre os povos que se refugiaram na península Ibérica durante a última Idade do Gelo.
Estudos feitos na Universidade do País de Gales defendem que as inscrições encontradas em estelas no sudoeste da península Ibérica demonstram que os celtas do País de Gales vieram do sul de Portugal e do sudoeste de Espanha.

NOMES E TERMINOLOGIA

Na Antigüidade os celtas foram conhecidos por três designações diferentes, pelos autores greco-romanos: celtas (em latim Celtae, em grego Κελτοί, transl. Keltoí); gálatas (em latim galatae, em grego Γαλάται, transl. Galátai); e galos ou gauleses (latim gallai, galli; grego Γάλλοί, transl. Galloí).


Os romanos se referiam apenas aos celtas continentais como celtae; os celtas da Irlanda e das ilhas Britânicas, nunca foram designados por celtas, nem pelos romanos nem por si próprios, eram chamados de Hiberni (hibérnios) e Britanni (bretões), respectivamente, e só começaram a ser chamados de celtas no século XVI.


No De Bello Gallico, Júlio César comentou que o nome "celta" era a maneira pela qual os gauleses chamavam-se a si próprios na "língua celta" (lingua Celtae).


Pausânias comentou ainda que os gauleses não só se chamavam a si mesmos de celtas como era também por este nome que os outros povos os conheciam.


Atestando este fato temos evidência na epigrafia funerária onde se confirma que havia povos chamados de celtas e que se identificavam como tal.
A raiz do termo "celta" aparece como elemento dos nomes próprios nativos da Gália, Celtillos, e da península Ibérica, Celtio, Celtus, Celticus; nos nomes tribais, célticos, celtiberos; e nos topónimos, Celti, Céltica e Celtibéria.
Existem duas principais definições do termo celta, uma dada pelos autores da Antiguidade e uma definição moderna, criada por autores contemporâneos. A definição moderna do termo celta tem significados diferentes em contextos diferentes; linguistas, antropólogos, arqueólogos, historiadores, folcloristas todos o usam de forma diferente revelando discrepâncias entre os diferentes conceitos.


A validade de empregar o termo celta, para além da definição dada pelos autores greco-romanos da Antiguidade, é polémica e já era contestada por autores do século XIX.
Segundo os linguistas, são celtas os povos que falaram ou falam uma língua celta e, por associação, são celtas as terras onde eles vivem.


Segundo esta teoria, os povos celtas que deixaram de falar uma língua celta também deixaram de ser designados de celtas.
Em arqueologia determinou-se chamar de celtas os povos que partilham uma cultura material e um estilo de arte específico.


Associam-se as culturas de Hallstatt e La Tène às culturas celtas e proto-celtas.


Definem-se como celtas os povos das áreas da Europa continental, da Irlanda e das Ilhas Britânicas que partilharam estas culturas.